PORQUE A POESIA É UMA ADICÇÃO.Há palavras que nos roubam horizontes
E nos precipitam da voragem dos sentidos
Agora só, ante mim mesmo tenho
Uma vida colada á pele
À mesma pele onde nos dias
De primavera
Tu passavas o teu olhar de mulher
Apaixonada.
e saciavas a tua sede de amar.
Agora, neste Inverno que é o meu
Sarcófago
Tenho de encerrar o que poderia ser.
E sinto-me como um grão de areia
Face ao Oceano
Um dia nada restará dele.
Um dia nada restará de mim.
A erosão dos sentimentos também
Mata.
Manuel F.C. Almeida
2 comentários:
Ah, a palavra
essa feiticeira
subtil, que nos amarra
e nos solta, a vida inteira
Essa, a palavra
que tanto estimamos
que por vezes escalavra
mas que sempre louvamos
Lutamos por ela
pela posse e o sentido
achamo-la bela
num fio indefinido
Escrevemo-la, orada
pensada, sentida
compomo-la do nada
a palavra proferida
Como seria o oceano se não existissem nas suas margens os incontáveis grãos de areia, fruto da sua propria erosão? Provavelmente, seria parado, indolentemente imóvel, caldoso, sem vida em si. Então dÊ-se vida aos oceanos, mesmo que para tanto seja necessária a erusão de nós mesmo.
Obrigada pela visita ^-^
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