
Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ
quinta-feira, janeiro 08, 2009
terça-feira, janeiro 06, 2009



Os corpos.
Cego no seu caminho
É ele o vencedor único
E ultimo.
Vergados, os homens são
Predadores dos homens.
E nem se dão conta ,
Que morrem para
Glorificar um deus,
Que se esquece deles
E para servirem de repasto
Aos abutres
Escondidos, em qualquer
Grande cidade, num escritório
Com ar condicionado
E rodeado de bem nutridas
Secretarias.
O aço corta o ar e corta
Os corpos.
Disparado por pistolas
Douradas.
Manuel F.C. Almeida
domingo, janeiro 04, 2009

foto by:Rui j Santos
E há um silêncio que desagua
Na ausência de um beijo
Ou da palavra.
Na margem, parado, espero
Que a geografia da verdade
Desenhe enfim
Os contornos reais das margens
Em que me encontro.
Manuel F.C. Almeida
sexta-feira, janeiro 02, 2009

Da sua pistola sacar
O herói do nosso conto
Já não anda a disparar.
Teve anos que à sua porta
Muita gente veio tocar
Diziam ter vida morta
Pediam para as ajudar.
E o incansável pistoleiro
Com sua arma a brilhar
Percorria o mundo inteiro
Prás fazer ressuscitar.
Agora conta quem sabe
Que se limita a esperar
Na porta que nunca se abre
Pôs a arma a hibernar.
Mas ele a mim não engana
Deve só estar a esperar
E quando lhe der na gana...
quarta-feira, dezembro 31, 2008

foto:Gisleine Martin
Na janela do meu quarto,
Para além dos limites,
Observo os dias passados
Na inocência da eternidade
E na estranheza do silencio.
No ocaso do olhar
Traço um desenho de vida
Peço à vida o acordar.
Manuel F. C. Almeida
segunda-feira, dezembro 29, 2008

foto:DDiArte
Lá fora a neve pintava de branco os campos outrora verdes e amarelos. Aninhado na minha concha olhava o brincar do vento e admirava a diversidade presente em cada floco. Esta doce loucura a que me tinha abandonado propiciava-me momentos de serenidade indescritíveis. Era possível ouvir e sentir os elementos e a vida. A porta fez-se ouvir. Com curiosidade fui ver quem era. Era algo ou alguém. Vinha reclamar o que era seu por direito e por acaso. Dei-lhe a mão e deixei de passar tempo à espera. Olhei para o lugar que tinha-mos deixado. Caído um corpo, marcava o que eu tinha sido. E nos braços de um anjo voei, finalmente liberto de mim.
Manuel F. C. Almeida
sábado, dezembro 27, 2008

foto:Bruno Abreu
Em que a vida sorria
Ao sol de cada dia .
A terra era uma cornucópia.
Agora cavo
Funda a minha sepultura
E a minha enxada,
Revolve cada dia mais terra
Inerte.
Na busca de um tesouro
Que perdi.
Ao ver-te partir
No olhar da guerra.
Manuel F.C. Almeida
quinta-feira, dezembro 25, 2008
terça-feira, dezembro 23, 2008
domingo, dezembro 21, 2008

foto: Marta Bucher
Amar a sinfonia dos lábios
Como se os instrumentos
Habitassem o espaço
Entre sabores.
Manuel F. C. Almeida
sábado, dezembro 20, 2008

A terra
foto by:Altair Castro
Sulca a terra quem a ama
Quem por ela é amado
Abre-a com um arado
Como num ventre
Se recolhe em chama
Manuel F.C. Almeida
quarta-feira, dezembro 17, 2008

foto: Amanda Com
Há uma tragédia viva nos meus passos
Uma ausência, um vazio a recordar
O cheiro e a ternura dos teus braços
O sabor dos beijos, a musica desse olhar.
Agora ao recordar, meus olhos, baços
De memórias, fazem-no como a cantar
Hinos aos dias, às horas, aos espaços
Que em teu corpo descobria ao beijar.
Manuel F. C. Almeida
segunda-feira, dezembro 15, 2008

foto by:http://www.paulocesar.eu%20-%20paulo%20cesar/
Estancou o passo e deu uma última passa na beata. Ao longe, uma mulher passeava um cãozinho, vestido ridiculamente com um casaco de lã. Aproximou-se e o bicho desatou num latido aflitivo. Até os bichos o odiavam. Quando se está na mó de baixo todos nos odeiam e afastam, como se estivéssemos leprosos. Afastou-se do maldito bicho não sem antes deitar um olhar lascivo para a mulher. Há muito tempo que não punha as unhas numa. Entrou na loja de bebidas escolheu um pacote de vinho, pagou, pediu um cigarro à empregada, uma velha conhecida dos tempos em que as mulheres o conheciam e apreciavam a sua presença, com um sorriso e um olhar de piedade ela estendeu-lhe o cigarro e antes que ela começasse a dar-lhe conselhos, agradeceu e saiu. Sentou-se junto á marginal, á sua frente o areal e o mar. Abriu o pacote de vinho e bebeu um trago. Acendeu o cigarro e deixou-se invadir pelas memórias, afinal que mais lhe restava?
Recordava a vida; o que tinha sido a sua vida. Bons carros, boas mulheres. Um filho. Evitava recordar o filho. Há anos que o não via.
Manuel F. C. Almeida
(continua... um dia)
sábado, dezembro 13, 2008

Da morte,
Cegou-me o futuro, escureceu-me
O canto,
As estrelas, dos olhos libertas,
Na noite
Carregaram-me os sonhos de faces
Iguais.
O tempo dos gritos vividos
Na sombra
Espelharam-me os dias, a face
E a alma
Mas o retomar furioso das
Marés,
Inundou me o peito de flores
E de Primavera.
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, dezembro 11, 2008

foto Mircea Marinescu
De madrugada o sol raiou
Com ele chegaram os cheiros
Do rosmaninho e alecrim
Que me traziam o odor do teu
Corpo em flor
E no espaço ocupado pela memória
Revivi o oceano do teu corpo…
Perdido
Nas margens do entardecer do
Hábito.
Manuel F. C. Almeida
terça-feira, dezembro 09, 2008
domingo, dezembro 07, 2008

foto: SAGHER
Sangram-me os dedos do ócio,
No encanto da harpa
A rosa cobre-se de aromas
Sintéticos e chuvosos.
O corpo teima e dobrar-se
Num calmo e intranquilo
Oceano, ao som dos violinos
Encantados e das cinzas magmáticas
Expelidas como polpa do
Ventre.
O nome?
Não tem! Aliás, dizem ser:
-Segredos roubados no vento.
Fogosamente, tomei-lhe o corpo
E a salvação surgiu num
Raio de sol.
Resta apenas o nada na sua
Prenhe existência.
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, dezembro 05, 2008

Perdidamente
foto by:José Manuel Gouveia
Subitamente ergueu-se. Estava cansado, cansado demais. Olhou as paredes da casa na procura de um ponto onde fixar o olhar. Paredes vazias não lhe permitiam isso. Ouviu o cão a ladrar e o vizinho de cima a escarrar. As manhãs eram sempre assim. Desde há anos que acordava na procura de um quadro que uma noite fugira. Animava-o a secreta esperança que um dia voltasse. A cabeça doia-lhe, era o vinho ele sabia. Vestiu a custa a roupa que não mudava havia dias. Um cheiro a suor, nauseabundo, libertou-se dele.
Pegou a custo na garrafa de vinho e de um trago bebeu o que restava. Olhou-a... vazia. Lavou a cara e ajeitou o cabelo. Decidiu sair de casa. Abriu a porta da rua. À sua frente um carreiro sujo e enlameado convidava a ficar parado. Acendeu uma velha beata que guardara no bolso das calças e lá tomou o seu caminho. Tinha sempre um efeito devastador nos bichos. Gatos ou cães evitavam-no como se fosse o tipo que lhes ministrava injecções mortais e que vivia ao fundo da rua. Um proscrito era como lhe chamavam. Não se incomodava. À muito que assim vivia..
(continua um dia)
Desde aquele dia em que o seu quadro tinha fugido e que se sentia um estranho para o mundo.
Manuel F.C. Almeida
quarta-feira, dezembro 03, 2008

Imitando o rouxinol
Com ela faço o meu manto,
De manhã ao por do sol.
Na minha cara vincada
Pela rudeza do vento
Vive a vida amordaçada
Pela paragem do tempo
Percorro vales e montes.
Ás estevas, pinto a flor
E entre ribeiras e fontes
Acalmo este calor
E nos segredos escondidos
Entre as montanhas e o mar
Há sempre cantos perdidos
Para um dia eu cantar
Nestas planícies sem fim
Nas terras em que me vejo
Tudo é riqueza para mim
Tudo isto é Alentejo.
Manuel F.C. Almeida
segunda-feira, dezembro 01, 2008
sábado, novembro 29, 2008

Foto: LBorges Alves
Quando o sol morre, no final das tardes,
Com ele morre também um dia mais.
A lua, no seu raiar de prata, ressuscita
O sonho e o mistério das noites.
E nesse momento encontro então
A magia de ser e de não ser
O balanço entre a vida e a morte.
O contraste do sagrado e do profano.
O tempo sem fulgor, pára e abraça
Enfim o aroma das sombras.
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, novembro 27, 2008
quarta-feira, novembro 26, 2008

Barco mudo…
Ansiedade.
Beijo despojado,
Corpo inundo …
Vontade.
Manuel F. C. Almeida
segunda-feira, novembro 24, 2008

Universo
foto by: SAGHER
Alta luz tingida,
Quimera perdida.
No espaço…
Regaço,
Segredo da vida.
E aqui se encontra
A razão
Que dá ao universo
A pretensa coesão
Da matéria que finda
E se renova sem nexo.
Tudo o que é simples
Parece complexo.
Manuel F. C. Almeida
sábado, novembro 22, 2008

Verso
foto by:Cristina Afonso
E se um verso escrito,
Uma simples palavra
Descrevesse os olhos aos olhos?
Os sonhos que um homem tem…
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, novembro 20, 2008

Fado:
Foto by:José I. Costa
Musica de alma feita prece,
Canto de um povo adiado…
Meu coração, já trespassado
Pelo pranto. Desfalece.
Canto de becos e vielas
De putas mil e de tabernas
Canto de luar e de lanternas
Que viram partir caravelas
Canto que nos olhos se descobre
Porque aos olhos tudo é dado
Por isso este canto se chama fado
E toda a alma lusa, ele cobre.
Fado! Canção que vive no peito
De um certo sentir Portugal.
Um sentir livre, sentir plural
Que tem a língua como leito.
Manuel F.C. Almeida
terça-feira, novembro 18, 2008

Sabio
foto de:
Marta Ferreira - www.mfotografia.com
Há um tempo de ser, um tempo de acontecer
Há um tempo parar, um tempo de olhar
Sentir no ar o estilhaço, do tempo e do espaço
Saber ouvir o silêncio e entender o que esperam de nós.
Manuel F. C. Almeida
segunda-feira, novembro 17, 2008
domingo, novembro 16, 2008

Mãos
foto by:alicina
Salvem – me os deuses da sua incerta
Eternidade,
Eu só quero as mãos vivas para
Encantar o teu corpo.
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, novembro 14, 2008

Resgate
Foto by:honey
Agarrar a alvorada no olhar
É resgatar a vida
À escuridão da noite
E do medo.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, novembro 12, 2008

foto by:beowulf
E tantos os rios
De sangue
Tantas lágrimas
Encantadas
Deixam letras
Incrustadas
Em caixa de pinho
Exangue.
Manuel F. C. Almeida
segunda-feira, novembro 10, 2008

A vida depois da vida
É viver na ilusão
Que a verdade desta vida
É a felicidade que pode
Ser noutro lado vivida.
E negar o nosso direito
De ser feliz nesta vida.
Manuel F. C. A
sábado, novembro 08, 2008

quadro
foto by:MARIAH
Abstraído do mundo,
Á espera.
A porta aberta, escancarada
Os teus passos já na escada…
Tremeram .
Era grande a minha porta
Grande demais para ti.
A casa quedou-se vazia
De tudo…
Até de mim.
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, novembro 06, 2008

Sem esperança e sem figuras
Preenchi todo o seu espaço
Com as cores de mil loucuras
Ganhou asas e partiu
Na brisa do vento suão
Assim, num golpe de vento
Recuperei a razão.
quarta-feira, novembro 05, 2008
segunda-feira, novembro 03, 2008
Que cumpres a preceito as escrituras
Mantêm essa coninha bem lavada
Para um dia a ofereceres a pichas duras
Não temas pois na foda qualquer dor
Que o que vais sentir é só prazer
A menos que no cu te dê calor
E com o cu queiras foder
Se assim for não te arrependas
Que pra gozar o corpo é feito
poe cuecas de mil rendas
E as nalgas sempre a jeito.
E quando perderes a tesão,
Coisa que vai com a idade
papa óstias com devoção
E toca a cona com saudade.
domingo, novembro 02, 2008

1º poema da 1ª trilogia
pornoerótica
Por mim subiste com o olhar
De mulher e fêmea entesada
Não vale a pena pois corar
Por ter a crica... molhada
E quando o pudor te assaltar,
Quando a vergonha vier…
É bom que saibas pensar;
Que o corpo deve ser para gozar
Até a juventude se perder
Porque quando a velhice chegar
Já ninguém te quer foder.
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, outubro 31, 2008

quinta-feira, outubro 30, 2008
terça-feira, outubro 28, 2008

foto by:
Lá fora o ar
Tem nuvens de desencanto.
O riso é agora proibido.
Os homens e mulheres
Não se conhecem
Vivem na penumbra
Da alma hipotecada
No tempo em que
Os rostos eram um arco-íris
De esperança e tudo parecia
Ser fácil.
E antes do vento ser
Tempo
E do olhar descer
À terra
Senti o assombro
Da guerra
Face fria de um
Momento
Manuel F.C. Almeida
domingo, outubro 26, 2008

Tende para o
Corpo.
Soltam-se os
Seios
E os receios
Do Outono
Pintado a cinzento,
Permanece
Na pele
Como os loendros
Na terra
E os sonhos
Nos ventos.
Todo o corpo
Mais não é
Que “um” corpo
Incrustado
Nos dias
Que se amontoam
Como folha de arvore,
Num partir
E voltar,
Tal como
O desejo
Do ventre…
Moralmente
Reprimido.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, outubro 22, 2008

Fogo
Foto by:Ricardo Costa
Nos lábios
A flor aberta…
Nas mãos
O mar revolto…
Nos olhos
Ilha deserta…
No ventre
Todo o teu fogo.
Manuel F.C. Almeida
segunda-feira, outubro 20, 2008

EMPTY DREAM
A noite dos sentidos, chegou á beira dos olhos. Na cabeça o som de tom waiths, no seu piano demoníaco, martelava o tempo. Ao olhar, a imagem daquela lap dancer, transmutava a passividade em luxúria. O som arfante das coxas em movimento assemelhava-se ao ritmo espiritual dos tambores africanos.- Tamtam, tamtam. Tamtam, tarataratamtam.
A imagem dela projectava-se, no ar e na luz vibrante dos corpos em êxtase. A percussão dos sentidos deu lugar á percussão dos corpos. E o ritmo alucinante dos amantes anónimos libertou-se num grito profundo de prazer.
Na casa onde não vive ninguém.
Manuel F. C. Almeida











