quarta-feira, maio 06, 2009

















Já não me ouvem
Nos becos da cidade
Nem nas avenidas perdidas
Da memória.

O regresso marcado
Nas pedras da calçada
Perdeu-se no rasto
Do tempo de uma vida
Cheia de nada.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, maio 04, 2009














O mar
Funde-se com o olhar.
E euperco-me no labirinto
Da palavra...
Universo

Manuel F. C. Almeida


foto:Nuno Miguel Silva

sábado, maio 02, 2009














Só. Estou cada dia mais só.
O mundo passa a correr por mim,
E eu parado, vejo as imagens desfilarem
Em quadros, pequenas telas
Animadas de vida.
Tudo me foge, o tempo
A música, o mar.
Aqui estou. Sentado num abismo
Que me é cada dia que passa
Mais exclusivamente meu.
Mas que se passa comigo?
Onde enterrei as orquídeas
Que me animavam?
Onde deixei as canções
Do olhar?
Talvez um dia volte a entrar
Naquele comboio voraz em que
Vejo outros deslizarem.

Mas não quero.
E ninguém se importa com isso…
Felizmente

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, maio 01, 2009

PORQUE HOJE É DIA DO TRABALHADOR:

CELEBRAR MAIO É MANTER VIVA A ESPERANÇA DE UM PLANETA MELHOR

quarta-feira, abril 29, 2009


















Afago a palavra,
O verbo.
Mergulho cego
No sentido.
Sou do conceito
Servo.
Das falácias
Foragido.


Manuel F. C. Almeida
foto:José d' Almeida & Maria Flores

segunda-feira, abril 27, 2009


















foto:joaopires

E em desespero
Confundiste
A alma com o
Corpo
E a chama de
Outono
Consumiu-me
A face.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, abril 24, 2009















ABRIL

Eu sonho Abril do meu cantar
A liberdade descoberta
A esperança viva no olhar
A mordaça que liberta

Eu sonho um povo a caminhar
Na madrugada encoberta
Rubra flor em rubro andar
Porta fechada, logo aberta.

Sonho a revolução a criar

Sempre renovada e desperta.


Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, abril 22, 2009



















Das sinfonias agitadas
Nos dedos
Restam os momentos
Da água nos lábios.
E a sede que matei em ti
Renova-se na tua sombra.

Manuel F. C. Almeida



foto:Mariana Bravo

segunda-feira, abril 20, 2009















Estendo no ar, o olhar
Procuro na noite o meu dia
Um rio que passa a cantar
Soletra a minha agonia
Procuro sentido prá vida
Nesta vida sem sentido
A centelha já perdida
De morto sem ter morrido


Manuel F.C. Almeida


foto:Daniel Pedrogam

sábado, abril 18, 2009











Primavera


Na primavera reinvento a vida
E tudo começa a brilhar.
Num sopro
Toda a paisagem se altera,
O verde nas árvores,
As mil cores na terra.
E no ar,
O canto das aves
Traz música
Ao olhar.




Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, abril 15, 2009


















Á minha frente o caminho
Abriu portas ao destino
(Se é que tal coisa existe)
E o cansaço tomou-me
O corpo nu.
Nos olhos, o mar
Florido e cintilante
Devolveu-me
A flor de prata
Numa pérola...
Tu.


Manuel F. C. Almeida


foto:Nuno Bernardo

segunda-feira, abril 13, 2009















Vivo e acredito
No acaso do viver
Ao nascer sou já maldito.
Só me liberto ao morrer.



Manuel F. C. Almeida


foto:António Manuel Pinto da Silva

sábado, abril 11, 2009




















É a esperança que
espalha
Um ramo no bico
de pomba.
Farei do corpo
a muralha
Do sonho
que nunca tomba.


Manuel F.C. Almeida.



foto:Fernando Baptista

quinta-feira, abril 09, 2009








foto:Nuno Bernardo










Liberto-me no andar
Pelo mundo,
Naquela centelha de tempo
Temperada na tempestade...
Nas sílabas da madrugada
Onde mora a liberdade.

Manuel F.C. Almeida

terça-feira, abril 07, 2009












FLOR





Porque me escrevo plural?
Porque na escrita
Somos tempo
E flor
Somos vento
E amor.
Até o crepitar de um poema
Faz de nós
O seu cantor.


Manuel F.C. Almeida


foto:Daniel Pedrogam

domingo, abril 05, 2009















Vivo na ilusão de uma luz
Eterna!
Nascida nas sombras da culpa.




Manuel F. C. Almeida



foto:Nuno Duarte

sexta-feira, abril 03, 2009


















Ser ou não ser
Estar ou não estar
Querer ou não querer
Amar ou não amar
De dúvida em dúvida
Te sinto.

Mas nunca te sinto chegar.


Manuel F. C. Almeida


foto:Giselle Negro Rocha

quarta-feira, abril 01, 2009
















Comprei uma máscara
De azul e carmim
Escondi-me do ter
Do ser e de mim
Vivi sem viver
Convencido que era
Um pobre cordeiro
Em paz e sem guerra
Mas a mão do real
De um sonho saída
Tirou-me o disfarce
Devolveu-me á vida



Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, março 30, 2009









foto:Fabi Olive






Só a liberdade
Não tem guias.
Nem mapas
Ou receitas mágicas.




Manuel F.C. Almeida

sábado, março 28, 2009


















Conchas de luz
Um olhar frio
No som de um búzio
Roubado ao rio
Esperei pela lua
Agitando varas
Curei a cegueira
Transplantando caras
Agarrei uma flauta
Toquei-a bem alto
Da outra falésia
Libertou-se um salto
A concha partiu-se
O olhar aqueceu
O canto do búzio
Segui-me e morreu.
Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, março 26, 2009




Crónicas da liberdade





No jardim da liberdade

Como sempre a noite torna a vida mais completa. Tinha andado o tempo suficiente para apreciar um velho banco de jardim. Não era um banco qualquer nem um jardim qualquer, era o meu banco e o meu jardim. Meu e de todas as memórias que tinha. O banco dos Chapas, das Anas, das Beatrizes, das Isabeis, dos Migueis, dos Marrecos e de tantos outros que se consumiam no tempo sem darem noticia de que o tempo é uma avenida na qual só se caminha num sentido.
Era doce a sensação de estar ali. Á minha frente, um pequeno lago artificial servia de refugio a alguns patos coloridos que me pareciam os mesmos de há anos atrás. No meio do lago um bar. Tempos houve em que não existia, e o silêncio daquele jardim era ouro para uns quantos grupos de rapazes e raparigas que faziam daquele jardim o seu refúgio das realidades familiares ou simplesmente o seu refúgio para uma boa noite de conversa. Também recordo os tempos em que o bar se transformou no aglutinar de novas gentes e de lindas trocas de olhos, de cumplicidades ingénuas e de enamoramento.
Agora ali estava eu. Sozinho, e as vozes que ouvia não eram desconhecidas. Eram vozes daqueles tempos. Foda-se. Foi tão bom ter vivido ali, ter os amigos que tive. Os jovens nunca se apercebem da importância dos lugares, antes de deixarem de ser jovens.
Perdido na imensidão das memórias, nem dei pela presença de uma figura feminina que se tinha aproximado. Só quando perguntou se podia sentar-se, olhei para ela. Não muito alta, de cabelos pretos e compridos, nariz não muito grande mas arrebitado, um ainda belo par de tetas. Vestia umas jeans e uma camisa branca, um casaco de cabedal, ou a imitar, protegia-a do frio.
Respondi que sim, que o lugar era de todos, como sempre tinha sido. Nunca se negou a ninguém o direito a se sentar ali. Perguntou-me se tinha lume. Procurei nos bolsos e encontrei um velho isqueiro. Não pude deixar de sorrir, era o meu velho isqueiro alimentado a petróleo. Uma raridade e preciosidade. Acendi-lhe o cigarro que ela tinha colocado nos lábios. Uns lábios cheios, carnudos que me faziam recordar alguém. Mas a noite era das minhas memórias. Não me apetecia falar, por isso permaneci em silêncio. Um silêncio que ela interrompeu quando me perguntou onde vivia. Olhei para ela devagar e sem pensar muito respondi que ali, aquele lugar era a minha casa. Ficou espantada, há anos que frequentava o sítio, quando vinha passear o seu cão, e não se recordava de me ver. Eu quis então saber se o há anos representava muitos ou poucos. Trinta e cinco, respondeu, com um sorriso. Mentalmente voltei aos meus doze ou treze anos e fui percorrendo o caminho das memórias nos anos que se seguiram. Nada. Não me recordava dela, ou pelo menos de nenhuma miúda com uma face semelhante. Só os lábios me faziam aproximar de alguém, disse-lhe que desde há muitos anos, embora ausente daquele lugar, lá tinha deixado a minha alma. Sorriu-me com um brilho nos lábios e no olhar. Olhou para o chão e quando voltou a levantar os olhos eu sabia o que ela ia dizer. Manel! Disse, já nem dos amigos te recordas? Fiquei sem palavras, quem seria esta mulher que me conhecia tão bem e que eu aparentemente desconhecia? Voltou a sorrir face ao meu espanto. Apanhou o cabelo com as mãos tornando-o um pouco menos volumoso, comecei a recordar a face de uma menina, a irmã mais nova de uma das minhas melhores amigas. Olhei novamente pra ela, agora sim recordava aquela miúda franzina que costumava aparecer agarrada á irmã.
Afinal a minha casa ainda tinha gente conhecida. E pelo aspecto dela valia a pena passar a noite ali, a conversar sobre o tempo em que o tempo não existia.


Manuel F. C. Almeida


terça-feira, março 24, 2009



















É meu dever
Ser homem
Cumprir o meu pacto
Com a vida
E limpar do meu existir
O odor do ópio
E da ilusão.

Manuel F. C. Almeida

domingo, março 22, 2009





foto:João Neves dos Santos





Desenhei-me sem mim
Numa tela ausente
Num tempo sem fim
Num tempo demente

Desenhei-me criança
E ao sol a sorrir
Meus olhos de esperança
Sonhavam partir

E os barcos do tempo
De velas abertas
Levavam no vento
Ideias desertas

E o desenho cresceu
Numa tela sem gente
E sem gente morreu
O meu sonho demente.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, março 20, 2009


Crónicas da Liberdade

na avenida da liberdade






É na noite que me sinto livre. Percorrendo as ruas e a avenida perco o olhar nas cores garridas do néon. Em cada anónimo que se cruza comigo adivinho um drama ou um segredo terrível. Também há os que têm histórias felizes. Mas na noite os olhares são todos iguais, por isso parto do princípio que todos comungam os mesmos segredos, os mesmos desejos, as mesmas tragédias.

Uma gaja pede-me lume. Olho para ela. Os lábios pintados, lábios de puta. Para mim, à noite, todas as gajas que comigo se cruzam são putas. Puxo de um velho e engordurado isqueiro e tento aceder aos seus desejos. Uma, duas três vezes dou ao dedo e nada. O cabrão do isqueiro não dá nada. Ela pede o isqueiro. Quer tentar ela. Tudo bem. Dá ao dedo e a chama surge, Acende o cigarro e puxa uma longa e demorada passa. Devolve-me o isqueiro e agradece. Eu tou fodido com o isqueiro. Mas olho para ela sem animosidade. Sorrimos os dois. Entendo de imediato que ambos estamos sós e dispostos a conversar um pouco. Sentamo-nos num velho banco da avenida. A conversa flui em torno do que fazemos. Não dizemos o nome. Isso não é importante. Pergunta que faço ao que respondo, nada. É verdade, não faço nada.
Sou aquilo que toda a gente apelida de parasita. Vivo de noite, e durmo de dia. Não suporto os magotes de gente com cara de sofrimento que a madrugada faz levantar do leito. Eles convencidos de que têm algo para dizer e fazer no mundo. Elas convencidas que o trabalho lhes trouxe mais direitos e as guindou a posições de notoriedade social. Uma merda de vida. Um cinzentismo impressionante. Olhar para esta gente dá-me vómitos. E os jovens? Os jovens numa correria louca através dos corredores de uma qualquer universidade na ânsia de terminar um cursinho qualquer, de forma a ganharem um lugar neste inferno em que transformaram a existência.
Estou implacável, a gaja nem abre a boca, vai fumando o seu cigarro e acenando com a fronha, como se aquilo para ela fosse algo também pensado.
Um velho passa a passear um cão seboso e tão velho quanto ele. Arrastam-se ambos numa caminhada penosa. A gaja sorri para o velho. O infeliz devolve a gentileza e o cão olha-me numa súplica pela morte. Não sei ao certo quem faz um favor a quem. Tenho a sensação de que o cão só vive para dar ao velho o prazer de sair de casa á noite e escapar á mais que previsível velha chata com quem vive. Um carro de polícia passa, devagar. Lá dentro dois polícias olham para nós demoradamente. Eu sou conhecido e com o dedo mando-os pró caralho. Sorriem. Aparentemente a gaja não os incomoda. Ignoram até a sua presença a avançam no seu gastar nocturno de dinheiro aos contribuintes. Filhos da puta, remato eu. Não fazem nada e ainda chulam as gajas que atacam por estas bandas. A tipa volta a pedir-me o isqueiro. Não disse mais nada até agora. Começo a suspeitar que é mais um larilas vestido de gaja, como tantos que deambulam por estas bandas. Outro cigarro. Logo á primeira o isqueiro funciona. De soslaio olho-a melhor. Nariz pequeno, mãos cuidadas, boas tetas. Já pouco tenho para dizer. O silêncio dela começa a irritar-me. Não sou curioso mas foda-se, se estive a falar, o mínimo que a tipa pode fazer é dizer alguma coisa. Começo a ficar nervoso e sem mais nada para dizer. Resolvo calar-me e apreciar o movimento de putas, paneleirios chulos, clientes e policias que, num frenesim, se movem pela avenida. E a puta que não fala. Anos atrás já lhe tinha metido o caralho na boca. Ainda ssim ao menos tava calada por ter a boca cheia. Mas esta merda agora tá mudada. Um gajo já nem pode bater nas putas ou obriga-las ao broche. Por um lado a polícia aparece logo e os chulos davam-me cabo do canastro, por outro lado o perigo da gaja me morder o marzápio era mais que presente. Levantei-me disse-lhe adeus. Então a tipa resolveu dizer-me obrigado. Que tinha sido uma noite agradável. Que há muito não tinha noite tão interessante. Se eu quisesse poderia ir no carro dela até sua casa continuar a conversa. Parei um pouco a pensar na proposta. Com um sorriso declinei o convite. A mim não há puta que me leve para casa. Ainda me recordava do que tinha acontecido ao João. Acedeu ao pedido de uma gaja para ir a casa dela e acabou na igreja, no banco a pedir dinheiro, num emprego e agora costuma passar aqui com uma trela no pescoço.

quarta-feira, março 18, 2009


















Tenho uma paisagem inundada de gente
Num quadro calmo e demente
UM velho homem sentado, dormita.
Algures um cão uiva e um comboio apita.
No carreiro um velho burro passeia,
Um padre de pança cheia.
Nas margens do lago, ao longe
A pescar avisto um monge.
Há duas mulheres a dançar,
Há tanta luxúria no ar.
Olho de novo a paisagem,
Afinal era miragem.

E Jesus Cristo no peito
Sempre que me dá jeito

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, março 16, 2009





foto:Catarina Cesteiro







Chegaste com a brisa do sul
No mistério do tempo e
Diluíste-te na linha invisível
Do horizonte,
E eu contemplo a tua face
Nua.
O teu odor e o teu cabelo
Teimam em se revelar
Na tela do teu corpo
Que se debruça sobre
A minha adolescência
Tardia.

Manuel F. C. Almeida

sábado, março 14, 2009




foto:X.Maya












Todo o destino se faz
No agir
Nem deuses, nem anjos
Para culpar
A minha vontade cumpre
O meu cantar
E os meus poemas
Espelham o meu sentir.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, março 12, 2009







foto:http://www.paulocesar.eu%20-%20paulo%20cesar/







O sabor da tua boca, esse teu riso
Que trocas comigo, rente ao luar
A cor desses teus lábios, um sorriso
Que se transforma no momento do gozar
O canto dos teus olhos, que preciso
Para sentir na minha noite o teu calor
O deleite do teu corpo onde me fixo
No momento de te dar o meu amor

E vencidas que são as madrugadas
Na ternura cristalina do sonhar
Crescem em nós mil alvoradas
E nelas mil poemas vão voar.

Manuel F.C. Almeida

terça-feira, março 10, 2009





foto:Daniel Oliveira







E se os lábios percorrem
As avenidas do teu corpo
Só param no florir
Da maré.


Manuel F. C. Almeida


domingo, março 08, 2009





foto:DDiArte










Em silêncio
Liberta-se o olhar
Do desejo,
Ergue-se um altar
Aos corpos
E aguarda-se
Pelo renovar
Da primavera.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, março 06, 2009








foto: Paulo Silva









Tomar-te a
Boca
Na língua
E a vida
Nos lábios
Em flor.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, março 04, 2009






foto: Marta Ferreira - www.mfotografia.com




A pele contra pele
Suaviza
A vontade

E o ventre em
Fogo
Celebra a saudade…
De nós.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, março 02, 2009




foto http://www.paulocesar.eu%20-%20paulo%20cesar/






Caí em mim.
Na sedução da penumbra
A silhueta move-se
Numa dança natural.
E o meu corpo,
Numa lascívia antecipação,
Espera o encontro
Com o universo do desejo.




Manuel F. C. Almeida

sábado, fevereiro 28, 2009








foto Valter Okumoto





Soltas no vento, as folhas dançam
Ao sabor dos dias de invernia
E em teus olhos as aves cantam
Canções passadas, melancolia

Não trazes flores presas no olhar
E nas mãos dissolves o ocaso
Teus lábios recordam a cantar
Aquele amor vivido por acaso

Pudesse eu esquecer o teu sabor
Seria livre, e não um escravo
Das memórias vivas, teu amor
Dos mil odores, rubro cravo



Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, fevereiro 26, 2009







foto:SAGHER

Os olhos. Sim
Os olhos de quem
Me escreveu
São olhos
Que me contam
Os segredos de um Outono
De folhas caídas,
De gotas que
Vivem nas teias
Da madrugada
E se escondem na
Dança obscena
Do ventre.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, fevereiro 24, 2009












foto:nuri






Perco a face
Nos limites da memória
E se as mãos
Se encontram
No respirar do ventre
Só o teu olhar
Me liberta
Do esquecimento.
Manuel F. C. Almeida

domingo, fevereiro 22, 2009






foto: SEVEN







E nos teus seios
A marca
Dos beijos
Celebra
O nosso prazer.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, fevereiro 20, 2009





OS DEDOS




foto:angelica







Ao meu olhar,
Os teus dedos
São flechas
Hábeis
Nos jogos
Imperceptíveis
Do prazer.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, fevereiro 18, 2009





Memórias







foto by:Leigi Lopes





O Outono desce do seu indeciso temperamento.
As folhas, feridas de morte, esqueceram
O sol, e o cantar irritante das aves.
Agora tudo parece ser um imenso teatro
De castanhos e amarelos em desuso.
Foram-se as belas borboletas e as andorinhas,
Foram-se as areias da praia e os corpos ao sol.
É o tempo em que as crisálidas se preparam para
A sua longa reclusão. É tempo de esperar pelo tempo.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, fevereiro 16, 2009


A maria_arvore lançou-me, traiçoeiramente, um desafio, digo nove coisas sobre mim e três - como não podia deixar de ser - são mentira.
Adivinhem quais:
1) Nunca não tentei tangear gajas para sexo anall.
2) Quando olho para uma gaja, tiro-lhe sempre a medida aos lábios.
3) Gosto de apalpar mamas não descaídas. O tamanho não importa.
4) Costumava apalpar as amigas das gajas com quem andava, nos restaurantes, cafés, enfim onde calhasse.
5) Nunca contabilizei as parceiras com quem fiz sexo
6) Já dormi em quartos com gajas sem lhes dar o prazer de ter sexo comigo e não eram familiares.
7) A minha posição preferida é … uma qualquer.
8) Nunca me fizeram sexo oral numa biblioteca
9) Não gosto de foder gajas carecas (de crica rapada)

Agora os nomeados:
Bloguite
Avesso do Avesso do Avesso...
Moura ao Luar
Amêndoa Amarga
Maluca Responsável
xanax
VAN FILOSOFIA!Van Filosofia
não compreendo as mulheres
http://cabradeservico.blogspot.com/

agora vamos ver













PORNO SATIRICA

FOTO:Daniel Oliveira


Mariana, brincalhona
Danada prá brincadeira
Adorava dar à cona
E rapar a pintelheira

No broche era rainha
E de nalguinhas pró ar
Dava o cú e a coninha
A quem a quisesse papar

As mamas, dois marmelos
Do melhor que há pra colher
Dava vontade come-los
E no meio deles foder

A cara ainda menina
Era um quadro pra beijar
Mas a falsa pequenina
Muito adorava mamar

Tinha nascido com ela
A arte de dar ao corpinho
Era da natureza dela
Não dar descanso ao coninho.

Manuel F. C. Almeida

sábado, fevereiro 14, 2009





foto: PauloVieira galeria de Nu












Beijei o tempo,
A memória,
O ser.
Cantei o amor,
A imagem,
O querer.
E foi assim
Que o luar de abriu
E o teu corpo
Sorriu.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, fevereiro 12, 2009






PENUMBRA


foto:Ed Ferreira



Na pele a
Língua encontra
A seda. Como
Uma nuvem branca
Entre os lábios,
Desenha a
Penumbra
Doce
Do teu cálice.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, fevereiro 10, 2009












foto: Ricardo Jorge Miguel Soares





Desejo ser
Um arco-íris
Num céu cinzento,
Sobre a esperança
Que ontem deixei
Presa na vida.
Sorriso envergonhado
A olhar o passado
Que um dia vivi.

Manuel F. C. Almeida

domingo, fevereiro 08, 2009











foto:jose ferreira

A noite
Esconde a nu
A raiz do medo.
Só na madrugada
Te descreves
Viva.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, fevereiro 06, 2009






foto:Sara Sa







Há sempre um dia
Em que os espelhos
Se quebram.
Só então se descobre
Que o amor
Significa verdade
Que as imagens baças
Também podem ser
Transparentes.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, fevereiro 04, 2009


















Na chama que anima
Todo o meu ver,
Vive o passado
Do meu viver.
Teu corpo entesado,
Meu malmequer.
Doce pecado
Para me perder.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, fevereiro 02, 2009













Por todo o mundo são milhares os que nos dias de hoje perdem os seus empregos, os seu haveres e por vezes até a vontade de “ser”. A crise dos mercados financeiros e dos especuladores arrasta consigo milhões de pessoas anónimas e que a única culpa que têm é acreditar nos que lhes sugam o sangue, a alma e a vida. África é um continente nas mãos dos interesses das multinacionais do hemisfério norte. Os seus governantes, corruptos como os antigos colonizadores, têm mantido os seus povos na maior das misérias humanas, culturais e materiais. Na Ásia os povos são escravizados pelos detentores do poder através da repressão e de uma cultura milenar que faz deles escravos do estado e do patronato. A América latina, dominada em parte por fantoches do ocidente e por populistas sedentos de poder, vê manterem-se as condições de desigualdade que caracterizam a sua existência desde há séculos. Na Europa de leste um sistema capitalista de estado deu lugar a um sistema de corrupção e capitalismo selvagem como não há memória. A mão-de-obra, alguma altamente qualificada, é desvalorizada, os nacionalismos voltaram a florescer e os povos são cada dia que passa mais infelizes. Na Europa e na América do Norte o processo de empobrecimento generalizado cria cada vez mais um enorme exército de gente sem vida, sem esperança e sem futuro, nesta sociedade. Um exército sem comandante e sem rumo. Um exército de desesperados, que mais tarde ou mais cedo vai explodir.
Os governos, braços políticos do poder económico, consertaram entre si o mais odioso processo de escravização humana. A globalização.
Apontada como a arma para combater as desigualdades do mundo em matéria de produção de riqueza e de desenvolvimento e implementada de forma quase imediato, serviu apenas para que as empresas do ocidente se deslocalizassem para os locais do planeta onde a mão-de-obra era mais barata e as obrigações sociais não existissem, desta forma o sonho capitalista de dominar o planeta á escala mundial e de fazer circular pelo mundo grandes massas financeiras como, quando e para onde lhes apetecesse foi finalmente atingido.
Simultaneamente o processo de destruição do ensino teve lugar. Aos jovens não se lhes pede para pensar. Antes são confrontados com a necessidade de se sentirem parte de algo, uma formiga no carreiro, como diria José Afonso, o direito ao prazer e ao lazer foi pervertido. Disciplinas como filosofia, história ou literatura foram estruturadas no sentido de criar gente amorfa e sem desejo ou capacidade de pensar. O mundo dos conteúdos facilmente obtidos, caiu de para quedas com a internet. Os governos promovem retrocessos civilizacionais em nome de um progresso que não acontece e que nunca foi explicado.
O sistema cria a mistificação da democracia, uma mistificação que assenta em pressupostos altamente falaciosos e profundamente desonestos. A eleição de fantoches como Lula da silva, é o exemplo acabado desta mistificação. Chegado ao poder, o ex sindicalista torna-se num aríete contra os que o elegeram. O poder económico cobra-lhe o facto de o ter apoiado. A esperança colocada em Obama, não irá ser mais que isso. Esperança.
Por todo o mundo o silêncio dos que deveriam e podem denunciar este estado de coisas é ensurdecedor. Magoa. Dói.
Tudo está em sintonia. Milhões serão sacrificados nas fogueiras desta crise. Mas serão sempre os filhos de outros milhões que o já foram no passado.
A urgência de uma alternativa a este sistema é uma necessidade histórica. Criar algo de novo exige rupturas. Um mundo diferente, onde o “ser” volte a ter direito e lugar a existir. Desiludam-se os reformistas, os pacifistas os colaboracionistas. Não vai ser uma “revolução vermelha” ou “azul”. Terá de ser uma coisa sem nome. Ou antes e só apenas um salto da civilização. Isto nunca aconteceu de forma pacífica, ou gradual. Quando surge, é como uma lava, que tudo destrói no seu caminho. Sem que fique algo do passado. A necessidade de destruir os alicerces desta civilização é cada vez mais premente. E o tal exército espreita uma oportunidade. Em cada dia que passa as suas fileiras são engrossadas. As castas mais ricas da sociedade vivem em condomínios dourados, fechados nas suas fortalezas, acham que nada nem ninguém lhes poderá tocar. Blindados em leis que eles mesmos promovem, julgam-se a salvo das marés. Mas nada está a salvo do desespero.
Um dia, não sei quando, mas um dia, a quadra de António Aleixo será uma realidade:

Vós que lá do vosso Império
prometeis um mundo novo,
calai-vos, que pode o povo
qu'rer um Mundo novo a sério.
quadra de António Aleixo.
texto de Manuel F. C. Almeida