sábado, junho 02, 2007





vale a pena reflectir:


"O filósofo português José Gil foi considerado pela revista francesa Le Nouvel Observateur como um dos 25 grandes pensadores de todo o mundo, ao lado de nomes como Amartya Sen, Peter Sloterdijk, Toni Negri e Simon Blackburn.A edição especial do Nouvel Observateur, que assim assinalou o seu quadragésimo aniversário, pretendeu fazer um levantamento daqueles que, na sua opinião, representam a consciência do tempo actual e são percursores do futuro.Segundo o Nouvel Observateur, a ilusão de uma comunicação global está a mascarar o facto de a barreira linguística dificultar o acesso da esmagadora maioria dos cidadãos ao que se faz no mundo na área da filosofia, antropologia e disciplinas similares."
Escreve este vulto do pensamento mundial na visão:


O “clima”
Em vésperas de eleições intercalares para a CML, encontramo-nos perante uma situação paradoxal. Com a multiplicidade dos candidatos independentes e de pequenos partidos, parece que o sistema político-partidário ficou abalado; a esquerda não combate uma oposição coligada, nem a direita, dispersa, enfrenta uma esquerda coesa e coerente. Uma coisa é certa: opondo-se assim ao sistema, a pulverização das candidaturas enfraquece os grandes partidos e contraria a actual «deriva» autoritária do nosso regime democrático.
«Deriva» será um termo demasiado forte. Mas a verdade é que os factos se sucedem: agora, depois do processo disciplinar a um professor pela piada sobre a licenciatura do primeiro-ministro, a identificação dos funcionários que fazem greve, mas também as inúmeras disposições, instruções, despachos, regulamentos, ordens, obrigações imparáveis que emanam dos ministérios (da Saúde, da Educação, da Administração) e que induzem comportamentos subservientes e medrosos que vão envenenando pouco a pouco as relações entre as pessoas. São miríades de pequenas coisas, aparentemente insignificantes, que não dão azo a notícia, mas que os médicos, os professores, os funcionários públicos vivem quotidianamente. Tudo isto gera um clima que vai fazendo bola de neve.
Um «clima» não é uma realidade vaga. É um meio contaminante que pode suscitar identificações e oportunismo. O exemplo vem de cima, não por afirmação de autoridade, mas por autoritarismo. Em geral, o chefe afirma-se autoritariamente quando não tem autoridade natural necessária para o fazer. O autoritarismo sobre compensa a a falta de autoridade, intensificando e sobre determinando os traços de poder que detém e, ultrapassando a fronteira que lhe concede o seu estatuto.
Vindo de cima, em regime democrático passivo, como o nossos, é recebido pelos patamares inferiores da hierarquia com efeito alucinatório que amplifica o poder do poder, a margem de que dispor quem manda e comanda. O impacto nos subordinados é traumático (mesmo quando bem aceite) mas provoca identificações que fazem ab-reagir (expulsar) a violência de que foram vítimas, descarregando-a sobre os patamares mais inferiores. Assim se formam pirâmides de pequenos chefes tiranetes de direcções gerais e secretarias que participam dessas mais valias de poder hierárquico (até às ultimas migalhas dos últimos postos de comando).
É lamentável que isto esteja a acontecer. Será que os portugueses não têm outro modelo de comportamento face ao poder senão a obediência passiva, a submissão e o medo? será por isso que têm saudades de Salazar? Que fez o poder socialista para promover a democracia, desenvolver a cidadania, incentivar a liberdade e a criatividade que as suas reformas deviam, necessariamente, suscitar? Foi para isto que nós votámos? É este o preço que se paga pelo equilíbrio do défice orçamental? Não chega dizer que estamos em democracia e que ela é respeitada. A liberdade e a democracia devem ser descobertas permanentes, conquistas de novos territórios interiores e exteriores.
Face a esta situação, esperemos que, durante um curto intervalo de tempo, a multiplicidade das candidaturas à câmara rompa a direcção única do discurso único, o clima único de veneração submissa ao poder, encarnados na sempiterna cassete dos grandes e de alguns pequenos partidos.


in "visão" 31-05-2007

sexta-feira, junho 01, 2007

porque hoje é dia internacional da criança convém recordar:















NÓS

Tu ai
Eu aqui
Tanto temos a fazer.
Eu aqui
Tu ai

Um mundo que teima
Em viver.
Um caminho a percorrer
Por do sol, escurecer.

Tu ai
Eu aqui
O sonho feito crescer.
Eu aqui
Tu ai.

Uma luz que se propaga
Em ondas a acontecer
Um trilho a desbravar
Alvorada, amanhecer.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, maio 31, 2007








FOTO BY: Jovino C Batista





Lisboa das sete colinas
Perdidas no casario
Lisboa das noites estreladas
Perdidas no anonimato
Lisboa... doce selvagem
Em ti só as putas
São genuínas.

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, maio 30, 2007


obrigado http://jumento.blogspot.com/

MAS NAO ME VENHAS DIZER QUE SÃO SÓ OS COMUNISTAS A LER O QUE ISTO REPRESENTA.
PORQUE AMANHA VOU ESTAR EM LUTA AQUI FICA UMA PEÇA LINDA PARA LEREM Á VONTADE.
E A MUSICA DO ZECA QUE ILUSTRA TUDO.




EXTRACTO DO ARTIGO DE ANTÓNIO BARRETO NO PUBLICO DOMINGO 27 DE MAIO.
ENFIM, SÓ
«A saída de António Costa para a Câmara de Lisboa pode ser interpretada de muitas maneiras. Mas, se as intenções podem ser interessantes, os resultados é que contam. Entre estes, está o facto de o candidato à autarquia se ter afastado do governo e do partido, o que deixa Sócrates praticamente sozinho à frente de um e de outro. Único senhor a bordo tem um mestre e uma inspiração. Com Guterres, o primeiro-ministro aprendeu a ambição pessoal, mas, contra ele, percebeu que a indecisão pode ser fatal. A ponto de, com zelo, se exceder: prefere decidir mal, mas rapidamente, do que adiar para estudar. Em Cavaco, colheu o desdém pelo seu partido. Com os dois e com a sua própria intuição autoritária, compreendeu que se pode governar sem políticos.
Onde estão os políticos socialistas? Aqueles que conhecemos, cujas ideias pesaram alguma coisa e que são responsáveis pelo seu passado? Uns saneados, outros afastados. Uns reformaram-se da política, outros foram encostados. Uns foram promovidos ao céu, outros mudaram de profissão. Uns foram viajar, outros ganhar dinheiro. Uns desapareceram sem deixar vestígios, outros estão empregados nas empresas que dependem do Governo. Manuel Alegre resiste, mas já não conta. Medeiros Ferreira ensina e escreve. Jaime Gama preside sem poderes. João Cravinho emigrou. Jorge Coelho está a milhas de distância e vai dizendo, sem convicção, que o socialismo ainda existe. António Vitorino, eterno desejado, exerce a sua profissão. Almeida Santos justifica tudo. Freitas do Amaral reformou-se. Alberto Martins apagou-se. Mário Soares ocupa-se da globalização. Carlos César limitou-se definitivamente aos Açores. João Soares espera. Helena Roseta foi à sua vida independente. Os grandes autarcas do partido estão reduzidos à insignificância. O Grupo Parlamentar parece um jardim-escola sedado. Os sindicalistas quase não existem. O actual pensamento dos socialistas resume-se a uma lengalenga pragmática, justificativa e repetitiva sobre a inevitabilidade do governo e da luta contra o défice. O ideário contemporâneo dos socialistas portugueses é mais silencioso do que a meditação budista. Ainda por cima, Sócrates percebeu depressa que nunca o sentimento público esteve, como hoje, tão adverso e tão farto da política e dos políticos. Sem hesitar, apanhou a onda.
Desengane-se quem pensa que as gafes dos ministros incomodam Sócrates. Não mais do que picadas de mosquito. As gafes entretêm a opinião, mobilizam a imprensa, distraem a oposição e ocupam o Parlamento. Mas nada de essencial está em causa. Os disparates de Manuel Pinho fazem rir toda a gente. As tontarias e a prestidigitação estatística de Mário Lino são pura diversão. E não se pense que a irrelevância da maior parte dos ministros, que nada têm a dizer para além dos seus assuntos técnicos, perturba o primeiro-ministro. É assim que ele os quer, como se fossem directores-gerais. Só o problema da Universidade Independente e dos seus diplomas o incomodou realmente. Mas tratava-se, politicamente, de questão menor. Percebeu que as suas fragilidades podiam ser expostas e que nem tudo estava sob controlo. Mas nada de semelhante se repetirá.
Oestilo de Sócrates consolida-se. Autoritário. Crispado. Despótico. Irritado. Enervado. Detesta ser contrariado. Não admite perguntas que não estavam previstas. Pretende saber, sobre as pessoas, o que há para saber. Deseja ter tudo quanto vive sob controlo. Tem os seus sermões preparados todos os dias. Só ele faz política, ajudado por uma máquina poderosa de recolha de informações, de manipulação da imprensa, de propaganda e de encenação. O verdadeiro Sócrates está presente nos novos bilhetes de identidade, nas tentativas de Augusto Santos Silva de tutelar a imprensa livre, na teimosia descabelada de Mário Lino, na concentração das polícias sob seu mando e no processo que o Ministério da Educação abriu contra um funcionário que se exprimiu em privado. O estilo de Sócrates está vivo, por inteiro, no ambiente que se vive, feito já de medo e apreensão. A austeridade administrativa e orçamental ameaça a tranquilidade de cidadãos que sentem que a sua liberdade de expressão pode ser onerosa. A imprensa sabe o que tem de pagar para aceder à informação. As empresas conhecem as iras do Governo e fazem as contas ao que têm de fazer para ter acesso aos fundos e às autorizações.
Sem partido que o incomode, sem ministros politicamente competentes e sem oposição à altura, Sócrates trata de si. Rodeado de adjuntos dispostos a tudo e com a benevolência de alguns interesses económicos, Sócrates governa. Com uma maioria dócil, uma oposição desorientada e um rol de secretários de Estado zelosos, ocupa eficientemente, como nunca nas últimas décadas, a Administração Pública e os cargos dirigentes do Estado. Nomeia e saneia a bel-prazer. Há quem diga que o vamos ter durante mais uns anos. É possível. Mas não é boa notícia. É sinal da impotência da oposição. De incompetência da sociedade. De fraqueza das organizações. E da falta de carinho dos portugueses pela liberdade.» [Público assinantes]
Parecer:
António Barreto faz o retrato de Sócrates

terça-feira, maio 29, 2007








FOTO BY: A.Z.




Nossas mãos
E nossos dedos
Tecem horas de luxúria
No silencio dos lençóis
Em que espraiamos
Os corpos.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, maio 28, 2007








FOTO BY: Rui's Illustrated





Tomei-te o corpo
Pelas ancas de veludo.
E no frenesim da dança
Senti o teu ventre
Desfazer-se em mil
Tentáculos
De prazer.

Manuel F.C. Almeida

domingo, maio 27, 2007








FOTO BY Amanda Com







Despe o nome
Que te deram
E não escolheste.
Desnuda a alma.

Liberta os seios
Ao toque
Do meu desejo
Obsceno,
Que em silencio
Te celebra
E te afaga
O cio.

Manuel F.C. Almeida

sábado, maio 26, 2007

obrigado jumento









premio DREN.
Inspirado pela Musica dos trovante intitulada
A história que agora quero contar




A história que eu agora vou contar
Passou-se um dia destes lá pró porto
Onde pegou a nova moda, delatar.
Estavam dois amigos a conversar,
No recato de um singelo gabinete,
Mas um deles na vida queria singrar…
Foi dita entretanto uma brejeirada,
Qu’ envolvia o nosso primeiro-ministro;
Ambos riram no momento da piada.
fala amigo conta-me as tuas ideias
pra que te possa entalar
fala amigo conta-me as tuas ideias
para que eu possa ir bufar.

Depois de a ter achado engraçada.
Um deles ficou muito incomodado
E foi a correr contar à criada.
A moça que só desejava agradar,
Ao tacho que o patrão lhe tinha dado,
Depressa se apressou a castigar,
O meliante que a tanto tinha ousado.
E Sem ouvir a versão do humorista
Depressa o mandou pra outro lado
fala amigo conta-me as tuas ideias
para que eu possa lá brilhar.
fala amigo conta-me as tuas ideias
que eu bem preciso de agradar


A coisa veio-se agora a saber
O humorista nao soube ficar calado
E o patrão já nem sabe que fazer…
Ora eu sou muito bom a dar conselhos.
Castiguem o marginal com mão de ferro.
Arranquem-lhe com uma pinça os pintelhos.

Temos pois de criar o nacional dia da escuta.
Um dia pra defender os bons costumes
De todos os que dizem “filho da puta”.
Mas como quem escuta e vai contar
Acrescenta sempre mais um pontozinho
Aos bufos pró caralho vou mandar...
Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, maio 25, 2007





Há um poema que se espera
No deleite do teu corpo.
Escrever o poema escondido
É resgatar-te num tempo
Esquecido.
Há um poema que se espera
Em cada orgasmo vivido.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, maio 24, 2007



foto by: Marta Ferreira - www.mfotografia.com

O ódio alimenta-se do medo.
Aquele medo que temos
Do desconhecido.
Do diferente.
Do imprevisto.

O ódio vive do medo
bem dentro de nós.

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, maio 23, 2007






foto by:Nuno Belo

Tudo me parecia magia
Naquela barca de ar
Da noite fizemos dia
A barca estava a voar

E de velas soltas ao vento
Cavalgámos o olhar.
O capitão é o tempo
O nosso destino, amar.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, maio 22, 2007



















foto by: Marta Ferreira -

Quando na noite me perco
Em teus cheiros, teus favores,
É na noite que me quero
Numa overdose de sabores
E sinto no teu corpo, calor
A ele me colo e me fundo
Em ti, desperto uma flor
Em mim, descubro outro mundo.


Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, maio 21, 2007






FOTO BY:rosalina afonso

É! Quando amados por um dia completo
Que se diz no dia seguinte?
Que já não somos o que fomos?
Que os votos de eternidade são
Como todos os votos. Algo a renegar, a esquecer?
É isto que me irás dizer um dia?
Que tudo foi apenas e só
Um sonho, um desejo meu.
Fazemos da verdade cobardia,
Erguida no que nunca foi...
Sinceridade.
Mas eu sei que não devo perguntar
Os reais alicerces da verdade.
Não quero um dia pensar o que
Pensas. Nem pensar como tu
Pensas.

Porque eu amo a frontalidade.


Manuel F. C. Almeida



foto by: daniel camacho

Era tempo de colocar o passado atrás de nós e ser honestos. Como sempre fomos. Amizade era o melhor que tínhamos escrito a dois. E alguma loucura. Eu não era a mesma pessoa. Ela também não. Por vezes nem imaginamos as mudanças que o tempo e a distância opera em cada um de nós. Eu sentia claramente que era diferente desde há 6 meses quanto mais desde há anos.
A Elouise mantinha-se calada. Estava a leste do nosso diálogo e das minhas cogitações, mas entendia. As mulheres entendem sempre quando o seu tempo não é o nosso. Os homens são mais complicados. Acreditam sempre que a sua presença pode mudar os outros. Como se os outros existissem em função deles.
O silencio instalado era maior que o sentido por um peixe num aquário. Veio-me á memoria uma canção linda. The sound of silence. Na verdade existe. Um som que se propaga pela alma, que a inunda, que a embriaga. Não há na vida nada tão triste que ouvir o som do silêncio. Mas era a minha escolha.
Nessa noite terminei o relatório. Entreguei uma cópia à Isabel e na manhã seguinte parti. Sem glória, sem esperança, sem vida. Só o silencio se ouvia.

Manuel F.C. Almeida
Fim sem glória.

domingo, maio 20, 2007


Tínhamos a fórmula perfeita,
Eu gostava de ti e de mim.
Tu gostavas de mim e de ti.
Amava-te como se ama na juventude;
Amava-te como se não pudera amar mais.
Amava-te e amava o teu jeito de falar:
- Vem amor, faz-me viver, faz-me vibrar!
E gostava de ser quem era
Quando nos teus braços, eu era.
Tu…
Tu gostavas de ti…e de mim?

Manuel F.C. Almeida

sábado, maio 19, 2007








foto by:João Viegas

Louco. Sim sei que sou louco
Uma, duas, três vezes louco
Louco por amar,
Louco por cantar,
Serei louco uma vez mais
Por dizer.
Serei louco em pretensos poemas
Que teimo em escrever.
E escrevo o flamejar dos olhos.
O crescendo das partituras
um dia feitas nome…
Criaturas.
E canto o exorcismo da minha alma
Em fusão com o verbo amar.
Mas não há poemas que me libertem
Desta loucura com nome.
Louco. Sim serei louco
Para sempre.
Por te amar e te cantar.


Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, maio 18, 2007



foto by: marta

Nua, levitavas numa dança
Tantrica de pernas abertas
E sexo de romã.
E foi em mim que saciaste
O fruto, a sede, a cor.
Ontem, hoje, amanhã.


Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, maio 17, 2007



















foto by: sgthotlips
Hoje estás nua, apetecível
Caem-te os cabelos sobre os ombros
E os seios erguem-se para os céus
O teu sexo feito lar
Abre-se em rosa ao meu desejo.
E tudo cresce em nós,
Numa tesão sem medo
E num desejo ensurdecedor
Que a ambos fala em segredo.

Manuel F.C. Almeida


foto by: Dani


E era assim mesmo. Vivia preso aos meus sonhos e aos meus fantasmas. Começar ou tentar começar, recomeçar tudo me parecia impossível. Depois o recomeço é sempre carregado de memórias, de lembranças nem sempre boas. Fica sempre presente a ultima palavra. Seja ela qual for.
Era grande a angustia que me assaltava até ao momento em que a Isabel me interrompeu
- Andas mesmo em baixo meu querido. Estes ares fazem-te mal.
- Eu sei. Termino o relatório hoje e amanhã mesmo parto.
Foi patente a tristeza no seu olhar. Mas ambos sabíamos que não deveríamos recomeçar.

quarta-feira, maio 16, 2007



foto by:http://www.paulocesar.eu

Tenho um rio feito de poesia
Que me sai do ventre
Quando se faz dia.
Um rio de vento
Que me sopra na face
Ao passar do tempo.
Um rio a sonhar
Que me vive na alma
Por tanto te amar.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, maio 15, 2007



foto by:Miguel Delgado e Silva



Ó deuses, vinde até mim
Eu bem sei que me avisaram
Mas esta paixão sem ter fim
Até os meus olhos cegaram.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, maio 14, 2007



foto by: Eliara

Fiz do deserto o meu refugio
Nas horas de revolta do meu lar
E num balão de ar quente plantei,
Corais reluzentes da cor do mar
Que se davam como mulheres
A quem os vinha cheirar
Fiz do deserto o meu refugio
Nas horas ternas de te amar.


Manuel F.C. Almeida



foto by: Padroense

Olhei para a Elouise. Era maravilhosa. Livre e nada hipócrita. Uma senhora, noutra situação seria interessante aproximar-me dela. Mas com o espírito cheio de outra pessoa seria infame da minha parte. Ninguém merece isso. Ser uma muleta que se abandona depois de nos curar-mos. Eram estes os meus valores. A honestidade intelectual face aos outros. Muito kantiano, diriam alguns, conservador, diriam outros, poucos descortinariam na minha atitude um profundo amor pelos outros e por aquilo que são. E um profundo respeito por mim mesmo.
Mais uma vez fui interrompido nas minhas cogitações.
- Então! O peixe está bom? – Perguntou a Isabel.
- Delicioso – respondi
- está muito calado, parece que não aprecia a nossa companhia disse a Elouise.
- não pense assim, eu sou mesmo calado. Já fui diferente mas aprendi a viver dentro de mim. Não gosto de incomodar os outros com banalidades ou pensamentos meus. Vivo num mosteiro que é o meu “eu”.

domingo, maio 13, 2007



FOTO BY:Erika Assumpção

Foi numa pétala que te achei
E te recolhi no tempo.
Teu aroma embriagou-me,
Tomou-me os sentidos
E voluptuosamente
Entreguei-me á doce loucura
De te amar.


Manuel F.C. Almeida

sábado, maio 12, 2007



Foto by: http://www.paulocesar.eu

Que fazemos nós
Da luta dos corpos no
Silencio das noites?
Quando fechamos os olhos
Ao outro
E no egoísmo dos espasmos
Reencontramos a graciosidade
Da palavra
Vivida a dois.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, maio 11, 2007


Estou cada vez mais farto de tudo isto. Não vejo um único momento em que a cara das pessoas seja tingida com as cores da esperança. Agora temos uma nova técnica de exercer o poder. Chama-se a Denúncia. A denúncia ocupa nos dias de hoje um papel central na governação do País. O partido do governo, neste tempo o PS, dedica-se a convidar as pessoas a denunciarem os seus vizinhos, conhecidos e desconhecidos por tudo e por nada. Aos Funcionários Públicos, segundo dados oficiais 700 mil, estendeu essa recomendação e tornou-a numa OBRIGAÇÃO.
Isso mesmo, segundo O PARTIDO SOCIALISTA e o seu conceito de um socialismo renovado e moderno, a sociedade, o aparelho de estado e toda a vida desta comunidade miserável a que chama-mos Portugal, deve ser gerida pelo principio da denuncia, delação e suspeita. Portugal já viveu esta realidade varias vezes. Aos tempos da SANTA INQUISIÇÃO, era comum a inveja, o ódio, a cobiça e a mesquinhez serem os motivos para denunciar alguém. E para os queimar. Desde sempre o povo português teve esta propensão para a denúncia. No anterior regime, Salazar conhecendo esta realidade explorou-a de forma inteligente. As vilas e cidades operárias eram locais de luta mas também de informadores. A tortura, os maus-tratos e em alguns casos a morte, eram produto de um povo que colaborava.
O poder instalado sabe isso, sabe que nada melhor para controlar uma sociedade que o medo. O medo de perder o emprego, o medo de fumar, de contrariar o politicamente correcto, o medo tomou conta de Portugal inclusive o medo de dizer não.
Por isso, como se sentirá o poeta deputado e vice presidente da A.R, que um dia escreveu “ há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não” ao dar o seu apoio a este regresso do medo e da denuncia, quando o seu partido recusou uma proposta de lei que mandava investigar o enriquecimento ilícito? isso som motivo de suspeitas fundadas.
Eu entendo que isto da ética e da lei seja apenas para alguns, mas ao menos tenham o decoro de o não fazer tão explicitamente.

quinta-feira, maio 10, 2007



foto by: miguel pereira

Eu sempre te amei e não sabia
A cor do cabelo, do teu olhar,
Eras ideia que eu sempre via
No meu dormir, no meu sonhar.


Eu sempre soube que te amava
Faltava uma face, um caminhar
Mas naquele dia, que te olhava
Foste um farol a despertar.


Eu sei, tu sabes, ambos sabemos
Que nem tudo é fácil de reconstruir
Mas se sabemos o que queremos
O futuro é feito sempre a sorrir.


Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, maio 09, 2007



FOTO BY: Miguel Delgado e Silva

Tomei-te o rosto
De um trago
Aspirei-te o perfume
De fêmea
E desfiz contigo
As nuvens
Do meu horizonte.

Manuel F. C. Almeida



foto by:Paulo Penicheiro

Entrámos num lugar rústico. Agradavelmente decorado com materiais da região. A dona de imediato cumprimentou a Isabel e a Elouise. Indicou-nos uma mesa e por artes mágicas fez surgir uma travessa com queijos e enchidos da região. Olhei para tudo e não consegui evitar uma sensação de revolta. Afinal eu não podia comer nada daquilo e o aspecto era magnífico.
- Em que pensas – perguntou a Isabel
- Em nada de especial, nas minhas limitações.
- Mas que tem? – Perguntou a Elouise.
De forma breve resumi a minha história clínica, que infelizmente não é famosa. Estava a meio da história quando, para espanto meu, a senhora me traz um bom peixe grelhado e para as senhoras umas boas migas com entrecosto de porco preto. Era injusto mas fiquei espantado. A Isabel explicou-me que tinha tomado a liberdade de encomendar peixe para mim. Era uma delícia. Aliás ambas eram uma delícia mas não mais que isso. Eu estava a viver um drama enorme. O trabalho que me propunha fazer estava feito. Era só elaborar um relatório e podia partir. No entanto apetecia-me ficar ali mais uns dias. A companhia da Isabel era tão agradável. Sabia que não era mais que isso. Mas sentia-me em casa quando estava perto dela.

terça-feira, maio 08, 2007

http://www.paulocesar.eu

homenagem aos G.N.R

Vou sonhar que te amei
Que te encontrei
Numa gruta iluminada
Vou cheirar que te amei
Que te tomei
Numa estrela abandonada
Vou cantar que te amei
E que te achei
Á boleia nesta estrada.


E sempre que te olhar
Vou-me encontrar.
Nesta vida amortalhada
E sempre que te olhar
Vou-me encontrar
Nesta vida adiada.


Vou sonhar que te amei
Que te olhei
Estavas nua, convidada
Vou sonhar que te amei
E que cheirei
Tua púbis orvalhada
Vou sonhar que te amei
Que te beijei
Numa ânsia entesada.


E sempre que te olhar
Vou recordar
Uma promessa adiada.
E sempre que te olhar
Vou recordar
Uma face calculada.


Vou sonhar que te amei
Que te matei
Numa hora malfadada.
Vou sonhar que te amei
Que te deixei
A canção está terminada.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, maio 07, 2007



Foto by: helena margarida pires de sousa

A teu favor tinha,
A sensação de verdade.
O querer acreditar ser possível
Nem sabia se tinha o teu amor
Impossível.
A meu favor, tinha
A honestidade do olhar
O querer estar, acreditar
E todo este amor
Pronto explodir.
A nosso favor tínhamos
Tudo e nada
E quando vislumbrámos um rochedo
Eu… fiquei só.
Tu foste... o meu olhar ganhou medo.
A meu favor só me posso ter a mim

O caminho feito só, feito segredo..

Manuel F. C. Almeida

(a partir de alexandre O'Neill)


Mas a verdade no meu interior era a presença de quem eu tinha perdido. Não ia trair-me por nada deste mundo. E era tão doce e tão presente que queria vive-lo para sempre.
-chegámos, isto hoje ta ainda mais bonito – disse a Isabel
- Sim está maravilhoso, há tempos que não vinha aqui – respondeu a elouise.
Olhei para a paisagem. Estávamos numa das abas que ladeavam o rio. Cá de cima o rio via-se a serpentear por entre o recorte do seu antigo leito. As últimas chuvas tinham-lhe dado algum caudal e nas suas margens a natureza manifestava-se de maneira generosa e linda. Era um local maravilhoso sem duvida. Afastei-me um pouco delas e dissimuladamente voltei a olha-las. Ambas jovens, ambas belas, ambas desejáveis ambas inacessíveis para mim. Vivia uma maldição.
- vamos entrar – disse a Isabel – vens ou não?
- desculpa, claro que sim.

sábado, maio 05, 2007



foto by: helena margarida pires de sousa

Tenho um sonho:
Um dia vou fugir de todos vós.
Vou fugir de todas as coisas.
Das obrigações, das obrigações..

Irei em direção ao sol
Para o esquecer,
Subirei a montanha
Para a perder
Olharei o céu
Para ficar ausente.
E só,
lograrei fugir de mim
Lograrei fugir de mim………
No presente, para sempre.

Manuel F. C. Almeida.

sexta-feira, maio 04, 2007


Há uma lenda em cada olhar
Que se perde no horizonte
Historias lindas de encantar
Que fazem do olhar uma fonte.
Umas falam só de esperança
Num novo dia a nascer
Outras de amor e lembrança
Histórias tristes de morrer.
Há lendas que fazem os tempos
Mais cinzentos ou coloridos
Lendas que chegam nos ventos
Que me sopram aos ouvidos.
Manuel F.C. Almeida

foto by: Sérgio P.
A Isabel conduziu-nos pelos campos que começavam a apresentar o tom colorido das pequenas flores campestres. Eu seguia em silêncio. Eram muitas as coisas que me assaltavam o pensamento. Aparentemente tudo estava explicado. Tinha agora a difícil tarefa de comunicar tudo à Policia. Tinha também pela frente algumas decisões difíceis. Era óbvio para mim que me sentia deslumbrado por três pessoas. Isabel, Fatima e Elouise. Também tinha a certeza que uma outra pessoa vivia dentro de mim. Por quanto tempo mais? Não sabia. No entanto sabia que não seria honesto caso iniciasse algo sem que me sentisse preparado para tal. Sentia atracção por três mulheres, uma já presente no meu passado, outra que ocasionalmente conhecera mas que não significava mais que deslumbre a ultima era na verdade diferente. Tão diferente, que me apercebi disso no exacto momento em que a conheci. Tão diferente que me deslumbrou.

quinta-feira, maio 03, 2007


foto by MARIAH
Escrito o poema,
A maldição renova-se.
Um novo frenesim se manifesta
E se precipita na
Ânsia de um novo poema
A nascer.
Tudo se assemelha a uma
epidemia .
O poema,
O próximo poema
Todos os poemas.

Ser poeta é estar doente.

Manuel F. C. Almeida.

quarta-feira, maio 02, 2007








Dança minha concubina
Remexe o teu ventre
De encontro ao meu.
Não pares de dançar
Dança o verde da floresta
O azul do horizonte, o mar
Dança o abraço eterno do sol
Ao calor da mãe gaia

Dança minha concubina
Meu raio de tempestade,
Minha sorte, minha sina
Meu horizonte perdido
Minha praia.
Minha tocha olímpica
Minha deusa grega
Meu luar.

Dança até ser dia
Esgota-me no teu dançar.

Manuel F. C. Almeida.


Foto by:

Alba Luna

Se um dia desejares juntar-te a mim, deixo-te um segredo. Estarei sempre ao sul. No sul de Corto Maltese.
E só mais uma coisa. Diz aos meus amigos, mas aos que tu sabes que o eram de verdade, que estou na estrada que escolhi, que aparentemente estarei sozinho mas que guardo sempre comigo, a voz, a imagem dos que comigo pugnaram de perto. A minha única riqueza são as memórias que tenho. E os amigos que sempre terei.
Agora chega. Nada mais há a dizer.
Até um dia………………………..

Rodrigo Almeida

“Estarei sempre ao sul. No sul de Corto Maltese”. Argentina ou algures na América do sul?. Isto ficou-me na cabeça. Ele estava a dizer-me onde estava ou poderia estar.

Não dei pelo tempo passar, a Isabel e a Elouise interromperam-me o pensamento. Era tempo de almoçar. Fomos no jipe. Eu ia em silêncio. A minha tarefa estava terminada. Rápido demais. Teria de justificar a vinda com um relatório.

terça-feira, maio 01, 2007


É rubra a voz que levantas
No calor da tua batalha
Canta camarada, que encantas
Com canto esta muralha.

Temos de a fazer muito forte
De a construir com verdade
Façamos dela um forte
Defesa da liberdade.
Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, abril 30, 2007



foto by: carlos pereira

Vem! Surpreende-me com o teu ar
De felino na caçada.
Toma-me numa cornucópia
De luxúria insaciável.
Sacia a tua sede neste oásis
Que sempre fui em ti.
Mata a tua fome de corpo
Em mim.

Agora sabemos os dois a cor do
Frio nas noites tristes
Quando voltámos as costas ao outro.
Vamos refazer aquela tela que ambos
Pintámos de natureza.
Vamos colocar o coração no
Lugar do coração.
E fazer das nossas mãos
Minhas mãos e tuas mãos.

Manuel F.C. Almeida


Foto by:
Como sabes passei os melhores anos da minha vida, ou os que o deveriam ter sido, embrenhado nas diferentes escolas. Da primária até terminar a faculdade passei cerca de 20 anos da minha vida a ser formatado. Raramente de deparei com alguém digno de registo. Raramente me deparei com um mestre. Fui crescendo com valores impostos e hipócritas. Os conselhos familiares para ser honesto contrastavam com uma sociedade das mais corruptas que conheço. Ao exemplo familiar de amor à liberdade sobrepunha-se a vivência social pejada de gente mesquinha e com espírito delator. Na escola tudo era igual. Poucos se importavam com o saber ou se sabiam. O interesse era todo e só virado para o resultado numérico obtido. Os professores na generalidade eram uma extensão medíocre de um mundo medíocre. Ainda assim fiz o que me era pedido. Fiz tudo, como um bom rapaz. A família ficou medianamente feliz, os amigos também. Só eu continuei infeliz. Não sabia porquê, só sabia que me sentia miserável.

sábado, abril 28, 2007



Foto by

betho feliciano

Curiosas, as
Palavras procuram-se
Em telas de todas as cores.
Lá, onde se escondem
Os sentidos,
Seguem embriagadas
O conceito de um corpo,
De um amor.
E como nuvens
Dissolvem-se, em gotas
De esperança, de amizade
E de tempo.

Está a chover algures.

Tudo é eterno regresso a ti...

Manuel F.C. Almeida.

sexta-feira, abril 27, 2007


FOTO BY :
E sinto o teu regressar
Tacteando devagar
A minha alma tão diferente.

Não sei o que desejar
Muito menos que pensar
Do passado, estou ausente.

E faço dos dias poemas
Complexos teoremas
De palavras com presente

Manuel F.C. Almeida.

quinta-feira, abril 26, 2007



foto by: www.paulocesar.

Escrevo páginas com o teu nome.
Debruado com palavras mágicas,
Aquelas palavras que tudo dizem,
E nada fazem sozinhas.
Invento assim novas frases
Sem rumo certo, antes palavras sós,
Incoerentes, inconsequentes.
Frases sem sentido, que se querem
Vivas, reais e presentes.

Manuel F. C. Almeida



foto by

Marcos S. Sousa

A vinda para este lugar, o contacto com pessoas de mundos diferentes e com perspectivas diferentes acabou por me acordar. Embrenhei-me na vida como nunca o tinha feito. Dei largas à minha paixão pela poesia e pela filosofia. Apaixonei-me, vivi relações fantásticas com pessoas fantásticas. Acima de tudo aprendi a ouvir. E foi a ouvir que descobri um mundo que me esperava algures. Um mundo onde os jovens não se hipotecam aos bancos desde tenra idade, um mundo onde a noite não é passada em frente de uma caixa colorida. Não sou naif, sei que essas pessoas, provável mente, desejarão tudo isto, mas a verdade é que o seu mundo ainda está livre de tudo isto. Vivem com muitas dificuldades e superam-nas. É para um local desses que vou. Não vale a pena procurar-me, se desejar ser encontrado eu darei sinais. Tens agora a espinhosa tarefa de encerrar o que julgo vir a ser um problema de polícia. Só tu o podes fazer de forma a evitar mais complicações. Soube antes de partir da tragédia que te sucedeu. Lamento, mas a vida para ti não acabou.

terça-feira, abril 24, 2007


Já me soa no olhar
A cor de mil ilusões
Vai um Abril a passar
Vai um sonhador a chorar
As suas traídas paixões.

E chora o seu sonho traído
Sem saber mais que fazer
Chora pelo que lhe é devido
Chora por não ter agido
Na defesa do seu querer.

Manuel F.C. Almeida.


foto by Luis Miguel Mateus

Nem sempre me recordo dos minutos
Bebidos em teus seios.
Muitas vezes abandono-te e fico refém
Dos meus medos, meus receios.

Nem sempre me recordo dos tempos
Perdidos em teu sexo.
Muitas vezes deixo-me só…
Revelo-me complexo.

Pois!
Nem sempre te recordo ou me recordo
Dos dias de inocência
Muitas vezes só está presente
A cor da nossa imprudência….

Manuel F. C. Almeida


Começava a fazer sentido o que naquela manhã eu tinha descoberto.
Abri a carta com algum nervosismo. Ela apercebeu-se e disse-me que ia fumar um cigarro. Agradeci-lhe a descrição com o olhar.
A carta era-me dirigida:
“ Amigo Manuel:
Sei que virás um dia. Quando leres esta minha carta estarei algures por esse mundo, a cumprir o meu desejo. Ser útil. Aqui nada me prende. Nada tem valor. Desculpa não me ter despedido, mas não gosto de despedidas. Só me despedi de uma pessoa, da Elouise. É um diamante, uma força da natureza. Não sei se ela sabe isso, mas eu sei. Foi a ela que confiei este meu desejo, porque sei que nunca me trairá. A nossa amizade irá sobreviver ao tempo e à distância. Ambos sabemos isso.
Deves estar a interrogar-te sobre os meus motivos. Tentarei ser sintético, racional no que irei dizer.

segunda-feira, abril 23, 2007


foto by tiago
Eu
Mais não sou que vulcão
Em súbita erupção
De pétalas aveludadas.
Rio que se precipita para a morte
No desejo que em sorte
Lhe calhem margens apertadas.
Centelha de sol que massacra
Minha vida, via-sacra
Meus caminhos, minhas estradas

Eu
Mais não sou que ilusão
Miragem do vento suão
Cheio de tempo e de nadas.
Manuel F.C. Almeida







foto by Carlos Carpier

- E que lhe interessava isso? Ele não pediu a ninguém para o procurar se o fizeram e fazem é por curiosidade e como ele dizia por egoísmo.
- Egoísmo? Eu desde que o caso sucedeu que sinto necessidade de obter respostas, tinha-me por amigo dele, nunca me conformei com o vazio.
- Ele sabia que você viria um dia, sempre me disse isso. Descrevia-o como um bom amigo, alguém em quem se pode confiar. Por isso confidenciou-me uma coisa.
Acto contínuo dirigiu-se ao armário e retirou um livro. “ A Critica da Razão Pura”. Kant, o sistema, o método. O livro tinha uma capa dupla, bonita, protegida. Rapidamente rasgou a capa e na sua mão surgiu uma carta. Era endereçada à minha pessoa.
- Esperei que viesse tal como o Rodrigo me pediu. Disse sempre que viria. – Disse ao mesmo tempo que me estendia a carta.
- Porque não a entregou à polícia? – Perguntei.
- Porque o Rodrigo desejava que fosse entregue a si quando viesse, não gostava de polícias nem de autoridade em geral. Costumava dizer que a autoridade reconhece-se não se impõe. e que não é pelo facto de alguém usar uma farda que ele reconhece-se nesse alguém, qualquer tipo de autoridade.