sábado, dezembro 13, 2008












Olhar o sol na linha invisível
Da morte,
Cegou-me o futuro, escureceu-me
O canto,
As estrelas, dos olhos libertas,
Na noite
Carregaram-me os sonhos de faces
Iguais.
O tempo dos gritos vividos
Na sombra
Espelharam-me os dias, a face
E a alma
Mas o retomar furioso das
Marés,
Inundou me o peito de flores
E de Primavera.



Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, dezembro 11, 2008







foto Mircea Marinescu











De madrugada o sol raiou
Com ele chegaram os cheiros
Do rosmaninho e alecrim
Que me traziam o odor do teu
Corpo em flor

E no espaço ocupado pela memória
Revivi o oceano do teu corpo…
Perdido
Nas margens do entardecer do
Hábito.

Manuel F. C. Almeida



terça-feira, dezembro 09, 2008




O QUÊ?






Não pensem,! por favor
Não pensem!
Já todos sabemos
Que o caminho
É feito de momentos
Fugazes de alegrias…
E Tristezas

Mas esse é o custo do "eu".

Manuel F. C. Almeida

domingo, dezembro 07, 2008







foto: SAGHER





Sangram-me os dedos do ócio,
No encanto da harpa
A rosa cobre-se de aromas
Sintéticos e chuvosos.
O corpo teima e dobrar-se
Num calmo e intranquilo
Oceano, ao som dos violinos
Encantados e das cinzas magmáticas
Expelidas como polpa do
Ventre.
O nome?
Não tem! Aliás, dizem ser:
-Segredos roubados no vento.
Fogosamente, tomei-lhe o corpo
E a salvação surgiu num
Raio de sol.

Resta apenas o nada na sua
Prenhe existência.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, dezembro 05, 2008


Perdidamente

foto by:José Manuel Gouveia



Subitamente ergueu-se. Estava cansado, cansado demais. Olhou as paredes da casa na procura de um ponto onde fixar o olhar. Paredes vazias não lhe permitiam isso. Ouviu o cão a ladrar e o vizinho de cima a escarrar. As manhãs eram sempre assim. Desde há anos que acordava na procura de um quadro que uma noite fugira. Animava-o a secreta esperança que um dia voltasse. A cabeça doia-lhe, era o vinho ele sabia. Vestiu a custa a roupa que não mudava havia dias. Um cheiro a suor, nauseabundo, libertou-se dele.
Pegou a custo na garrafa de vinho e de um trago bebeu o que restava. Olhou-a... vazia. Lavou a cara e ajeitou o cabelo. Decidiu sair de casa. Abriu a porta da rua. À sua frente um carreiro sujo e enlameado convidava a ficar parado. Acendeu uma velha beata que guardara no bolso das calças e lá tomou o seu caminho. Tinha sempre um efeito devastador nos bichos. Gatos ou cães evitavam-no como se fosse o tipo que lhes ministrava injecções mortais e que vivia ao fundo da rua. Um proscrito era como lhe chamavam. Não se incomodava. À muito que assim vivia..

(continua um dia)

Desde aquele dia em que o seu quadro tinha fugido e que se sentia um estranho para o mundo.

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, dezembro 03, 2008



Alentejo



foto:SAGHER



Da terra nasce o meu canto
Imitando o rouxinol
Com ela faço o meu manto,
De manhã ao por do sol.

Na minha cara vincada
Pela rudeza do vento
Vive a vida amordaçada
Pela paragem do tempo

Percorro vales e montes.
Ás estevas, pinto a flor
E entre ribeiras e fontes
Acalmo este calor

E nos segredos escondidos
Entre as montanhas e o mar
Há sempre cantos perdidos
Para um dia eu cantar

Nestas planícies sem fim
Nas terras em que me vejo
Tudo é riqueza para mim
Tudo isto é Alentejo.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, dezembro 01, 2008









Foto:


Nuno Belo





Sabia que um dia virias
No tédio inebriante do desejo.
De mansinho, á noite
Com o silêncio das estrelas...
Desta existência esfomeada.


Manuel F. C. Almeida

sábado, novembro 29, 2008







Foto: LBorges Alves





Quando o sol morre, no final das tardes,
Com ele morre também um dia mais.
A lua, no seu raiar de prata, ressuscita
O sonho e o mistério das noites.
E nesse momento encontro então
A magia de ser e de não ser
O balanço entre a vida e a morte.
O contraste do sagrado e do profano.
O tempo sem fulgor, pára e abraça
Enfim o aroma das sombras.



Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, novembro 27, 2008






FOTO BY: Sagher












No sonho, em sonho!
Risos mil de cor da alma.
Gaivota solta,
Tarde calma.

O olhar feito pedra
Que sangra,
Cloreto de sódio
Em excesso.

Vertigem, loucura.
Voo de águia,
Ternura.
Cegueira, luxúria.

Teu jardim, sem medo
Teu sexo, meu segredo.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, novembro 26, 2008



Inunda a alma




FOTO BY:ana dias




Oceano arrojado,
Barco mudo…
Ansiedade.
Beijo despojado,
Corpo inundo …
Vontade.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, novembro 24, 2008






Universo


foto by: SAGHER




Alta luz tingida,
Quimera perdida.
No espaço…
Regaço,
Segredo da vida.

E aqui se encontra
A razão
Que dá ao universo
A pretensa coesão
Da matéria que finda
E se renova sem nexo.

Tudo o que é simples
Parece complexo.

Manuel F. C. Almeida

sábado, novembro 22, 2008







Verso



foto by:Cristina Afonso




E se um verso escrito,
Uma simples palavra
Descrevesse os olhos aos olhos?

Os sonhos que um homem tem…

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, novembro 20, 2008





Fado:


Foto by:José I. Costa









Musica de alma feita prece,
Canto de um povo adiado…
Meu coração, já trespassado
Pelo pranto. Desfalece.

Canto de becos e vielas
De putas mil e de tabernas
Canto de luar e de lanternas
Que viram partir caravelas

Canto que nos olhos se descobre
Porque aos olhos tudo é dado
Por isso este canto se chama fado
E toda a alma lusa, ele cobre.

Fado! Canção que vive no peito
De um certo sentir Portugal.
Um sentir livre, sentir plural
Que tem a língua como leito.

Manuel F.C. Almeida

terça-feira, novembro 18, 2008



Sabio
foto de:
Marta Ferreira - www.mfotografia.com




Há um tempo de ser, um tempo de acontecer
Há um tempo parar, um tempo de olhar
Sentir no ar o estilhaço, do tempo e do espaço
Saber ouvir o silêncio e entender o que esperam de nós.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, novembro 17, 2008

lá como cá, os bancos...
só que lá uma reporter teve corajem.
por cá nem se atrevem porque nao têm corajem

domingo, novembro 16, 2008





Mãos



foto by:alicina





Salvem – me os deuses da sua incerta
Eternidade,
Eu só quero as mãos vivas para
Encantar o teu corpo.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, novembro 14, 2008








Resgate





Foto by:honey




Agarrar a alvorada no olhar
É resgatar a vida
À escuridão da noite
E do medo.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, novembro 12, 2008





foto by:beowulf













E tantos os rios
De sangue
Tantas lágrimas
Encantadas
Deixam letras
Incrustadas
Em caixa de pinho
Exangue.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, novembro 10, 2008


Vida





Erguer os braços a louvar
A vida depois da vida
É viver na ilusão
Que a verdade desta vida
É a felicidade que pode
Ser noutro lado vivida.
E negar o nosso direito
De ser feliz nesta vida.

Manuel F. C. A

sábado, novembro 08, 2008







quadro



foto by:MARIAH





Abstraído do mundo,
Á espera.
A porta aberta, escancarada
Os teus passos já na escada…
Tremeram .
Era grande a minha porta
Grande demais para ti.
A casa quedou-se vazia
De tudo…
Até de mim.
Manuel F. C. Almeida