
Férias (2ª parte)
Foto by:
Ergue-se no altar do mármore primordial um corpo sem face, pintado com algas e com o sangue dos deuses de Asgard. A primavera tarda e as flores não abrem em honra dos animais cegos e sangrados em mil rituais civilizados. O glaciar verte as suas lágrimas, límpidas e puras nas correntes de lama civilizacional.
Num dos lados, a mensagem abre-se em remoinhos de vento, na volatilidade dos conceitos emocionalmente abertos à vida. No outro toma forma o quadro final. Aquele em que a renuncia se consome em momentos de solidão e de prazer honanistico. Falos gigantes como menires erguem-se em homenagem às virgens perdidas e clitóricamente habladas. Os xamãs dançam ao som das aves do paraíso e untam-se com o liquido seminal de mil ejaculações falhadas e perdidas entre as coxas da deusa sem face. Sinto-me levitar num mundo cruel e injusto onde Moisés, Maomé, Cristo e os outros profetas da guerra se deleitam com o sangue de inocente dos assassinos humanos.
Manuel F. C. Almeida
3 comentários:
Após uma ausência já longa, verifico que continuas a tua grande forma literária, bom monge escritorário.
Pois é caro Sage, percebo que as tuas férias foram passadas no... fim do mundo? Convidado de Dante?
:))))
Bom, pela discrição, parece-me que não é só a deusa que não tem face, pois os ejaculadores, a falharem daquele modo, também não devem ter grande aquidade visual.
Mas pronto, olha, sempre dá para os xamãs se untarem.
Boas escritas grande Sage!!
e para quando,.... mais um conto?
bartolo saudo o teu regresso efusivamente como merece abraço.
zuzi,como te deves recordar o tal conto foi uma experiencia triste e um pouco mal conseguida. no entanto do ouco que sei da vida existe um ensinamento já interiorizado, o de que nunca se deve desistir das coisas que nos dão prazer fazer, logo quando o momento o ditar algo surgirá. penso agora numa coisa mais social. a história do país do medo e da repressão surda de uma coisa chamada estado.
beijo
Enviar um comentário