quarta-feira, novembro 21, 2007




MUNDOS














Tragam-me numa bandeja de madrepérola a cinza vulcânica das bandeiras tingidas pelo sangue de mil heróis esventrados pelo milagre das rosas. Tragam-me o rugido das ondas e o grito lancinante das virgens sacrificadas nos palcos das catedrais engalanadas a ouro. Tragam-me os olhares petrificados dos deserdados da vida, dos que deambulam pelo mundo industrial de chaminés assassinas e eternas. Tragam-me o hímen intacto das meninas que se compram nos destinos turísticos da gordura ocidental. Tragam-me a imagem escondida nos cabelos sedosos de uma meretriz de olhos brilhantes e voz de cadáver vivo. E vós, vós os que tudo me trazem espreitem as sílabas que explodem junto ás muralhas do meu ser. E vejam-me em mil cópulas adiadas, mil bacanais dementes escondidos pela vergonha do ser social.


Manuel F. C. Almeida

2 comentários:

L u i s P e s t a n a disse...

Muito boa a relação "gordura ocidental"

Moura ao Luar disse...

Beijos e resto de boa semana