terça-feira, março 15, 2016


















Não deixes que a morte
Se agarre a ti
Vive e combate,
Ama e seduz.
Recusa tudo o que te
Inculcam como verdade
Tu és único
Não te deixes ficar
Pelo que te deixam ver
Há sempre outra realidade
Escreve o teu poema
Forjado no sangue
Dos que
Como tu
Teimam em não seguir
O carreiro traçado.
Muda, se tiveres de mudar
Canta, se tiveres de cantar
Luta porque tens que lutar
E ama, ama muito
Sem culpas
E sem a moral secular
Dos que tentam
Vergar
A liberdade

Manuel F. C. Almeida.

quinta-feira, março 03, 2016




















Eu vi uma flor a abrir,

Como uma mão que abre

Um abismo

Ou um canto que solta

A noite

E me trás em surdina

A silhueta ténue de um rio

Onde eu bebo e me perco,

Num cálice de fogo…

Num corpo amordaçado

Pela pele,

Num ventre em leque

Onde mergulho

E me reencontro



Manuel F. C. Almeida


























quinta-feira, fevereiro 25, 2016

















Farto-me com rapidez das coisas

Mundanas e dos poetas graciosos

Que fingem amar em palavras

Repetidas, gastas.

Farto-me com rapidez das pessoas

De plástico, dos sorrisos de botox,

Das lágrimas vertidas na alvura

Inocente do papel

A poesia se é vida animada

Então não pode ser só paz e amizade

Sensualidade, ou figuras

Idilicamente desenhadas

Porque se é vida então é tudo

O que vida tem

Dor, corrupção, guerra, ódio

Álcool, mesquinhez, egoísmo

Posse, vingança, morte, loucura

Insanidade

Porque a poesia é apenas e só

Um espelho cru da humanidade



Manuel Almeida

quinta-feira, fevereiro 18, 2016



















Se a noite cair lesta e triste, se o teu leito se encontrar frio, com ausências e omissões

Sai rapidamente desse torpor acomodado onde te escondes do mundo e volta a mergulhar na cidade, abraça as ruas e beija as estátuas do teu caminho.

Estás só se te sentes só, não procures culpa, porque tal não existe, se alguém se ausentou das tuas noites e dias não deixes que a sua sombra se projecte sobre o teu mundo, faz do teu agir um resgatar do teu sentir.



Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, fevereiro 11, 2016

















Eu sou a noite e o dia que lamentam
A vida que lhes corre nos olhos
Sou uma rajada vento e uma tarde de acalmia
Que se unem e levantam numa nuvem de pó
Sou o frio e o calor que nos tomam
As carcaças esqueléticas num arrepio
De frio e de febre

Eu sou o que sempre fui e nunca quis ser
Vencido e vitorioso de um mundo de enganos
Sou caminho e precipício numa arriba qualquer
E pacientemente pinto o meu quadro
De fugas e ilusões.

Sou tudo o que quiserem que seja
Mas nunca saberão o que sou.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, fevereiro 04, 2016





















Eu vi abrir o
Verso desalinhado
De um tempo sem tempo
Num sonho agitado
Pela magia dos corpos
Em pétalas que se soltam
E caem, como a neve nas ruas
Da cidade febril
Da cidade sem rosto
Da cidade adiada.

E só o corpo é existência
Nas estrofes de um
Poema imaginado
Por um poeta louco, maldito
Por um amante adiado no tempo
Sem face e sem alma

O poema é uma construção
Do teu ego 
No qual tu és centro
E o motor de tudo
E quando acaba de ser escrito
Há sempre algo de novo a escrever

O algo é como o amor
Vive dentro de ti e para ti
E só se resolve no momento
Em que se dá ao mundo....
No momento em que és livre.



Manuel F. C. Almeida

terça-feira, janeiro 26, 2016
















E vejo o teu ventre
Como pétalas de um cravo
Onde o orvalho repousa
E o sonho se desfaz
Em mil pedaços de espuma,
Roubada à maré do nosso
Eterno desejo.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, janeiro 19, 2016







ELEGIA












Eu queria fechar as palavras
Numa caixa de incensos e mirra
Entre a noite e a madrugada
Que teima em se despir
Num sorriso de luxúria.

Abro os olhos e nada vejo
Sinto apenas o abandono
De um sonho errado.
Como se fora uma asa de vento
À espera de encontrar um local
Onde pousar.

E vejo sorrisos que o nunca foram
Ouço palavras em que não creio
E no reacender da vida
Olho para trás e parto sem receio
Deixo para trás as palavras
Escritas em livros que já não
Leio


Manuel F. C. Almeida












terça-feira, janeiro 12, 2016















O largo guarda as memórias
Das noites coloridas de luar
E cada pedra guarda a história
Dos beijos dados e por dar
É assim este meu largo
Uma tela sem voz, de mil cores
Um mundo dentro mundo
Uma cornucópia de sabores
E quando as sombras caem
E o silêncio se faz sentir
O largo da minha vida
Vive comigo….a sorrir


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, dezembro 29, 2015















Os olhos que me invadem
A pele
Que me tomam como
Abrigo
São os olhos por quem canto
Cantigas de amigo

Habitam o vento e a distância
Silenciosos no beijar
Desnudam-se na pungente
Esperança
De me ter de me tomar

Os olhos de quem ama
Sem falar
De quem, se dá por inteiro
Sem nunca se dar
De quem espera junto ao tempo
O que só o tempo pode dar


Manuel F. C. Almeida




















Na quietude do beijo
O tempo corre,
Os olhos sugam a vida
E os sentidos
Dançam ao som
Dos elementos

Na quietude do beijo
Só o silêncio
Quebra
A viagem ao entardecer.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, dezembro 22, 2015
















Caídos pelos seios
Os teus cabelos lavram
A pele que se me oferece
E os cheiros que me trazem
São os cheiros a maré e vida
Como ondas de espuma límpida
E eternamente renovada

E o teu corpo eleva-se
Na procura do arco-íris
Na alvorada dos dias
Em que juntamos pétalas
E sonhos

E os teus longos cabelos
Desenham no corpo
Um sulco de ternura e luxúria
O campo perfeito para as flores
Que costumamos plantar.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, dezembro 10, 2015





















Passei pela vida
Sem nada guardar
Para lá de palavras
E do canto colorido
Das aves tingidas de
Ternura.


Manuel F. C. Almeida

domingo, novembro 29, 2015





















Faço do tempo o meu mestre
De amores e desamores que se pintam
De sorrisos ou de lágrimas.
Como num sonho
Onde os meus olhos cegam
E a luz não é mais
Que o tom da tua pele,
Ao raiar do dia.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, novembro 23, 2015


















O desejo percorre os corpos
Na clausura da paixão
Onde tudo se descobre.
E o olhar esconde a imensidão
Da noite, onde os dedos se entrelaçam,
Os lábios se perdem
E a luxúria desperta
Em mil formas sonhadas


Manuel F. C. Almeida

domingo, novembro 15, 2015


















Nem das montanhas
Onde escorreu o sangue de mil heróis
Sabemos algo.
Viramos as costas aos nomes
E às feridas. Percorremos sós
As imagens dos mortos
Que nos teimam em habitar
E ao longe, por entre a bruma
E o tempo, espera-nos um corpo
Vivo. Um corpo para celebrarmos
E para esquecermos a morte
 Vertemos memórias todos os dias
E todos os dias se esquecem um pouco
Os olhares dos amigos que já foram…
É a vida a empurrar-nos no seu sentido

quarta-feira, novembro 04, 2015





CANTO DOS AMORES

















Os amantes saciam-se nos corpos
Quando o sangue pulsa no seu ser
E trocam juras de eternidade
Quando a tarde cai, ao anoitecer

E os lábios tocam-se devagar
As mãos dançam até enlouquecer
E os sexos unem-se numa batalha
Em que ambos celebram o viver

Mas na vida nada é eternidade
Tudo tem um princípio e um fim
Se o amor acaba, fica a amizade
Porque só vale a pena viver assim.


Manuel F. C. Almeida

sábado, outubro 31, 2015



ELEGIA











Lentamente olhamos o outro
Cansados até de respirar
E o universo de perfumes exalados
São fogos-fátuos ao luar.
E com a noite os silêncios caem
E no silêncio uma canção faz-se soar
Com uma letra sem palavras
No compasso do respirar
E lentamente nós damos as mãos
Sem chama, sem brilho, sem cantar
E as mãos clamam pelos corpos
No desejo a saciar

E finalmente os corpos adormecem
Embalados neste caminhar
E da dádiva dos corpos
Fica o vazio de se ter dado, sem se dar


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, setembro 11, 2015























Era nossa a noite, a janela abriu-se
E o silêncio instalou-se no olhar
Tacteámos o mundo, cegos
Pela loucura do sangue
E mergulhámos a alma na escuridão
Das estrelas
Os dedos encontraram-se, algures, entre
O espaço dos corpos ansiosos, numa calmaria
Tão límpida como as folhas soltas de um poema
E nem a lua ou o odor dos corpos preencheu
O éter entre o desejo e o pudor
Unos, como arvore e casca
Soltámos a vontade
E vogámos num oceano de luxúria.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, setembro 04, 2015















Sonho da terra, de carne madura
Teu olhar que encerra a noite mais escura
Nos lábios de rosa que teima em brilhar
Eu deixo os meus beijos para os pintar
E pintamos nos corpos desenhos sem nome
Saciamos na pele a espera da fome



Manuel F. C. Almeida















sábado, agosto 22, 2015

´
















Se os meus olhos não se abrissem
Estaria adormecido a viver nos sonhos
O que as estrelas nos permitem
Procurar… 
Um pouco de paz
E a simplicidade que só
O universo nos traz


Manuel F. C. Almeida

sábado, agosto 08, 2015


















À MINHA CIDADE

Enlutados pela saudade
Os meus olhos ganham cores
Quando na minha cidade
Sinto o perfume de mil flores

E em transe vou percorrendo
As ruas que ecoam um passado
Dos tempos em que correndo
Eu era versos de um fado

E só eu sei que os versos cantam
Ser essa a minha casa, o meu lugar
É nela que meus olhos se encantam
A ela morto ou vivo hei-de voltar.


Manuel F. C. Almeida.

domingo, agosto 02, 2015





















Ficaram comigo,
Os sons
Dos corpos que
Em surdina
Caminharam pelo meu,
E se realizaram no acontecer,
Em mil movimentos de maré,
No universo dos sentidos,
Na ilusão do prazer.
Ficaram e sempre estarão
Como um apelo do tempo
E da memória;
Na penumbra dos dias
Passados, no canto alegre
Das cigarras, no calor do estio
Corporal em glória
E sempre que o tempo acorda
Este desejo de fuga constante
Os olhos abrem-se ao mundo
E fazem do presente um instante.

Vivo então cada momento
Com redobrada emoção
E em cada momento que vivo
Coloco toda a minha paixão.


Manuel F. C. Almeida

sábado, julho 25, 2015
























Passam por mim
As águas de um rio
Verdejante e incansável
Um rio que tudo vence
Até o vento que sopra
Em sentido contrario.

Que eu seja gota de orvalho
No teu caminho


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, julho 13, 2015





















Costumo falar
De poemas criados
Nos corpos em suor
E no olhar ávido
Dos amantes,
Quando desenham
O riso e a loucura
No cântico
Dos sonhos saciados
Na imensidão do tempo.
É disso que costumo
Falar.



Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, julho 01, 2015
























Vivo no teu corpo
Os dias da existência
E o florir das acácias

Celebro os seios
Numa avidez
Infernal

E no ventre que se
Oferece ansioso
Resolvo o enigma
Do bem e do mal

Onde o meu corpo
Se dissolve
Na fragância das
Acácias


Manuel F. C.  Almeida

domingo, junho 21, 2015

















Tenho na boca o sabor a um poema.
Um poema diferente dos que
Costumo escrever
Um poema sem outro,
Sem lábios ou seios,
Sem coxas,
Ou ventres de perfume,
Sem tempo e sem sonho
Sem chama e sem vento
Um poema sem plantas
Ou flores de muitas cores
Um poema sem tristezas
Ou alegrias,
Um poema sem moral,
Um poema sem amor,
Um poema sem noite,
Um poema sem dia…
 Um poema sem poesia


Manuel F. C. Almeida

sábado, junho 13, 2015
























Os dedos que me incendeiam
Os sentidos
Vivem nas tuas mãos

Que o fogo não morra
No tédio dos dias
Que se eternizam

Que o silencio não instale
A repetição dos
Hábitos

E que os teus dedos
Não deixem de trazer
A magia que os corpos
Celebram


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, junho 03, 2015






















Vi-a crescer nos meus olhos.
Só nos meus olhos
Criou raízes.
E cresceu também dentro de mim,
Com folhas e flores e frutos
De varias matizes.
Verdes, violetas e sombras.
Assim floriu no pensamento
Do nascer ao por do sol
E na noite do corpo
Fez-se mulher

E nos seus ramos
Me embalei.


Manuel F. C. Almeida

sábado, maio 23, 2015


















Gente estranha
Mundo meu
Um sentimento
Roeu
A confiança
No teu
Agora só resta
O momento
Em que
Tudo  no mundo
Morreu.

Manuel F. C. Almeida

sábado, maio 09, 2015

















Estou preso dentro de mim
De um mundo de encruzilhadas
Duvidas que não têm fim
Perguntas com muitas estradas.
Duvido que existam respostas
Nos caminhos a escolher.
Carreiros em frente e nas costas
Eu ali sem me mover.
Espero em vão um sinal
Que me ajude a decidir
De como escolher afinal
Qual o caminho a seguir
De algo tenho a certeza
Não há caminhos sem dor
Em todos encontrarei pedras,
Angustias e campos em flor.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, maio 01, 2015























Eu conto
Da vida uma promessa
Nos limites sombreados
Da claridade que me cega
E me encontra assim…despido
Como árvores no Outono.

E cego fico, porque não vejo
Mais que o querem que veja
Neste emaranhado de túneis
Putrefactos
Em que mergulharam a vida.

E deixo que as horas se percam
Nos dias que acontecem
Iguais
No silêncio do desespero
Amordaçado, num ímpeto
Que não se ergue nem se altera
Antes se queda derrotado
Com o olhar vazio de esperança.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, abril 14, 2015



















Porquê a existência?
Porquê as lutas e o amor
Porquê o ser que se não é
Ou o sonho que nos amansa

Porquê o medo da vida?


Manuel F. C. Almeida

sábado, abril 04, 2015






















Ficou preso na madrugada
O cheiro a estevas e loendros.
O poema morre, perdido que foi
No nevoeiro.
O silêncio retoma a existência
Junto à margem de um rio.
A paixão morreu no horizonte
Das águas
E renasceu no poema
Quando o sol rompeu
a bruma das tuas memórias.


Manuel F. C. almeida


sábado, março 28, 2015
















Toda a memória
Se explica
Pelo princípio
Dos tempos!
“ Nos braços da minha mãe”
E tudo o mais é
A soma
Até ao dia em que
A memória se renova
E o teu filho repousar
Nos teus braços.


 Manuel F. C. Almeida

sábado, março 21, 2015






















E sinto nos dias o vazio das carícias
Que nunca aprendeste a dar
O estar só numa vivência mascarada
De sombras a dois.
A sinfonia ausente numa leitura
Perdida no tempo e no olhar

Não me peçam pois sonhos de eternidade
Que os meus dias se arrastam entre
A ignorada presença de quem existe
Até ao momento em que teu olhar se
Volte a encantar numa outra coluna
De mármore que ornamente o teu palácio.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, março 05, 2015





















Sonhei-te como diamante
De brilho e faces perfeitas
Em minhas mãos despidas

Sonhei-te como mundo, sem tempo
Nem cores. Sonhei-te a preto e branco
Tudo ou nada

E assim te fiz parte de sonho
Que se perdia nas brumas do meu olhar
E se construía como um amor indestrutível

Sonhei-te numa existência possível.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, fevereiro 27, 2015






















Nas minhas mãos brilham
As cores da solidão.
Caminhando encontro enfim
A morte a cada passo
E quando os ventos
Me arrancam deste abraço
Soam em mim sinfonias
Sem destino.
E se caminho só
Sobre a campa de mil sábios
É na procura incessante
Do néctar dos teus lábios.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, fevereiro 09, 2015














Pois…a poesia
Brisa sem tempo
Num respirar
De sentidos
Que se escondem

Dos olhares.


Manuel Almeida

quarta-feira, janeiro 14, 2015



















De que servem as palavras
Se já não há rosmaninho
Se as frases vindas de outro
São lianas no caminho
Se mesmo acompanhado
Te sentes sempre sozinho?

De que servem as palavras
Se a tua língua é diferente
Se tudo o que acreditas
Deixou de estar presente
Se até no mesmo local
Te fazem sentir ausente?

Caminha sim! Caminha!
Não pares de caminhar
Porque afirmar aquilo que és
Nunca se faz sem lutar



Manuel F. C. Almeida

domingo, janeiro 04, 2015














Os lábios, meu mel,
Num tempo de esquecimento
Eram rios de sangue e vida
Flores de um deserto presente
Que rapidamente nasciam
E rapidamente morriam
Flores que faziam o deserto viver
Quando se pensava estar morto.
Abeirava-me dele quando podia
E via o pintado de cores nas mil
Flores que lá cresciam. No deserto
Da minha alma sem nome,
Onde costumo espreitar
Vive o animal e o homem
Que nunca consegui encontrar.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, dezembro 31, 2014




Sorriam que tempo
passa depressa















Deste-me as mãos, os braços
O corpo
Deste-me os lábios, os seios
O ventre
E num momento sem tempo
Num jogo difuso de espelhos

Amarrei-te de pés e mãos
E arranquei-te os pintelhos

Manuel F. C. Almeida.

quinta-feira, dezembro 25, 2014



Tremo pelo frio que vai passando
No corpo nu, despido e transparente
Que dei de modo livre a um sonho
Que foi só sonho, nunca presente

E ao acordar olhei-me assustado
Tudo não passava de fresca ilusão
E atrás de mim, num leito de rio
Nem águas vivas, nem sol de verão

Apenas areia e seixos perdidos
Pedaços de vida aqui e ali
Momentos que o tempo comeu
Ausência de mim, ausência de ti.

E nesta lenta morte em vida
Neste silencio de gritos instalado
Vamos morrendo pouco a pouco
Cada dia mais sós, lado a lado.


Manuel F. C. Almeida

sábado, dezembro 20, 2014


















Há um tempo de partir
Há um tempo de ficar
Há um tempo de sorrir
Há um tempo de parar

Mas este é o tempo
Que me aconselha a pensar.



Manuel F. C. Almeida

domingo, dezembro 14, 2014

















Despojado acendo uma vela
No centro do todo o meu querer
E com cuidado cuido que ela
Não se recuse a arder
Ilumino o meu caminho
Com a luz que ela me dá
Vejo pouco, vou sozinho
O que tiver de ser…será

Desta forma sem amarras
Vou desbravando o meu tempo
No caminho cantam cigarras
Dançam andorinhas no vento
Espantado com o mundo
Que a todo o tempo se altera
Pinto uma tela sem fundo
No mundo que sempre me espera.


Manuel F. C. Almeida