quarta-feira, dezembro 05, 2007



TELA



foto:Tuta











Sinto o teu olhar doce
E tão terno,
Neste meu sentir
Que quero eterno,
No coração da terra
Nua.
Planície, horizonte,
Carne crua.
Tela vazia despida,
P’lo arco-íris
Tingida.

Manuel F. C. Almeida





AUTORETRATO

(PARTE 2)


foto by: Heliz







Abraçar os tempos de solidão em que o céu se derrama na nossa alma e o universo se consome dentro de nós. A isto tendo a chamar “eu”. Faço destes longos momentos um trilho de percursos errantes, na esperança vã de encontrar algures a resposta para estar aqui. Sou o que não fui. Fui o que não quis. Quis o que não podia. Uma trilogia Hegeliana que me conduziu ao desespero de existir sem acontecer. Abandono-me na vertigem de querer ser o que não sou. Num registo circular condenado. Um momento perdido, sem face, sem nome, sem vida. Um ensaio testado pelos Deuses. Um excremento químico, animado de vida por cordas de marioneta. Uma singularidade atómica. Vida. Morte. Momentos de desespero, ejaculatórios, orgásmicos, em que tudo termina e reinicia sem formulas conhecidas ou teoremas intricados. Não somos nós que nascemos e só nos conhecemos na morte.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, dezembro 03, 2007







EM TI



foto by:Heliz





Vivi no teu olhar
as madrugadas,
Feitas de sonhos
e de prazer.
No teu amar
Desenho o trilho
Para me encontrar
E me perder.

Manuel F.C. Almeida

sábado, dezembro 01, 2007



INVERNO










É o Inverno que chega
Com dias chuvosos, sombrios
De nevoeiros e de frios
E de lareiras que cantam
No seu doce crepitar.

É um Inverno que adivinha
Todo o pulsar do futuro
O destruir deste muro,
A construção de outro mundo
Na placidez do olhar

Mas é só mais um Inverno
Que a tantos outros se segue
Na vida que sempre persegue
A perfeição que se quer
Num amor a partilhar.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, novembro 29, 2007


GREVE
DIA 30 ESTOU EM LUTA
(pelos NOSSOS direitos)

quarta-feira, novembro 28, 2007








tentação



foto by: Amanda Com




No mistério da noite
Só o teu odor me conduz.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, novembro 26, 2007








Ao meu Povo


(que se esqueceu do que foi)


Povo que sempre lutaste
Ouve bem esta canção
Dá por certo que mudaste
Em trinta anos alteraste
Ruelas da tua paixão
Locais que sempre adoraste
Ou tratas-te com carinho
Cidades que tu habitaste,
Aldeias que engalanaste
Lugares vivos do caminho.


Manuel F.C. Almeida

sábado, novembro 24, 2007



Palavras

foto by:Paulo Madeira - www.paulomadeira.net

Quando as palavras se revelam
Nada mais significar,
Faça-mos delas lições
Que o tempo fará perdurar
E cavalguemos a vida
P’rá vida nos libertar.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, novembro 23, 2007



ASSASSINO














Só o silêncio me aponta o caminho até à ruína dos meus altares. Matei os deuses naquela manha em que descobri que a fome pode viver nos olhos de uma criança.

Manuel Filipe Carvalho de Almeida

quarta-feira, novembro 21, 2007




MUNDOS














Tragam-me numa bandeja de madrepérola a cinza vulcânica das bandeiras tingidas pelo sangue de mil heróis esventrados pelo milagre das rosas. Tragam-me o rugido das ondas e o grito lancinante das virgens sacrificadas nos palcos das catedrais engalanadas a ouro. Tragam-me os olhares petrificados dos deserdados da vida, dos que deambulam pelo mundo industrial de chaminés assassinas e eternas. Tragam-me o hímen intacto das meninas que se compram nos destinos turísticos da gordura ocidental. Tragam-me a imagem escondida nos cabelos sedosos de uma meretriz de olhos brilhantes e voz de cadáver vivo. E vós, vós os que tudo me trazem espreitem as sílabas que explodem junto ás muralhas do meu ser. E vejam-me em mil cópulas adiadas, mil bacanais dementes escondidos pela vergonha do ser social.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, novembro 19, 2007






TEU OLHAR



foto:Cristye





Amarro em mim os
Filhos da lua, com fios
Roubados de um casulo
De palavras errantes.
Prateados, os corpos
Elevam-se numa ária
De sensualidade, no desespero
Das palavras que se perderam
No mar.
Tuas lágrimas, mundos
Perfeitos de sal,
Que cintilam na escuridão
Do luar, caem como flocos
Numa manhã que desperta
A cor da vida
Em teu olhar.

Manuel F. C. Almeida

sábado, novembro 17, 2007



SONETO PARA C.V.











Aqui, a planície ganha tons d’ aguarela,
Quando os elementos se dão ao olhar.
Com o cantar das aves, pinto uma tela.
Da cor destes campos, faço um cantar.


Aqui, o tempo dança na ponta da vela.
A história está viva no cante e no ar.
No meu caminhar encontra-se a estrela,
Dos dias passados em luta, a mudar.


E foram anos e anos de lutas constantes,
De noites perdidas, ausentes, errantes,
Em defesa do todo e de um ideal.


E olhando para trás, pró nosso passado,
Descubro que tudo o que está mudado,
Foi graças ao povo e ao Poder Local.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, novembro 15, 2007





PARTILHA







Passavam-se os dias ao som do nosso olhar,
Recolhíamos nos lábios sílabas perdidas
Em silenciosos segredos cósmicos, depois dos
Beijos circulares e das copulas matinais
Partilhámos o sol e as estrelas
À espera de um orgasmo redentor.

Manuel Filipe Carvalho de Almeida

terça-feira, novembro 13, 2007



BEIJAR-TE






Curvei-me com a força
Do vento.
Soprei-me nas imagens
Do tempo.

Beijar-te foi o despertar…
Num lamento.

Manuel F. C. Almeida

domingo, novembro 11, 2007










O POETA



FOTO BY: Karina Bertoncini



Caminha só
O poeta.
Calado e pensativo.
Não diz nada do que pensa.
Mas pensa tudo o que não diz.
Para escrever o poema,
O mistério do seu viver
Na vida que sempre quis.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, novembro 09, 2007










INTERROGAÇÕES





FOTO BY: Heliz

Tenho uma estrada à porta de casa. Uma estrada que me leva para lá dos sonhos vazios e inócuos onde ninguém pode viver. E é assim a vida, corre num sentido só. Ilusoriamente pensamo-nos donos do caminho que se estende sem horizontes. Olhamos os espelhos e pensamo-nos livres nas escolhas, mas não há liberdade na vida, não há liberdade no drama da existência. Mais tortuoso e longo é o caminho cabalístico dos teoremas indecifráveis, segredos de vida, gravados a sangue na pele ao nascer. Choramos no desespero do oxigénio que nos consome as células virgens num primeiro minuto de infelicidade que se perpetuará no tempo até ao derradeiro sopro libertador.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, novembro 07, 2007







Fui eu



foto by: Carla Broekhuizen








Sim fui eu que fechei as cortinas
Antes do nascer das águas
E da morte lunar por detrás dos montes.
Quando olhei
Já o sol subia nas asas de uma gaivota
Ao som dos regatos escondidos
No colorido das harpas ao vento
Numa alvorada marinha.
Das margens deste lago invisível
Uma espada cruzou o tempo
E quedou-se
Parada entre a frescura
Da carne e o medo
Da morte.
Quando olhei
Vi o gume dobrar
O poema da vida,
E a canção das areias
Correr em vagas de luz,
Agonizante e bela
Ao encontro da sombra
De mim.
Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, novembro 05, 2007







COMO?



FOTO BY:Nuno Belo





Castanhos, os teus olhos
Entraram em mim e
Devastaram a verdade
Que tinha.
Trocámos as mãos
E os corpos,
Mas o medo do tédio,
E do passado dançava
Diante de nós.
Só este sentir mais que sentir
Pode vencer os fantasmas.
Só ele pode levar-nos de
Viajem.
Manuel F. C. Almeida

sábado, novembro 03, 2007







O TEU FADO


FOTO BY: SAGHER




Costumo sonhar com teus beijos
Afogado em mil desejos
E em mil canções de embalar.
Nesta vida de mentiras
De quadros feitos de tiras
Existo para te beijar.
(BIS)
Nada pretendo da vida
Encontrei-te assim perdida
Nunca mais te vou deixar.
Não sou teu, nem tu és minha
Somos ambos quem caminha
Lado a lado no olhar.
(BIS)
Somos diferentes no ser
Diferentes somos no querer
Mais diferentes no amar.
Teu corpo é meu santuário
Minha imagem teu sudário
Nossos corpos um cantar.
(BIS)
Tua mão na minha mão
Aquece o meu coração
Dá-me o teu corpo a explorar.
Por fim beijo a tua alma
Encontro a paz e a calma
Na volúpia de um luar.
(BIS)
MANUEL F. C. ALMEIDA
31-10-2007

quinta-feira, novembro 01, 2007




FRAGIL









Não há ninhos
Seguros,
Nem lugares
Encantados,
Só as palavras
São reais
Na fragilidade
Dos sentidos.


Manuel F. C. Almeida