segunda-feira, novembro 24, 2008






Universo


foto by: SAGHER




Alta luz tingida,
Quimera perdida.
No espaço…
Regaço,
Segredo da vida.

E aqui se encontra
A razão
Que dá ao universo
A pretensa coesão
Da matéria que finda
E se renova sem nexo.

Tudo o que é simples
Parece complexo.

Manuel F. C. Almeida

sábado, novembro 22, 2008







Verso



foto by:Cristina Afonso




E se um verso escrito,
Uma simples palavra
Descrevesse os olhos aos olhos?

Os sonhos que um homem tem…

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, novembro 20, 2008





Fado:


Foto by:José I. Costa









Musica de alma feita prece,
Canto de um povo adiado…
Meu coração, já trespassado
Pelo pranto. Desfalece.

Canto de becos e vielas
De putas mil e de tabernas
Canto de luar e de lanternas
Que viram partir caravelas

Canto que nos olhos se descobre
Porque aos olhos tudo é dado
Por isso este canto se chama fado
E toda a alma lusa, ele cobre.

Fado! Canção que vive no peito
De um certo sentir Portugal.
Um sentir livre, sentir plural
Que tem a língua como leito.

Manuel F.C. Almeida

terça-feira, novembro 18, 2008



Sabio
foto de:
Marta Ferreira - www.mfotografia.com




Há um tempo de ser, um tempo de acontecer
Há um tempo parar, um tempo de olhar
Sentir no ar o estilhaço, do tempo e do espaço
Saber ouvir o silêncio e entender o que esperam de nós.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, novembro 17, 2008

lá como cá, os bancos...
só que lá uma reporter teve corajem.
por cá nem se atrevem porque nao têm corajem

domingo, novembro 16, 2008





Mãos



foto by:alicina





Salvem – me os deuses da sua incerta
Eternidade,
Eu só quero as mãos vivas para
Encantar o teu corpo.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, novembro 14, 2008








Resgate





Foto by:honey




Agarrar a alvorada no olhar
É resgatar a vida
À escuridão da noite
E do medo.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, novembro 12, 2008





foto by:beowulf













E tantos os rios
De sangue
Tantas lágrimas
Encantadas
Deixam letras
Incrustadas
Em caixa de pinho
Exangue.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, novembro 10, 2008


Vida





Erguer os braços a louvar
A vida depois da vida
É viver na ilusão
Que a verdade desta vida
É a felicidade que pode
Ser noutro lado vivida.
E negar o nosso direito
De ser feliz nesta vida.

Manuel F. C. A

sábado, novembro 08, 2008







quadro



foto by:MARIAH





Abstraído do mundo,
Á espera.
A porta aberta, escancarada
Os teus passos já na escada…
Tremeram .
Era grande a minha porta
Grande demais para ti.
A casa quedou-se vazia
De tudo…
Até de mim.
Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, novembro 06, 2008



RAZÃO




Foto by:Jaison James





Dos meus sonhos, fiz uma tela
Sem esperança e sem figuras
Preenchi todo o seu espaço
Com as cores de mil loucuras
Ganhou asas e partiu
Na brisa do vento suão
Assim, num golpe de vento
Recuperei a razão.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, novembro 05, 2008


3º poema da 1ª trilogia

pornoerótica



A mulher do nosso amigo
É por todos respeitada
Não tem cona, só umbigo
Não fode, está castrada.

É este o pensamento
Que todos dizem manter.
É mentira de momento
Se é boa… é pra foder


Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, novembro 03, 2008





2 poema da trilogia



pornoerótica









A ti que és casta, pura, recatada
Que cumpres a preceito as escrituras
Mantêm essa coninha bem lavada
Para um dia a ofereceres a pichas duras

Não temas pois na foda qualquer dor
Que o que vais sentir é só prazer
A menos que no cu te dê calor
E com o cu queiras foder

Se assim for não te arrependas
Que pra gozar o corpo é feito
poe cuecas de mil rendas
E as nalgas sempre a jeito.

E quando perderes a tesão,
Coisa que vai com a idade
papa óstias com devoção
E toca a cona com saudade.






Manuel F. C. Almeida

domingo, novembro 02, 2008


1º poema da 1ª trilogia

pornoerótica














Por mim subiste com o olhar
De mulher e fêmea entesada
Não vale a pena pois corar
Por ter a crica... molhada

E quando o pudor te assaltar,
Quando a vergonha vier…
É bom que saibas pensar;

Que o corpo deve ser para gozar
Até a juventude se perder
Porque quando a velhice chegar
Já ninguém te quer foder.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, outubro 31, 2008


DE UM GRANDE
DA POESIA PORTUGUESA
Escrito por Manoel Maria Barbosa du Bocage - Um clássico daliteratura Portuguesa:
A ÁGUA
Meus senhores eu sou a água
que lava a cara, que lava os olhos
que lava a rata e os entrefolhos
que lava a nabiça e os agriões
que lava a piça e os colhões
que lava as damas e o que está vago
pois lava as mamas e por onde cago
.Meus senhores aqui está a água
que rega a salsa e o rabanete
que lava a língua a quem faz minete
que lava o chibo mesmo da rasca
tira o cheiro a bacalhau da lasca
Que bebe o homem que bebe o cão
que lava a cona e o berbigão
Meus senhores aqui está a água
que lava os olhos e os grelinhos
que lava a cona e os paninhos
que lava o sangue das grandes lutas
que lava sérias e lava putas
apaga o lume e o borralho
e que lava as guelras ao caralho
Meus senhores aqui está a água
que rega as rosas e os manjericos
que lava o bidé, lava penicos
tira mau cheiro das algibeiras
dá de beber às fressureiras
lava a tromba a qualquer fantoche
E lava a boca depois de um broche.
Manoel Maria Barbosa du Bocage
O "VATE"

quinta-feira, outubro 30, 2008














Mulheres...
pint by Pablo Picasso




Mas que telas tens pintado?
Que tintas pretendes usar?
Não são as cores num quadro
Que dão alegria ao olhar.

Ou fazem d’uma alma fria
Um porto p’ra se acostar.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, outubro 28, 2008







foto by:


Fernando Figueiredo




Lá fora o ar
Tem nuvens de desencanto.
O riso é agora proibido.
Os homens e mulheres
Não se conhecem
Vivem na penumbra
Da alma hipotecada
No tempo em que
Os rostos eram um arco-íris
De esperança e tudo parecia
Ser fácil.
E antes do vento ser
Tempo
E do olhar descer
À terra
Senti o assombro
Da guerra
Face fria de um
Momento


Manuel F.C. Almeida

domingo, outubro 26, 2008








CORPO






Todo o corpo
Tende para o
Corpo.
Soltam-se os
Seios
E os receios
Do Outono
Pintado a cinzento,
Permanece
Na pele
Como os loendros
Na terra
E os sonhos
Nos ventos.
Todo o corpo
Mais não é
Que “um” corpo
Incrustado
Nos dias
Que se amontoam
Como folha de arvore,
Num partir
E voltar,
Tal como
O desejo
Do ventre…
Moralmente
Reprimido.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, outubro 24, 2008






CEGUEIRA



FOTO BY:Ricardo Costa




No labirinto da vida
Só o teu odor se fez guia.

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, outubro 22, 2008




Fogo





Foto by:Ricardo Costa

Nos lábios
A flor aberta…
Nas mãos
O mar revolto…
Nos olhos
Ilha deserta…
No ventre
Todo o teu fogo.


Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, outubro 20, 2008






EMPTY DREAM







A noite dos sentidos, chegou á beira dos olhos. Na cabeça o som de tom waiths, no seu piano demoníaco, martelava o tempo. Ao olhar, a imagem daquela lap dancer, transmutava a passividade em luxúria. O som arfante das coxas em movimento assemelhava-se ao ritmo espiritual dos tambores africanos.- Tamtam, tamtam. Tamtam, tarataratamtam.

A imagem dela projectava-se, no ar e na luz vibrante dos corpos em êxtase. A percussão dos sentidos deu lugar á percussão dos corpos. E o ritmo alucinante dos amantes anónimos libertou-se num grito profundo de prazer.
Na casa onde não vive ninguém.

Manuel F. C. Almeida

sábado, outubro 18, 2008



PONTE PARA LADO NENHUM



FOTO BY:Eliane



Não sou de lado nenhum
Não tenho hino
Ou bandeira
O meu lugar é a Terra
Por isso não entro na guerra
Da geografia dos mapas.

Que toda a pátria que tenho
Tem um nome…

Universo.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, outubro 16, 2008










MEMÓRIA


Agora não sei quem fui ou quem sou
Mas volto sempre à cidade que me fez.
As ruas sucedem-se, anónimas,
Mas toda a cidade do esquecimento
Se mexe.
Formigueiro acéfalo,
Apagou de si todas as memórias
De mim.
Sou então um intruso, um vírus
Que a cidade agride.
Teimo em deambular pelo jardim
De Catarina, mas nem as arvores
Me reconhecem o andar.
Quedo-me só, no velho banco de amigos.
O som perdido de mil conversas
Regressa a mim e a solidão
Esmaga o pensamento. ,
Só, abandono-me ao prazer das memórias,
E deixo-me devorar pela cidade.

Manuel F.C. Almeida

terça-feira, outubro 14, 2008



O REGABOFE E A CRISE ECONÓMICA
(
Em jeito de brincadeira e para aguçar o apetite sobre a minha real visão das coisas, aproveitado um mail recebido de um amigo e o desafio do meu amigo Chapa aqui vai uma 1ª visão simplista sobre a crise:
(o mail original tratava de outro tipo de negócio, a ficção em torno do tema, que plagiei, é minha)

Mariana, um pedação de gaja que faz serviço de callgirl( um bonito nome para puta fina, mas que a modernas senhoras burguesas vêm com outros olhos e até aceitam fazer uma perninha) entende que não deve deixar os fregueses com a tomatada cheia e vai dai inicia um negócio de foda a crédito. Comete um pequeno erro de cálculo e fode a torto e a direito com a maralha, quer tenham emprego quer não, criando para isso um moderno sistema de credito o que lhe permite aumentar o preço do bico, e dos restantes pratos que ela tão bem sabe confeccionar..
Um dos fregueses, gerente do banco local, casado, com filhos e profundamente católico, aproveitando o facto da sua mulher de 55 anos lhe por os cornos desde há décadas, com tudo o que tivesse menos 15 anos que ela, procura os préstimos da Mariana e vê esta forma de prestar serviços como um activo capaz de gerar riqueza para o seu banco, desta forma, e enquanto era açoitado com um cavalo marinho propõe à Mariana um tipo de parceria que esta aceita no momento em que lhe passa a senaita pelo bigode farfalhudo. De imediato o gerente adianta a titulo de empréstimo umas massas á gaja, que aproveita para renovar o arsenal de brinquedos sexuais e para contratar uma assistente, responsável futura pelos gostos mais escabrosos do pagode, esse adiantamento segue por conta das fodas dadas e não pagas, numa perspectiva de recebimento futuro.
No banco o negócio é vistoriado á lupa por um grupo de assistentes de crédito e gestores de conta que verificam o potencial do negócio chegando á conclusão de que, sendo o negócio do sexo um dos mais seguros, podem criar á sua volta uma série de produtos financeiros de nomes sugestivos, assim surgem o “ F.O.B (faz-me outro bico), M.A.C. (METE-MO NO CÚ) -produto que contou com a ajuda preciosa de um cantor muito apreciado T.A.T. (tira-me a tesão), que são um êxito no mercado financeiro, mas que ninguém sabe ou entende muito como lidar com eles.
Desta forma o banco vê a sua cotação bolsista disparar baseado nos créditos concedidos pela Mariana aos putanheiros da terra.
A globalização dos mercados de capitais leva os produtos um pouco por todo o mundo com um sucesso enorme.
De repente a assistente da Mariana recolhe ao hospital para uma operação de urgência ao hemorroidal ( foi literalmente empalada por um anão que tinha um marzápio de dimensões hercúleas), para complicar a coisa uma arreliadora ocorrência de gonorreia deita por terra a clientela e afasta a Mariana do activo durante uns tempos. Em retaliação os clientes deixam de pagar as dividas e o negócio de Callgirls vai á falência.
Finalmente acabaram todos fodidos. como nós.

domingo, outubro 12, 2008





SEGREDO

FOTO BY:Isabel Gomes da Silva




Um dia vou
Mas quando for, irei anónimo
Sem nomes escritos em lápides
De nada e sem crisântemos
Sacrificados em vão.
Um dia vou deixar cair
O luar
E tudo ficará como foi.
Só um homem vai escrever
A minha memória no seu livro
E só ele saberá que fui filho e pai.
Só ele saberá que... fui.


Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, outubro 10, 2008




foto by:DDiArte














Porque colheste a flor
Que despontava num jardim
Selvagem?
Porque a trataste sem cuidado?
As flores, quando gostamos delas,
Existem para o mundo,
Não devemos coloca-las numa
Jarra de enfeite egocêntrico
Porque assim
Elas perdem as delicadas pétalas
E nós… nós
Esquecemos a beleza que tinham
Quando eram livres no seu jardim
Selvagem.
E todos os dias que passam perdem o brilho
E o desejo, no momento da colheita,
Dá lugar ao definhar nos olhos e nos sentidos.
E a morte sucede ao tédio.
E no entanto era apenas uma flor
Livre
De um jardim selvagem.


Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, outubro 08, 2008






encontro:



foto b:Quark





Foi num grito
Que seguiste
Até á beira do mar.

E na cadencia das ondas,
No mistério do olhar

Fui encontrar-te
Perdida
Ausente do meu andar.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, outubro 06, 2008




ÁGUAS TUAS




O gozo proibido
Do teu corpo preso
Entre os lábios,
Na doce
Embriaguez
Dos sentidos;
Eu bebi.

Manuel F. C. Almeida


domingo, outubro 05, 2008



ACONTECER


Já caminhei lado a lado, sem chegar
A lado nenhum.
Deixei atrás um campo de flores
Abandonado à vontade de deuses.
Os deuses que abandonei
No meu caminhar
Na procura de um lugar
Que nunca encontrei.

Envolto em bruma
Fiz do meu caminhar um poema
Para ser lido, um dia,
Na plenitude da vida,
Sem fé nos deuses das flores
Ou na doença dos amores.
Um poema sobre o meu naufrágio
Nas rochas do tempo.

E na Fénix que me chegou no vento.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, outubro 03, 2008


ATÉ QUANDO POVO PORTUGUÊS?
PORQUE ISTO NAO É SO NO BRASIL>



Não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve
Você e pode e você deve, pode crer

Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu
Num quer dizer que você tenha que sofrer

Até quando você vai ficar usando rédia
Rindo da própria tragédia?
Até quando você vai ficar usando rédia
Pobre, rico ou classe média?
Até quando você vai ficar levar cascudo mudo?
Muda, muda essa postura
Atá quando você vai ficando mudo?
Muda que o medo é um modo de fazer censura

Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando você vai ser saco de pancada?

Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando você vai ser saco de pancada?

Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente
Seu filho sem escola, seu velho tá sem dente
Você tenta ser contente, não vê que é revoltante
Você tá sem emprego e sua filha tá gestante
Você se faz de surdo, não vê que é absurdo
Você que é inocente foi preso em flagrante
É tudo flagrante
É tudo flagrante

Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando você vai ser saco de pancada?

Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando você vai ser saco de pancada?

A polícia matou o estudante
Falou que era bandido, chamou de traficante
A justiça prendeu o pé-rapado
Soltou o deputado e absolveu os PM's de Vigário

Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando você vai ser saco de pancada?

Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando você vai ser saco de pancada?

A polícia só existe pra manter você na lei
Lei do silêncio, lei do mais fraco:
Ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco

A programação existe pra manter você na frente
Na frente da TV, que é pra te entreter
Que pra você não ver que programado é você

Acordo num tenho trabalho, procuro trabalho, quero trabalhar
O cara me pede diploma, num tenho diploma, num pude estudar
E querem q'eu seja educado, q'eu ande arrumado q'eu saiba falar
Aquilo que o mundo me pede não é mundo que me dá

Consigo emprego, começo o emprego, me mato de tanto ralar
Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar
Não peço arrego mas na hora que chego só fico no mesmo lugar
Brinquedo que o filho me pede num tenho dinheiro pra dar

Escola, esmola
Favela, cadeia
Sem terra, enterra
Sem renda, se renda. Não, não

Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando você vai ser saco de pancada?

Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Até quando você vai ser saco de pancada?

Muda que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente

Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doeça sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro

Até quando você vai levando porrada?
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai ficar de saco de pancada?
Até quando você vai levando

quinta-feira, outubro 02, 2008







Contraluz



Foto by: Espírito da Luz






Silhueta
Contraluz,
Teia feita
De palavras,
Corpo que me
Seduz,
Luxúria na terra
Que lavras.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, setembro 30, 2008






Quadra


foto by:Hugo Macedo

Tens a esperança no olhar,
Nos lábios a cor da romã.
E o teu corpo ao acordar
Tem o sabor da maçã.


Manuel F. C. Almeida

domingo, setembro 28, 2008






selvagem







Funde-se com o olhar a imagem
Que guardamos dentro de nós.
Memórias vivas, miragem,
Segredos que não têm voz.

Só na noite e no silencio,
Que vive quando encontramos,
O momento de estar sós…,

Se liberta, enfim, no vento
O corcel que vive em nós,
Que cavalga o frio e o tempo
Em que calámos a voz.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, setembro 26, 2008





SER



Foto by:bruno silva


Envergonhadas, as tardes de Setembro,
Recordam-me o rebentar das ondas,
O momento único e explosivo
Do fim.

Em cada molécula de água mantém-se
O meu desespero,
Em cada átomo vivo
Eu nada sou e tudo espero.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, setembro 24, 2008





"O CAMINHO"











Caminho devagar por este trilho
Desenhado em plena época das flores
Quando me sentava a teu lado,
E as tuas mãos de pai
Me afagavam os cabelos
Soltos de menino,
E me apontavam
Os caminhos que marcaste.
Naquele lugar erguemos uma fortaleza
De muralhas silenciosas.
Agora é nesse lugar que me
Costumo sentar com o meu filho
Numa linguagem de gestos e olhares
Cumplices,
Com que abraçamos o mundo e a vida.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, setembro 22, 2008



Mergulho





Teimei em olhar as águas paradas do lago. A cidade projectava-se em mil espelhos de luz e no silêncio da noite, ouvia de forma clara o ondular das ondas contra as margens.
O luar marcava o tempo. O coração batia compassadamente e o meu olhar fixou as marcas de água. Deixei o corpo ficar nas margens e embarquei, sem rumo, até ao fundo de ti.

Manuel F. C. Almeida

sábado, setembro 20, 2008





Segredo














Fixo o olhar no firmamento
As plêiades teimam em não se mover
E o meu desejo neste momento
É voar sem me mexer

Pequeno contra o universo imenso
Imagino mundos que nunca verei
Nas asas transporto os cheiros de incenso
Tirados ao sonho que nunca sonhei

E de estrela em estrela, no meu universo
Eu planto uma flor, canto uma canção
E na liberdade viva em cada verso
Descrevo o meu querer, o meu coração.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, setembro 18, 2008







INTERLUDIO



Foto b: Joana






Um Inverno…
Um piano…
O canto das ondas
No olhar de um homem.
E dos dedos gelados,
Libertam-se as notas de abismos
E algas ancoradas nos sonhos.
E nos ventos sibilantes
O grito surdo de uma partitura
Em espera…
Desespera.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, setembro 16, 2008






AUSÊNCIA



Foto by:Dorival Zucatto







Do suave pousar dos teus olhos
Ficou em mim a marca da tua
Ausência, uma primavera sem cor,
Uma paz sem harmonia,

Uma valsa
Em contratempo, um momento,
De agonia.

No suave pousar dos teus olhos...

Minha noite faz-se dia


Manuel F. C. Almeida

domingo, setembro 14, 2008







Quadra



foto by:Eliana Braga




Eu colhi um malmequer
Folha a folha o desnudei
Pra saber se quem me quer
Foi quem um dia beijei.


Manuel F. C. Almeida


sexta-feira, setembro 12, 2008






AREIAS



foto by:Dorival Zucatto






Acaso julgas que eu ignoro a verdade sobre o deserto? Tão leve como o canto das areias e o delírio presente nos ventos, só a aurora do teu corpo, coberto de mistérios, me traz o real da vida.


Manuel F. C. Almeida



quarta-feira, setembro 10, 2008






SIMPLICIDADE



foto by:Luis Mendonça







O que de belo tem o mundo
No seu rodopiar temporal
É a simplicidade que tem
Tudo o que é natural

Estrelas, galáxias planetas
Plantas, pedras, animais.
Somos apenas matéria
E em tudo à matéria iguais.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, setembro 09, 2008

DEDICADO AO BARREIRO E AO MEU GRANDE AMIGO CHAPA





Barreiro. tempos de vida plena de descoberta, encontro, tempos de amores e desamores, de excessos e moralidade, de revolução sonhada, de homens sem rosto, cansada de nada e pronta para tudo. Barreiro... como te sinto vivo ao ouvir esta banda. Também eles me construiram, também eles me fizeram crescer. Mas foi graças a tudo o que é e foi o Barreiro que me conheci.

segunda-feira, setembro 08, 2008





O VERBO



foto by:ricardo canhoto








O verbo é a doença do ser e do não ser
canto entusiasmado da noite em que a lua
é a esperança da vida e da memória dos
dias em fonte. E o verbo foi o início dos tempos
de angustia, da terra iluminada de razões
que se fundem insondáveis, que a razão
ultima não se vislumbra numa pedra
suspensa no universo gravitacional.

Nem no conjunto de átomos animados
pela magia do carbono.

Manuel F. C. Almeida

sábado, setembro 06, 2008





foto by



ABrito








Só mortos,
Os heróis
Cumprem a sua função.

Se vivos
contradição

Um fruto
Potencialmente
Corrompido.

Salvemos os
Nossos heróis…
Na ponta das espadas.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, setembro 04, 2008








foto by: paulo cesar










Acordo ao beijar
O teu rosto, e o silêncio
Que cobre o teu corpo.

Acordo com o odor
De corpos em luta
Na noite que aconteceu.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, setembro 02, 2008




O Canto


foto by:nuno chacoto





Perde-se o olhar
Ao correr da seara
Que se colhe,
E o cantar, o cantar
Espalha-se pelos
Campos de fogo
Celeste, erguidos
Pelas brumas
Da manhã.

Manuel F.C. Almeida

domingo, agosto 31, 2008














POEMA IMPERFEITO




A minha vida é caravela sem vento
Que no mistério do mar teima em navegar
Sem velas vivas para desfraldar,
Avança a apalpar os medos do tempo.

Assim construí todo o meu pensamento.
Desenhando moinhos, que derrubo no ar,
Vou pintando telas, sem tintas usar...
Em cada segundo, vivo cada momento

E em tudo o que faço, eu canto este fado
Sem dor, mágoa, muito menos tristeza
Porque triste seria não ter encontrado

O amargo sabor da minha existência
Viver ignorando a enorme beleza
De viver tudo isto em consciência.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, agosto 29, 2008











ULTRAJANTE
Encostem-se a mim
Eu já cá ando há muitos anos
Encostem-se a mim
Eu não estou a exagerar
Encostem-se a mim
Preparem bem os vossos planos
Comprem comigo novas acções
Deixem-se empenhar.
Venham ao balcão
Eu só vos quero é agarrar
Em nome de deus e do grande capital
Entendam-me bem
Eu só revelo ser banal
O tempo da vida boémia
Da revolução libertária
Foi um bacanal
Agora só quero vender a alma
E os meus sonhos
Como produto bancário final.

Manuel F. C. Almeida