sexta-feira, março 24, 2017


















E um dia mostrei-te a alma
Despi-me de murmúrios
Do passado
E tu foste o meu farol
Num oceano fustigado

De seguida despi a alma
Essa mesmo que tocaste
Levemente
E sem ela caminhei
A teu lado, lentamente

E foi sem medo e sem alma
Que enfrentei o Oceano
Da incerteza
E mergulhei na intempérie
Da tua certeza

Resgato hoje a minha alma
Levo-a pró meu
Abrigo
Vou pinta-la com mil cantos
E mil poemas de amigo



Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, março 20, 2017

















Ao fj



que mais podes tu dizer poeta, 
quando todo o teu
 pensar e sentir 
se concentram 
num ponto de 
e da vida.
 Um ponto tão pequeno
 e tão grande
 que te ocupa todo o "ser".
 A poesia será 
nesse momento 
um momento 
de catarse
de purificação original 
e de mergulho 
nas águas tumultuosas 
do oceano. 
Ergue, pois, a mão
 e salva a obra

Manuel Almeida


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, março 13, 2017






















Quando dizemos que é “meu”
O que a ninguém pode estar preso,
Quando gritamos “liberdade”
Mas olhamos as coisas como nossas.
Deixamos de ser o que dizemos ser;
Somos apenas um falso quadro
Que nada deseja mudar
E muito menos dar aos outros
O que queremos para nós,
Porque a liberdade não é coisa
De conquistar,
A liberdade é para viver, sempre
Em nós e nos outros.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, março 06, 2017

















De manhã vestia a capa
Logo, logo ao acordar
Uma capa tão perfeita
Que nem o deixava pensar
E assim sempre viveu
Anos e anos a fio
Fosse noite, fosse dia
Estivesse calor ou frio
Não mudava de rotinas
E nada fazia prever
Que o homem que assim vivia
Assim não quisesse viver

O tempo sempre a correr
E o homem que assim vivia
Assim continuou a viver
Na ilusão de que no seu tempo
Nunca é tempo para morrer

Um dia já velho e cansado
De manha ao acordar
Resolveu não se vestir
E a capa não mais usar
Foi olhado como louco
Tratado como demente…
vestiu-se com um sorriso
Era feliz finalmente.
Assim partiu como um pássaro
Sem saber para onde iria
Mas o que o fazia feliz
Era saber que vivia.



Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, fevereiro 27, 2017

















Permaneço aqui, neste mundo só
O meu existir é feito de pó,
E neste mistério faço o meu caminho,
Sem mágoa sem dor, sem casa sem ninho.
Cantem os oceanos cânticos do mar,
Onde as ondas dançam sem nunca parar
E morrem nas praias em areias de ouro,
Em mil cristais que são um tesouro.
Não quero andar e não quero fugir
Tudo o que acontece, é puro existir.
Sangra-me a face na máscara usada,
Sou o que não sou, nesta vida adiada.
Espero que a noite me faça viver.
Sou o que só é, sou apenas “ser”.
aos ventos grito para me libertar,
Desta letargia que pintei no olhar.
E a minha alma vive per si
Numa pauta que vai de dó até mi
Mas o meu olhar já não tem mais flores
Toda a minha vida é tela sem cores
E eu sou quem quero.
Viajante só.
E do mundo espero,
Nada mais que pó.


Manuel F. C. Almeida 

segunda-feira, fevereiro 20, 2017
















Porquê confundir o Amor
Com promessas eternas
Saídas da vontade,
Quando esta mais não é
Que o sentir do desejo agora,
E a eternidade é tanto tempo
Que nos esquecemos que
Amanhã é outro dia…
E que nada resiste à madrugada.

Nem mesmo as juras eternas.


Manuel Almeida

segunda-feira, fevereiro 13, 2017













Não!
De corpos me basto eu,
De vontades a minha.
Nada me impele para
Ter outros como adereços
De enfeitar o ego
Ou os olhares sociais.
Sou como sou
E se a liberdade quero
Para e em mim
Pela mesma lutarei
Para todos
Até ao fim.
E se este malmequer
Se desfolhar
Na procura de respostas
Aqui dadas
Resta colar as pétalas caídas
E retomar da vida
As estradas.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, fevereiro 06, 2017






Canto ao passar dos dias.









Teimo em ficar quieto
Sentado junto à janela
E pensar nas pessoas
Que passam junto a ela
A bocejar e a beber chá
Vindo não se sabe de onde.

O gato teima em me fazer
Companhia, sentado em mim
A olhar pela janela
E a receber a minha mão
Ao correr do corpo.
Só não bebe chá.

Nesta rua da cidade
A minha janela é o meu mundo
Ajeito a manta nas pernas
E o gato ajeita-se nela
Somos velhos companheiros
Sabemos comunicar com os olhos.

A manhã foi-se tal como o chá.
O gato levantou-se para comer.
Encarcerado no meu velho corpo
Aceito a mão que me estende a canja
E com o olhar baço sinto a revolta
De ainda saber o que quero.

O gato voltou a sentar-se
Já não me apetece beber mais chá
Um pombo pousa na árvore em frente
O gato agita-se no meu colo
Mas a idade não nos permite
Sonhar com a vida.


Manuel Almeida

terça-feira, janeiro 31, 2017

















Recorda sempre que já fomos jovens.
Que os dias não tinham horas,
Que agarrávamos o tempo no olhar
Sem que o olhar nos desse
Mais que um minuto.
Recorda como abríamos os braços
E tínhamos o mundo nas mãos.

Começa a ser tempo de despedidas
O olhar é agora um telescópio temporal
Antecipa as horas e torna o tempo tão curto
Que quase sentes chegada a ultima canção
Da vida.
Os braços erguem-se, agora num acto
De liberdade, e milhares de pétalas
Coloridas saem de ti, num perpétuo
Movimento de renascimento e partida.


Manuel Almeida

terça-feira, janeiro 24, 2017


















Entre as tuas coxas
De cetim
E os teus seios
De veludo
Encontrei o que resta
De mim,
E do pouco que achei
Dei tudo.




Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, janeiro 16, 2017






















Não te sabia
Tão singela
Nem do risco
De te ter
Guardada em
Mil poemas
Que só eu
Sei ler
Poemas
De erotismo
E rimas
De sedução
Que nunca
Irás entender
Ou guardar
No coração.

Guardo pois
Do teu olhar
O convite para
Me perder
Num canto
A mel e a mar
No som das marés
A morrer
Nas areias
Que se perdem
No leito de todo
O teu ser
E nos beijos
Adiados
Que são vida
A correr


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, janeiro 09, 2017















E teimo em escrever
Linhas em branco
Sem nada para dizer
Sem nada para pensar.
Olho um corpo que passa
Junto a este meu banco
E recordo vagamente
O som das conversas
Mantidas contigo,
Quando os olhares
Se encantavam
E os sonhos voavam
Mais rápidos que a luz.
Assim é a existência dos
Amantes eternos
Dos que juram o tempo
Sem o tempo escutar
E sem que o olhar
Alcance mais que
Que um momento.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, janeiro 03, 2017






















Nos corpos vencidos pla luxuria
Há sempre uma flor que se ergue
Um canto, um cravo, um sonho
Uma esquina que se segue

Uma sombra de ternura
Um silencio a crescer
Um desejo que perdura
Um novo mundo a nascer

Saído da dança dos corpos
Numa explosão de prazer.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, dezembro 27, 2016
















Estanquei em face das palavras, atingido
Pelo significado das frases que dançavam
Diante do olhar e se perfilavam como um todo.
Um conjunto silencioso que ecoava em mim
E me deixava estarrecido. Já nada tinha sentido
Nem o corpo que se chegava ao meu, nem eu ao dela.
Não sentíamos partituras, ou vontade de as ler
Vestimos então o manto do tédio, que caiu sobre nós
Fundindo o tempo e os sentidos e nem o frio
Se fazia sentir. Era um manto de Outono
Sem chama ou canto de encantos.
E assim pintámos os dias e os anos
No adiar silencioso da vida
Onde já nada não faz sentido
E o medo nos impede de mover.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, dezembro 20, 2016


























Conheço todos os silêncios
Que trazem magia às noites
E me levam no sonho
E nas asas do tempo

Conheço a ternura dos
Teus dedos, a fonte
Dos teus lábios
E imensidão do teu olhar

Conheço assim o canto
Dos corpos unidos na noite
Onde o tempo não tem tempo
E o teu corpo é o meu lar



Manuel F. C. Almeida