domingo, outubro 07, 2007









Margens





Foto by:Alba Luna



As margens deste rio apertam-se na linha do horizonte desenhando trilhos e caminhos secretos na procura do meu elo perdido. Os cisnes, brancos, desfilam nas aguas serenas, desenhando ondas que se repetem sem cessar como raios de sol. Sentado nas margens, fixo o olhar na plenitude do rio e na serenidade sensual da corrente. Encontrei o limite das minhas memórias neste espelho sem fim que se alonga na paisagem. As águas devolvem-me o olhar com a interrogação que lhes coloco. Nada mais pode interromper este último acto. Fecho os olhos na esperança de que tudo encontre o seu lugar dentro de mim. O ar, a terra, o fogo, a água. Finalmente sinto-me eu. Acaricio na memória o teu cabelo e tomo-te o corpo num sonho presente.

Serás para sempre.

Uma primeira ultima vez.




Manuel F. C. Almeida

3 comentários:

Fátima disse...

Ou uma última primeira vez. Porque não há amor como o último. :)
beijos.

P.S. e a música embala a serenidade do texto. Boa escolha!

eudesaltosaltos disse...

este txt perturbou-me... bj

sagher disse...

Fátima na verdade só o amor que se vive é presente, os outros são memórias e só mesmo isso.
Maluca fico lisonjeado quando os meus textos perturbam alguém, é sinal que comungaram do meu olhar através ads minhas palavras.
beijos