
A nossa história já aconteceu
E não a quero trágica
Como da ultima vez
Vamos dar beijos
No coração
Sim, no coração
Onde nada mais paire
Que um desejo de fusão.
Manuel F. C. Almeida
Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ

Rapidamente todos se aproximaram. O primeiro, presidente da Câmara municipal, homem alto e encorpado, na casa dos 50 e muitos anos, estendeu-me a mão e cumprimentou-me de forma vigorosa e efusiva. Ao mesmo tempo que me dizia – vejo que já conhece a minha esposa. – A primeira parte do puzzle estava acabada. A minha deusa era casada e logo com o presidente. Mentalmente não consegui evitar um sorriso. Ela deveria ter um pouco mais de 30 anos, magra, frágil, ele mais de 50 e com a figura característica dos políticos de província, que fazem politica em meio de petiscos e copos. A Isabel captou o meu momento e tocou-me levemente no braço. Quando a olhei tive a sensação que ia começar a rir desavergonhadamente. Felizmente conteve-se. Os outros convivas aproximaram-se e fiquei a conhecer o comandante do posto da GNR, o comandante dos Bombeiros, a restante vereação e para espanto meu até o padre lá estava. Pessoalmente não suportava tais criaturas.

- Dr! Então como está - disse. Ao mesmo tempo que me estendia a mão. Reparei então nas suas mãos. Brancas, tão brancas que se podia ver de forma clara o azul das veias e artérias. Estava muito bela. Vestia uma roupa preta que contrastava com a sua cor natural, o cabelo solto e longo de um negro hipnotizante, aliado a um par de olhos da cor do mar faziam dela uma brisa no meio de um ambiente demasiado austero e formal como aquele.
- Venha vou apresenta-lo, mas primeiro diga-me o seu nome – disse em ar de cumplicidade. - Diga-me também o seu – interroguei-a – pode chamar-me Fátima – disse
- Eu sou Manuel Carvalho – respondi – para si só Manuel – disse-lhe baixinho
Olhou-me com os seus grandes e belos olhos e sorriu como as Mulheres o fazem quando nos desejam dizer algo sem verbalizar o quê.- Meus amigos tenho a honra de lhes apresentar o Dr. Manuel Carvalho – disse, numa alocução para toda a sala. A Isabel, a meu lado, sorriu e piscou-me o olho, era um trejeito de cumplicidade que tínhamos há anos.



Como é bom sentir-te assim,
Como a neblina do mar
Que Vai e vem sem ter fim
Como é bom ver-te ao partir
Uma caravela de sonhos
Que vai e vem a sorrir
Como é bom estar só contigo
Beber-te o sorriso nos olhos
Que vai e vem, como amigo
Como é bom ter estado aqui
Tocar tua alma em flor
Que vai e vem por ai
Como é bom viver em ti.
Manuel F. C. Almeida









PORQUE A POESIA É UMA ADICÇÃO.