
- Aqui está – retorquiu – sim ainda me recordo bem, foste dos poucos homens que vi chorar num filme – e sorriu como que a convidar-me a fazer o mesmo.
Sequei as lágrimas, esperei que a sensação perturbadora se fosse. E voltei a olha-la de frente. A mesma face bonita, os mesmos olhos cheios de vida, o cabelo mais curto mas sempre cuidado, o corpo pequeno e franzino faziam dela uma boneca de porcelana. Recordei os dias em que a seu lado percorria, alegremente, as areias da ilha de Tavira, ou a loucura que tinha sido o nosso namoro nas ruas do Barreiro. Tinha-mos vivido tanta coisa juntos. Quando nos pareceu que tudo tinha acabado, despedimo-nos com um longo beijo, selando uma amizade que o tempo nunca iria apagar. Continuava linda. Sempre fora uma mulher bonita e jovial mas agora estava mais velha e parecia mais bela ainda.


















