quarta-feira, novembro 28, 2007








tentação



foto by: Amanda Com




No mistério da noite
Só o teu odor me conduz.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, novembro 26, 2007








Ao meu Povo


(que se esqueceu do que foi)


Povo que sempre lutaste
Ouve bem esta canção
Dá por certo que mudaste
Em trinta anos alteraste
Ruelas da tua paixão
Locais que sempre adoraste
Ou tratas-te com carinho
Cidades que tu habitaste,
Aldeias que engalanaste
Lugares vivos do caminho.


Manuel F.C. Almeida

sábado, novembro 24, 2007



Palavras

foto by:Paulo Madeira - www.paulomadeira.net

Quando as palavras se revelam
Nada mais significar,
Faça-mos delas lições
Que o tempo fará perdurar
E cavalguemos a vida
P’rá vida nos libertar.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, novembro 23, 2007



ASSASSINO














Só o silêncio me aponta o caminho até à ruína dos meus altares. Matei os deuses naquela manha em que descobri que a fome pode viver nos olhos de uma criança.

Manuel Filipe Carvalho de Almeida

quarta-feira, novembro 21, 2007




MUNDOS














Tragam-me numa bandeja de madrepérola a cinza vulcânica das bandeiras tingidas pelo sangue de mil heróis esventrados pelo milagre das rosas. Tragam-me o rugido das ondas e o grito lancinante das virgens sacrificadas nos palcos das catedrais engalanadas a ouro. Tragam-me os olhares petrificados dos deserdados da vida, dos que deambulam pelo mundo industrial de chaminés assassinas e eternas. Tragam-me o hímen intacto das meninas que se compram nos destinos turísticos da gordura ocidental. Tragam-me a imagem escondida nos cabelos sedosos de uma meretriz de olhos brilhantes e voz de cadáver vivo. E vós, vós os que tudo me trazem espreitem as sílabas que explodem junto ás muralhas do meu ser. E vejam-me em mil cópulas adiadas, mil bacanais dementes escondidos pela vergonha do ser social.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, novembro 19, 2007






TEU OLHAR



foto:Cristye





Amarro em mim os
Filhos da lua, com fios
Roubados de um casulo
De palavras errantes.
Prateados, os corpos
Elevam-se numa ária
De sensualidade, no desespero
Das palavras que se perderam
No mar.
Tuas lágrimas, mundos
Perfeitos de sal,
Que cintilam na escuridão
Do luar, caem como flocos
Numa manhã que desperta
A cor da vida
Em teu olhar.

Manuel F. C. Almeida

sábado, novembro 17, 2007



SONETO PARA C.V.











Aqui, a planície ganha tons d’ aguarela,
Quando os elementos se dão ao olhar.
Com o cantar das aves, pinto uma tela.
Da cor destes campos, faço um cantar.


Aqui, o tempo dança na ponta da vela.
A história está viva no cante e no ar.
No meu caminhar encontra-se a estrela,
Dos dias passados em luta, a mudar.


E foram anos e anos de lutas constantes,
De noites perdidas, ausentes, errantes,
Em defesa do todo e de um ideal.


E olhando para trás, pró nosso passado,
Descubro que tudo o que está mudado,
Foi graças ao povo e ao Poder Local.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, novembro 15, 2007





PARTILHA







Passavam-se os dias ao som do nosso olhar,
Recolhíamos nos lábios sílabas perdidas
Em silenciosos segredos cósmicos, depois dos
Beijos circulares e das copulas matinais
Partilhámos o sol e as estrelas
À espera de um orgasmo redentor.

Manuel Filipe Carvalho de Almeida

terça-feira, novembro 13, 2007



BEIJAR-TE






Curvei-me com a força
Do vento.
Soprei-me nas imagens
Do tempo.

Beijar-te foi o despertar…
Num lamento.

Manuel F. C. Almeida

domingo, novembro 11, 2007










O POETA



FOTO BY: Karina Bertoncini



Caminha só
O poeta.
Calado e pensativo.
Não diz nada do que pensa.
Mas pensa tudo o que não diz.
Para escrever o poema,
O mistério do seu viver
Na vida que sempre quis.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, novembro 09, 2007










INTERROGAÇÕES





FOTO BY: Heliz

Tenho uma estrada à porta de casa. Uma estrada que me leva para lá dos sonhos vazios e inócuos onde ninguém pode viver. E é assim a vida, corre num sentido só. Ilusoriamente pensamo-nos donos do caminho que se estende sem horizontes. Olhamos os espelhos e pensamo-nos livres nas escolhas, mas não há liberdade na vida, não há liberdade no drama da existência. Mais tortuoso e longo é o caminho cabalístico dos teoremas indecifráveis, segredos de vida, gravados a sangue na pele ao nascer. Choramos no desespero do oxigénio que nos consome as células virgens num primeiro minuto de infelicidade que se perpetuará no tempo até ao derradeiro sopro libertador.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, novembro 07, 2007







Fui eu



foto by: Carla Broekhuizen








Sim fui eu que fechei as cortinas
Antes do nascer das águas
E da morte lunar por detrás dos montes.
Quando olhei
Já o sol subia nas asas de uma gaivota
Ao som dos regatos escondidos
No colorido das harpas ao vento
Numa alvorada marinha.
Das margens deste lago invisível
Uma espada cruzou o tempo
E quedou-se
Parada entre a frescura
Da carne e o medo
Da morte.
Quando olhei
Vi o gume dobrar
O poema da vida,
E a canção das areias
Correr em vagas de luz,
Agonizante e bela
Ao encontro da sombra
De mim.
Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, novembro 05, 2007







COMO?



FOTO BY:Nuno Belo





Castanhos, os teus olhos
Entraram em mim e
Devastaram a verdade
Que tinha.
Trocámos as mãos
E os corpos,
Mas o medo do tédio,
E do passado dançava
Diante de nós.
Só este sentir mais que sentir
Pode vencer os fantasmas.
Só ele pode levar-nos de
Viajem.
Manuel F. C. Almeida

sábado, novembro 03, 2007







O TEU FADO


FOTO BY: SAGHER




Costumo sonhar com teus beijos
Afogado em mil desejos
E em mil canções de embalar.
Nesta vida de mentiras
De quadros feitos de tiras
Existo para te beijar.
(BIS)
Nada pretendo da vida
Encontrei-te assim perdida
Nunca mais te vou deixar.
Não sou teu, nem tu és minha
Somos ambos quem caminha
Lado a lado no olhar.
(BIS)
Somos diferentes no ser
Diferentes somos no querer
Mais diferentes no amar.
Teu corpo é meu santuário
Minha imagem teu sudário
Nossos corpos um cantar.
(BIS)
Tua mão na minha mão
Aquece o meu coração
Dá-me o teu corpo a explorar.
Por fim beijo a tua alma
Encontro a paz e a calma
Na volúpia de um luar.
(BIS)
MANUEL F. C. ALMEIDA
31-10-2007

quinta-feira, novembro 01, 2007




FRAGIL









Não há ninhos
Seguros,
Nem lugares
Encantados,
Só as palavras
São reais
Na fragilidade
Dos sentidos.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, outubro 29, 2007









CONCEITOS





FOTO BY: Fernando Figueiredo




Nas minhas palavras os nomes surgem dos escombros das memórias e do frio das sombras projectadas em jardins mortos nas ilhas intemporais. Nas minhas palavras as azinheiras crescem lentamente sem sentido e os olhares escondem algumas verdades cruéis. Palavras que se escondem no segredo das palavras contidas noutros olhares. A crueldade dos silêncios faz crescer a crueldade dos olhares. As mãos tingem-se com o sangue derramado nas omissões egoistas que desejamos conseguir.
Como odeio a caridade altruista que se pinta de boas intenções.
Manuel F. C. Almeida

sábado, outubro 27, 2007











OLHAR




Este é o tempo de re-olhar.
Tempo de cantar
A morte dos medos.
Tempo de cantar
O regresso ao caminho,
De mãos dados com
O horizonte.



Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, outubro 25, 2007







HOJE





Hoje acendi velas nos olhos…
Imagens esculpidas nas nuvens
Dançam na noite sem fim,
Uma noite feita de incenso, mirra
Ardor e jasmim.
Hoje tenho o teu cheiro
Que ficou dentro
de mim.

MANUEL F C ALMEIDA

segunda-feira, outubro 22, 2007





ELEGIA DAS ORQUIDEAS







foto: Jomané






Quem veio colher as orquídeas
Que me povoavam a alma?
Quem me roubou a voz
Que me chamava tempo?
Num velho baú temporal
Entrei na ilha encantada
Dos homens de pedra pelo olhar.
Estilhacei-me no canto de Circe,
Já não resgato aos meus olhos
Os minutos de um relógio visionado
Nos limites do sonho e da alegria.
Agora toma-os o negro dos dias…
Sem orquídeas e sem alma.

Manuel F.C. Almeida

sábado, outubro 20, 2007







porto de abrigo

Foto by: .k&p




Julguei que estavas aqui,
Ao pé mim para me abraçar
Tolo, que fui, só aqui te refugiaste
Na procura de um porto
Onde descansar.
Era forte a tempestade
Mais forte ainda a desilusão.
Nas minhas aguas paradas
Sabias ter um abrigo, uma mão.
Outros barcos acostaram
E partiram, como um dia
Vais partir, de velas soltas
À espera de um vento fresco e
Renovado.
Nesse dia ao olhares para trás,
Não te arrependas por nunca teres
Chorado.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, outubro 19, 2007












COMO É QUE EU OS POSSO CALAR?





COM, A RECEITA DO TIO ANTÓNIO


o personagem em causa cultiva, sem sombra de duvida, uma postura politica herdeira directa do fascismo Português. Com o moderno discurso que tenta isolar os trabalhadores das suas organizações sindicais, J. Sócrates mais não faz que seguir a cartilha politica neoliberal. Apoiados em Sindicatos traidores, os governantes Europeus assinaram um acordo fantoche sobreflexisegurança. Os trabalhadores perdem direitos conquistados com a luta social dos anos 60 e 70, vêm a sua força de trabalho desvalorizada e a precariedade a que estão votados milhões de Europeus apenas tem como fim o controle dos salários por parte das grandes multinacionais. Os europeus tardam em acordar de um pesadelo em que se deixaram cair. Nunca como hoje a vida dos cidadãos foi tão ameaçada pelo poder politico. O controle é total. A Comunicação social está de forma clara ao serviço das estratégia do capitalismo selvagem que tem neste momento as condições necessárias para sair à rua sem vergonha. O big brother de Horwell é nos países ocidentais uma realidade indesmentível. As pessoas sentem-se impotentes dado o momento social que se vive caracterizado por um individualismo atroz. E o mais caricato é que este personagem granjeia o apoio de muitos Portugueses e do aparelho partidário do PS.
Daqui posso retirar uma conclusão:
-os militantes socialistas que vergonhosamente a tudo se calam são, sem lugar a qualquer dúvida, uma organização que evoluirá para um partido semelhante ao partido do Colorado mexicano e apenas a vergonha os impede de abertamente declararem que o Socialismo democrático( como lhe chamaM) não passa de uma ideologia neofascista.

Manuel F. C. Almeida.

terça-feira, outubro 16, 2007


Canto o teu mundo
no meu
( A Adriano C. de Oliveira)

Do teu cantar
Fiz meu canto,
Do teu sonho
Meu sonhar.
Com teu olhar
Fiz meu espanto
Com teu espirito
Meu lutar.
Manuel F. C. Almeida





CARMIM


foto: Ana Rita Vaz Cruz







Canto o silêncio do mundo.
O abrir ruidoso das orquídeas
Nos campos incógnitos do sul.
As madrugadas de orvalho
Caídas no nosso olhar.
Canto a dúvida da vida
No seu lento despertar
E os teus lábios de carmim
Marcados por me beijar.
Eu canto o silêncio do mundo
Numa sonata ao luar.

Manuel F. C. Almeida

domingo, outubro 14, 2007











Amigos

FOTO BY:angelica





Em paz com o cosmos
Reencontro-me na memória
Terna de um coração amigo.
Venci a distância na recusa
De esquecer.
Agora sei que
Nada pode sangrar a imagem
Do nome amigo, e do seu coração
De filigrana encantada.

Manuel F C. Almeida

sexta-feira, outubro 12, 2007






FOTO BY;Lu Peçanha









O luar teima em manter-se acima da vontade ou da ilusória glória dos riachos. Deslizando devagar, sobre o tecto de chuva repentina, vislumbro as arvores que juraram defender o teu nome, naquela madrugada maldita em que a galáxia se espacejou sobre o nosso coração. É nessa chuva tempestiva que o teu nome se esconde, sempre do lado mais escuro do vento onde as buganvílias se desnudam, as libelinhas se transformam em janelas por realizar e as rosas cobrem a vastidão dos desertos. É linda a visão do deserto manchado pelo vermelho doce e aveludado dos teus lábios e do teu nome transvertido numa espiral de doçura suavemente obscena. Resta a esperança de figurar na linguagem assombrada do teu nome e que o soletrar se faça com o som de mil aves fossilizadas em mim.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, outubro 10, 2007








SOMOS SOLDADOS









Regresso da guerra
Das ruas de Bagdad, de Cabul
Ou de New Orleans,
Transporto no olhar o
Respirar lento dos que
Desesperam
E as lágrimas dos que
Chamam a morte.
Regresso cobardemente
Sorridente,
E trago comigo a lembrança
Dos olhares audazes
Dos mil heróis que pereceram
Por nada.
Trago também o colorido
Das medalhas
E o som abafado da fome
No olhar das crianças.
Regresso com o peso
Dos que ficaram
Dos que erguem a bandeira
Estúpida dos hinos e
Das cores garridas
Tatuadas na fé.
Regresso sujo pelo pó
Das vitimas colaterais
No Sudão, na Sérvia ou
São Paulo.
Marcado em brasa nas
Memórias lancinantes
Dos gritos de revolta
Do Tibete em silêncio.
Regresso com um rastilho
Nas palavras e a
Revolta de fogo nas mãos
Assassinas.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, outubro 09, 2007


quem foi que te traiu?
Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera inteira.Che Guevara

domingo, outubro 07, 2007









Margens





Foto by:Alba Luna



As margens deste rio apertam-se na linha do horizonte desenhando trilhos e caminhos secretos na procura do meu elo perdido. Os cisnes, brancos, desfilam nas aguas serenas, desenhando ondas que se repetem sem cessar como raios de sol. Sentado nas margens, fixo o olhar na plenitude do rio e na serenidade sensual da corrente. Encontrei o limite das minhas memórias neste espelho sem fim que se alonga na paisagem. As águas devolvem-me o olhar com a interrogação que lhes coloco. Nada mais pode interromper este último acto. Fecho os olhos na esperança de que tudo encontre o seu lugar dentro de mim. O ar, a terra, o fogo, a água. Finalmente sinto-me eu. Acaricio na memória o teu cabelo e tomo-te o corpo num sonho presente.

Serás para sempre.

Uma primeira ultima vez.




Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, outubro 04, 2007



ALENTEJO

(NOVO OLHAR)









Silêncios tingidos
De branco
Em dias de luz
De um só tom.
Mascaras feitas
De terra
Em moldes
Sem tempo
Nem som.
Charnecas sem
Movimento.
Praias de vistas
Sem fim
Montes e vales
Despidos
Giestas, estevas
Jasmim
Tudo está preso
No tempo
Tudo está vivo
Pra mim.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, outubro 03, 2007






POETAS







MINEIROS DOS CONCEITOS
QUE SE ESCONDEM E SE ENCOBREM
NAS PALAVRAS QUE SE DESPEM
DE REALIDADES ILUSÓRIAS.
DA NOITE CONSTREM O DIA E
DOS OLHOS, FAZEM UM REFUGIO
COM MIL DESENHOS, ERÓTICAMENTE,
SONHADOS.
DOS BRAÇOS ABERTOS FAZEM AVES,
E COM ELAS VIVEM LIBERDADES
EM CORPOS, LUXURIOSAMENTE,
SUADOS.
E CAVAM FUNDO NOS SEGREDOS
QUE OS SENTIDOS INDICAM
NAS PALAVRAS E SENTIMENTOS
MUDADOS.


MANUEL F C ALMEIDA

segunda-feira, outubro 01, 2007






despertar magico



Foto by:


ABrito






Com o veludo dos teus lábios
Afagas-me a alma
E numa canção de embalar
despertaste-me o corpo
Em tarde calma.


Manuel F.C. Almeida

sábado, setembro 29, 2007






sopro





foto by:artland










Foram os fios dos meus dedos
Que se encantaram nas sedas do teu corpo
Foste a crisálida encantada.
A beleza transmutada pelo tempo
Ao passar dos meses e do sol.
Num desejo, eu clamo pelo teu ser
E faço deste amor um hino, uma canção
Projecto além, este meu querer...
Soprar-te um dia o coração.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, setembro 27, 2007






Dizer lutar



foto by: RAPHAEL o pensativo




A luxúria dos movimentos
e do olhar
Desperta a leveza livre
dos desejos

Da negação das divindades
solta-se o fulgor
dos corpos em bruto

E da volúpia egoísta
da carne,
solta-se o amor
pelo qual eu luto.

Manuel F.C. Almeida

terça-feira, setembro 25, 2007









Tela



foto by:MARIAH





Na paisagem de uma tela insensível
Erguem-se muros sobre os sentidos.
Os silêncios tocam o desejo
E o vento embala os sonhos e o prazer.
Constrói-se o nome dos nomes
E sobre ele o amor dos amores.
Os rostos tomam a cor da luxúria
Como cavalos selvagens nas pradarias
Desaparecidas.
Nos lábios repousa a fragilidade da vida,
Já nada resta do que fomos.

Manuel F. C. Almeida

domingo, setembro 23, 2007






SENTIDOS



FOTO BY: avalon [paulo franco]





Os meus dedos desenharam-te
e os meus olhos encheram-se de ti.
As mãos contornaram a tua figura,
os lábios uniram as bocas
e fundimos os corpos
na leitura de um poema…
Deste poema.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, setembro 21, 2007





HUMANOS




Foto by:


Filomena Chito




Que me dizem deste trilho de fórmulas escondidas onde se tropeça no sentido da palavra vida?
Olhem bem dos homens, as sombras projectadas de uma dança selvaticamente colorida pelo suor dos bailarinos.
Olhem bem para esta sinfonia de lírios em movimento circular na tentativa de abrir assim um caminho em direcção ao infinito, e a angustia das libelinhas sem rios para ocupar.
Neste trilho tudo se repete e acontece numa fusão orgânica livre de espécies e de tipos.
Neste trilho que teimamos em queimar mais não somos que coveiros da vida.
Da nossa vida.
De toda a vida.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, setembro 19, 2007






Caminho



Foto by: Bruno Abreu




Nada mais procuro que um pouco de paz
Nas aguas límpidas de um rio que penso meu.
Caminho, cego, em direcção a faces que não vejo
Guiado pelo cheiro de quem julgo que me quer.
Pretensão sublime conhecer alguém
Neste turbilhão humano que teima em fazer
Da vida artigo para vender.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, setembro 17, 2007




Férias (2ª parte)


Foto by:


Heliz





Ergue-se no altar do mármore primordial um corpo sem face, pintado com algas e com o sangue dos deuses de Asgard. A primavera tarda e as flores não abrem em honra dos animais cegos e sangrados em mil rituais civilizados. O glaciar verte as suas lágrimas, límpidas e puras nas correntes de lama civilizacional.
Num dos lados, a mensagem abre-se em remoinhos de vento, na volatilidade dos conceitos emocionalmente abertos à vida. No outro toma forma o quadro final. Aquele em que a renuncia se consome em momentos de solidão e de prazer honanistico. Falos gigantes como menires erguem-se em homenagem às virgens perdidas e clitóricamente habladas. Os xamãs dançam ao som das aves do paraíso e untam-se com o liquido seminal de mil ejaculações falhadas e perdidas entre as coxas da deusa sem face. Sinto-me levitar num mundo cruel e injusto onde Moisés, Maomé, Cristo e os outros profetas da guerra se deleitam com o sangue de inocente dos assassinos humanos.


Manuel F. C. Almeida

domingo, setembro 16, 2007







onde?



foto by:Heliz






Amor!
Porque me encontro perdido
Neste local onde me achaste?
Sabes...
Ele há imagens que nos mentem,
Pinturas do que fomos e que não
Se recuperam depois de assassinadas.
Ele há fantasmas que se reavivam
Como o fogo.
Basta que os alimentemos na
Dança dos olhares ternos.
Na dança das espigas em dias
De vento suão, onde
O ouro dos campos mais não é
Que uma miragem.


Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, setembro 12, 2007






Suspensão


Foto by:bernardo coelho




Teus olhos trémulos queimam as horas que habitam o sol.
Dos dedos, finos e cuidados,
Correm riachos que se precipitam
Na luxúria dos corpos
Suados.
Avidamente aspiras o ar que te sustêm
Num tempo sem tempo,
Alegóricamente colorido de
Mil incensos e aromas perdidos,
Nos corpos.
Nos corpos sem alento para os corpos,
Resta agora a magia dos sons e
A memória do tempo com tempo.
Nos corpos.
Vivos.
Cintilantes.
Pungentes.
Cerimoniosamente lascivos.
Nos corpos...

Cósmicamente vivos.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, setembro 10, 2007





ALQUIMIA

FOTO BY:bernardo coelho






Na sombra da memória
Vivemos o renascer
Da ternura.
Agua, ar,
Terra, fogo.
Magia pura.

Manuel F C. Almeida

sábado, setembro 08, 2007





Ausente
Foto by:


Carla Salgueiro






Ausente um dia no meu gesto
Sem bandeiras brancas
Nem seios amadurecidos
Pelo desejo,
Tu és a esmeralda que se
reabriu às mãos do joalheiro.
Rubi de sangue em mãos
De mineiro .

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, setembro 06, 2007





Autoretrato





(parte 1)


Tenho um rio na cor do meu olhar,
Onde as paisagens se perdem
Nas sombras que teimo em mudar,
E as margens se apertam,

Quando adormecem ,
Em noites de pleno luar.
Tenho um canto nas asas do meu querer,
Onde as palavras vagueiam
Na procura do meu ser
E os sentidos se perdem,

Se têm que se espraiar,
No meu efémero viver.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, setembro 04, 2007








Garimpo



Foto by:Rodrigo Ferreira

Gelaram-se se as palavras e os versos. Nada mais me resta que enumerar as particularidades de um tumultuoso oceano de gelo. Primeiro perdi o enunciado dos outros poemas e dei comigo a pensar em esmeraldas. Já não há rimas ou sentidos conceptuais, já não há o silêncio dos poemas, já não há dignidade nos versos do coração. O fulgor ficou gelado, emparedado entre o silêncio gélido do vazio e o tactear austero do medo. Gelaram-se as palavras e os versos. Ficaram os dedos para garimpar o teu rosto e voltar a ter nele um horizonte de diamantes em bruto.


Manuel F. C. Almeida

domingo, setembro 02, 2007






Cegueira


foto by:Ricardo Jorge Miguel Soares





De olhos abertos tacteio a memória à tua procura.
Recupero os cheiros dos nossos encontros
E o sabor adocicado dos nossos beijos.
Num trago de saudade sinto o meu corpo preso
Em ti, com um espinho que nos une, ainda.
Saúdo a vida que conheço
E recordo o teu olhar, da cor do mel, quando
A leveza das palavras nos dava a cumplicidade
Dos amantes que se tinham eternos.
A beleza selvagem e pura do que fomos
Ergue-se como um monumento ao que seremos.
E isso…
Só os deuses, se estiverem atentos, nos impedirão
De acontecer.



Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, agosto 31, 2007















É de prata, a noite no deserto.
Ali onde os homens se encontram e
se perdem,na procura do seu nome,
num ritual secular que desafia a modernidade,
O tempo toma a forma de uma planície.
Calma, pacata, imóvel.
O deserto dá ao tempo a forma dos nomes,
E descobre no sol a sua vivência.
Naquele lugar onde tudo se apaga,
Tudo é miragem, tudo foi sonho,
Tudo é nada.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, agosto 27, 2007







Portugal.
Belo jardim.
( A propósito da falta de membros do governo no centenário de Miguel Torga)





No meu jardim os cravos ainda são cravos
E só as rosas perderam a cor.
As abelhas confundem-se com a mutação,
E no mês de Maio já não celebram a primavera.
Pois é…
Mas os escaravelhos deliciam-se sempre
A empurrar bolas de Merda.
Manuel F. C. Almeida

sábado, agosto 25, 2007


EXISTES


foto by: ABrito



Arrancaste do olhar uma chama
De ternura.
Com a tua mão deste-me a chama
Com o teu olhar
Um convite à loucura.



Manuel F. C. Almeida

sábado, agosto 18, 2007


Porque vou de férias, sonhar com iguarias não fica mal. a
Assim imagino-me na praia à noite a ver Sereias destas e a ouvir musica. Que mais se pode pedir? Aceitam-se idéias.