
Quem se me dirigiu assim foi a funcionária do departamento de historia natural sediado naquele lugar.
A voz era conhecida. Senti o coração a acelerar. Não podia ser. Rodei sobre mim mesmo e encarei-a de frente. Era ela sim. Um pouco mais velha, mas a cara de menina mantinha-se a mesma. Tive dificuldade em responder. Ela apercebeu-se:
- Então já não falas a uma velha amiga –
Acto contínuo piscou-me o olho. Quase que me apanhava desprevenido. Tive vontade de a beijar como anos antes fizera. Recuperei o sangue frio. E finalmente retorqui:
-Olá Isabel, sempre linda e bem disposta.
O sorriso franco e aberto com que sempre me presenteara abriu-se ainda mais. Recordei a forma bonita como tinha terminado a nossa relação. O mesmo sorriso. Beijámo-nos na face como dois desconhecidos. O aproximar do seu cheiro e as minhas memórias fizeram sentir-se em mim. Aspirei bem o seu odor. Sempre me tinha deixado louco e ainda assim era.


















