quarta-feira, janeiro 14, 2015



















De que servem as palavras
Se já não há rosmaninho
Se as frases vindas de outro
São lianas no caminho
Se mesmo acompanhado
Te sentes sempre sozinho?

De que servem as palavras
Se a tua língua é diferente
Se tudo o que acreditas
Deixou de estar presente
Se até no mesmo local
Te fazem sentir ausente?

Caminha sim! Caminha!
Não pares de caminhar
Porque afirmar aquilo que és
Nunca se faz sem lutar



Manuel F. C. Almeida

domingo, janeiro 04, 2015














Os lábios, meu mel,
Num tempo de esquecimento
Eram rios de sangue e vida
Flores de um deserto presente
Que rapidamente nasciam
E rapidamente morriam
Flores que faziam o deserto viver
Quando se pensava estar morto.
Abeirava-me dele quando podia
E via o pintado de cores nas mil
Flores que lá cresciam. No deserto
Da minha alma sem nome,
Onde costumo espreitar
Vive o animal e o homem
Que nunca consegui encontrar.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, dezembro 31, 2014




Sorriam que tempo
passa depressa















Deste-me as mãos, os braços
O corpo
Deste-me os lábios, os seios
O ventre
E num momento sem tempo
Num jogo difuso de espelhos

Amarrei-te de pés e mãos
E arranquei-te os pintelhos

Manuel F. C. Almeida.

quinta-feira, dezembro 25, 2014



Tremo pelo frio que vai passando
No corpo nu, despido e transparente
Que dei de modo livre a um sonho
Que foi só sonho, nunca presente

E ao acordar olhei-me assustado
Tudo não passava de fresca ilusão
E atrás de mim, num leito de rio
Nem águas vivas, nem sol de verão

Apenas areia e seixos perdidos
Pedaços de vida aqui e ali
Momentos que o tempo comeu
Ausência de mim, ausência de ti.

E nesta lenta morte em vida
Neste silencio de gritos instalado
Vamos morrendo pouco a pouco
Cada dia mais sós, lado a lado.


Manuel F. C. Almeida

sábado, dezembro 20, 2014


















Há um tempo de partir
Há um tempo de ficar
Há um tempo de sorrir
Há um tempo de parar

Mas este é o tempo
Que me aconselha a pensar.



Manuel F. C. Almeida

domingo, dezembro 14, 2014

















Despojado acendo uma vela
No centro do todo o meu querer
E com cuidado cuido que ela
Não se recuse a arder
Ilumino o meu caminho
Com a luz que ela me dá
Vejo pouco, vou sozinho
O que tiver de ser…será

Desta forma sem amarras
Vou desbravando o meu tempo
No caminho cantam cigarras
Dançam andorinhas no vento
Espantado com o mundo
Que a todo o tempo se altera
Pinto uma tela sem fundo
No mundo que sempre me espera.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, dezembro 10, 2014


Estilhaçá-mos
O nosso mundo
Num encontro
De corpos
Inflamados.
Por testemunhas,
O tempo
E a voragem
Dos instintos
Saciados

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, dezembro 05, 2014

















Não há nome no caminho
Nem melodias no vento
O som da chuva ao cair
É apenas um momento
Bebo todo o esquecimento
Numa garrafa de tédio
Tomo o meu corpo esquecido
Pelo absinto remédio
E sem nome para me guiar
Vagueio pelo mundo à deriva
E sento-me a beira da estrada
E de vazio encho a vida


Manuel Almeida

sábado, novembro 29, 2014


Sonhei com um corpo a chegar

Numa manhã de puros sentidos

Num prado que teima em soltar

O perfume dos dias perdidos

Em que abraçados no olhar

Sentíamos ambos, estar vivos


Manuel F. C. Almeida.

terça-feira, novembro 25, 2014





















Ditamos palavras aos outros
Reflexões sobre reflexões
Obscuras ideias da vontade
Estilhaçadas em mil faces
E mil corpos
Que reluzem na luxúria
Do pensar e do sonhar

Num encontro cósmico
Belo e de sentimentais
Desejos egoístas.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, novembro 14, 2014


















POEMA DE UM AMOR TRISTE


Este frio de Outono, esta chuva que anuncia
Os dias tristes e pequenos em que vivemos
Traz-me á memória os sons de um corpo
Que não conheci. E com eles uma canção
Que se esbate no rochedo da minha existência
E se espraia pela alma como uma nuvem sem
Esperança e sem futuro.
Uma canção feita de letras mascaradas,
Letras que magoam não pelo que dizem, mas
Pelo que não dizem, pelo que ficou no ar, suspenso
Num tempo matizado de cinzento.
E no meio de tudo, que se salvem as flores.
Aquelas flores que simbolizam as mãos
Estendidas e o crescer de pontes entre mundos.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, novembro 06, 2014















E ainda assim
Dizemos que amamos
E soltamos suspiros.
Olhamos o tecto
E acendemos cigarros.
Lavamos os sexos
E os dentes
Vestimos roupas
E saímos rua fora
Como se o que de
Mais belo a vida tem
Fosse motivo
De culpa.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, outubro 31, 2014

















Ao rasgar do dia
A aurora ganha asas
E a escuridão abandona
O olhar.
A pele treme,
Numa embriaguez de vida,
Que os olhos escondem
Os segredos dos sonhos.
A natureza és tu e
Eu, num abraço sem fim.
A vida ergue-se devagar
E brilha na voz
De quem a
Teima em cantar.


Manuel F. C. Almeida

domingo, outubro 26, 2014





















 O TEMPO

Ontem!
As memórias já impressas.

 Hoje!
A marca insolúvel do presente

Amanhã!
Um sonho feito maré.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, outubro 17, 2014





















Foi a convite do teu corpo
No doce perfume que germina
Na pérola que escondes nos lábios
Que o meu querer desabou
Como um castelo de pedra
E se reergueu como uma flor
Ao raiar da primavera.


Manuel F. C. Almeida