sábado, março 03, 2007












Seguimos a senhora até ao salão. Quando entrámos senti o olhar de uma dúzia de pessoas pousar em mim. Só então reparei na forma como vinha vestido. Trazia umas jeans já com algum tempo e um velho pullover de lã, que a minha falecida mãe me tinha feito . Na sala pareceu-me que todos estavam vestidos para uma gala. O provincianismo continuava a ser a marca mais importante do País. Senti que algumas pessoas ficaram incomodadas pelo meu aspecto. Nada de importante. Eu nem queria estar com aquela gente. Todos me pareciam saidos de um filme de série B, a pompa, o ar de gente importante, tudo aquilo me deixava cansado, entendiado. Olhei para a Isabel como que a procurar um refúgio, mas ela devolveu-mo sem me acolher. De repente surgiu, vinda do nada, a minha companheira de viajem. Vinha simplesmemte deslumbrante. Aquela sensação incómoda e sempre tão animalesca que surge quando se deseja alguém, brotou em mim como se um novo rio tivesse nascido em mim..
Ainda assim foi a primeira a quebrar o silêncio que se tinha instalado:

1 comentário:

Bartolomeu disse...

Foste tu, que semeaste pelo mundo a palávra?
Foste tu Sage, que te apresentaste nu, perante uma assembleia inquisidaora, obrigado a demonstrar a todos o significado da mesma?
Não Sage, tu és o saltimbanco das letras, o malabarista das frases... o pintor dos sons.
Sim Sage, reconheço-te, aguadeiro daquela praça de gente, que monda a vida sob o sol ardente da imprefeição da frase-feita.
Dessedenta-os, dessedenta-nos, ser-te-emos gratos no momento da grande sede. Mas não te apaziguaremos a alma quando a palavra te secar na garganta e te arder no peito. Consumiremos o que nos deres de ti. O teu consolo, será a nossa presença.