terça-feira, setembro 30, 2008






Quadra


foto by:Hugo Macedo

Tens a esperança no olhar,
Nos lábios a cor da romã.
E o teu corpo ao acordar
Tem o sabor da maçã.


Manuel F. C. Almeida

domingo, setembro 28, 2008






selvagem







Funde-se com o olhar a imagem
Que guardamos dentro de nós.
Memórias vivas, miragem,
Segredos que não têm voz.

Só na noite e no silencio,
Que vive quando encontramos,
O momento de estar sós…,

Se liberta, enfim, no vento
O corcel que vive em nós,
Que cavalga o frio e o tempo
Em que calámos a voz.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, setembro 26, 2008





SER



Foto by:bruno silva


Envergonhadas, as tardes de Setembro,
Recordam-me o rebentar das ondas,
O momento único e explosivo
Do fim.

Em cada molécula de água mantém-se
O meu desespero,
Em cada átomo vivo
Eu nada sou e tudo espero.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, setembro 24, 2008





"O CAMINHO"











Caminho devagar por este trilho
Desenhado em plena época das flores
Quando me sentava a teu lado,
E as tuas mãos de pai
Me afagavam os cabelos
Soltos de menino,
E me apontavam
Os caminhos que marcaste.
Naquele lugar erguemos uma fortaleza
De muralhas silenciosas.
Agora é nesse lugar que me
Costumo sentar com o meu filho
Numa linguagem de gestos e olhares
Cumplices,
Com que abraçamos o mundo e a vida.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, setembro 22, 2008



Mergulho





Teimei em olhar as águas paradas do lago. A cidade projectava-se em mil espelhos de luz e no silêncio da noite, ouvia de forma clara o ondular das ondas contra as margens.
O luar marcava o tempo. O coração batia compassadamente e o meu olhar fixou as marcas de água. Deixei o corpo ficar nas margens e embarquei, sem rumo, até ao fundo de ti.

Manuel F. C. Almeida

sábado, setembro 20, 2008





Segredo














Fixo o olhar no firmamento
As plêiades teimam em não se mover
E o meu desejo neste momento
É voar sem me mexer

Pequeno contra o universo imenso
Imagino mundos que nunca verei
Nas asas transporto os cheiros de incenso
Tirados ao sonho que nunca sonhei

E de estrela em estrela, no meu universo
Eu planto uma flor, canto uma canção
E na liberdade viva em cada verso
Descrevo o meu querer, o meu coração.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, setembro 18, 2008







INTERLUDIO



Foto b: Joana






Um Inverno…
Um piano…
O canto das ondas
No olhar de um homem.
E dos dedos gelados,
Libertam-se as notas de abismos
E algas ancoradas nos sonhos.
E nos ventos sibilantes
O grito surdo de uma partitura
Em espera…
Desespera.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, setembro 16, 2008






AUSÊNCIA



Foto by:Dorival Zucatto







Do suave pousar dos teus olhos
Ficou em mim a marca da tua
Ausência, uma primavera sem cor,
Uma paz sem harmonia,

Uma valsa
Em contratempo, um momento,
De agonia.

No suave pousar dos teus olhos...

Minha noite faz-se dia


Manuel F. C. Almeida

domingo, setembro 14, 2008







Quadra



foto by:Eliana Braga




Eu colhi um malmequer
Folha a folha o desnudei
Pra saber se quem me quer
Foi quem um dia beijei.


Manuel F. C. Almeida


sexta-feira, setembro 12, 2008






AREIAS



foto by:Dorival Zucatto






Acaso julgas que eu ignoro a verdade sobre o deserto? Tão leve como o canto das areias e o delírio presente nos ventos, só a aurora do teu corpo, coberto de mistérios, me traz o real da vida.


Manuel F. C. Almeida



quarta-feira, setembro 10, 2008






SIMPLICIDADE



foto by:Luis Mendonça







O que de belo tem o mundo
No seu rodopiar temporal
É a simplicidade que tem
Tudo o que é natural

Estrelas, galáxias planetas
Plantas, pedras, animais.
Somos apenas matéria
E em tudo à matéria iguais.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, setembro 09, 2008

DEDICADO AO BARREIRO E AO MEU GRANDE AMIGO CHAPA





Barreiro. tempos de vida plena de descoberta, encontro, tempos de amores e desamores, de excessos e moralidade, de revolução sonhada, de homens sem rosto, cansada de nada e pronta para tudo. Barreiro... como te sinto vivo ao ouvir esta banda. Também eles me construiram, também eles me fizeram crescer. Mas foi graças a tudo o que é e foi o Barreiro que me conheci.

segunda-feira, setembro 08, 2008





O VERBO



foto by:ricardo canhoto








O verbo é a doença do ser e do não ser
canto entusiasmado da noite em que a lua
é a esperança da vida e da memória dos
dias em fonte. E o verbo foi o início dos tempos
de angustia, da terra iluminada de razões
que se fundem insondáveis, que a razão
ultima não se vislumbra numa pedra
suspensa no universo gravitacional.

Nem no conjunto de átomos animados
pela magia do carbono.

Manuel F. C. Almeida

sábado, setembro 06, 2008





foto by



ABrito








Só mortos,
Os heróis
Cumprem a sua função.

Se vivos
contradição

Um fruto
Potencialmente
Corrompido.

Salvemos os
Nossos heróis…
Na ponta das espadas.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, setembro 04, 2008








foto by: paulo cesar










Acordo ao beijar
O teu rosto, e o silêncio
Que cobre o teu corpo.

Acordo com o odor
De corpos em luta
Na noite que aconteceu.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, setembro 02, 2008




O Canto


foto by:nuno chacoto





Perde-se o olhar
Ao correr da seara
Que se colhe,
E o cantar, o cantar
Espalha-se pelos
Campos de fogo
Celeste, erguidos
Pelas brumas
Da manhã.

Manuel F.C. Almeida

domingo, agosto 31, 2008














POEMA IMPERFEITO




A minha vida é caravela sem vento
Que no mistério do mar teima em navegar
Sem velas vivas para desfraldar,
Avança a apalpar os medos do tempo.

Assim construí todo o meu pensamento.
Desenhando moinhos, que derrubo no ar,
Vou pintando telas, sem tintas usar...
Em cada segundo, vivo cada momento

E em tudo o que faço, eu canto este fado
Sem dor, mágoa, muito menos tristeza
Porque triste seria não ter encontrado

O amargo sabor da minha existência
Viver ignorando a enorme beleza
De viver tudo isto em consciência.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, agosto 29, 2008











ULTRAJANTE
Encostem-se a mim
Eu já cá ando há muitos anos
Encostem-se a mim
Eu não estou a exagerar
Encostem-se a mim
Preparem bem os vossos planos
Comprem comigo novas acções
Deixem-se empenhar.
Venham ao balcão
Eu só vos quero é agarrar
Em nome de deus e do grande capital
Entendam-me bem
Eu só revelo ser banal
O tempo da vida boémia
Da revolução libertária
Foi um bacanal
Agora só quero vender a alma
E os meus sonhos
Como produto bancário final.

Manuel F. C. Almeida





SEDE DE TI



FOTO BY:luis azevedo







E foi na noite
Povoada por sons ausentes
Que escalei o teu corpo
Em mil sentidos deleites.
E se o sentir a madrugada fria
Me devolveu jovialidade
Teu corpo, idolatria,
Resolveu a saciedade...
De ti.



Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, agosto 27, 2008





TEU NOME



foto by:Nuno Manuel Baptista








E no mistério das palavras
Que encobrem as coisas,
Ouvi o canto do mar
No tom das vagas
Que soletravam
O teu nome.

Manuel F. C. Almeida