segunda-feira, dezembro 24, 2007








INFINITO

foto by:Helder Mendes








Carregas contigo no tempo
Esse olhar encantador
Solta os cabelos no vento
Faz de mim o teu cantor
Que num infinito momento
far-te-ei o meu calor.

Manuel F. C. Almeida

sábado, dezembro 22, 2007






CANTO



foto by:Nuno Manuel Baptista







Estende a tua mão na minha,
Deixa-me colher nela os dias
Que passei sem te conhecer
E descobrir nela o prelúdio
Desta madrugada.
Deixa-me desenhar-te os dedos
Com os dedos.
Tomar-te os seios nos lábios
E o ventre no ventre
Deixa-me respirar o teu perfume
Sobre as águas plácidas do amor
E despertemos de mãos dadas
Numa alvorada imortal.


Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, dezembro 20, 2007








utopias





Tranquilo, o olhar paira
Sobre as nuvens do néon.
A noite acorda finalmente
A canção estrangulada,
Amarrada às sombras do tempo.
A neve teima em cair.

A cidade é um templo
Onde as aves se refugiam
No eterno anonimato
Dos sonhos.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, dezembro 17, 2007



CIDADES












O cansaço apoderou-se dos dias
Sem tempo e sem horários.
Das veias inchadas pelo tédio
Explodem desejos inconfessáveis.
Dormitamos sentados com o cheiro
De mil noites mal dormidas
E da fome deserdada.
Somos pedaços daquilo que fomos
Felizes na nossa infelicidade causal.
Cansados da viajem sem rumo,
Sem esperança e sem motivo.
Somos mortos em vida.
Fomos gente
Somos nada.


Manuel F.C. Almeida

domingo, dezembro 16, 2007








NO OUTRO LADO DO ESPELHO









Que dizer dos sonhos em pó?
E dos dias cinzentos do esquecimento?
Ficaste cada vez mais irreconhecível.
Anonimamente, passeias
Pelas margens escorregadias do
Horizonte vazio de objecto,
Fazendo crer que está preenchido,
Pela cor magica de um olhar.
Então o ruído insuportável
Do silêncio, toma lugar no espelho
Que não queremos ver, mas
Onde guardamos os segredos da alma.

Manuel F.C. Almeida

sábado, dezembro 15, 2007





RESGATE











Cavalguei os tempos do silêncio,
A teu pedido.
Estendi a mão a tactear a ausência
E estavas lá.
Navegavas certa o desbravar
Da duvida.
E deste-me os dedos, os lábios
E a vida.
E num beijo longo ficaste
Cativa...

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, dezembro 13, 2007


REFUGIO


foto by:Margarida Gautier

Procuro sentido
No sentido da vida .
Pergunto perdido
O que não sei encontrar.
Agarro a canção
Que passa no ar e
Com ela me encanto,
No leito do mar.

Manuel F.C. Almeida

terça-feira, dezembro 11, 2007







ARTE


foto by:Quark





Pintei a noite de prata,
Fiz do teu olhar o meu rio,
No teu corpo cantata,
Com que me corpo sorriu.
Pintei a noite de prata,
Matei assim este frio.


Manuel F.C. Almeida

domingo, dezembro 09, 2007





BRISA









Ouvir o canto do teu corpo
Numa madrugada de luxúria
É sonhar com o amarelo do
Outono
E com a beleza das aguas
No olhar.


Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, dezembro 07, 2007





BEIJO










Há um poema que nos espera.


No segredo de um olhar,
No dia quando amanhece,
Ou numa canção inventada
no beijo que sempre acontece.



Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, dezembro 05, 2007



TELA



foto:Tuta











Sinto o teu olhar doce
E tão terno,
Neste meu sentir
Que quero eterno,
No coração da terra
Nua.
Planície, horizonte,
Carne crua.
Tela vazia despida,
P’lo arco-íris
Tingida.

Manuel F. C. Almeida





AUTORETRATO

(PARTE 2)


foto by: Heliz







Abraçar os tempos de solidão em que o céu se derrama na nossa alma e o universo se consome dentro de nós. A isto tendo a chamar “eu”. Faço destes longos momentos um trilho de percursos errantes, na esperança vã de encontrar algures a resposta para estar aqui. Sou o que não fui. Fui o que não quis. Quis o que não podia. Uma trilogia Hegeliana que me conduziu ao desespero de existir sem acontecer. Abandono-me na vertigem de querer ser o que não sou. Num registo circular condenado. Um momento perdido, sem face, sem nome, sem vida. Um ensaio testado pelos Deuses. Um excremento químico, animado de vida por cordas de marioneta. Uma singularidade atómica. Vida. Morte. Momentos de desespero, ejaculatórios, orgásmicos, em que tudo termina e reinicia sem formulas conhecidas ou teoremas intricados. Não somos nós que nascemos e só nos conhecemos na morte.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, dezembro 03, 2007







EM TI



foto by:Heliz





Vivi no teu olhar
as madrugadas,
Feitas de sonhos
e de prazer.
No teu amar
Desenho o trilho
Para me encontrar
E me perder.

Manuel F.C. Almeida

sábado, dezembro 01, 2007



INVERNO










É o Inverno que chega
Com dias chuvosos, sombrios
De nevoeiros e de frios
E de lareiras que cantam
No seu doce crepitar.

É um Inverno que adivinha
Todo o pulsar do futuro
O destruir deste muro,
A construção de outro mundo
Na placidez do olhar

Mas é só mais um Inverno
Que a tantos outros se segue
Na vida que sempre persegue
A perfeição que se quer
Num amor a partilhar.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, novembro 29, 2007


GREVE
DIA 30 ESTOU EM LUTA
(pelos NOSSOS direitos)

quarta-feira, novembro 28, 2007








tentação



foto by: Amanda Com




No mistério da noite
Só o teu odor me conduz.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, novembro 26, 2007








Ao meu Povo


(que se esqueceu do que foi)


Povo que sempre lutaste
Ouve bem esta canção
Dá por certo que mudaste
Em trinta anos alteraste
Ruelas da tua paixão
Locais que sempre adoraste
Ou tratas-te com carinho
Cidades que tu habitaste,
Aldeias que engalanaste
Lugares vivos do caminho.


Manuel F.C. Almeida

sábado, novembro 24, 2007



Palavras

foto by:Paulo Madeira - www.paulomadeira.net

Quando as palavras se revelam
Nada mais significar,
Faça-mos delas lições
Que o tempo fará perdurar
E cavalguemos a vida
P’rá vida nos libertar.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, novembro 23, 2007



ASSASSINO














Só o silêncio me aponta o caminho até à ruína dos meus altares. Matei os deuses naquela manha em que descobri que a fome pode viver nos olhos de uma criança.

Manuel Filipe Carvalho de Almeida

quarta-feira, novembro 21, 2007




MUNDOS














Tragam-me numa bandeja de madrepérola a cinza vulcânica das bandeiras tingidas pelo sangue de mil heróis esventrados pelo milagre das rosas. Tragam-me o rugido das ondas e o grito lancinante das virgens sacrificadas nos palcos das catedrais engalanadas a ouro. Tragam-me os olhares petrificados dos deserdados da vida, dos que deambulam pelo mundo industrial de chaminés assassinas e eternas. Tragam-me o hímen intacto das meninas que se compram nos destinos turísticos da gordura ocidental. Tragam-me a imagem escondida nos cabelos sedosos de uma meretriz de olhos brilhantes e voz de cadáver vivo. E vós, vós os que tudo me trazem espreitem as sílabas que explodem junto ás muralhas do meu ser. E vejam-me em mil cópulas adiadas, mil bacanais dementes escondidos pela vergonha do ser social.


Manuel F. C. Almeida