quinta-feira, outubro 25, 2007







HOJE





Hoje acendi velas nos olhos…
Imagens esculpidas nas nuvens
Dançam na noite sem fim,
Uma noite feita de incenso, mirra
Ardor e jasmim.
Hoje tenho o teu cheiro
Que ficou dentro
de mim.

MANUEL F C ALMEIDA

segunda-feira, outubro 22, 2007





ELEGIA DAS ORQUIDEAS







foto: Jomané






Quem veio colher as orquídeas
Que me povoavam a alma?
Quem me roubou a voz
Que me chamava tempo?
Num velho baú temporal
Entrei na ilha encantada
Dos homens de pedra pelo olhar.
Estilhacei-me no canto de Circe,
Já não resgato aos meus olhos
Os minutos de um relógio visionado
Nos limites do sonho e da alegria.
Agora toma-os o negro dos dias…
Sem orquídeas e sem alma.

Manuel F.C. Almeida

sábado, outubro 20, 2007







porto de abrigo

Foto by: .k&p




Julguei que estavas aqui,
Ao pé mim para me abraçar
Tolo, que fui, só aqui te refugiaste
Na procura de um porto
Onde descansar.
Era forte a tempestade
Mais forte ainda a desilusão.
Nas minhas aguas paradas
Sabias ter um abrigo, uma mão.
Outros barcos acostaram
E partiram, como um dia
Vais partir, de velas soltas
À espera de um vento fresco e
Renovado.
Nesse dia ao olhares para trás,
Não te arrependas por nunca teres
Chorado.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, outubro 19, 2007












COMO É QUE EU OS POSSO CALAR?





COM, A RECEITA DO TIO ANTÓNIO


o personagem em causa cultiva, sem sombra de duvida, uma postura politica herdeira directa do fascismo Português. Com o moderno discurso que tenta isolar os trabalhadores das suas organizações sindicais, J. Sócrates mais não faz que seguir a cartilha politica neoliberal. Apoiados em Sindicatos traidores, os governantes Europeus assinaram um acordo fantoche sobreflexisegurança. Os trabalhadores perdem direitos conquistados com a luta social dos anos 60 e 70, vêm a sua força de trabalho desvalorizada e a precariedade a que estão votados milhões de Europeus apenas tem como fim o controle dos salários por parte das grandes multinacionais. Os europeus tardam em acordar de um pesadelo em que se deixaram cair. Nunca como hoje a vida dos cidadãos foi tão ameaçada pelo poder politico. O controle é total. A Comunicação social está de forma clara ao serviço das estratégia do capitalismo selvagem que tem neste momento as condições necessárias para sair à rua sem vergonha. O big brother de Horwell é nos países ocidentais uma realidade indesmentível. As pessoas sentem-se impotentes dado o momento social que se vive caracterizado por um individualismo atroz. E o mais caricato é que este personagem granjeia o apoio de muitos Portugueses e do aparelho partidário do PS.
Daqui posso retirar uma conclusão:
-os militantes socialistas que vergonhosamente a tudo se calam são, sem lugar a qualquer dúvida, uma organização que evoluirá para um partido semelhante ao partido do Colorado mexicano e apenas a vergonha os impede de abertamente declararem que o Socialismo democrático( como lhe chamaM) não passa de uma ideologia neofascista.

Manuel F. C. Almeida.

terça-feira, outubro 16, 2007


Canto o teu mundo
no meu
( A Adriano C. de Oliveira)

Do teu cantar
Fiz meu canto,
Do teu sonho
Meu sonhar.
Com teu olhar
Fiz meu espanto
Com teu espirito
Meu lutar.
Manuel F. C. Almeida





CARMIM


foto: Ana Rita Vaz Cruz







Canto o silêncio do mundo.
O abrir ruidoso das orquídeas
Nos campos incógnitos do sul.
As madrugadas de orvalho
Caídas no nosso olhar.
Canto a dúvida da vida
No seu lento despertar
E os teus lábios de carmim
Marcados por me beijar.
Eu canto o silêncio do mundo
Numa sonata ao luar.

Manuel F. C. Almeida

domingo, outubro 14, 2007











Amigos

FOTO BY:angelica





Em paz com o cosmos
Reencontro-me na memória
Terna de um coração amigo.
Venci a distância na recusa
De esquecer.
Agora sei que
Nada pode sangrar a imagem
Do nome amigo, e do seu coração
De filigrana encantada.

Manuel F C. Almeida

sexta-feira, outubro 12, 2007






FOTO BY;Lu Peçanha









O luar teima em manter-se acima da vontade ou da ilusória glória dos riachos. Deslizando devagar, sobre o tecto de chuva repentina, vislumbro as arvores que juraram defender o teu nome, naquela madrugada maldita em que a galáxia se espacejou sobre o nosso coração. É nessa chuva tempestiva que o teu nome se esconde, sempre do lado mais escuro do vento onde as buganvílias se desnudam, as libelinhas se transformam em janelas por realizar e as rosas cobrem a vastidão dos desertos. É linda a visão do deserto manchado pelo vermelho doce e aveludado dos teus lábios e do teu nome transvertido numa espiral de doçura suavemente obscena. Resta a esperança de figurar na linguagem assombrada do teu nome e que o soletrar se faça com o som de mil aves fossilizadas em mim.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, outubro 10, 2007








SOMOS SOLDADOS









Regresso da guerra
Das ruas de Bagdad, de Cabul
Ou de New Orleans,
Transporto no olhar o
Respirar lento dos que
Desesperam
E as lágrimas dos que
Chamam a morte.
Regresso cobardemente
Sorridente,
E trago comigo a lembrança
Dos olhares audazes
Dos mil heróis que pereceram
Por nada.
Trago também o colorido
Das medalhas
E o som abafado da fome
No olhar das crianças.
Regresso com o peso
Dos que ficaram
Dos que erguem a bandeira
Estúpida dos hinos e
Das cores garridas
Tatuadas na fé.
Regresso sujo pelo pó
Das vitimas colaterais
No Sudão, na Sérvia ou
São Paulo.
Marcado em brasa nas
Memórias lancinantes
Dos gritos de revolta
Do Tibete em silêncio.
Regresso com um rastilho
Nas palavras e a
Revolta de fogo nas mãos
Assassinas.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, outubro 09, 2007


quem foi que te traiu?
Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera inteira.Che Guevara

domingo, outubro 07, 2007









Margens





Foto by:Alba Luna



As margens deste rio apertam-se na linha do horizonte desenhando trilhos e caminhos secretos na procura do meu elo perdido. Os cisnes, brancos, desfilam nas aguas serenas, desenhando ondas que se repetem sem cessar como raios de sol. Sentado nas margens, fixo o olhar na plenitude do rio e na serenidade sensual da corrente. Encontrei o limite das minhas memórias neste espelho sem fim que se alonga na paisagem. As águas devolvem-me o olhar com a interrogação que lhes coloco. Nada mais pode interromper este último acto. Fecho os olhos na esperança de que tudo encontre o seu lugar dentro de mim. O ar, a terra, o fogo, a água. Finalmente sinto-me eu. Acaricio na memória o teu cabelo e tomo-te o corpo num sonho presente.

Serás para sempre.

Uma primeira ultima vez.




Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, outubro 04, 2007



ALENTEJO

(NOVO OLHAR)









Silêncios tingidos
De branco
Em dias de luz
De um só tom.
Mascaras feitas
De terra
Em moldes
Sem tempo
Nem som.
Charnecas sem
Movimento.
Praias de vistas
Sem fim
Montes e vales
Despidos
Giestas, estevas
Jasmim
Tudo está preso
No tempo
Tudo está vivo
Pra mim.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, outubro 03, 2007






POETAS







MINEIROS DOS CONCEITOS
QUE SE ESCONDEM E SE ENCOBREM
NAS PALAVRAS QUE SE DESPEM
DE REALIDADES ILUSÓRIAS.
DA NOITE CONSTREM O DIA E
DOS OLHOS, FAZEM UM REFUGIO
COM MIL DESENHOS, ERÓTICAMENTE,
SONHADOS.
DOS BRAÇOS ABERTOS FAZEM AVES,
E COM ELAS VIVEM LIBERDADES
EM CORPOS, LUXURIOSAMENTE,
SUADOS.
E CAVAM FUNDO NOS SEGREDOS
QUE OS SENTIDOS INDICAM
NAS PALAVRAS E SENTIMENTOS
MUDADOS.


MANUEL F C ALMEIDA

segunda-feira, outubro 01, 2007






despertar magico



Foto by:


ABrito






Com o veludo dos teus lábios
Afagas-me a alma
E numa canção de embalar
despertaste-me o corpo
Em tarde calma.


Manuel F.C. Almeida

sábado, setembro 29, 2007






sopro





foto by:artland










Foram os fios dos meus dedos
Que se encantaram nas sedas do teu corpo
Foste a crisálida encantada.
A beleza transmutada pelo tempo
Ao passar dos meses e do sol.
Num desejo, eu clamo pelo teu ser
E faço deste amor um hino, uma canção
Projecto além, este meu querer...
Soprar-te um dia o coração.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, setembro 27, 2007






Dizer lutar



foto by: RAPHAEL o pensativo




A luxúria dos movimentos
e do olhar
Desperta a leveza livre
dos desejos

Da negação das divindades
solta-se o fulgor
dos corpos em bruto

E da volúpia egoísta
da carne,
solta-se o amor
pelo qual eu luto.

Manuel F.C. Almeida

terça-feira, setembro 25, 2007









Tela



foto by:MARIAH





Na paisagem de uma tela insensível
Erguem-se muros sobre os sentidos.
Os silêncios tocam o desejo
E o vento embala os sonhos e o prazer.
Constrói-se o nome dos nomes
E sobre ele o amor dos amores.
Os rostos tomam a cor da luxúria
Como cavalos selvagens nas pradarias
Desaparecidas.
Nos lábios repousa a fragilidade da vida,
Já nada resta do que fomos.

Manuel F. C. Almeida

domingo, setembro 23, 2007






SENTIDOS



FOTO BY: avalon [paulo franco]





Os meus dedos desenharam-te
e os meus olhos encheram-se de ti.
As mãos contornaram a tua figura,
os lábios uniram as bocas
e fundimos os corpos
na leitura de um poema…
Deste poema.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, setembro 21, 2007





HUMANOS




Foto by:


Filomena Chito




Que me dizem deste trilho de fórmulas escondidas onde se tropeça no sentido da palavra vida?
Olhem bem dos homens, as sombras projectadas de uma dança selvaticamente colorida pelo suor dos bailarinos.
Olhem bem para esta sinfonia de lírios em movimento circular na tentativa de abrir assim um caminho em direcção ao infinito, e a angustia das libelinhas sem rios para ocupar.
Neste trilho tudo se repete e acontece numa fusão orgânica livre de espécies e de tipos.
Neste trilho que teimamos em queimar mais não somos que coveiros da vida.
Da nossa vida.
De toda a vida.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, setembro 19, 2007






Caminho



Foto by: Bruno Abreu




Nada mais procuro que um pouco de paz
Nas aguas límpidas de um rio que penso meu.
Caminho, cego, em direcção a faces que não vejo
Guiado pelo cheiro de quem julgo que me quer.
Pretensão sublime conhecer alguém
Neste turbilhão humano que teima em fazer
Da vida artigo para vender.

Manuel F. C. Almeida