domingo, outubro 07, 2007









Margens





Foto by:Alba Luna



As margens deste rio apertam-se na linha do horizonte desenhando trilhos e caminhos secretos na procura do meu elo perdido. Os cisnes, brancos, desfilam nas aguas serenas, desenhando ondas que se repetem sem cessar como raios de sol. Sentado nas margens, fixo o olhar na plenitude do rio e na serenidade sensual da corrente. Encontrei o limite das minhas memórias neste espelho sem fim que se alonga na paisagem. As águas devolvem-me o olhar com a interrogação que lhes coloco. Nada mais pode interromper este último acto. Fecho os olhos na esperança de que tudo encontre o seu lugar dentro de mim. O ar, a terra, o fogo, a água. Finalmente sinto-me eu. Acaricio na memória o teu cabelo e tomo-te o corpo num sonho presente.

Serás para sempre.

Uma primeira ultima vez.




Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, outubro 04, 2007



ALENTEJO

(NOVO OLHAR)









Silêncios tingidos
De branco
Em dias de luz
De um só tom.
Mascaras feitas
De terra
Em moldes
Sem tempo
Nem som.
Charnecas sem
Movimento.
Praias de vistas
Sem fim
Montes e vales
Despidos
Giestas, estevas
Jasmim
Tudo está preso
No tempo
Tudo está vivo
Pra mim.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, outubro 03, 2007






POETAS







MINEIROS DOS CONCEITOS
QUE SE ESCONDEM E SE ENCOBREM
NAS PALAVRAS QUE SE DESPEM
DE REALIDADES ILUSÓRIAS.
DA NOITE CONSTREM O DIA E
DOS OLHOS, FAZEM UM REFUGIO
COM MIL DESENHOS, ERÓTICAMENTE,
SONHADOS.
DOS BRAÇOS ABERTOS FAZEM AVES,
E COM ELAS VIVEM LIBERDADES
EM CORPOS, LUXURIOSAMENTE,
SUADOS.
E CAVAM FUNDO NOS SEGREDOS
QUE OS SENTIDOS INDICAM
NAS PALAVRAS E SENTIMENTOS
MUDADOS.


MANUEL F C ALMEIDA

segunda-feira, outubro 01, 2007






despertar magico



Foto by:


ABrito






Com o veludo dos teus lábios
Afagas-me a alma
E numa canção de embalar
despertaste-me o corpo
Em tarde calma.


Manuel F.C. Almeida

sábado, setembro 29, 2007






sopro





foto by:artland










Foram os fios dos meus dedos
Que se encantaram nas sedas do teu corpo
Foste a crisálida encantada.
A beleza transmutada pelo tempo
Ao passar dos meses e do sol.
Num desejo, eu clamo pelo teu ser
E faço deste amor um hino, uma canção
Projecto além, este meu querer...
Soprar-te um dia o coração.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, setembro 27, 2007






Dizer lutar



foto by: RAPHAEL o pensativo




A luxúria dos movimentos
e do olhar
Desperta a leveza livre
dos desejos

Da negação das divindades
solta-se o fulgor
dos corpos em bruto

E da volúpia egoísta
da carne,
solta-se o amor
pelo qual eu luto.

Manuel F.C. Almeida

terça-feira, setembro 25, 2007









Tela



foto by:MARIAH





Na paisagem de uma tela insensível
Erguem-se muros sobre os sentidos.
Os silêncios tocam o desejo
E o vento embala os sonhos e o prazer.
Constrói-se o nome dos nomes
E sobre ele o amor dos amores.
Os rostos tomam a cor da luxúria
Como cavalos selvagens nas pradarias
Desaparecidas.
Nos lábios repousa a fragilidade da vida,
Já nada resta do que fomos.

Manuel F. C. Almeida

domingo, setembro 23, 2007






SENTIDOS



FOTO BY: avalon [paulo franco]





Os meus dedos desenharam-te
e os meus olhos encheram-se de ti.
As mãos contornaram a tua figura,
os lábios uniram as bocas
e fundimos os corpos
na leitura de um poema…
Deste poema.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, setembro 21, 2007





HUMANOS




Foto by:


Filomena Chito




Que me dizem deste trilho de fórmulas escondidas onde se tropeça no sentido da palavra vida?
Olhem bem dos homens, as sombras projectadas de uma dança selvaticamente colorida pelo suor dos bailarinos.
Olhem bem para esta sinfonia de lírios em movimento circular na tentativa de abrir assim um caminho em direcção ao infinito, e a angustia das libelinhas sem rios para ocupar.
Neste trilho tudo se repete e acontece numa fusão orgânica livre de espécies e de tipos.
Neste trilho que teimamos em queimar mais não somos que coveiros da vida.
Da nossa vida.
De toda a vida.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, setembro 19, 2007






Caminho



Foto by: Bruno Abreu




Nada mais procuro que um pouco de paz
Nas aguas límpidas de um rio que penso meu.
Caminho, cego, em direcção a faces que não vejo
Guiado pelo cheiro de quem julgo que me quer.
Pretensão sublime conhecer alguém
Neste turbilhão humano que teima em fazer
Da vida artigo para vender.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, setembro 17, 2007




Férias (2ª parte)


Foto by:


Heliz





Ergue-se no altar do mármore primordial um corpo sem face, pintado com algas e com o sangue dos deuses de Asgard. A primavera tarda e as flores não abrem em honra dos animais cegos e sangrados em mil rituais civilizados. O glaciar verte as suas lágrimas, límpidas e puras nas correntes de lama civilizacional.
Num dos lados, a mensagem abre-se em remoinhos de vento, na volatilidade dos conceitos emocionalmente abertos à vida. No outro toma forma o quadro final. Aquele em que a renuncia se consome em momentos de solidão e de prazer honanistico. Falos gigantes como menires erguem-se em homenagem às virgens perdidas e clitóricamente habladas. Os xamãs dançam ao som das aves do paraíso e untam-se com o liquido seminal de mil ejaculações falhadas e perdidas entre as coxas da deusa sem face. Sinto-me levitar num mundo cruel e injusto onde Moisés, Maomé, Cristo e os outros profetas da guerra se deleitam com o sangue de inocente dos assassinos humanos.


Manuel F. C. Almeida

domingo, setembro 16, 2007







onde?



foto by:Heliz






Amor!
Porque me encontro perdido
Neste local onde me achaste?
Sabes...
Ele há imagens que nos mentem,
Pinturas do que fomos e que não
Se recuperam depois de assassinadas.
Ele há fantasmas que se reavivam
Como o fogo.
Basta que os alimentemos na
Dança dos olhares ternos.
Na dança das espigas em dias
De vento suão, onde
O ouro dos campos mais não é
Que uma miragem.


Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, setembro 12, 2007






Suspensão


Foto by:bernardo coelho




Teus olhos trémulos queimam as horas que habitam o sol.
Dos dedos, finos e cuidados,
Correm riachos que se precipitam
Na luxúria dos corpos
Suados.
Avidamente aspiras o ar que te sustêm
Num tempo sem tempo,
Alegóricamente colorido de
Mil incensos e aromas perdidos,
Nos corpos.
Nos corpos sem alento para os corpos,
Resta agora a magia dos sons e
A memória do tempo com tempo.
Nos corpos.
Vivos.
Cintilantes.
Pungentes.
Cerimoniosamente lascivos.
Nos corpos...

Cósmicamente vivos.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, setembro 10, 2007





ALQUIMIA

FOTO BY:bernardo coelho






Na sombra da memória
Vivemos o renascer
Da ternura.
Agua, ar,
Terra, fogo.
Magia pura.

Manuel F C. Almeida

sábado, setembro 08, 2007





Ausente
Foto by:


Carla Salgueiro






Ausente um dia no meu gesto
Sem bandeiras brancas
Nem seios amadurecidos
Pelo desejo,
Tu és a esmeralda que se
reabriu às mãos do joalheiro.
Rubi de sangue em mãos
De mineiro .

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, setembro 06, 2007





Autoretrato





(parte 1)


Tenho um rio na cor do meu olhar,
Onde as paisagens se perdem
Nas sombras que teimo em mudar,
E as margens se apertam,

Quando adormecem ,
Em noites de pleno luar.
Tenho um canto nas asas do meu querer,
Onde as palavras vagueiam
Na procura do meu ser
E os sentidos se perdem,

Se têm que se espraiar,
No meu efémero viver.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, setembro 04, 2007








Garimpo



Foto by:Rodrigo Ferreira

Gelaram-se se as palavras e os versos. Nada mais me resta que enumerar as particularidades de um tumultuoso oceano de gelo. Primeiro perdi o enunciado dos outros poemas e dei comigo a pensar em esmeraldas. Já não há rimas ou sentidos conceptuais, já não há o silêncio dos poemas, já não há dignidade nos versos do coração. O fulgor ficou gelado, emparedado entre o silêncio gélido do vazio e o tactear austero do medo. Gelaram-se as palavras e os versos. Ficaram os dedos para garimpar o teu rosto e voltar a ter nele um horizonte de diamantes em bruto.


Manuel F. C. Almeida

domingo, setembro 02, 2007






Cegueira


foto by:Ricardo Jorge Miguel Soares





De olhos abertos tacteio a memória à tua procura.
Recupero os cheiros dos nossos encontros
E o sabor adocicado dos nossos beijos.
Num trago de saudade sinto o meu corpo preso
Em ti, com um espinho que nos une, ainda.
Saúdo a vida que conheço
E recordo o teu olhar, da cor do mel, quando
A leveza das palavras nos dava a cumplicidade
Dos amantes que se tinham eternos.
A beleza selvagem e pura do que fomos
Ergue-se como um monumento ao que seremos.
E isso…
Só os deuses, se estiverem atentos, nos impedirão
De acontecer.



Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, agosto 31, 2007















É de prata, a noite no deserto.
Ali onde os homens se encontram e
se perdem,na procura do seu nome,
num ritual secular que desafia a modernidade,
O tempo toma a forma de uma planície.
Calma, pacata, imóvel.
O deserto dá ao tempo a forma dos nomes,
E descobre no sol a sua vivência.
Naquele lugar onde tudo se apaga,
Tudo é miragem, tudo foi sonho,
Tudo é nada.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, agosto 27, 2007







Portugal.
Belo jardim.
( A propósito da falta de membros do governo no centenário de Miguel Torga)





No meu jardim os cravos ainda são cravos
E só as rosas perderam a cor.
As abelhas confundem-se com a mutação,
E no mês de Maio já não celebram a primavera.
Pois é…
Mas os escaravelhos deliciam-se sempre
A empurrar bolas de Merda.
Manuel F. C. Almeida

sábado, agosto 25, 2007


EXISTES


foto by: ABrito



Arrancaste do olhar uma chama
De ternura.
Com a tua mão deste-me a chama
Com o teu olhar
Um convite à loucura.



Manuel F. C. Almeida

sábado, agosto 18, 2007


Porque vou de férias, sonhar com iguarias não fica mal. a
Assim imagino-me na praia à noite a ver Sereias destas e a ouvir musica. Que mais se pode pedir? Aceitam-se idéias.

quinta-feira, agosto 16, 2007







Filho







Sei que caminhas aqui, a meu lado
E eu a par de ti, a proteger-te.
É certo que ficarei sempre mais velho
Mas tu também.
Seremos cúmplices no teu assalto à vida
e cúmplices no cumprir do meu tempo.
Resta-nos um não sei quê de sentidos
E a vivência dos dias por abrir
Num longo acontecer.
O meu tempo é o teu tempo,
Mas o teu tempo é só o teu tempo.



Manuel F.C. Almeida

terça-feira, agosto 14, 2007


ENCONTROS

FOTO BY:Mariza

Ao raiar dos dias
O teu peito rompe
A cadencia das palavras.
E descobres nos lábios
Um diamante em flor.
Tocas-me…
Terno é o desejo que se assoma.


Manuel F. C. Almeida

domingo, agosto 12, 2007








SÓ PRA DIZER QUE TE ......







Foto by:Alba Luna


Eu queria dizer que te amo,
Minha aurora boreal.
De uma maneira só minha
que nada tem de banal.
Fazer-te sentir este amor,
que me levou à loucura.
Compensar os maus momentos,
com momentos de ternura.
Eu queria dizer que te amo,
em mil noites de procura.




Manuel F.C. Almeida.

sexta-feira, agosto 10, 2007














Nada me contas dos dias que faltam viver. Apalpo o teu regaço, sinto o desejo a crescer.
Na sombra projectada uma alma, atormentada, segue o caminho das estrelas e o meu olhar pousa sobre a árvore da tua existência. Cadencia. Sim! Cadencia sintomática, repetida, suada, sentida na alma, que a pele… essa está deslembrada.
Nada te posso dizer. Tudo é segredo. Também me pensei assim. Numa revolução incandescente onde a cadencia me marcasse o tempo. Chegar e partir. Entrar e sair. Repetir. Repetir.
Sim, sim, faria tudo até à exaustão. Corpo livre, corpo sentido. Tesão. Marcharemos algures numa história esquecida, perdida. Para lá do ventos de carmim e das nuvens de algodão. Silencio. Recupero o sentido na vastidão cósmica da minha alma…da nossa alma.


Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, agosto 08, 2007









foto by: angelica






Deixa-me falar-te agora dos segredos
Que carrego.
Vou falar-te sobre a transmutação
Das plantas.
Do trigo em oiro e do lírios em diamantes.
Vou descrever-te o nome que o luar
Trás à solidão da memória
E o calor das mãos feitas sol.
Aqui, neste lugar onde o incenso
Se liberta da vida, o mar
Não para de se fazer sentir
Em cada célula que se descobre
Em nós.
E de mãos enlaçadas
Caminhamos de cabeça erguida
Na procura do lugar que um dia
Desenhámos.



Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, agosto 06, 2007




Foi em 6 de Agosto de 1945. Cerca das 8.14 horas, vários bombardeiros B-29 da força aéra dos EUA sobrevoam Hiroshima. Um deles, o Enola Gay larga a «little boy». A primeira bomba atómica a ser usada contra alvos humanos.



DESDE ENTAO OS EUA ATACARAM SEM MOTIVO DEZENAS DE PAISES SUBJUGANDO OS SEUS POVOS


LA BESTIA



Soltaram no mundo a besta
Que sempre carregaram no peito
O ódio que tudo empesta
O ódio sem nada, Sem jeito

O ódio que tudo destrói
Carregado de maldade
O ódio que sempre corrói
As réstias de humanidade

Soltaram no mundo a besta
Com um poder assustador
A todo o planeta empesta
A todo o planeta faz dor

Hiroshima nosso altar
De sacrifícios carregada
Obriga-nos a recordar
Teus filhos mortos, pra nada.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, agosto 03, 2007







Foto by:Ana Rita Vaz Cruz




ensaio




O teu corpo eu quero beijar
Tua silhueta eu vou tomar
Numa paixão
Numa tesão
Que em ti eu espero matar.
Nos teus seios me vou deitar
No teu ventre saciar
Esta paixão
Esta tesão
Instaladas no meu sonhar.
Com teus olhos eu vou chorar
Com tua voz vou cantar
A minha paixão
A minha tesão
Vividas por um dia te amar.



Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, agosto 01, 2007










Insane não é?





O homem fica com
a alma escura.
Sobra o desprezo pela
Realidade.
Mas nada justifica, essa face
Escura.
Nada se entende, em tanta
Maldade.

Já não és pessoa, indivíduo
Apenas gente
Ali resumido, és massa
Disforme
Não há passado ou futuro
Só presente
Toda a visão é de terror
Enorme.

A morte escolhe os seus
E os seus Tempos
Tem como meta alimentar
O pó do deserto
Lancinantes gritos vivem
Nos ventos
Só a crueldade é dado
Certo

No fim, sobram gentes sem rumo
gentes isoladas.
Fome, doenças e uma enorme
Tristeza.
A vida, deixa de o ser, destruída em
Nadas.
Tudo o que somos são só
impurezas.


Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, julho 30, 2007













Foto by: MARIAH




Matas-te a solidão sem o saber.
Esperava por ti na penumbra
Do teu quarto, de onde te olhava
Sempre que chegavas assim,
Célebre e tristemente só.
Podias então esconder o sorriso
Que colocavas ao sair.
Ela lá ficava…imóvel junto à porta
De flores na mão.
As flores, que sonhavas receber
De umas mãos que não as suas.
E ela sabia que um dia teria de partir.
Gostava de ti, mas por isso mesmo
Teria de morrer.
Quando descobriste que no espelho
Do teu quarto eras tu que ali vivia,
Mataste-a...
Voltas-te a ser quem és.



Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, julho 27, 2007






Para o fim de semana


que me vou a banhos


foto by: angelica







De mãos dadas com o tempo tatuei o coração
Teus lábios sabiam a vento, o teu odor a ilusão
Tuas palavras unguento, teu respirar oração
Teu olhar era um momento, teus beijos uma canção
Teu corpo era um tormento, pra toda a minha paixão.


Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, julho 26, 2007







foto by:Ricardo Jorge Miguel Soares



Ansiosos, estende-mos
O corpo contra o corpo
E aspiramos à primavera
Em prazer.
Bordamos o tempo com o
Brilho das estrelas caídas
E celebramos os dias
Com palavras só nossas,
Ditas no silêncio de um
Olhar.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, julho 24, 2007









FOTO BY angel nino










Dou ao coração o lugar do sol
Iluminando com ele o meu viver
Peço ajuda á lua, lindo vitral
E a lua ajuda-me a não morrer
Abro ao vento todo o meu peito
Dou-lhe todo o meu querer
Que me recorde de outros tempos
Momentos, horas a reviver.
Ao mar dou o meu olhar
Meu estar, meu sentir, meu ser.
É só nele que posso encontrar
Forças para não me perder.

Manuel F. C. Almeida

domingo, julho 22, 2007



















Quero mergulhar na memória
Como se fosse onda do mar
Reviver com ela as imagens
Que ela teimou em guardar
Ter os cheiros, ter as formas
Do que há pra recordar.
Brincadeiras de criança,
Coisas, que ousava inventar.
Jogos de adolescente
Segredos a desvendar.
Amizades feitas cúmplices
De quem se quer afirmar.
Quero mergulhar na memória
Apenas para me olhar...


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, julho 20, 2007












Percorro o trilho,
terra e chão.
Fico a olhar,
cismado, o firmamento.
Canto o teu nome,
doce ilusão
Tudo o que sou,
é só um lamento.

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, julho 18, 2007


recebi do lumife
a agora vou nomear.
venham buscar






FOTO BY Marcio Murilo Pilot








Á noite,

Na escuridão mais profunda
Os meus olhos são os meus ouvidos
E o meu coração é o pulsar agonizante
De uma ave multicolor.
Coloco o ombro contra o nada e o ouvido
Percorre a escuridão impregnado de receios.
Á noite,
Quando os silêncios tomam conta
Dos olhos e invadem os sentido
Somos presas fáceis de nós mesmos.
O medo acende-se bem no centro do que somos
E o seu reino estende-se por todo
O nosso espírito.
Á noite…
E algumas vezes de dia.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, julho 16, 2007



















Pensei um dia ser folha
De terra,
Como se da terra me separasse.
Diamante retirado em dor
Ao ventre de minha mãe.
Pensei um dia ser folha
De terra,
Putrefacta na essência do tempo
Massa orgânica,
Que solta a vida após a morte
Numa ária de esperança renovada
Em folha separada
Do ventre de minha mãe

Manuel F.C. Almeida

sábado, julho 14, 2007














Fiz das minhas canções segredos
Roubados às noites de tormenta,
Onde dancei contigo ao som
Da voz de Circe.
E condenado, naveguei
Até ás margens do teu corpo...

Atraido pelo teu canto.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, julho 12, 2007















Quando me beijas o beijo com que te beijo
É como a brisa que toca as ondas do mar
E as solta e liberta num andamento
Incessante de procura de ti



Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, julho 11, 2007










foto by: ABrito









Na tua barca, naveguei a corola
Dos dias em que o teu perfume
Me embriagou e me fez cativo
Das fragrâncias de que só o teu
Corpo conhece os segredos.
Mas a barca agora é minha
E é nela que cavalgo a maré
Que me leva ao farol
Do teu ser.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, julho 10, 2007


colectivamente só


foto by: Marta Ferreira - www.mfotografia.com

Passado, presente, futuro.
Um concerto temporal
Intensamente incessante
No movimento normal
Deste conceito só nosso
Num mundo tão
Obscenamente igual.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, julho 09, 2007









foto by: Carla Salgueiro

Sinto-me eu
Na tua palma da mão.
Lá, encontro o sonho
Intemporal
Resgatado ás memórias
Do tempo que um dia
Quis "ser".

Manuel F.C. Almeida

domingo, julho 08, 2007
















tempos


Fecharei a memória da angústia
Antes de retornar ao teu planeta
Toquei-te a alma, vou dar-te um beijo
Irei brilhar como um cometa
Mas recorda-me na lembrança do olhar
Agora é talvez tempo de te abraçar.

Manuel F.C. Almeida

sábado, julho 07, 2007



Um professor de Filosofia entra na sala de aula, põe a cadeira em cima da mesa e escreve no quadro:
"Provem-me que esta cadeira não existe".
Apressadamente, os alunos começam a escrever longas dissertações sobre o assunto.
No entanto, um dos alunos escreve apenas duas palavras na folha e entrega-a ao professor.
Este, quando a recebe, não pode deixar de sorrir depois de ler:
"Que cadeira?"
Conclusão:
Não procure chifres em cabeça de cavalo ou pêlo em ovo. Opte pela simplificação.


"anónimo"













foto by : ABrito



Quis voar com as asas presas
E os meus dedos nos teus dedos
Numa dança estática de mãos,
Desenhando assim uma
Constelação oceânica
Na procura incessante
Do sentido.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, julho 05, 2007


















À sombra das acácias
O rubor das faces
Desfaz o nó
Dos sexos cativos,
Nos corpos em
Turbilhão.
E o portal do amor
Enche as ânforas
Do desejo,
Com a ambrósia
Que o nirvana
Nos promete.

Manuel F.C. Almeida

terça-feira, julho 03, 2007





foto by: António Manuel Pinto da Silva









Imagina-me no teu tempo;
Quando te dei um anel de jade
E te pintei as mãos com incenso
De mar.
Eu descia sozinho as escadas
Do rio e tu...
Tu surgiste vinda do nada
Com um leve caminhar
Difuso e a altivez das aves
Selvagens.
Não te pude ver o olhar,
Encerrado que estava num castelo.
Mas apreciei o teu gesto de filigrana,
Quando me tugiste a alma
Com o espelho dos teus olhos,
E me deste um motivo
Para voltar a sentir a centelha
Do caminho.
Um caminho que de tão longo
Me parecia não ser caminho.
E no tempo que vive um olhar,
Uma luz incendiou-me
O espaço e o tempo, numa explosão
De cor, onde os flamingos se espraiaram
E se entregaram aos deuses.
É!.. foi o tempo de perder memórias,
De despir o fato pesado da aparência
E me transfigurar na minha pessoa.


Manuel F.C. almeida