
Das tardes de sol
Contra o casario;
O bucólico tempo
Da terra e do pão,
E as sombras que ficam
Nos jogos do corpo.
Manuel F. C. Almeida
Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ






foto by:Luis Mendonça
Já não há rios de fogo
Nos teus olhos
Nem riachos de lava
Para agitar a paisagem
Resta agora
O arar da luxúria;
O germinar das sementes
Nos corpos exaustos.
Manuel F. C. Almeida


quadras soltas
(para cantar sobre a musica de Sergio Godinho)
Livres são as quadras soltas
que um dia todos cantaram
Menos livres são as gentes
Que nelas acreditaram
Falavam de liberdade
De educação para todos
Prometiam igualdade
E Felicidade… a rodos
Ó i o ai, aí está o engenheiro
Ó i ó ái pra nossa vida tratar
Ó i ó aí mas que grande embusteiro
Mas que grande embusteiro
Em que o povo foi votar
A liberdade foi morta
A igualdade foi esquecida
Nos direitos tudo corta
A educação foi perdida
Tem amigos poderosos
Que lhe pagam as campanhas
E um partido de medrosos
Que lhe apara sempre as manhas
Ó i ó ai mas o que deu ao povo
Ó i ó ai pra se deixar enganar
Ó i ó ai isto precisa de novo
Isto precisa de novo
Duma revolução pra mudar
Manuel F. C. Almeida








RESOLUÇÃO
FOTO BY:grENDel
Há flores que foram corpos
E foram terra foram montes.
Há flores que foram rios
Há flores que foram fontes…
Mas sempre que um vento agita
As suas pétalas de cor
Há sempre um homem que fita
O fim eterno da dor
E a flor será caminho
O homem cinza de terra
Irmãos feitos no trilho
Neste mistério de guerra
Numa centelha de tempo
Na eternidade das estrelas
A vida é só um momento,
Simple flor feita de velas.
Manuel F.C. Almeida