quinta-feira, novembro 16, 2017


















Espero que a noite me venha visitar quando
Estiver só, e os meus passos se ouvirem
Nas sombras que no crepúsculo se erguem,
Como um murmúrio do tempo,
Que teima em parar as estrelas no olhar
E me trás o sabor de todos os corpos
Que amei.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, novembro 07, 2017

















Nos meus dias há um trilho
Que começa no corpo
Que se oferece ao prazer.
Um trilho nu,
Onde as arvores e as plantas
Florescem nos olhares
Que se cruzam,
Nos dedos que se tocam,
Nos cabelos soltos ao vento,
Nos seios que se erguem aos céus
E no ventre que dá frutos
Com sabor a ternura
Nos meus dias há um trilho
De diamantes e esmeraldas
Que percorre corpos
Imaginários
E jamais se detém num nome.

Nos meus dias só a liberdade
É existência.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, novembro 02, 2017


















É do espanto que me alimento
E só nele eu vivo em pleno
Tudo o mais é tédio, hábito
Roupagem social e aparência
E eu posso vestir esse fato
Meses ou anos a fio
Até ao dia em que farto,
De a mim mesmo violentar.
Acabo por partir as amarras,
E procurar outros mares
Onde as ondas sejam leito pra sonhar
E os ventos me permitam voar.



Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, outubro 25, 2017

















Quantos olhares se cruzam por paixão
Ao longo das esquinas da vida?
Quantas vezes amamos e desejamos
No silêncio interior
Não me falem em amores eternos
Não me falem hipocritamente
Em fidelidades da alma
Como se os olhos e os sentidos
Se mantivessem fechados
No confronto com a vida.
Tristes os que se enganam a si mesmos
E abdicam do sabor a viver
Em favor do medo.
Paixões, amores, desejo
São o mote para viver livre
E ter a coragem de pintar a alma
Com tons por criar
É o preço a pagar pela liberdade.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, outubro 16, 2017

















No meu sentir
consciente
Neste acontecer
Do real
Já não há
Magia na pele
Nem prazeres
Que se soltam
Dos dedos.

Resta só a liberdade,
De tingir com o arco iris
O viver todos os dias
Sem que os dias
Sejam dias.



Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, outubro 09, 2017





















Aos meus
Olhos
Tudo é arte
E silêncio.
Segredo
E revelação.
Desejo
E sedução.
Luxúria
E prazer.
Aos meus
Olhos
Tudo pode
Acontecer
Na vertigem
Dos sentidos
E na embriaguez
Do instinto
Racional


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, outubro 02, 2017















Neste andamento sonoro
Tingido com cores recriadas
Há um mundo que eu adoro
Feito de imagens passadas
Um mundo por mim construído
Pedra a pedra, passo a passo
De silêncios e ruido
De compasso e contrapasso
De aves e plantas com brilho
E peixes que falam comigo
De caminhos em que o trilho
É feito à medida que o sigo

É pois este o meu segredo
Pintar telas de pureza
Com os sonhos em que o medo
Não rouba o lugar à beleza

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, setembro 25, 2017
















E aqui estou, no cume de um trilho
Que me conduz a nada
Com vários carreiros à vista
E todos eles enevoados
E eu procuro encontrar neles
As respostas às perguntas que faço
E grito
E penso
E vou ficando velho, como uma casa
Sem gente, onde o anoitecer
Trás o silêncio dos passos que se afastam
E dos corpos que se vão ausentado,
Perdidos na névoa das minhas interrogações.


Manuel F. C. Almeida












segunda-feira, setembro 18, 2017














Na nora os animais
Perdem toda a liberdade de olhar
E agir.
Os cães ladram a seus pés
E o dono vem de quando em vez
Recordar-lhe que a liberdade
Não está ali
E o animal da nora, caminha sem ver
Fazendo cantar os alcatruzes
Que dão vida à vida do dono.
Resignado espera sem sentido
Que o recolham
E o que o jantar seja servido

É tão bom desejar amestrar os outros.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, setembro 13, 2017






















Já sabes da história do homem
Que cegou porque lhe pediram?
Cegou, dizem que ficou feliz,
Mas não sei se ficou humano.
Foi uma história estranha sabes;
Mas como todas as histórias estranhas
Esta também teve um fim,
Pegou numa arma e deu um tiro
Na cabeça.
Quem levantou o corpo reparou
Nas correntes e cadeados que
Tinha no lugar de cérebro.
E todos tinham nome:
-Medo!
Agora quem o cegou
Chora a sua morte, mas está vivo
E nunca colocou cadeados em si.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, setembro 04, 2017














Sentei-me naquela esplanada
Com um livro não mão.
Carregava-o comigo há alguns dias
E não conseguia ler
Qualquer linha.
Teimosamente continuava
Com ele nas mãos
Como se fosse uma extensão de mim.
Pedi um café
E passei os olhos pelas mesas em redor
Uma mulher bonita, sentava-se numa
Das mesas.
Olhei-a descaradamente, sem pudor
Tinha olhos azuis e cabelo curto
As mãos cuidadas, estavam adornadas
Com anéis de várias cores.
Tinha lábios pintados de vermelho

Olhei o livro que me acompanhava
Olhei a mulher inacessível
Paguei o café, acendi um cigarro.
Era tempo de partir.
Só então me dei conta
Que começara a chover


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, agosto 29, 2017





















Ouço o silêncio
Das mãos
Na ausência
De ti.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, agosto 24, 2017















Os silêncios escondem as palavras
Que se gritam no interior da mente,
Que prefere adiar e calar o nada
Como se a vida não existisse.
Os silêncios não mentem,
Tal como o olhar que evita o encontro
E o embaraço cristalino das águas,
No dançar das palavras mudas.
O silêncio invade o espaço
E mantem os momentos em suspenso
Como se brincasse no ar…
Até ao momento em que explode
Em mil pedaços de desespero


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, agosto 14, 2017






















CANTO DO POETA ENQUANTO JOVEM.




Quando os meus olhos tocaram os teus
Naquela margem ajardinada do rio
Foi como se abrissem os céus
E na minha alma o sol sorriu
Aqueço-me desde então no teu regaço
Qual menino perdido no mundo
E quando te tomo, te sinto, te enlaço
É em ti que deixo de ser e me fundo
Trilhemos pois este caminho
Com espinhos e pétalas de roseira
Perdidos na troca de carinho
Iluminados pela luz desta fogueira.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, julho 31, 2017

















Horas houve, em que o bater
Dos corações
Era sintonia e sinfonia
Silencio que se descobria
No pulsar de um olhar.
Agora, qual estrela perdida
Que se apagou com o tempo
Resolve-se a escuridão
Na exclusão da existência
No silencio que canta a
Canção das marés,
No recriar do tempo restante
Numa canção vida
Renovada.



Manuel F. C. Almeida