segunda-feira, janeiro 05, 2009



EM GAZA MORREMOS TODOS









PAREM A MATANÇA EM NOME DE DEUSES E DE INTERESSES

domingo, janeiro 04, 2009








foto by:Rui j Santos











E há um silêncio que desagua
Na ausência de um beijo
Ou da palavra.
Na margem, parado, espero
Que a geografia da verdade
Desenhe enfim
Os contornos reais das margens
Em que me encontro.




Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, janeiro 02, 2009



SAGA DE UM PISTOLEIRO















Pistoleiro sempre pronto
Da sua pistola sacar
O herói do nosso conto
Já não anda a disparar.

Teve anos que à sua porta
Muita gente veio tocar
Diziam ter vida morta
Pediam para as ajudar.

E o incansável pistoleiro
Com sua arma a brilhar
Percorria o mundo inteiro
Prás fazer ressuscitar.

Agora conta quem sabe
Que se limita a esperar
Na porta que nunca se abre
Pôs a arma a hibernar.

Mas ele a mim não engana
Deve só estar a esperar
E quando lhe der na gana...

A arma volta a trabalhar


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, dezembro 31, 2008






foto:Gisleine Martin


Na janela do meu quarto,
Para além dos limites,
Observo os dias passados
Na inocência da eternidade
E na estranheza do silencio.
No ocaso do olhar
Traço um desenho de vida
Peço à vida o acordar.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, dezembro 29, 2008



foto:DDiArte

Lá fora a neve pintava de branco os campos outrora verdes e amarelos. Aninhado na minha concha olhava o brincar do vento e admirava a diversidade presente em cada floco. Esta doce loucura a que me tinha abandonado propiciava-me momentos de serenidade indescritíveis. Era possível ouvir e sentir os elementos e a vida. A porta fez-se ouvir. Com curiosidade fui ver quem era. Era algo ou alguém. Vinha reclamar o que era seu por direito e por acaso. Dei-lhe a mão e deixei de passar tempo à espera. Olhei para o lugar que tinha-mos deixado. Caído um corpo, marcava o que eu tinha sido. E nos braços de um anjo voei, finalmente liberto de mim.

Manuel F. C. Almeida


sábado, dezembro 27, 2008





Viajem

foto:Bruno Abreu






Tempos idos
Em que a vida sorria
Ao sol de cada dia .
A terra era uma cornucópia.

Agora cavo
Funda a minha sepultura
E a minha enxada,
Revolve cada dia mais terra
Inerte.
Na busca de um tesouro
Que perdi.
Ao ver-te partir
No olhar da guerra.

Manuel F.C. Almeida



quinta-feira, dezembro 25, 2008

vejam e meditem numa realidade pouco discutida

http://video.google.com/videoplay?docid=-1437724226641382024







Porque o natal é de todos

não deixem que o consumismo

faça esquecer os que nada

ou pouco têm.

Exijam um mundo melhor

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, dezembro 23, 2008



Punheta
Universal,
Tesão
Amorfa.

Quero
Unidade
Esporródica

Pito
Aberto
Ratas
Indecentes
Urros

Olhos do cú

Bicos
Infindaveis
Broches
Linguas
Orgamismo
Tetas

QUE TUDO O RESTO SAO PETAS

MANUEL F. C. ALMEIDA

domingo, dezembro 21, 2008








foto: Marta Bucher




Amar a sinfonia dos lábios
Como se os instrumentos
Habitassem o espaço
Entre sabores.

Manuel F. C. Almeida

sábado, dezembro 20, 2008







A terra



foto by:Altair Castro


Sulca a terra quem a ama
Quem por ela é amado
Abre-a com um arado
Como num ventre
Se recolhe em chama

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, dezembro 17, 2008





foto: Amanda Com







Há uma tragédia viva nos meus passos
Uma ausência, um vazio a recordar
O cheiro e a ternura dos teus braços
O sabor dos beijos, a musica desse olhar.

Agora ao recordar, meus olhos, baços
De memórias, fazem-no como a cantar
Hinos aos dias, às horas, aos espaços
Que em teu corpo descobria ao beijar.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, dezembro 15, 2008


foto by:http://www.paulocesar.eu%20-%20paulo%20cesar/





Estancou o passo e deu uma última passa na beata. Ao longe, uma mulher passeava um cãozinho, vestido ridiculamente com um casaco de lã. Aproximou-se e o bicho desatou num latido aflitivo. Até os bichos o odiavam. Quando se está na mó de baixo todos nos odeiam e afastam, como se estivéssemos leprosos. Afastou-se do maldito bicho não sem antes deitar um olhar lascivo para a mulher. Há muito tempo que não punha as unhas numa. Entrou na loja de bebidas escolheu um pacote de vinho, pagou, pediu um cigarro à empregada, uma velha conhecida dos tempos em que as mulheres o conheciam e apreciavam a sua presença, com um sorriso e um olhar de piedade ela estendeu-lhe o cigarro e antes que ela começasse a dar-lhe conselhos, agradeceu e saiu. Sentou-se junto á marginal, á sua frente o areal e o mar. Abriu o pacote de vinho e bebeu um trago. Acendeu o cigarro e deixou-se invadir pelas memórias, afinal que mais lhe restava?
Recordava a vida; o que tinha sido a sua vida. Bons carros, boas mulheres. Um filho. Evitava recordar o filho. Há anos que o não via.

Manuel F. C. Almeida
(continua... um dia)

sábado, dezembro 13, 2008












Olhar o sol na linha invisível
Da morte,
Cegou-me o futuro, escureceu-me
O canto,
As estrelas, dos olhos libertas,
Na noite
Carregaram-me os sonhos de faces
Iguais.
O tempo dos gritos vividos
Na sombra
Espelharam-me os dias, a face
E a alma
Mas o retomar furioso das
Marés,
Inundou me o peito de flores
E de Primavera.



Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, dezembro 11, 2008







foto Mircea Marinescu











De madrugada o sol raiou
Com ele chegaram os cheiros
Do rosmaninho e alecrim
Que me traziam o odor do teu
Corpo em flor

E no espaço ocupado pela memória
Revivi o oceano do teu corpo…
Perdido
Nas margens do entardecer do
Hábito.

Manuel F. C. Almeida



terça-feira, dezembro 09, 2008




O QUÊ?






Não pensem,! por favor
Não pensem!
Já todos sabemos
Que o caminho
É feito de momentos
Fugazes de alegrias…
E Tristezas

Mas esse é o custo do "eu".

Manuel F. C. Almeida

domingo, dezembro 07, 2008







foto: SAGHER





Sangram-me os dedos do ócio,
No encanto da harpa
A rosa cobre-se de aromas
Sintéticos e chuvosos.
O corpo teima e dobrar-se
Num calmo e intranquilo
Oceano, ao som dos violinos
Encantados e das cinzas magmáticas
Expelidas como polpa do
Ventre.
O nome?
Não tem! Aliás, dizem ser:
-Segredos roubados no vento.
Fogosamente, tomei-lhe o corpo
E a salvação surgiu num
Raio de sol.

Resta apenas o nada na sua
Prenhe existência.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, dezembro 05, 2008


Perdidamente

foto by:José Manuel Gouveia



Subitamente ergueu-se. Estava cansado, cansado demais. Olhou as paredes da casa na procura de um ponto onde fixar o olhar. Paredes vazias não lhe permitiam isso. Ouviu o cão a ladrar e o vizinho de cima a escarrar. As manhãs eram sempre assim. Desde há anos que acordava na procura de um quadro que uma noite fugira. Animava-o a secreta esperança que um dia voltasse. A cabeça doia-lhe, era o vinho ele sabia. Vestiu a custa a roupa que não mudava havia dias. Um cheiro a suor, nauseabundo, libertou-se dele.
Pegou a custo na garrafa de vinho e de um trago bebeu o que restava. Olhou-a... vazia. Lavou a cara e ajeitou o cabelo. Decidiu sair de casa. Abriu a porta da rua. À sua frente um carreiro sujo e enlameado convidava a ficar parado. Acendeu uma velha beata que guardara no bolso das calças e lá tomou o seu caminho. Tinha sempre um efeito devastador nos bichos. Gatos ou cães evitavam-no como se fosse o tipo que lhes ministrava injecções mortais e que vivia ao fundo da rua. Um proscrito era como lhe chamavam. Não se incomodava. À muito que assim vivia..

(continua um dia)

Desde aquele dia em que o seu quadro tinha fugido e que se sentia um estranho para o mundo.

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, dezembro 03, 2008



Alentejo



foto:SAGHER



Da terra nasce o meu canto
Imitando o rouxinol
Com ela faço o meu manto,
De manhã ao por do sol.

Na minha cara vincada
Pela rudeza do vento
Vive a vida amordaçada
Pela paragem do tempo

Percorro vales e montes.
Ás estevas, pinto a flor
E entre ribeiras e fontes
Acalmo este calor

E nos segredos escondidos
Entre as montanhas e o mar
Há sempre cantos perdidos
Para um dia eu cantar

Nestas planícies sem fim
Nas terras em que me vejo
Tudo é riqueza para mim
Tudo isto é Alentejo.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, dezembro 01, 2008









Foto:


Nuno Belo





Sabia que um dia virias
No tédio inebriante do desejo.
De mansinho, á noite
Com o silêncio das estrelas...
Desta existência esfomeada.


Manuel F. C. Almeida

sábado, novembro 29, 2008







Foto: LBorges Alves





Quando o sol morre, no final das tardes,
Com ele morre também um dia mais.
A lua, no seu raiar de prata, ressuscita
O sonho e o mistério das noites.
E nesse momento encontro então
A magia de ser e de não ser
O balanço entre a vida e a morte.
O contraste do sagrado e do profano.
O tempo sem fulgor, pára e abraça
Enfim o aroma das sombras.



Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, novembro 27, 2008






FOTO BY: Sagher












No sonho, em sonho!
Risos mil de cor da alma.
Gaivota solta,
Tarde calma.

O olhar feito pedra
Que sangra,
Cloreto de sódio
Em excesso.

Vertigem, loucura.
Voo de águia,
Ternura.
Cegueira, luxúria.

Teu jardim, sem medo
Teu sexo, meu segredo.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, novembro 26, 2008



Inunda a alma




FOTO BY:ana dias




Oceano arrojado,
Barco mudo…
Ansiedade.
Beijo despojado,
Corpo inundo …
Vontade.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, novembro 24, 2008






Universo


foto by: SAGHER




Alta luz tingida,
Quimera perdida.
No espaço…
Regaço,
Segredo da vida.

E aqui se encontra
A razão
Que dá ao universo
A pretensa coesão
Da matéria que finda
E se renova sem nexo.

Tudo o que é simples
Parece complexo.

Manuel F. C. Almeida

sábado, novembro 22, 2008







Verso



foto by:Cristina Afonso




E se um verso escrito,
Uma simples palavra
Descrevesse os olhos aos olhos?

Os sonhos que um homem tem…

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, novembro 20, 2008





Fado:


Foto by:José I. Costa









Musica de alma feita prece,
Canto de um povo adiado…
Meu coração, já trespassado
Pelo pranto. Desfalece.

Canto de becos e vielas
De putas mil e de tabernas
Canto de luar e de lanternas
Que viram partir caravelas

Canto que nos olhos se descobre
Porque aos olhos tudo é dado
Por isso este canto se chama fado
E toda a alma lusa, ele cobre.

Fado! Canção que vive no peito
De um certo sentir Portugal.
Um sentir livre, sentir plural
Que tem a língua como leito.

Manuel F.C. Almeida

terça-feira, novembro 18, 2008



Sabio
foto de:
Marta Ferreira - www.mfotografia.com




Há um tempo de ser, um tempo de acontecer
Há um tempo parar, um tempo de olhar
Sentir no ar o estilhaço, do tempo e do espaço
Saber ouvir o silêncio e entender o que esperam de nós.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, novembro 17, 2008

lá como cá, os bancos...
só que lá uma reporter teve corajem.
por cá nem se atrevem porque nao têm corajem

domingo, novembro 16, 2008





Mãos



foto by:alicina





Salvem – me os deuses da sua incerta
Eternidade,
Eu só quero as mãos vivas para
Encantar o teu corpo.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, novembro 14, 2008








Resgate





Foto by:honey




Agarrar a alvorada no olhar
É resgatar a vida
À escuridão da noite
E do medo.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, novembro 12, 2008





foto by:beowulf













E tantos os rios
De sangue
Tantas lágrimas
Encantadas
Deixam letras
Incrustadas
Em caixa de pinho
Exangue.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, novembro 10, 2008


Vida





Erguer os braços a louvar
A vida depois da vida
É viver na ilusão
Que a verdade desta vida
É a felicidade que pode
Ser noutro lado vivida.
E negar o nosso direito
De ser feliz nesta vida.

Manuel F. C. A

sábado, novembro 08, 2008







quadro



foto by:MARIAH





Abstraído do mundo,
Á espera.
A porta aberta, escancarada
Os teus passos já na escada…
Tremeram .
Era grande a minha porta
Grande demais para ti.
A casa quedou-se vazia
De tudo…
Até de mim.
Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, novembro 06, 2008



RAZÃO




Foto by:Jaison James





Dos meus sonhos, fiz uma tela
Sem esperança e sem figuras
Preenchi todo o seu espaço
Com as cores de mil loucuras
Ganhou asas e partiu
Na brisa do vento suão
Assim, num golpe de vento
Recuperei a razão.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, novembro 05, 2008


3º poema da 1ª trilogia

pornoerótica



A mulher do nosso amigo
É por todos respeitada
Não tem cona, só umbigo
Não fode, está castrada.

É este o pensamento
Que todos dizem manter.
É mentira de momento
Se é boa… é pra foder


Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, novembro 03, 2008





2 poema da trilogia



pornoerótica









A ti que és casta, pura, recatada
Que cumpres a preceito as escrituras
Mantêm essa coninha bem lavada
Para um dia a ofereceres a pichas duras

Não temas pois na foda qualquer dor
Que o que vais sentir é só prazer
A menos que no cu te dê calor
E com o cu queiras foder

Se assim for não te arrependas
Que pra gozar o corpo é feito
poe cuecas de mil rendas
E as nalgas sempre a jeito.

E quando perderes a tesão,
Coisa que vai com a idade
papa óstias com devoção
E toca a cona com saudade.






Manuel F. C. Almeida

domingo, novembro 02, 2008


1º poema da 1ª trilogia

pornoerótica














Por mim subiste com o olhar
De mulher e fêmea entesada
Não vale a pena pois corar
Por ter a crica... molhada

E quando o pudor te assaltar,
Quando a vergonha vier…
É bom que saibas pensar;

Que o corpo deve ser para gozar
Até a juventude se perder
Porque quando a velhice chegar
Já ninguém te quer foder.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, outubro 31, 2008


DE UM GRANDE
DA POESIA PORTUGUESA
Escrito por Manoel Maria Barbosa du Bocage - Um clássico daliteratura Portuguesa:
A ÁGUA
Meus senhores eu sou a água
que lava a cara, que lava os olhos
que lava a rata e os entrefolhos
que lava a nabiça e os agriões
que lava a piça e os colhões
que lava as damas e o que está vago
pois lava as mamas e por onde cago
.Meus senhores aqui está a água
que rega a salsa e o rabanete
que lava a língua a quem faz minete
que lava o chibo mesmo da rasca
tira o cheiro a bacalhau da lasca
Que bebe o homem que bebe o cão
que lava a cona e o berbigão
Meus senhores aqui está a água
que lava os olhos e os grelinhos
que lava a cona e os paninhos
que lava o sangue das grandes lutas
que lava sérias e lava putas
apaga o lume e o borralho
e que lava as guelras ao caralho
Meus senhores aqui está a água
que rega as rosas e os manjericos
que lava o bidé, lava penicos
tira mau cheiro das algibeiras
dá de beber às fressureiras
lava a tromba a qualquer fantoche
E lava a boca depois de um broche.
Manoel Maria Barbosa du Bocage
O "VATE"

quinta-feira, outubro 30, 2008














Mulheres...
pint by Pablo Picasso




Mas que telas tens pintado?
Que tintas pretendes usar?
Não são as cores num quadro
Que dão alegria ao olhar.

Ou fazem d’uma alma fria
Um porto p’ra se acostar.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, outubro 28, 2008







foto by:


Fernando Figueiredo




Lá fora o ar
Tem nuvens de desencanto.
O riso é agora proibido.
Os homens e mulheres
Não se conhecem
Vivem na penumbra
Da alma hipotecada
No tempo em que
Os rostos eram um arco-íris
De esperança e tudo parecia
Ser fácil.
E antes do vento ser
Tempo
E do olhar descer
À terra
Senti o assombro
Da guerra
Face fria de um
Momento


Manuel F.C. Almeida

domingo, outubro 26, 2008








CORPO






Todo o corpo
Tende para o
Corpo.
Soltam-se os
Seios
E os receios
Do Outono
Pintado a cinzento,
Permanece
Na pele
Como os loendros
Na terra
E os sonhos
Nos ventos.
Todo o corpo
Mais não é
Que “um” corpo
Incrustado
Nos dias
Que se amontoam
Como folha de arvore,
Num partir
E voltar,
Tal como
O desejo
Do ventre…
Moralmente
Reprimido.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, outubro 24, 2008






CEGUEIRA



FOTO BY:Ricardo Costa




No labirinto da vida
Só o teu odor se fez guia.

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, outubro 22, 2008




Fogo





Foto by:Ricardo Costa

Nos lábios
A flor aberta…
Nas mãos
O mar revolto…
Nos olhos
Ilha deserta…
No ventre
Todo o teu fogo.


Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, outubro 20, 2008






EMPTY DREAM







A noite dos sentidos, chegou á beira dos olhos. Na cabeça o som de tom waiths, no seu piano demoníaco, martelava o tempo. Ao olhar, a imagem daquela lap dancer, transmutava a passividade em luxúria. O som arfante das coxas em movimento assemelhava-se ao ritmo espiritual dos tambores africanos.- Tamtam, tamtam. Tamtam, tarataratamtam.

A imagem dela projectava-se, no ar e na luz vibrante dos corpos em êxtase. A percussão dos sentidos deu lugar á percussão dos corpos. E o ritmo alucinante dos amantes anónimos libertou-se num grito profundo de prazer.
Na casa onde não vive ninguém.

Manuel F. C. Almeida

sábado, outubro 18, 2008



PONTE PARA LADO NENHUM



FOTO BY:Eliane



Não sou de lado nenhum
Não tenho hino
Ou bandeira
O meu lugar é a Terra
Por isso não entro na guerra
Da geografia dos mapas.

Que toda a pátria que tenho
Tem um nome…

Universo.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, outubro 16, 2008










MEMÓRIA


Agora não sei quem fui ou quem sou
Mas volto sempre à cidade que me fez.
As ruas sucedem-se, anónimas,
Mas toda a cidade do esquecimento
Se mexe.
Formigueiro acéfalo,
Apagou de si todas as memórias
De mim.
Sou então um intruso, um vírus
Que a cidade agride.
Teimo em deambular pelo jardim
De Catarina, mas nem as arvores
Me reconhecem o andar.
Quedo-me só, no velho banco de amigos.
O som perdido de mil conversas
Regressa a mim e a solidão
Esmaga o pensamento. ,
Só, abandono-me ao prazer das memórias,
E deixo-me devorar pela cidade.

Manuel F.C. Almeida

terça-feira, outubro 14, 2008



O REGABOFE E A CRISE ECONÓMICA
(
Em jeito de brincadeira e para aguçar o apetite sobre a minha real visão das coisas, aproveitado um mail recebido de um amigo e o desafio do meu amigo Chapa aqui vai uma 1ª visão simplista sobre a crise:
(o mail original tratava de outro tipo de negócio, a ficção em torno do tema, que plagiei, é minha)

Mariana, um pedação de gaja que faz serviço de callgirl( um bonito nome para puta fina, mas que a modernas senhoras burguesas vêm com outros olhos e até aceitam fazer uma perninha) entende que não deve deixar os fregueses com a tomatada cheia e vai dai inicia um negócio de foda a crédito. Comete um pequeno erro de cálculo e fode a torto e a direito com a maralha, quer tenham emprego quer não, criando para isso um moderno sistema de credito o que lhe permite aumentar o preço do bico, e dos restantes pratos que ela tão bem sabe confeccionar..
Um dos fregueses, gerente do banco local, casado, com filhos e profundamente católico, aproveitando o facto da sua mulher de 55 anos lhe por os cornos desde há décadas, com tudo o que tivesse menos 15 anos que ela, procura os préstimos da Mariana e vê esta forma de prestar serviços como um activo capaz de gerar riqueza para o seu banco, desta forma, e enquanto era açoitado com um cavalo marinho propõe à Mariana um tipo de parceria que esta aceita no momento em que lhe passa a senaita pelo bigode farfalhudo. De imediato o gerente adianta a titulo de empréstimo umas massas á gaja, que aproveita para renovar o arsenal de brinquedos sexuais e para contratar uma assistente, responsável futura pelos gostos mais escabrosos do pagode, esse adiantamento segue por conta das fodas dadas e não pagas, numa perspectiva de recebimento futuro.
No banco o negócio é vistoriado á lupa por um grupo de assistentes de crédito e gestores de conta que verificam o potencial do negócio chegando á conclusão de que, sendo o negócio do sexo um dos mais seguros, podem criar á sua volta uma série de produtos financeiros de nomes sugestivos, assim surgem o “ F.O.B (faz-me outro bico), M.A.C. (METE-MO NO CÚ) -produto que contou com a ajuda preciosa de um cantor muito apreciado T.A.T. (tira-me a tesão), que são um êxito no mercado financeiro, mas que ninguém sabe ou entende muito como lidar com eles.
Desta forma o banco vê a sua cotação bolsista disparar baseado nos créditos concedidos pela Mariana aos putanheiros da terra.
A globalização dos mercados de capitais leva os produtos um pouco por todo o mundo com um sucesso enorme.
De repente a assistente da Mariana recolhe ao hospital para uma operação de urgência ao hemorroidal ( foi literalmente empalada por um anão que tinha um marzápio de dimensões hercúleas), para complicar a coisa uma arreliadora ocorrência de gonorreia deita por terra a clientela e afasta a Mariana do activo durante uns tempos. Em retaliação os clientes deixam de pagar as dividas e o negócio de Callgirls vai á falência.
Finalmente acabaram todos fodidos. como nós.

domingo, outubro 12, 2008





SEGREDO

FOTO BY:Isabel Gomes da Silva




Um dia vou
Mas quando for, irei anónimo
Sem nomes escritos em lápides
De nada e sem crisântemos
Sacrificados em vão.
Um dia vou deixar cair
O luar
E tudo ficará como foi.
Só um homem vai escrever
A minha memória no seu livro
E só ele saberá que fui filho e pai.
Só ele saberá que... fui.


Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, outubro 10, 2008




foto by:DDiArte














Porque colheste a flor
Que despontava num jardim
Selvagem?
Porque a trataste sem cuidado?
As flores, quando gostamos delas,
Existem para o mundo,
Não devemos coloca-las numa
Jarra de enfeite egocêntrico
Porque assim
Elas perdem as delicadas pétalas
E nós… nós
Esquecemos a beleza que tinham
Quando eram livres no seu jardim
Selvagem.
E todos os dias que passam perdem o brilho
E o desejo, no momento da colheita,
Dá lugar ao definhar nos olhos e nos sentidos.
E a morte sucede ao tédio.
E no entanto era apenas uma flor
Livre
De um jardim selvagem.


Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, outubro 08, 2008






encontro:



foto b:Quark





Foi num grito
Que seguiste
Até á beira do mar.

E na cadencia das ondas,
No mistério do olhar

Fui encontrar-te
Perdida
Ausente do meu andar.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, outubro 06, 2008




ÁGUAS TUAS




O gozo proibido
Do teu corpo preso
Entre os lábios,
Na doce
Embriaguez
Dos sentidos;
Eu bebi.

Manuel F. C. Almeida


domingo, outubro 05, 2008



ACONTECER


Já caminhei lado a lado, sem chegar
A lado nenhum.
Deixei atrás um campo de flores
Abandonado à vontade de deuses.
Os deuses que abandonei
No meu caminhar
Na procura de um lugar
Que nunca encontrei.

Envolto em bruma
Fiz do meu caminhar um poema
Para ser lido, um dia,
Na plenitude da vida,
Sem fé nos deuses das flores
Ou na doença dos amores.
Um poema sobre o meu naufrágio
Nas rochas do tempo.

E na Fénix que me chegou no vento.


Manuel F. C. Almeida