terça-feira, setembro 02, 2008




O Canto


foto by:nuno chacoto





Perde-se o olhar
Ao correr da seara
Que se colhe,
E o cantar, o cantar
Espalha-se pelos
Campos de fogo
Celeste, erguidos
Pelas brumas
Da manhã.

Manuel F.C. Almeida

domingo, agosto 31, 2008














POEMA IMPERFEITO




A minha vida é caravela sem vento
Que no mistério do mar teima em navegar
Sem velas vivas para desfraldar,
Avança a apalpar os medos do tempo.

Assim construí todo o meu pensamento.
Desenhando moinhos, que derrubo no ar,
Vou pintando telas, sem tintas usar...
Em cada segundo, vivo cada momento

E em tudo o que faço, eu canto este fado
Sem dor, mágoa, muito menos tristeza
Porque triste seria não ter encontrado

O amargo sabor da minha existência
Viver ignorando a enorme beleza
De viver tudo isto em consciência.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, agosto 29, 2008











ULTRAJANTE
Encostem-se a mim
Eu já cá ando há muitos anos
Encostem-se a mim
Eu não estou a exagerar
Encostem-se a mim
Preparem bem os vossos planos
Comprem comigo novas acções
Deixem-se empenhar.
Venham ao balcão
Eu só vos quero é agarrar
Em nome de deus e do grande capital
Entendam-me bem
Eu só revelo ser banal
O tempo da vida boémia
Da revolução libertária
Foi um bacanal
Agora só quero vender a alma
E os meus sonhos
Como produto bancário final.

Manuel F. C. Almeida





SEDE DE TI



FOTO BY:luis azevedo







E foi na noite
Povoada por sons ausentes
Que escalei o teu corpo
Em mil sentidos deleites.
E se o sentir a madrugada fria
Me devolveu jovialidade
Teu corpo, idolatria,
Resolveu a saciedade...
De ti.



Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, agosto 27, 2008





TEU NOME



foto by:Nuno Manuel Baptista








E no mistério das palavras
Que encobrem as coisas,
Ouvi o canto do mar
No tom das vagas
Que soletravam
O teu nome.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, agosto 25, 2008











Voltei







É no meu sentir
Que repousam
As memórias dos dedos
Num altar de deuses
Pagãos
Que beijam no tempo
O corpo do prazer.

Manuel F. C. Almeida

sábado, agosto 02, 2008



VOU DE FÉRIAS E:

FAZ ANOS QUE O MEU AMIGO NASCEU

José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos nasceu a 2 de Agosto de 1929, em Aveiro, filho de José Nepomuceno Afonso, juiz, e de Maria das Dores Dantas Cerqueira, professora primária

ATÉ JÁ.

sexta-feira, agosto 01, 2008





III



Foto by:


Nuno Belo






Recuso falar
Da bruma do tempo.


E do nevoeiro de ti,
Recuso falar.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, julho 30, 2008


II

Foto by:Nuno Belo






O filtro branco
Das tardes de sol
Contra o casario;

O bucólico tempo
Da terra e do pão,

E as sombras que ficam
Nos jogos do corpo.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, julho 29, 2008





adivinha













De filósofo tem nome
Mas é grande o nosso azar
Porque a grandeza do nome
Não é grandeza no estar

Engenheiro encartado
Por professores engenheiros
Parece ter curso forjado
Por métodos de trapaceiros

Mas neste pais de mentira
Onde tudo se pode esperar
Nada disto me admira
Nada disto é de espantar.

De quem vos estou a falar?

(PODEM COLOCAR O RESULTADO NOS COMENTS)


Manuel F. C. Almeida

domingo, julho 27, 2008


IV









Foto by:

Nuno Manuel Baptista




Foram chaves, as lágrimas
Que se derramaram e que
Abriram as portas dos corpos
Esfomeados de nós.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, julho 24, 2008


foto by:Paulo Pagani












Nesta ilha desértica
O tempo e o espaço,
Movem-se
Ao ritmo do olhar
E do pensar,
Acontecem sem fronteiras
Quando me perco
No teu corpo.

Porque o teu corpo
É a doçura da miragem
Ao alcance das mãos.

Manuel F.C. Almeida

terça-feira, julho 22, 2008




foto by:

Alex Korolkovas







Indomável o teu desejo
De mudar
O horizonte do mundo
Num espaço de tempo
Que se perde sob o peso
Incansável do sol.
Damos as mãos e
Enfrentamos a manhã
Com o suor das noites
Empapado no corpo
E o cheiro da esperança
Em vida que acontece.

Manuel F.C. Almeida

domingo, julho 20, 2008








foto by:Luis Mendonça










Já não há rios de fogo
Nos teus olhos

Nem riachos de lava
Para agitar a paisagem

Resta agora
O arar da luxúria;
O germinar das sementes
Nos corpos exaustos.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, julho 18, 2008















Sou da vida um foragido
Um pária que em nada crê
Não passo de um proscrito
Aos olhos de quem me vê.

Não tenho deuses, nem fé
Nem lugar que seja meu
Caminho pelo meu pé
Cabeça erguida pró céu.

Minha casa é todo mundo
E todo mundo meu irmão
Meu anseio mais profundo
É dar a todo o mundo a mão.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, julho 16, 2008



quadras soltas

(para cantar sobre a musica de Sergio Godinho)






Livres são as quadras soltas
que um dia todos cantaram
Menos livres são as gentes
Que nelas acreditaram

Falavam de liberdade
De educação para todos
Prometiam igualdade
E Felicidade… a rodos


Ó i o ai, aí está o engenheiro
Ó i ó ái pra nossa vida tratar
Ó i ó aí mas que grande embusteiro
Mas que grande embusteiro
Em que o povo foi votar

A liberdade foi morta
A igualdade foi esquecida
Nos direitos tudo corta
A educação foi perdida

Tem amigos poderosos
Que lhe pagam as campanhas
E um partido de medrosos
Que lhe apara sempre as manhas

Ó i ó ai mas o que deu ao povo
Ó i ó ai pra se deixar enganar
Ó i ó ai isto precisa de novo
Isto precisa de novo
Duma revolução pra mudar

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, julho 14, 2008












Esse teu jeito de ser é o rastilho que incendeia os meus dias e que me dá o sabor a vida. Saboreio a plenitude do teu corpo numa vivência que se ergue isolada acima do mundo, e é assim que os frutos se colhem num compasso que se perde entre o sonho e a realidade.

Manuel F. C. Almeida

sábado, julho 12, 2008




foto by:negateven














Pasme-se o luar no seu círculo prata. Os meus olhos deleitam-se no quadro da noite ao som sensual e discreto do rumor do teu corpo.


Manuel F C. Almeida

quinta-feira, julho 10, 2008








FOTO BY: Bárbara Meyer Elias




Há sempre um rio selvagem
Nos recantos do pensar.

Um rio de bruma e de terra
Perdido de encantos

Há sempre um rio que se faz amor
Quando corre para o mar.

Manuel F C. Almeida

terça-feira, julho 08, 2008







foto by:RAPHAEL o pensativo



Este pensar ausente, esta canção que se refaz na linha melancólica do horizonte. Aqui tudo se tingiu de amarelo e castanho tristeza, até o canto dos homens se precipita de encontro ao isolar da vida e se prende na memória que os ventos arrastam, onde o tempo não se apaga e a esperança é uma promessa constante, onde o sol dá ás sombras uma cor particular e a paisagem se incendeia em cada sopro. Aqui se faz Alentejo.


Manuel F C. Almeida