
encontro:
foto b:Quark
Foi num grito
Que seguiste
Até á beira do mar.
E na cadencia das ondas,
No mistério do olhar
Fui encontrar-te
Perdida
Ausente do meu andar.
Manuel F. C. Almeida
Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ

encontro:
foto b:Quark
Foi num grito
Que seguiste
Até á beira do mar.
E na cadencia das ondas,
No mistério do olhar
Fui encontrar-te
Perdida
Ausente do meu andar.
Manuel F. C. Almeida




Contraluz
Foto by: Espírito da Luz
Silhueta
Contraluz,
Teia feita
De palavras,
Corpo que me
Seduz,
Luxúria na terra
Que lavras.
Manuel F.C. Almeida

Quadra
foto by:Hugo Macedo
Tens a esperança no olhar,
Nos lábios a cor da romã.
E o teu corpo ao acordar
Tem o sabor da maçã.
Manuel F. C. Almeida

selvagem
Funde-se com o olhar a imagem
Que guardamos dentro de nós.
Memórias vivas, miragem,
Segredos que não têm voz.
Só na noite e no silencio,
Que vive quando encontramos,
O momento de estar sós…,
Se liberta, enfim, no vento
O corcel que vive em nós,
Que cavalga o frio e o tempo
Em que calámos a voz.
Manuel F. C. Almeida





INTERLUDIO
Foto b: Joana
Um Inverno…
Um piano…
O canto das ondas
No olhar de um homem.
E dos dedos gelados,
Libertam-se as notas de abismos
E algas ancoradas nos sonhos.
E nos ventos sibilantes
O grito surdo de uma partitura
Em espera…
Desespera.
Manuel F.C. Almeida

AUSÊNCIA
Foto by:Dorival Zucatto
Do suave pousar dos teus olhos
Ficou em mim a marca da tua
Ausência, uma primavera sem cor,
Uma paz sem harmonia,
Uma valsa
Em contratempo, um momento,
De agonia.
No suave pousar dos teus olhos...
Minha noite faz-se dia
Manuel F. C. Almeida

Quadra
foto by:Eliana Braga
Eu colhi um malmequer
Folha a folha o desnudei
Pra saber se quem me quer
Foi quem um dia beijei.
Manuel F. C. Almeida

AREIAS
foto by:Dorival Zucatto
Acaso julgas que eu ignoro a verdade sobre o deserto? Tão leve como o canto das areias e o delírio presente nos ventos, só a aurora do teu corpo, coberto de mistérios, me traz o real da vida.
Manuel F. C. Almeida

SIMPLICIDADE
foto by:Luis Mendonça
O que de belo tem o mundo
No seu rodopiar temporal
É a simplicidade que tem
Tudo o que é natural
Estrelas, galáxias planetas
Plantas, pedras, animais.
Somos apenas matéria
E em tudo à matéria iguais.
Manuel F. C. Almeida

O VERBO
foto by:ricardo canhoto
O verbo é a doença do ser e do não ser
canto entusiasmado da noite em que a lua
é a esperança da vida e da memória dos
dias em fonte. E o verbo foi o início dos tempos
de angustia, da terra iluminada de razões
que se fundem insondáveis, que a razão
ultima não se vislumbra numa pedra
suspensa no universo gravitacional.
Nem no conjunto de átomos animados
pela magia do carbono.
Manuel F. C. Almeida