
quadro
foto by:MARIAH
Abstraído do mundo,
Á espera.
A porta aberta, escancarada
Os teus passos já na escada…
Tremeram .
Era grande a minha porta
Grande demais para ti.
A casa quedou-se vazia
De tudo…
Até de mim.
Manuel F. C. Almeida
Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ

quadro
foto by:MARIAH
Abstraído do mundo,
Á espera.
A porta aberta, escancarada
Os teus passos já na escada…
Tremeram .
Era grande a minha porta
Grande demais para ti.
A casa quedou-se vazia
De tudo…
Até de mim.
Manuel F. C. Almeida




foto by:
Lá fora o ar
Tem nuvens de desencanto.
O riso é agora proibido.
Os homens e mulheres
Não se conhecem
Vivem na penumbra
Da alma hipotecada
No tempo em que
Os rostos eram um arco-íris
De esperança e tudo parecia
Ser fácil.
E antes do vento ser
Tempo
E do olhar descer
À terra
Senti o assombro
Da guerra
Face fria de um
Momento
Manuel F.C. Almeida


Fogo
Foto by:Ricardo Costa
Nos lábios
A flor aberta…
Nas mãos
O mar revolto…
Nos olhos
Ilha deserta…
No ventre
Todo o teu fogo.
Manuel F.C. Almeida

EMPTY DREAM
A noite dos sentidos, chegou á beira dos olhos. Na cabeça o som de tom waiths, no seu piano demoníaco, martelava o tempo. Ao olhar, a imagem daquela lap dancer, transmutava a passividade em luxúria. O som arfante das coxas em movimento assemelhava-se ao ritmo espiritual dos tambores africanos.- Tamtam, tamtam. Tamtam, tarataratamtam.
A imagem dela projectava-se, no ar e na luz vibrante dos corpos em êxtase. A percussão dos sentidos deu lugar á percussão dos corpos. E o ritmo alucinante dos amantes anónimos libertou-se num grito profundo de prazer.
Na casa onde não vive ninguém.
Manuel F. C. Almeida

PONTE PARA LADO NENHUM
FOTO BY:Eliane
Não sou de lado nenhum
Não tenho hino
Ou bandeira
O meu lugar é a Terra
Por isso não entro na guerra
Da geografia dos mapas.
Que toda a pátria que tenho
Tem um nome…
Universo.
Manuel F.C. Almeida





encontro:
foto b:Quark
Foi num grito
Que seguiste
Até á beira do mar.
E na cadencia das ondas,
No mistério do olhar
Fui encontrar-te
Perdida
Ausente do meu andar.
Manuel F. C. Almeida




Contraluz
Foto by: Espírito da Luz
Silhueta
Contraluz,
Teia feita
De palavras,
Corpo que me
Seduz,
Luxúria na terra
Que lavras.
Manuel F.C. Almeida

Quadra
foto by:Hugo Macedo
Tens a esperança no olhar,
Nos lábios a cor da romã.
E o teu corpo ao acordar
Tem o sabor da maçã.
Manuel F. C. Almeida

selvagem
Funde-se com o olhar a imagem
Que guardamos dentro de nós.
Memórias vivas, miragem,
Segredos que não têm voz.
Só na noite e no silencio,
Que vive quando encontramos,
O momento de estar sós…,
Se liberta, enfim, no vento
O corcel que vive em nós,
Que cavalga o frio e o tempo
Em que calámos a voz.
Manuel F. C. Almeida





INTERLUDIO
Foto b: Joana
Um Inverno…
Um piano…
O canto das ondas
No olhar de um homem.
E dos dedos gelados,
Libertam-se as notas de abismos
E algas ancoradas nos sonhos.
E nos ventos sibilantes
O grito surdo de uma partitura
Em espera…
Desespera.
Manuel F.C. Almeida

AUSÊNCIA
Foto by:Dorival Zucatto
Do suave pousar dos teus olhos
Ficou em mim a marca da tua
Ausência, uma primavera sem cor,
Uma paz sem harmonia,
Uma valsa
Em contratempo, um momento,
De agonia.
No suave pousar dos teus olhos...
Minha noite faz-se dia
Manuel F. C. Almeida

Quadra
foto by:Eliana Braga
Eu colhi um malmequer
Folha a folha o desnudei
Pra saber se quem me quer
Foi quem um dia beijei.
Manuel F. C. Almeida

AREIAS
foto by:Dorival Zucatto
Acaso julgas que eu ignoro a verdade sobre o deserto? Tão leve como o canto das areias e o delírio presente nos ventos, só a aurora do teu corpo, coberto de mistérios, me traz o real da vida.
Manuel F. C. Almeida

SIMPLICIDADE
foto by:Luis Mendonça
O que de belo tem o mundo
No seu rodopiar temporal
É a simplicidade que tem
Tudo o que é natural
Estrelas, galáxias planetas
Plantas, pedras, animais.
Somos apenas matéria
E em tudo à matéria iguais.
Manuel F. C. Almeida

O VERBO
foto by:ricardo canhoto
O verbo é a doença do ser e do não ser
canto entusiasmado da noite em que a lua
é a esperança da vida e da memória dos
dias em fonte. E o verbo foi o início dos tempos
de angustia, da terra iluminada de razões
que se fundem insondáveis, que a razão
ultima não se vislumbra numa pedra
suspensa no universo gravitacional.
Nem no conjunto de átomos animados
pela magia do carbono.
Manuel F. C. Almeida


POEMA IMPERFEITO
A minha vida é caravela sem vento
Que no mistério do mar teima em navegar
Sem velas vivas para desfraldar,
Avança a apalpar os medos do tempo.
Assim construí todo o meu pensamento.
Desenhando moinhos, que derrubo no ar,
Vou pintando telas, sem tintas usar...
Em cada segundo, vivo cada momento
E em tudo o que faço, eu canto este fado
Sem dor, mágoa, muito menos tristeza
Porque triste seria não ter encontrado
O amargo sabor da minha existência
Viver ignorando a enorme beleza
De viver tudo isto em consciência.
Manuel F. C. Almeida




SEDE DE TI
FOTO BY:luis azevedo
E foi na noite
Povoada por sons ausentes
Que escalei o teu corpo
Em mil sentidos deleites.
E se o sentir a madrugada fria
Me devolveu jovialidade
Teu corpo, idolatria,
Resolveu a saciedade...
De ti.
Manuel F. C. Almeida

TEU NOME
foto by:Nuno Manuel Baptista
E no mistério das palavras
Que encobrem as coisas,
Ouvi o canto do mar
No tom das vagas
Que soletravam
O teu nome.
Manuel F. C. Almeida


