domingo, outubro 11, 2009















Quantos meses se perderam no olhar?
O tempo no seu movimento
Teima em nunca parar.

E longe das multidões, dentro de mim escondido
Teimo em me procurar
De um tempo em que sou foragido.

Fujo de mim, do passado
Mais por hábito que por gosto
Sou ave de arribação, sou filho de todo o lado.

E faço a viagem sózinho
Com gente que me rodeia
Mas ninguém me ouve andar, é só meu este caminho.

Cruzo vales e montanhas
Riachos, ribeiras e rios,
Faces de que me recordo mas sempre faces estranhas

E quando regresso ao meu cais
E agarro as minhas memórias
O tempo tratou de fazer todas as horas iguais.

Manuel F. C. Almeida


foto: SAGHER

quinta-feira, outubro 08, 2009

















A primavera abria-se
Em mil vitrais coloridos.
Sentado num jardim
Eu escutava o riso
Cadenciado das crianças.
E sonhava
Com o doce sabor
Do teu corpo,
No tempo em que
O teu corpo
Se descobria no meu
E nos perdíamos por
Entre as giestas
E o alecrim do ventre.
Agora o Outono
Levou o riso das
Crianças e dissipou
O encantamento dos
Corpos.
As giestas e o alecrim
Já se apresentam sem
Vida…secos pelo calor
De um verão tórrido
Demais.

Manuel F. C. Almeida


foto Maria Salvador

terça-feira, outubro 06, 2009
















Cada dia que olho as estrelas
Na sua vida milenar, entendo um pouco
Mais o pó
E a vacuidade da existência.
Lá longe, tão longe que os meus olhos
Não conseguem ver o presente,
Milhares de pontos dançam e pulsam
Como se fossem pequenas velas
Plantadas ali
Pela mão dos homens.
E na escuridão que me toma a alma
Só essas pequenas velas
Me fazem sentir vivo
E recordar que a terra que piso
(e também eu)
É apenas parte de um todo
A que chamo universo.

Manuel F.C. Almeida

sábado, outubro 03, 2009














Se um dia descobrir o
Nome das coisas
Terei encontrado o berço
Do mundo.
Esconde-se onde as palavras
Nasceram e se ouviram
Pela primeira vez.
Algures, num universo
Orgânico e silencioso
Repousa o real sentido
Dos conceitos convencionados.
Nesse lugar tudo é
Como é
Tudo se descobre na nudez
De um universo que se existe
Sem se incomodar como o pensam.
Nesse lugar tudo “é” apenas o que "é"
E não como a razão o pensa.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, setembro 30, 2009

















Encontro
Desencontro
Encanto
Desencanto

E em tudo o mais
Apenas um tempo
Bordado de ilusões
E iluminado
Pela vaidade
Humana.

Manuel F.C. Almeida

domingo, setembro 27, 2009












Já me fartam os lusíadas
De monstros epicos
E cantos nacionalistas

Gosto mais dos lábios
pintados das coristas.

Manuel F. C. Almeida


foto Luiz Alvim

quinta-feira, setembro 24, 2009






Conselhos a um
jovem poeta





Paneleiro.
Punheteiro.
Mineteiro.
Palavras que não deves usar.

Brochistas
Fodilhões
Colhões
São todas para evitar.

Caralhos
Tetas
Gretas
São difíceis de rimar

Resta-te pois
Adocicar o verbo
Com o lirismo imaginário
De um vate
Não ordinário

Porque Bocage
Só se admitiu
Porque o povinho
Gostou dele...
E sorriu

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, setembro 21, 2009



A joão de César Monteiro



(Que morreu a 3 de Fevereiro de 2003)









A pátria dita, cantada
A pátria inventada

Uma bandeira, ilusão
A bandeira, divisão

Um hino, gritado no vento
Orgulho, partilha, excremento

Uma língua, cultura que se herda
É tudo história, é tudo merda.


Manuel F C. Almeida

sexta-feira, setembro 18, 2009



















Em mim, há uma mão
Misteriosa e distante
Que parece indicar
O caminho certo;
O caminho que não conhece
Fronteiras ou a cor da
Minha alma.

O caminho que não conhece
A verdade ou as palavras
Escondidas e impuras.

Em mim há uma mão
Que não sente o sopro
Do vento
Nem a corrente fria
Das águas
Que deslizam no
Pensamento.

Manuel F. C. Almeida


terça-feira, setembro 15, 2009













Inconsequente procura
Das palavras .
Cíclica rotina
Das lavras.
O teu corpo em suor
O cavas
O sexo institivo
Lavas
Na impassível moral
Das larvas
E da merda de vida
Que escavas.

Não escapas.

Manuel F. C. Almeida

sábado, setembro 12, 2009













A morte dos homens
É espera, terror,
Angustia antecipada.
Temor,
Da presença perdida...
Nos homens, a morte
É a consciencia da vida.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, setembro 10, 2009


















Na primavera beijei
Um caminho novo
Com alegria gritei
-não vão mais calar o povo
Mas o céu limpo de Abril
Depressa escureceu
E o grito juvenil
Calou-se e um dia morreu.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, setembro 07, 2009






Católicismo







Gosto de fazer caridade
Com ela sinto que ganhei
Um lugar na claridade…e
Ao lado de deus me sentarei.
Gosto pois da minha terra
De misérias nunca farta
Distribuo esmolas aos pobres
Vestido com peles de marta.
Mas só dou aos que agradecem
Esta minha dedicação
Poque os pobres e a miséria
São a nossa salvação.

Manuel F.C. Almeida


sexta-feira, setembro 04, 2009



















Foi em Maio que nasci
Num dia como outro qualquer
Mas ao nascer, logo morri
Sem disso dar conta sequer


Manuel F. C. Almeida


terça-feira, setembro 01, 2009



















Um momento eterno, já distante
Um desejo presente, no cantar
Um corpo amado, bem brilhante
Um farol de amor, à beira-mar

Uma paixão viva, palpitante
Uma porta aberta, para entrar
Um doce recordar, o teu semblante
Uma memória que voa, meu luar

E escondido dentro do meu ser
Vive um segredo cor de amar.

Manuel F.C. Almeida

sábado, agosto 29, 2009



















O pai
Que todos procuram
No sofrimento do
Filho

O espírito
Que se diz santo
No emprenhar
De uma virgem

Trio de cantos, louvores
Trio de imagens humanas
Para uns trio de amores
Para outros figuras insanas


Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, agosto 26, 2009



















Juventude que animas os meus dias
Que fazes do teu o meu olhar
Não deixes de lembrar o que querias
Quando nos espraiávamos ao luar

E na luz e nos sonhos em que vivias
Retirava delas poemas para cantar
E mesmo quando em nuvens te perdias
Era nas nuvens que te deixavas resgatar

Juventude que és minha no sentir,
Que caminhas junto a mim sempre a sorrir
Não apagues do meu estar a tua chama.

E se um dia fores forçada a partir
Na inevitável existência de um devir
Partirei contigo, eterna dama.

Manuel F.C. Almeida

domingo, agosto 23, 2009
















Despertamos
Quando o corpo
Se impele
De encontro
À pele
Do corpo.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, agosto 20, 2009







FADO POR UM PAIS ADIADO





Eu imagino caminhos
Um chão pejado de linhos
Num lugarejo isolado.
Vivo a vida a acreditar
Que um dia vou encontrar
Esse lugar encantado.
Onde corram as ribeiras
E floresçam cameleiras
Num coração imaculado.
Onde cantem verdelhões
Com um coro de cisões
A letra deste meu fado.
Fado feito fantasia
Numa ingénua alegria
De quem vive alienado.
Faço como a avestruz
Uso na cabeça um capuz
Sou feliz mas estou vendado
Por nada quero lutar
Nada desejo mudar
Adoro ser explorado.
E embora com consciência
Vivo na santa inocência
De quem quer ser enganado
Estou num beco sem saída
Tenho a cachola moída
Mas dei o fado acabado.

Manuel F. C. Almeida


segunda-feira, agosto 17, 2009



















Não sabia
Se era dia
Só sabia
Que trazia
Um olhar
Que me sorria
Por um motivo
Qualquer

A pele cheirava
A canela
Eu dançava
Com ela.
Barca solta
Livre vela
Luxúria que se alimenta
No corpo de uma mulher.

Manuel F. C. Almeida



fotoAntonio Carlos Kern (ACKern)

sábado, agosto 15, 2009

HÁ 40 ANOS O MUNDO MUDOU





sexta-feira, agosto 14, 2009















AOS INTERESSASDOS (SE É QUE OS HÁ)


a obra está disponivel na contracapa (passe a publicidade), também em almodôvar se pode encontrar e pode ser requisitada nas bibliotecas de Castro Verde e Almodôvar às quais fiz a doação de um exemplar.

encontra-se à venda nas seguintes livrarias:
Clube Literário do Porto (Porto)-
Loja 107 Livraria (Caldas da Rainha)-
Arquivo Livraria (Leiria)-
Livraria Caravana (Loulé)
Pode também ser comprado em qualquer FNAC (sob encomenda). Chamamos a atenção que até à compra do primeiro artigo numa FNAC o artigo não estará aberto na central. Terão de dar a referência do nome da editora, livro e autor para que a mesma seja aberta.O livro está já disponível no site: www.corposeditora.com. Em principio para a semana estará à venda na WAFStore (em formato ebook).

quarta-feira, agosto 12, 2009













Recordo com saudade aqueles dias
Quando ao madrugar no teu olhar
Me mostravas mundo em que vivias
E me convidavas para nele entrar.

E eu, cego pelas tuas fantasias
Seguia-te de mãos dadas até ao mar
Onde invocavas mil maresias
E em silêncio te entregavas a beijar

E passado que foi já tanto tempo
Recordar com ternura esse momento
É recordar um pouco o meu viver

Porque noutros olhos hoje presentes
Descobri mil alvoradas, mil poentes
E neles me desfaço de prazer


Manuel F. C. Almeida


domingo, agosto 09, 2009
















Rasgo o céu, desnudo a terra.
Acendo uma fogueira.
Transformo os rios em guerra
Abro a garganta à lareira.
Roubo um poema às palavras
Com o meu sémen as cubro.
Conceitos são como larvas
Em todo o lado os descubro.

Manuel F.C. Almeida


quinta-feira, agosto 06, 2009








Eterno
Retorno









Recordo a tua face ao por do sol
E o brilho dos teus olhos ao luar
O cheiro do teu corpo, meu farol
O gosto do teu ventre, como mar

Recordo o teu sorriso de alvoradas
O convite aos meus lábios p’ra beijar
Os braços que me deram madrugadas
A beleza do teu nome p’ra cantar

E vivo a recordar-te eternamente
Cativo de um passado já ausente
Num corpo companheiro da saudade

Que teima em se manter e recordar
Cada beijo que trocámos a sonhar
Na promessa vã da eternidade

Manuel F.C. Almeida

fotoPaulo Almeida (Pasma)

domingo, agosto 02, 2009

CAMARADA O TEU SONHO
ERA O SONHO DOS QUE
OUSARAM ACREDITAR
QUE UM DIA A LIBERDADE
SERIA PARA TODOS.
INFELIZMENTE AMIGO
NEM TODOS ENTENDEM
O PREÇO DA LIBERDADE.

VIVER COMO HOMEM E
MULHER LIVRE
IMPLICA, NESTE PAÍS,
ENFRENTAR OS QUE,
EM NOME DA LIBERDADE,
MAIS NAO FAZEM QUE
PROCURAR LIMITA-LA.

segunda-feira, julho 20, 2009








FÉRIAS
cansado de trabalhar
cheio de stress, tensão
estou pronto pra testar
a arterial te(n)são
Manuel F.C. Almeida

sábado, julho 18, 2009




















E teus olhos ficaram tão brilhantes
Depois daquelas horas encantadas
Que pensei ver neles diamantes
Mas eram apenas pedras disfarçadas

Foi nesse momento que entendi
A maleita de que todo o ser padece
E se há coisa que então aprendi
É que só "somos" enquanto acontece .

Manuel F. C. almeida



fotoCarlos Sillero

sexta-feira, julho 17, 2009













Ser poeta é ser operário
Na construção do impossível.
É trautear a canção ingénua
Dos olhares incautos
E puros dos que sonham.
É encontrar no Outono
O sol brilhante da primavera.
É amar na vida o universo
E mostrar o amor em cada verso.
Ser poeta... é ser quem espera.

Manuel F.C. Almeida



fotoangelica

quarta-feira, julho 15, 2009















Os sonhos
E o tempo
Mudaram-me
O rosto.
Gosto,
Das lágrimas
E das cascatas
Do rio.
Sorri,
Ao manto
Leve
Da morte.
A sorte,
De encontrar
Um trevo
De mar.
Amar,
Um corpo
De mulher
Obtusa.
Musa,
De boca
Com lábios
De rosa.
Prosa,
Feita com
Rima;
Um dia
Será
Poesia.

Manuel F. C. Almeida


foto:DDiArte

segunda-feira, julho 13, 2009
















Só quando te despojares
do teu ser
E nada tiveres
como certo
Entenderás então
que viver
É uma luta eterna
No deserto.

Só então nessa
Mudez
Estarás pronto
Para aprender
Que na vida
é a "surdez"
que divide o existir e o
“Ser”

Manuel F.C. Almeida

fotoSAGHER

sexta-feira, julho 10, 2009



















Hoje não me apetece escrever. Não tenho temas nem ideias. O verão fode-me os neurónios todos e deixo-me levar pelo desejo pornográfico de me esticar na praia a ver todo o coname bom que vai passando. O meu filho acha-me um perigoso tarado. Teme pela minha saúde mental, especialmente quando lhe digo que o verão é convite ao sexo desenfreado e selvagem, ou quando o alerto para a necessidade de abandonar as pivias e se dedicar a usar o talo de forma digna e bem mais prazenteira. A merda do trabalho tira-me a vontade de viver. Gente e mais gente a foder-me a tola. Gente que se leva a sério, que teima em tentar ensinar-me como se vive. Como eles vivem claro. Vidinhas reles, cinzentas e hipócritas. Levam-se a sério, convenceram-se de que fazem coisas importantes e que é esse o nosso papel neste mundo fétido e podre. Do alto do seu oco saber, apregoam morais feitas de papel e comportamentos socialmente aceites. Eu finjo todos os dias ser um pouco como eles e um pouco como eu. Ou seja todos os dias me fodo um pouco mais. Faço de mim uma puta. É essa a medida exacta do que sou. Puta. Infelizmente nem sou uma puta daquelas que ganham dinheiro a vender a cona a quem mais der. Não, eu sou uma puta social. Vendo a merda da imagem num mundo cheio de gente sem alma e sem tusa. Vendo o “ser”. Aspiro, como todos os merdas deste mundo que se prostituíram de forma consciente, ao dia em que dignidade se sobreponha á ditadura social em que mergulhei. Até lá a verdade é que não me apetece escrever. Até esta merda de escrever a usar correctores, se transformou numa ditadura educacional filha da puta. Cada palavrão lá está o vermelho por baixo a dizer-me que estou a violar as regras. Ainda assim o broche lá se vai safando por via de ser usado nas lapelas das gajas. Agora minetadas, canzanadas ou uma palavra tão simples como foda, são de imediato assinaladas. Este mundo é um logro, milhares de incapacitados mentais teimam em acreditar que “um dia vão ser felizes”. Puta que os pariu. Ainda nem viram que a única felicidade a que os deixam aceder é à Morte. Porque digam o que disserem um tipo que começa a trabalhar com 17 anos, e só lhe permitem que se reforme aos 65 nunca pode ser feliz. Porque quando se reformar nem vontade tem para foder, nem as gajas boas querem foder com ele, porque e antecipo já a vossa merdelosa conclusão, para mim a felicidade passa muito pela foda. e assim com 60 e tal anos o escravo que foi contenta-se em bater ocasionalmente uma punheta e a frequentar umas massagistas no único prato q`uesta merda de processador de texto não censura: o broche. Aliás aconselho vivamente o vídeo no youtube que da pelo titulo de “brochin” com o João de César Monteiro. Uma pérola e um filho da puta de velho que nunca se vendeu a cabtão nenhum. Pelo contrario chulou uns bons milhares a gozar com a maralha toda e ainda teve a coragem de dizer:- eu quero que os portugueses se fodam. Grande homem este João, dos poucos felizes a vida inteira. Devo dizer que o invejo, é que de verão lá estava ele no príncipe real a convidar as miúdas que passavam a massajar-lhe o caralho. Gostem ou não do homem a verdade é que ele sempre se esteve cagando para todos nós.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, julho 08, 2009













Há um momento em que a vida
Se resolve. É então que finalmente
Percebes, o valor real da
Existência. Só nesse instante entendes
Que a vida e a morte, são apenas
Acidentes temporais.

Manuel F. C. Almeida

domingo, julho 05, 2009













Um dia quis burlar
O tempo
E ficar parado
No reflexo dos teus
Olhos.

Manuel F. C. Almeida



fotoJoel Santos - www.joelsantos.net

sexta-feira, julho 03, 2009



















Dentro de mim
Habitam madrugadas
De janelas abertas e
Varandas para o oceano,
Onde me debruço
E aspiro o perfume
Almiscarado
Da memória.

Manuel F. C. Almeida


foto pedro nossol

quarta-feira, julho 01, 2009





Miragem













De corpo em corpo fui navegando
Na solidão que me marca a vida
Iludiu-me o cheiro, o corpo e o canto
A todas as sombras chamei “minha querida”

E de amor em amor fui naufragando
Recomeçando sempre a minha viajem
Mas de amor em amor eu fui encontrando
A lição que o “amor” é talvez só passagem.

Manuel F.C. Almeida


foto chacal

segunda-feira, junho 29, 2009




















Diz-me lá agora
Onde estão as flores
Que teimas em esconder
E chamar de amores.
As pétalas que um dia
Desfolhei.
Os lábios com vida
Que beijei.


E agora que pensas tu fazer?
O mundo que fizeste
Vai morrer.
Eu… já nem sei mais o que pensar
Só quero sentar-me á beira-luar.
Olhar as ondas que morrem na areia
Limpar o passado desta correia
Começar de novo num outro corpo
Que este está velho, parece já morto.
Limpar a minha alma, limpar o meu ser
Encher a vida com outro viver
E nunca deixar de acreditar
Que tudo na vida é um rio a sonhar.

Manuel F.C. Almeida

fotoJET ...

sábado, junho 27, 2009














Caminho só
Caminho meu
Feito de pó
Como o meu céu

Caminho livre
Feito mortalha
Caminho fio
De uma navalha

Caminho claro
Caminho escuro
Desejo livre
Saltar o muro

Caminho novo
Caminho velho
Em todos eles
Existe um espelho

Caminho sombra
Caminho olhar
Trilho desenho.
Meu caminhar.

Manuel F. C. Almeida



fotoLena Queiroz

sexta-feira, junho 26, 2009















Já podem ler

AS CONDIÇÕES PARA AQUISIÇÃO EM:
(ou contacto com o autor)

quarta-feira, junho 24, 2009



















Os poetas são artífices da palavra.
Mineiros das jóias que se escondem
No sentido e no conceito.
São uma outra forma de artistas.
Dos seus dedos, as palavras soltam-se
Como as notas de um piano
Ou as figuras de um quadro.
Com o tempo, sempre ele,
Acabam por recriar a linguagem
E inventar novos sons.
Tingem de cores impossíveis
A sensibilidade e a razão.
Elaboram partituras inaudíveis
Mas sempre vivas, numa
Dialéctica que se solta, se liberta
E se esconde
Do senso comum.
Tal como uma ciência medieval
Permanece sempre misteriosa,
Inalcançável.
Assim a poesia é a arte da revelação
Impossível, da palavra em fuga,
Da magia infantil da inocência.

A poesia é toda a vida em criação.




Manuel F. C. Almeida



fotoLuis Mendonça

segunda-feira, junho 22, 2009










Crónicas da liberdade.

Encontrei-a junto ao rio. Passeava devagar enquanto atirava pedras para a água. As pequenas ondas perpetuavam-se por tempo indefinido. Sentei-me na muralha que serpenteava o rio. Ela aproximou-se e sem dizer palavras sentou-se a meu lado. O cheiro dela inundou-me o dia. Ali ficamos, parados e calados em comunhão silenciosa com o rio e com a solidão que nos atacava a existência. Só a vi anos volvidos, numa pequena aldeia de pescadores em plena costa vicentina. Preparava-me para publicar o meu livro e disse-lhe que um pouco daquele silêncio de outrora vivia nas paginas da obra. Os seus grandes olhos azuis pararam a olhar-me e senti o vento a tomar-me o cabelo. Lentamente passou a língua pelos lábios, tirou um violino da mochila e tocou para mim. Tocou Bach e Mozart. Enquanto tocava recordei a solidão vivida anos antes. A loucura do silencio. O terror de uma existência adormecida. Morta. Só o silêncio do violino me arrancou ao silêncio do pensamento.
Senti a sua mão quente, quando a pousou sobre minha. Os nossos lábios tocaram-se. O beijo deixado no ar havia anos, só naquele momento aconteceu. Toquei-lhe a alma quando nos separamos. Finalmente tínhamos dado vida ao silêncio.

Manuel F. C. Almeida


fotoDuarte Victor

sábado, junho 20, 2009













Guardei do tempo
A escrita das aves
De encontro ao azul.
Hoje, parado a olhar
O céu
Ainda vejo a escrita
Das aves.

E no espelho da lua
Entendo por fim
A minha escrita.
Graças às aves
Que sempre escreveram
Poesia.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, junho 18, 2009


















Olhar o tempo
Beijar a lua

Ouvir o vento
Amar-te nua

Sentir a vida,
A latejar
Na eternidade
Do teu olhar.

Manuel F. C. Almeida



fotoMiguel Moura

terça-feira, junho 16, 2009

Culture Unplugged Video

ONDE ESTÁ O MUNDO LINDO QUE NOS ANDAM A PROMETER?

segunda-feira, junho 15, 2009













Do ouro e do trigo
Nos fala o pão
Num lamento,
Grito
Alentejo... coração

Manuel F. C. Almeida


fotoFrancisco Fadista


sábado, junho 13, 2009



















É em ti que eu penso
Quando o ruído da batalha
Esmorece e me revejo
Nas flores espalhadas no chão

No espelho desenho o teu
Corpo e num acesso de
Raiva incontida
Quebro-te em mil pedaços.

O sangue das flores mancha
Enfim o campo de batalha
Vinguei finalmente o corpo
Só o cheiro das flores ficou

Quando em ti penso.

Manuel F. C. almeida

fotoPauloVieira galeria de Nu

quinta-feira, junho 11, 2009















A luta resiste ao tempo
E ao corpo
Moldemos o vento,
Soltemos o fogo.
É hora de percorrer
O caminho que construímos.
Exigir o mundo
Num tempo impossível

Manuel F. C. Almeida




foto JET ...

terça-feira, junho 09, 2009












Mil tempestades imensas
Abrigam-se no nosso olhar
Soltam-se os nossos sentidos
Que se derramam no mar

Nem tu os vais entender
Nem eu os quero domar.

Manuel F. C. Almeida.



fotoLuis Gaio