
Mulheres...
pint by Pablo Picasso
Mas que telas tens pintado?
Que tintas pretendes usar?
Não são as cores num quadro
Que dão alegria ao olhar.
Ou fazem d’uma alma fria
Um porto p’ra se acostar.
Manuel F. C. Almeida
Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ

foto by:
Lá fora o ar
Tem nuvens de desencanto.
O riso é agora proibido.
Os homens e mulheres
Não se conhecem
Vivem na penumbra
Da alma hipotecada
No tempo em que
Os rostos eram um arco-íris
De esperança e tudo parecia
Ser fácil.
E antes do vento ser
Tempo
E do olhar descer
À terra
Senti o assombro
Da guerra
Face fria de um
Momento
Manuel F.C. Almeida


Fogo
Foto by:Ricardo Costa
Nos lábios
A flor aberta…
Nas mãos
O mar revolto…
Nos olhos
Ilha deserta…
No ventre
Todo o teu fogo.
Manuel F.C. Almeida

EMPTY DREAM
A noite dos sentidos, chegou á beira dos olhos. Na cabeça o som de tom waiths, no seu piano demoníaco, martelava o tempo. Ao olhar, a imagem daquela lap dancer, transmutava a passividade em luxúria. O som arfante das coxas em movimento assemelhava-se ao ritmo espiritual dos tambores africanos.- Tamtam, tamtam. Tamtam, tarataratamtam.
A imagem dela projectava-se, no ar e na luz vibrante dos corpos em êxtase. A percussão dos sentidos deu lugar á percussão dos corpos. E o ritmo alucinante dos amantes anónimos libertou-se num grito profundo de prazer.
Na casa onde não vive ninguém.
Manuel F. C. Almeida

PONTE PARA LADO NENHUM
FOTO BY:Eliane
Não sou de lado nenhum
Não tenho hino
Ou bandeira
O meu lugar é a Terra
Por isso não entro na guerra
Da geografia dos mapas.
Que toda a pátria que tenho
Tem um nome…
Universo.
Manuel F.C. Almeida





encontro:
foto b:Quark
Foi num grito
Que seguiste
Até á beira do mar.
E na cadencia das ondas,
No mistério do olhar
Fui encontrar-te
Perdida
Ausente do meu andar.
Manuel F. C. Almeida




Contraluz
Foto by: Espírito da Luz
Silhueta
Contraluz,
Teia feita
De palavras,
Corpo que me
Seduz,
Luxúria na terra
Que lavras.
Manuel F.C. Almeida

Quadra
foto by:Hugo Macedo
Tens a esperança no olhar,
Nos lábios a cor da romã.
E o teu corpo ao acordar
Tem o sabor da maçã.
Manuel F. C. Almeida

selvagem
Funde-se com o olhar a imagem
Que guardamos dentro de nós.
Memórias vivas, miragem,
Segredos que não têm voz.
Só na noite e no silencio,
Que vive quando encontramos,
O momento de estar sós…,
Se liberta, enfim, no vento
O corcel que vive em nós,
Que cavalga o frio e o tempo
Em que calámos a voz.
Manuel F. C. Almeida

