terça-feira, abril 14, 2015



















Porquê a existência?
Porquê as lutas e o amor
Porquê o ser que se não é
Ou o sonho que nos amansa

Porquê o medo da vida?


Manuel F. C. Almeida

sábado, abril 04, 2015






















Ficou preso na madrugada
O cheiro a estevas e loendros.
O poema morre, perdido que foi
No nevoeiro.
O silêncio retoma a existência
Junto à margem de um rio.
A paixão morreu no horizonte
Das águas
E renasceu no poema
Quando o sol rompeu
a bruma das tuas memórias.


Manuel F. C. almeida


sábado, março 28, 2015
















Toda a memória
Se explica
Pelo princípio
Dos tempos!
“ Nos braços da minha mãe”
E tudo o mais é
A soma
Até ao dia em que
A memória se renova
E o teu filho repousar
Nos teus braços.


 Manuel F. C. Almeida

sábado, março 21, 2015






















E sinto nos dias o vazio das carícias
Que nunca aprendeste a dar
O estar só numa vivência mascarada
De sombras a dois.
A sinfonia ausente numa leitura
Perdida no tempo e no olhar

Não me peçam pois sonhos de eternidade
Que os meus dias se arrastam entre
A ignorada presença de quem existe
Até ao momento em que teu olhar se
Volte a encantar numa outra coluna
De mármore que ornamente o teu palácio.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, março 05, 2015





















Sonhei-te como diamante
De brilho e faces perfeitas
Em minhas mãos despidas

Sonhei-te como mundo, sem tempo
Nem cores. Sonhei-te a preto e branco
Tudo ou nada

E assim te fiz parte de sonho
Que se perdia nas brumas do meu olhar
E se construía como um amor indestrutível

Sonhei-te numa existência possível.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, fevereiro 27, 2015






















Nas minhas mãos brilham
As cores da solidão.
Caminhando encontro enfim
A morte a cada passo
E quando os ventos
Me arrancam deste abraço
Soam em mim sinfonias
Sem destino.
E se caminho só
Sobre a campa de mil sábios
É na procura incessante
Do néctar dos teus lábios.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, fevereiro 09, 2015














Pois…a poesia
Brisa sem tempo
Num respirar
De sentidos
Que se escondem

Dos olhares.


Manuel Almeida

quarta-feira, janeiro 14, 2015



















De que servem as palavras
Se já não há rosmaninho
Se as frases vindas de outro
São lianas no caminho
Se mesmo acompanhado
Te sentes sempre sozinho?

De que servem as palavras
Se a tua língua é diferente
Se tudo o que acreditas
Deixou de estar presente
Se até no mesmo local
Te fazem sentir ausente?

Caminha sim! Caminha!
Não pares de caminhar
Porque afirmar aquilo que és
Nunca se faz sem lutar



Manuel F. C. Almeida

domingo, janeiro 04, 2015














Os lábios, meu mel,
Num tempo de esquecimento
Eram rios de sangue e vida
Flores de um deserto presente
Que rapidamente nasciam
E rapidamente morriam
Flores que faziam o deserto viver
Quando se pensava estar morto.
Abeirava-me dele quando podia
E via o pintado de cores nas mil
Flores que lá cresciam. No deserto
Da minha alma sem nome,
Onde costumo espreitar
Vive o animal e o homem
Que nunca consegui encontrar.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, dezembro 31, 2014




Sorriam que tempo
passa depressa















Deste-me as mãos, os braços
O corpo
Deste-me os lábios, os seios
O ventre
E num momento sem tempo
Num jogo difuso de espelhos

Amarrei-te de pés e mãos
E arranquei-te os pintelhos

Manuel F. C. Almeida.

quinta-feira, dezembro 25, 2014



Tremo pelo frio que vai passando
No corpo nu, despido e transparente
Que dei de modo livre a um sonho
Que foi só sonho, nunca presente

E ao acordar olhei-me assustado
Tudo não passava de fresca ilusão
E atrás de mim, num leito de rio
Nem águas vivas, nem sol de verão

Apenas areia e seixos perdidos
Pedaços de vida aqui e ali
Momentos que o tempo comeu
Ausência de mim, ausência de ti.

E nesta lenta morte em vida
Neste silencio de gritos instalado
Vamos morrendo pouco a pouco
Cada dia mais sós, lado a lado.


Manuel F. C. Almeida

sábado, dezembro 20, 2014


















Há um tempo de partir
Há um tempo de ficar
Há um tempo de sorrir
Há um tempo de parar

Mas este é o tempo
Que me aconselha a pensar.



Manuel F. C. Almeida

domingo, dezembro 14, 2014

















Despojado acendo uma vela
No centro do todo o meu querer
E com cuidado cuido que ela
Não se recuse a arder
Ilumino o meu caminho
Com a luz que ela me dá
Vejo pouco, vou sozinho
O que tiver de ser…será

Desta forma sem amarras
Vou desbravando o meu tempo
No caminho cantam cigarras
Dançam andorinhas no vento
Espantado com o mundo
Que a todo o tempo se altera
Pinto uma tela sem fundo
No mundo que sempre me espera.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, dezembro 10, 2014


Estilhaçá-mos
O nosso mundo
Num encontro
De corpos
Inflamados.
Por testemunhas,
O tempo
E a voragem
Dos instintos
Saciados

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, dezembro 05, 2014

















Não há nome no caminho
Nem melodias no vento
O som da chuva ao cair
É apenas um momento
Bebo todo o esquecimento
Numa garrafa de tédio
Tomo o meu corpo esquecido
Pelo absinto remédio
E sem nome para me guiar
Vagueio pelo mundo à deriva
E sento-me a beira da estrada
E de vazio encho a vida


Manuel Almeida