quarta-feira, maio 18, 2016




















O tempo vive no vento
Que todos os dias me embala
Um vento que nunca se acalma
Um vento que nunca se cala
Um vento que libertou
Os meus sonhos
E se fez livre no tempo
Que cavalgou tempestades
E que se recusa morrer
No tédio de todas as tardes
Em que me julgo viver

Manuel F. C. Almeida

sábado, maio 07, 2016





















Só de amor e corpos me
Alimento
A vida impele-me para
Os braços que me afagam
E me tomam no sonho
Eterno da existência
Mas a mesma vida
Desafia o tempo
E abre caminhos
Por entre florestas
De corpos e faces.
E no prado junto
Às florestas
Eu sinto ser eu
E anseio pelo
Caminho a desbravar.

Caminho sem medo
Sem culpa e sem máscara
Para abraçar a floresta.



Manuel F. C. Almeida

sábado, abril 23, 2016
















Foram os teus dedos
Que acordaram
O silencio em
Que o corpo dormia
E do sonho,
Em delírio,
Celebrámos os corpos
E esculpimos
O paraíso.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, abril 14, 2016





















Iluminada é a face
Que dança ao som da chuva
E se solta aos olhares alheios
Sem que perfume de estranhos
A incomode
Iluminado é o corpo que salta
Ao toque dos dedos
E se encontra em si na nudez,
Livre de amarras e de âncoras
Morais.
Iluminada é a vida que recusa
Ser uma cópia diária da obrigação
Social e do bem parecer
Coletivo
Iluminada é simplicidade
De quem faz do viver
Um canto à terra, ao sol, ao ar
Sem que se sinta culpado de
Existir ou de ter a coragem de “ser”



Manuel F. C. Almeida

domingo, abril 03, 2016
















Naquela noite ouvi o meu peito a abrir
E provei as lágrimas derramadas
Foi num Outubro qualquer
Em que os dias cinzentos se tingiram
De negro, como a cor dos teus cabelos
E as portas se fecharam com medo
Da tormenta.
Quieto na minha loucura, escrevi
Poemas de desespero, poemas perdidos
No tempo.

E adormeci nos braços da solidão
Embalado pelas canções de Cohen e Ferré
E protegido pelo riso redentor da memória
E da vida.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, março 24, 2016






















Já o canto do teu corpo me adormece
E o sabor dos teus beijos está ausente
Tudo o que é vivo um dia falece
E da renovação da vida se faz o presente

Já dos versos do olhar eu me esqueci
E o cheiro do teu ventre é só memória
E se o resumo da vida foi escrito em ti
É agora apenas uma página de história

Por isso luto pelo acordar da vida
Que em mim pulsa como um coração
E leio os dias e noites como partida
Para algo novo, vivo, com tesão
Porque a terra mágica prometida
Se não cuidada e alimentada é ilusão.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, março 15, 2016


















Não deixes que a morte
Se agarre a ti
Vive e combate,
Ama e seduz.
Recusa tudo o que te
Inculcam como verdade
Tu és único
Não te deixes ficar
Pelo que te deixam ver
Há sempre outra realidade
Escreve o teu poema
Forjado no sangue
Dos que
Como tu
Teimam em não seguir
O carreiro traçado.
Muda, se tiveres de mudar
Canta, se tiveres de cantar
Luta porque tens que lutar
E ama, ama muito
Sem culpas
E sem a moral secular
Dos que tentam
Vergar
A liberdade

Manuel F. C. Almeida.

quinta-feira, março 03, 2016




















Eu vi uma flor a abrir,

Como uma mão que abre

Um abismo

Ou um canto que solta

A noite

E me trás em surdina

A silhueta ténue de um rio

Onde eu bebo e me perco,

Num cálice de fogo…

Num corpo amordaçado

Pela pele,

Num ventre em leque

Onde mergulho

E me reencontro



Manuel F. C. Almeida


























quinta-feira, fevereiro 25, 2016

















Farto-me com rapidez das coisas

Mundanas e dos poetas graciosos

Que fingem amar em palavras

Repetidas, gastas.

Farto-me com rapidez das pessoas

De plástico, dos sorrisos de botox,

Das lágrimas vertidas na alvura

Inocente do papel

A poesia se é vida animada

Então não pode ser só paz e amizade

Sensualidade, ou figuras

Idilicamente desenhadas

Porque se é vida então é tudo

O que vida tem

Dor, corrupção, guerra, ódio

Álcool, mesquinhez, egoísmo

Posse, vingança, morte, loucura

Insanidade

Porque a poesia é apenas e só

Um espelho cru da humanidade



Manuel Almeida

quinta-feira, fevereiro 18, 2016



















Se a noite cair lesta e triste, se o teu leito se encontrar frio, com ausências e omissões

Sai rapidamente desse torpor acomodado onde te escondes do mundo e volta a mergulhar na cidade, abraça as ruas e beija as estátuas do teu caminho.

Estás só se te sentes só, não procures culpa, porque tal não existe, se alguém se ausentou das tuas noites e dias não deixes que a sua sombra se projecte sobre o teu mundo, faz do teu agir um resgatar do teu sentir.



Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, fevereiro 11, 2016

















Eu sou a noite e o dia que lamentam
A vida que lhes corre nos olhos
Sou uma rajada vento e uma tarde de acalmia
Que se unem e levantam numa nuvem de pó
Sou o frio e o calor que nos tomam
As carcaças esqueléticas num arrepio
De frio e de febre

Eu sou o que sempre fui e nunca quis ser
Vencido e vitorioso de um mundo de enganos
Sou caminho e precipício numa arriba qualquer
E pacientemente pinto o meu quadro
De fugas e ilusões.

Sou tudo o que quiserem que seja
Mas nunca saberão o que sou.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, fevereiro 04, 2016





















Eu vi abrir o
Verso desalinhado
De um tempo sem tempo
Num sonho agitado
Pela magia dos corpos
Em pétalas que se soltam
E caem, como a neve nas ruas
Da cidade febril
Da cidade sem rosto
Da cidade adiada.

E só o corpo é existência
Nas estrofes de um
Poema imaginado
Por um poeta louco, maldito
Por um amante adiado no tempo
Sem face e sem alma

O poema é uma construção
Do teu ego 
No qual tu és centro
E o motor de tudo
E quando acaba de ser escrito
Há sempre algo de novo a escrever

O algo é como o amor
Vive dentro de ti e para ti
E só se resolve no momento
Em que se dá ao mundo....
No momento em que és livre.



Manuel F. C. Almeida

terça-feira, janeiro 26, 2016
















E vejo o teu ventre
Como pétalas de um cravo
Onde o orvalho repousa
E o sonho se desfaz
Em mil pedaços de espuma,
Roubada à maré do nosso
Eterno desejo.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, janeiro 19, 2016







ELEGIA












Eu queria fechar as palavras
Numa caixa de incensos e mirra
Entre a noite e a madrugada
Que teima em se despir
Num sorriso de luxúria.

Abro os olhos e nada vejo
Sinto apenas o abandono
De um sonho errado.
Como se fora uma asa de vento
À espera de encontrar um local
Onde pousar.

E vejo sorrisos que o nunca foram
Ouço palavras em que não creio
E no reacender da vida
Olho para trás e parto sem receio
Deixo para trás as palavras
Escritas em livros que já não
Leio


Manuel F. C. Almeida












terça-feira, janeiro 12, 2016















O largo guarda as memórias
Das noites coloridas de luar
E cada pedra guarda a história
Dos beijos dados e por dar
É assim este meu largo
Uma tela sem voz, de mil cores
Um mundo dentro mundo
Uma cornucópia de sabores
E quando as sombras caem
E o silêncio se faz sentir
O largo da minha vida
Vive comigo….a sorrir


Manuel F. C. Almeida