Quarta-feira, Julho 15, 2009















Os sonhos
E o tempo
Mudaram-me
O rosto.
Gosto,
Das lágrimas
E das cascatas
Do rio.
Sorri,
Ao manto
Leve
Da morte.
A sorte,
De encontrar
Um trevo
De mar.
Amar,
Um corpo
De mulher
Obtusa.
Musa,
De boca
Com lábios
De rosa.
Prosa,
Feita com
Rima;
Um dia
Será
Poesia.

Manuel F. C. Almeida


foto:DDiArte

Segunda-feira, Julho 13, 2009
















Só quando te despojares
do teu ser
E nada tiveres
como certo
Entenderás então
que viver
É uma luta eterna
No deserto.

Só então nessa
Mudez
Estarás pronto
Para aprender
Que na vida
é a "surdez"
que divide o existir e o
“Ser”

Manuel F.C. Almeida

fotoSAGHER

Sexta-feira, Julho 10, 2009



















Hoje não me apetece escrever. Não tenho temas nem ideias. O verão fode-me os neurónios todos e deixo-me levar pelo desejo pornográfico de me esticar na praia a ver todo o coname bom que vai passando. O meu filho acha-me um perigoso tarado. Teme pela minha saúde mental, especialmente quando lhe digo que o verão é convite ao sexo desenfreado e selvagem, ou quando o alerto para a necessidade de abandonar as pivias e se dedicar a usar o talo de forma digna e bem mais prazenteira. A merda do trabalho tira-me a vontade de viver. Gente e mais gente a foder-me a tola. Gente que se leva a sério, que teima em tentar ensinar-me como se vive. Como eles vivem claro. Vidinhas reles, cinzentas e hipócritas. Levam-se a sério, convenceram-se de que fazem coisas importantes e que é esse o nosso papel neste mundo fétido e podre. Do alto do seu oco saber, apregoam morais feitas de papel e comportamentos socialmente aceites. Eu finjo todos os dias ser um pouco como eles e um pouco como eu. Ou seja todos os dias me fodo um pouco mais. Faço de mim uma puta. É essa a medida exacta do que sou. Puta. Infelizmente nem sou uma puta daquelas que ganham dinheiro a vender a cona a quem mais der. Não, eu sou uma puta social. Vendo a merda da imagem num mundo cheio de gente sem alma e sem tusa. Vendo o “ser”. Aspiro, como todos os merdas deste mundo que se prostituíram de forma consciente, ao dia em que dignidade se sobreponha á ditadura social em que mergulhei. Até lá a verdade é que não me apetece escrever. Até esta merda de escrever a usar correctores, se transformou numa ditadura educacional filha da puta. Cada palavrão lá está o vermelho por baixo a dizer-me que estou a violar as regras. Ainda assim o broche lá se vai safando por via de ser usado nas lapelas das gajas. Agora minetadas, canzanadas ou uma palavra tão simples como foda, são de imediato assinaladas. Este mundo é um logro, milhares de incapacitados mentais teimam em acreditar que “um dia vão ser felizes”. Puta que os pariu. Ainda nem viram que a única felicidade a que os deixam aceder é à Morte. Porque digam o que disserem um tipo que começa a trabalhar com 17 anos, e só lhe permitem que se reforme aos 65 nunca pode ser feliz. Porque quando se reformar nem vontade tem para foder, nem as gajas boas querem foder com ele, porque e antecipo já a vossa merdelosa conclusão, para mim a felicidade passa muito pela foda. e assim com 60 e tal anos o escravo que foi contenta-se em bater ocasionalmente uma punheta e a frequentar umas massagistas no único prato q`uesta merda de processador de texto não censura: o broche. Aliás aconselho vivamente o vídeo no youtube que da pelo titulo de “brochin” com o João de César Monteiro. Uma pérola e um filho da puta de velho que nunca se vendeu a cabtão nenhum. Pelo contrario chulou uns bons milhares a gozar com a maralha toda e ainda teve a coragem de dizer:- eu quero que os portugueses se fodam. Grande homem este João, dos poucos felizes a vida inteira. Devo dizer que o invejo, é que de verão lá estava ele no príncipe real a convidar as miúdas que passavam a massajar-lhe o caralho. Gostem ou não do homem a verdade é que ele sempre se esteve cagando para todos nós.

Manuel F. C. Almeida

Quarta-feira, Julho 08, 2009













Há um momento em que a vida
Se resolve. É então que finalmente
Percebes, o valor real da
Existência. Só nesse instante entendes
Que a vida e a morte, são apenas
Acidentes temporais.

Manuel F. C. Almeida

Domingo, Julho 05, 2009













Um dia quis burlar
O tempo
E ficar parado
No reflexo dos teus
Olhos.

Manuel F. C. Almeida



fotoJoel Santos - www.joelsantos.net

Sexta-feira, Julho 03, 2009



















Dentro de mim
Habitam madrugadas
De janelas abertas e
Varandas para o oceano,
Onde me debruço
E aspiro o perfume
Almiscarado
Da memória.

Manuel F. C. Almeida


foto pedro nossol

Quarta-feira, Julho 01, 2009





Miragem













De corpo em corpo fui navegando
Na solidão que me marca a vida
Iludiu-me o cheiro, o corpo e o canto
A todas as sombras chamei “minha querida”

E de amor em amor fui naufragando
Recomeçando sempre a minha viajem
Mas de amor em amor eu fui encontrando
A lição que o “amor” é talvez só passagem.

Manuel F.C. Almeida


foto chacal

Segunda-feira, Junho 29, 2009




















Diz-me lá agora
Onde estão as flores
Que teimas em esconder
E chamar de amores.
As pétalas que um dia
Desfolhei.
Os lábios com vida
Que beijei.


E agora que pensas tu fazer?
O mundo que fizeste
Vai morrer.
Eu… já nem sei mais o que pensar
Só quero sentar-me á beira-luar.
Olhar as ondas que morrem na areia
Limpar o passado desta correia
Começar de novo num outro corpo
Que este está velho, parece já morto.
Limpar a minha alma, limpar o meu ser
Encher a vida com outro viver
E nunca deixar de acreditar
Que tudo na vida é um rio a sonhar.

Manuel F.C. Almeida

fotoJET ...

Sábado, Junho 27, 2009














Caminho só
Caminho meu
Feito de pó
Como o meu céu

Caminho livre
Feito mortalha
Caminho fio
De uma navalha

Caminho claro
Caminho escuro
Desejo livre
Saltar o muro

Caminho novo
Caminho velho
Em todos eles
Existe um espelho

Caminho sombra
Caminho olhar
Trilho desenho.
Meu caminhar.

Manuel F. C. Almeida



fotoLena Queiroz

Sexta-feira, Junho 26, 2009















Já podem ler

AS CONDIÇÕES PARA AQUISIÇÃO EM:
(ou contacto com o autor)

Quarta-feira, Junho 24, 2009



















Os poetas são artífices da palavra.
Mineiros das jóias que se escondem
No sentido e no conceito.
São uma outra forma de artistas.
Dos seus dedos, as palavras soltam-se
Como as notas de um piano
Ou as figuras de um quadro.
Com o tempo, sempre ele,
Acabam por recriar a linguagem
E inventar novos sons.
Tingem de cores impossíveis
A sensibilidade e a razão.
Elaboram partituras inaudíveis
Mas sempre vivas, numa
Dialéctica que se solta, se liberta
E se esconde
Do senso comum.
Tal como uma ciência medieval
Permanece sempre misteriosa,
Inalcançável.
Assim a poesia é a arte da revelação
Impossível, da palavra em fuga,
Da magia infantil da inocência.

A poesia é toda a vida em criação.




Manuel F. C. Almeida



fotoLuis Mendonça

Segunda-feira, Junho 22, 2009










Crónicas da liberdade.

Encontrei-a junto ao rio. Passeava devagar enquanto atirava pedras para a água. As pequenas ondas perpetuavam-se por tempo indefinido. Sentei-me na muralha que serpenteava o rio. Ela aproximou-se e sem dizer palavras sentou-se a meu lado. O cheiro dela inundou-me o dia. Ali ficamos, parados e calados em comunhão silenciosa com o rio e com a solidão que nos atacava a existência. Só a vi anos volvidos, numa pequena aldeia de pescadores em plena costa vicentina. Preparava-me para publicar o meu livro e disse-lhe que um pouco daquele silêncio de outrora vivia nas paginas da obra. Os seus grandes olhos azuis pararam a olhar-me e senti o vento a tomar-me o cabelo. Lentamente passou a língua pelos lábios, tirou um violino da mochila e tocou para mim. Tocou Bach e Mozart. Enquanto tocava recordei a solidão vivida anos antes. A loucura do silencio. O terror de uma existência adormecida. Morta. Só o silêncio do violino me arrancou ao silêncio do pensamento.
Senti a sua mão quente, quando a pousou sobre minha. Os nossos lábios tocaram-se. O beijo deixado no ar havia anos, só naquele momento aconteceu. Toquei-lhe a alma quando nos separamos. Finalmente tínhamos dado vida ao silêncio.

Manuel F. C. Almeida


fotoDuarte Victor

Sábado, Junho 20, 2009













Guardei do tempo
A escrita das aves
De encontro ao azul.
Hoje, parado a olhar
O céu
Ainda vejo a escrita
Das aves.

E no espelho da lua
Entendo por fim
A minha escrita.
Graças às aves
Que sempre escreveram
Poesia.

Manuel F. C. Almeida

Quinta-feira, Junho 18, 2009


















Olhar o tempo
Beijar a lua

Ouvir o vento
Amar-te nua

Sentir a vida,
A latejar
Na eternidade
Do teu olhar.

Manuel F. C. Almeida



fotoMiguel Moura

Terça-feira, Junho 16, 2009

Culture Unplugged Video

ONDE ESTÁ O MUNDO LINDO QUE NOS ANDAM A PROMETER?