quarta-feira, dezembro 05, 2007






AUTORETRATO

(PARTE 2)


foto by: Heliz







Abraçar os tempos de solidão em que o céu se derrama na nossa alma e o universo se consome dentro de nós. A isto tendo a chamar “eu”. Faço destes longos momentos um trilho de percursos errantes, na esperança vã de encontrar algures a resposta para estar aqui. Sou o que não fui. Fui o que não quis. Quis o que não podia. Uma trilogia Hegeliana que me conduziu ao desespero de existir sem acontecer. Abandono-me na vertigem de querer ser o que não sou. Num registo circular condenado. Um momento perdido, sem face, sem nome, sem vida. Um ensaio testado pelos Deuses. Um excremento químico, animado de vida por cordas de marioneta. Uma singularidade atómica. Vida. Morte. Momentos de desespero, ejaculatórios, orgásmicos, em que tudo termina e reinicia sem formulas conhecidas ou teoremas intricados. Não somos nós que nascemos e só nos conhecemos na morte.

Manuel F. C. Almeida

3 comentários:

Fátima disse...

Que sejas tu e será bastante!
Beijo.

Anónimo disse...

Abraçar os tempos de solidão em que o céu se derrama na nossa alma e o universo se consome dentro de nós.

sagher disse...

fátima eu sou sempre eu. sempre fui.
beijos
anónimo, muitas vezes é na solidão que nos encontramos despidos de medos e receios.
beijos