terça-feira, Novembro 25, 2014





















Ditamos palavras aos outros
Reflexões sobre reflexões
Obscuras ideias da vontade
Estilhaçadas em mil faces
E mil corpos
Que reluzem na luxúria
Do pensar e do sonhar

Num encontro cósmico
Belo e de sentimentais
Desejos egoístas.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, Novembro 14, 2014


















POEMA DE UM AMOR TRISTE


Este frio de Outono, esta chuva que anuncia
Os dias tristes e pequenos em que vivemos
Traz-me á memória os sons de um corpo
Que não conheci. E com eles uma canção
Que se esbate no rochedo da minha existência
E se espraia pela alma como uma nuvem sem
Esperança e sem futuro.
Uma canção feita de letras mascaradas,
Letras que magoam não pelo que dizem, mas
Pelo que não dizem, pelo que ficou no ar, suspenso
Num tempo matizado de cinzento.
E no meio de tudo, que se salvem as flores.
Aquelas flores que simbolizam as mãos
Estendidas e o crescer de pontes entre mundos.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, Novembro 06, 2014















E ainda assim
Dizemos que amamos
E soltamos suspiros.
Olhamos o tecto
E acendemos cigarros.
Lavamos os sexos
E os dentes
Vestimos roupas
E saímos rua fora
Como se o que de
Mais belo a vida tem
Fosse motivo
De culpa.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, Outubro 31, 2014

















Ao rasgar do dia
A aurora ganha asas
E a escuridão abandona
O olhar.
A pele treme,
Numa embriaguez de vida,
Que os olhos escondem
Os segredos dos sonhos.
A natureza és tu e
Eu, num abraço sem fim.
A vida ergue-se devagar
E brilha na voz
De quem a
Teima em cantar.


Manuel F. C. Almeida

domingo, Outubro 26, 2014





















 O TEMPO

Ontem!
As memórias já impressas.

 Hoje!
A marca insolúvel do presente

Amanhã!
Um sonho feito maré.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, Outubro 17, 2014





















Foi a convite do teu corpo
No doce perfume que germina
Na pérola que escondes nos lábios
Que o meu querer desabou
Como um castelo de pedra
E se reergueu como uma flor
Ao raiar da primavera.


Manuel F. C. Almeida





























sábado, Outubro 11, 2014



















Que seja o sol a salvar-me
E que o vento me leve
Como folha morta
E me entregue no
Ramos da vida

E lá no alto
Farei o meu posto
De vigia
No dançar dos sonhos
Entre ramos selvagens.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, Setembro 25, 2014





















Tacteio em ti
O sorriso
No olhar,
Ponte cega
Em que caminho.
No tempo,
Em que o sabor
A sal
Se ofertava
No teu ventre:
Vivo e
Faminto
De mim.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, Setembro 18, 2014






















Debruei o teu corpo com grinaldas
De mil flores e mil odores
Numa intensa transparência de amar
Onde só o eco do olhar nos trazia o outro
E o timbre das melodias dos lábios
Nos dava o nome frágil do desejo.
E o tempo foi construindo o hábito
Mas as nossas mãos continuam
A tecer uma teia equilibrada
De ternura e segredos
Sussurrados ao luar da vida.


Manuel F. C. Almeida

sábado, Setembro 06, 2014















Abro o teu corpo
Como se fossem paginas
De um livro em branco
Ou como se desfolha
Um malmequer
Na procura das palavras
Certas
Para te escrever
E aspirar o teu perfume
Abro o teu corpo
Como se ouve uma sinfonia
Ou se aprecia o canto
Das cigarras
Numa noite de estio
Abro o teu corpo
Como se fossem ondas
Num rio de águas revoltas 



Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, Agosto 27, 2014


















Foste um dia o início de tudo
Ficaste preso a mim com algemas invisíveis
Debruadas a ouro e prata com
Diamantes sempre a brilhar
E fomos crescendo juntos,
E juntos separámos o tempo
Passaste a ter o teu tempo e eu o meu
Nada mais quis ter na vida
Um par de algemas cravadas na pele
Indestrutíveis aos tempos e às intempéries

Inevitavelmente um dia serão cortadas
Mas iremos tê-las sempre presentes.


Manuel F. C. Almeida

sábado, Agosto 23, 2014


No meu mundo ilusório
Feito de abandono e de vazio
Só os meus sonhos se projectam
De encontro ao azul dos céus
Na espera incerta de um futuro

Sem tempo.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, Agosto 15, 2014




time to sleep
















Apaguem a luz,
A noite acontece ao rasgar
Da esperança e do silencio
Quando o olhar se petrifica
No leito de um rio de águas
Pintadas.
Apaguem o tempo,
O sol deixará de morrer e
O horizonte será apenas
Uma linha muda
Numa tela a convidar
Ao sonho
Apaguem os conceitos
Chega de palavras vãs
Cheias de intenções
Coloridas e prenhes
De interrogações sobre
Nada
Apaguem tudo,
E deixem que o silencio
Nos abrace.


Manuel F. C. Almeida

domingo, Agosto 10, 2014

















Há dentro de mim
Um oceano, um deserto
Uma floresta tropical
Uma dor que nunca se alcança
Uma gesto, uma estatua de sal,
Uma eterna procura de ser
Apenas um sonho
Pronto a morrer

Há dentro de mim
Mil imagens escondidas
Mil faces feitas ruína
Mil ventres despedaçados
Mil fantasmas encantados
Pelo canto de mil almas
Que um dia aprisionei

Há dentro de mim
Mil odores e mil sabores
De quem amei

Manuel F.C. Almeida

domingo, Agosto 03, 2014





















O luar é nossa testemunha
Daquela noite em que sem pensar
Voltamos ao ponto suspenso
Do nosso olhar.

O luar é nossa testemunha
De um momento único, ímpar
Em que a força dos instintos
Fez o desejo falar

O luar é nossa testemunha
Que um erro de teimar
Não deixa de ser um erro
A reparar.

Manuel F. C. Almeida

















Procuro nas coisas
A simplicidade
Sem mistérios ou verdades
Etéreas
O que é, basta-se
Para se descrever,
Numa tela, num espelho
Ou no reflexo das águas
De um charco.

Simples é o modo de olhar
A complexidade do todo.


Manuel F. C. Almeida.