sexta-feira, maio 04, 2007


foto by: Sérgio P.
A Isabel conduziu-nos pelos campos que começavam a apresentar o tom colorido das pequenas flores campestres. Eu seguia em silêncio. Eram muitas as coisas que me assaltavam o pensamento. Aparentemente tudo estava explicado. Tinha agora a difícil tarefa de comunicar tudo à Policia. Tinha também pela frente algumas decisões difíceis. Era óbvio para mim que me sentia deslumbrado por três pessoas. Isabel, Fatima e Elouise. Também tinha a certeza que uma outra pessoa vivia dentro de mim. Por quanto tempo mais? Não sabia. No entanto sabia que não seria honesto caso iniciasse algo sem que me sentisse preparado para tal. Sentia atracção por três mulheres, uma já presente no meu passado, outra que ocasionalmente conhecera mas que não significava mais que deslumbre a ultima era na verdade diferente. Tão diferente, que me apercebi disso no exacto momento em que a conheci. Tão diferente que me deslumbrou.

quinta-feira, maio 03, 2007


foto by MARIAH
Escrito o poema,
A maldição renova-se.
Um novo frenesim se manifesta
E se precipita na
Ânsia de um novo poema
A nascer.
Tudo se assemelha a uma
epidemia .
O poema,
O próximo poema
Todos os poemas.

Ser poeta é estar doente.

Manuel F. C. Almeida.

quarta-feira, maio 02, 2007








Dança minha concubina
Remexe o teu ventre
De encontro ao meu.
Não pares de dançar
Dança o verde da floresta
O azul do horizonte, o mar
Dança o abraço eterno do sol
Ao calor da mãe gaia

Dança minha concubina
Meu raio de tempestade,
Minha sorte, minha sina
Meu horizonte perdido
Minha praia.
Minha tocha olímpica
Minha deusa grega
Meu luar.

Dança até ser dia
Esgota-me no teu dançar.

Manuel F. C. Almeida.


Foto by:

Alba Luna

Se um dia desejares juntar-te a mim, deixo-te um segredo. Estarei sempre ao sul. No sul de Corto Maltese.
E só mais uma coisa. Diz aos meus amigos, mas aos que tu sabes que o eram de verdade, que estou na estrada que escolhi, que aparentemente estarei sozinho mas que guardo sempre comigo, a voz, a imagem dos que comigo pugnaram de perto. A minha única riqueza são as memórias que tenho. E os amigos que sempre terei.
Agora chega. Nada mais há a dizer.
Até um dia………………………..

Rodrigo Almeida

“Estarei sempre ao sul. No sul de Corto Maltese”. Argentina ou algures na América do sul?. Isto ficou-me na cabeça. Ele estava a dizer-me onde estava ou poderia estar.

Não dei pelo tempo passar, a Isabel e a Elouise interromperam-me o pensamento. Era tempo de almoçar. Fomos no jipe. Eu ia em silêncio. A minha tarefa estava terminada. Rápido demais. Teria de justificar a vinda com um relatório.

terça-feira, maio 01, 2007


É rubra a voz que levantas
No calor da tua batalha
Canta camarada, que encantas
Com canto esta muralha.

Temos de a fazer muito forte
De a construir com verdade
Façamos dela um forte
Defesa da liberdade.
Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, abril 30, 2007



foto by: carlos pereira

Vem! Surpreende-me com o teu ar
De felino na caçada.
Toma-me numa cornucópia
De luxúria insaciável.
Sacia a tua sede neste oásis
Que sempre fui em ti.
Mata a tua fome de corpo
Em mim.

Agora sabemos os dois a cor do
Frio nas noites tristes
Quando voltámos as costas ao outro.
Vamos refazer aquela tela que ambos
Pintámos de natureza.
Vamos colocar o coração no
Lugar do coração.
E fazer das nossas mãos
Minhas mãos e tuas mãos.

Manuel F.C. Almeida


Foto by:
Como sabes passei os melhores anos da minha vida, ou os que o deveriam ter sido, embrenhado nas diferentes escolas. Da primária até terminar a faculdade passei cerca de 20 anos da minha vida a ser formatado. Raramente de deparei com alguém digno de registo. Raramente me deparei com um mestre. Fui crescendo com valores impostos e hipócritas. Os conselhos familiares para ser honesto contrastavam com uma sociedade das mais corruptas que conheço. Ao exemplo familiar de amor à liberdade sobrepunha-se a vivência social pejada de gente mesquinha e com espírito delator. Na escola tudo era igual. Poucos se importavam com o saber ou se sabiam. O interesse era todo e só virado para o resultado numérico obtido. Os professores na generalidade eram uma extensão medíocre de um mundo medíocre. Ainda assim fiz o que me era pedido. Fiz tudo, como um bom rapaz. A família ficou medianamente feliz, os amigos também. Só eu continuei infeliz. Não sabia porquê, só sabia que me sentia miserável.

sábado, abril 28, 2007



Foto by

betho feliciano

Curiosas, as
Palavras procuram-se
Em telas de todas as cores.
Lá, onde se escondem
Os sentidos,
Seguem embriagadas
O conceito de um corpo,
De um amor.
E como nuvens
Dissolvem-se, em gotas
De esperança, de amizade
E de tempo.

Está a chover algures.

Tudo é eterno regresso a ti...

Manuel F.C. Almeida.

sexta-feira, abril 27, 2007


FOTO BY :
E sinto o teu regressar
Tacteando devagar
A minha alma tão diferente.

Não sei o que desejar
Muito menos que pensar
Do passado, estou ausente.

E faço dos dias poemas
Complexos teoremas
De palavras com presente

Manuel F.C. Almeida.

quinta-feira, abril 26, 2007



foto by: www.paulocesar.

Escrevo páginas com o teu nome.
Debruado com palavras mágicas,
Aquelas palavras que tudo dizem,
E nada fazem sozinhas.
Invento assim novas frases
Sem rumo certo, antes palavras sós,
Incoerentes, inconsequentes.
Frases sem sentido, que se querem
Vivas, reais e presentes.

Manuel F. C. Almeida



foto by

Marcos S. Sousa

A vinda para este lugar, o contacto com pessoas de mundos diferentes e com perspectivas diferentes acabou por me acordar. Embrenhei-me na vida como nunca o tinha feito. Dei largas à minha paixão pela poesia e pela filosofia. Apaixonei-me, vivi relações fantásticas com pessoas fantásticas. Acima de tudo aprendi a ouvir. E foi a ouvir que descobri um mundo que me esperava algures. Um mundo onde os jovens não se hipotecam aos bancos desde tenra idade, um mundo onde a noite não é passada em frente de uma caixa colorida. Não sou naif, sei que essas pessoas, provável mente, desejarão tudo isto, mas a verdade é que o seu mundo ainda está livre de tudo isto. Vivem com muitas dificuldades e superam-nas. É para um local desses que vou. Não vale a pena procurar-me, se desejar ser encontrado eu darei sinais. Tens agora a espinhosa tarefa de encerrar o que julgo vir a ser um problema de polícia. Só tu o podes fazer de forma a evitar mais complicações. Soube antes de partir da tragédia que te sucedeu. Lamento, mas a vida para ti não acabou.

terça-feira, abril 24, 2007


Já me soa no olhar
A cor de mil ilusões
Vai um Abril a passar
Vai um sonhador a chorar
As suas traídas paixões.

E chora o seu sonho traído
Sem saber mais que fazer
Chora pelo que lhe é devido
Chora por não ter agido
Na defesa do seu querer.

Manuel F.C. Almeida.


foto by Luis Miguel Mateus

Nem sempre me recordo dos minutos
Bebidos em teus seios.
Muitas vezes abandono-te e fico refém
Dos meus medos, meus receios.

Nem sempre me recordo dos tempos
Perdidos em teu sexo.
Muitas vezes deixo-me só…
Revelo-me complexo.

Pois!
Nem sempre te recordo ou me recordo
Dos dias de inocência
Muitas vezes só está presente
A cor da nossa imprudência….

Manuel F. C. Almeida


Começava a fazer sentido o que naquela manhã eu tinha descoberto.
Abri a carta com algum nervosismo. Ela apercebeu-se e disse-me que ia fumar um cigarro. Agradeci-lhe a descrição com o olhar.
A carta era-me dirigida:
“ Amigo Manuel:
Sei que virás um dia. Quando leres esta minha carta estarei algures por esse mundo, a cumprir o meu desejo. Ser útil. Aqui nada me prende. Nada tem valor. Desculpa não me ter despedido, mas não gosto de despedidas. Só me despedi de uma pessoa, da Elouise. É um diamante, uma força da natureza. Não sei se ela sabe isso, mas eu sei. Foi a ela que confiei este meu desejo, porque sei que nunca me trairá. A nossa amizade irá sobreviver ao tempo e à distância. Ambos sabemos isso.
Deves estar a interrogar-te sobre os meus motivos. Tentarei ser sintético, racional no que irei dizer.

segunda-feira, abril 23, 2007


foto by tiago
Eu
Mais não sou que vulcão
Em súbita erupção
De pétalas aveludadas.
Rio que se precipita para a morte
No desejo que em sorte
Lhe calhem margens apertadas.
Centelha de sol que massacra
Minha vida, via-sacra
Meus caminhos, minhas estradas

Eu
Mais não sou que ilusão
Miragem do vento suão
Cheio de tempo e de nadas.
Manuel F.C. Almeida







foto by Carlos Carpier

- E que lhe interessava isso? Ele não pediu a ninguém para o procurar se o fizeram e fazem é por curiosidade e como ele dizia por egoísmo.
- Egoísmo? Eu desde que o caso sucedeu que sinto necessidade de obter respostas, tinha-me por amigo dele, nunca me conformei com o vazio.
- Ele sabia que você viria um dia, sempre me disse isso. Descrevia-o como um bom amigo, alguém em quem se pode confiar. Por isso confidenciou-me uma coisa.
Acto contínuo dirigiu-se ao armário e retirou um livro. “ A Critica da Razão Pura”. Kant, o sistema, o método. O livro tinha uma capa dupla, bonita, protegida. Rapidamente rasgou a capa e na sua mão surgiu uma carta. Era endereçada à minha pessoa.
- Esperei que viesse tal como o Rodrigo me pediu. Disse sempre que viria. – Disse ao mesmo tempo que me estendia a carta.
- Porque não a entregou à polícia? – Perguntei.
- Porque o Rodrigo desejava que fosse entregue a si quando viesse, não gostava de polícias nem de autoridade em geral. Costumava dizer que a autoridade reconhece-se não se impõe. e que não é pelo facto de alguém usar uma farda que ele reconhece-se nesse alguém, qualquer tipo de autoridade.

sábado, abril 21, 2007
















FOTO BY MARIAH

Costumo cantar a amizade
E o amor sempre presente
Também canto a liberdade
Canto a mudança premente
Canto um mundo de valores
Que fui cultivando ao crescer
Canto um universo de amores
Que vivem no meu viver.
Canto a liberdade a passar.
Um mundo a existir
Canto o eterno mudar
Neste constante devir.
Faço da vida um cantar
Tento fazê-lo com arte
Sou coerente a amar
Amigo do amigo que parte.


Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, abril 20, 2007









foto by João Camilo

Suave como a paisagem
Nos campos do sul
Tu vieste como sempre
Foste;
E do choque do passado
Com o presente
Ousámos reconstruir
O futuro,
Num querer que nos
Enlaçou num oceano de
Duvidas e temores.


Mas que sabor teria a vida
Se de certezas tratássemos?

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, abril 19, 2007


FOTO BY:
Luis Gonzaga Ribeiro
Devorei-te o corpo
Naquela madrugada
Em que os espíritos
Habitaram
A minha vontade.


Manuel F.C. Almeida


foto by Angelica

Olhei para ela. Parecia tão certa de tudo o que dizia respeito ao desaparecimento do Rodrigo que pela certa saberia muito mais. Era estranho, afinal eu não conhecia nada do rapaz. Cada passo, pequenino que fosse, revelava-se um mundo novo, um homem desconhecido.
- Porque diz isso com tanta certeza? – Perguntei.
- Pelo simples facto de ter sido a confidente dele durante meses. De ter partilhado os seus sonhos, os seus medos um pouco da sua vida. – Respondeu
- Amaram-se?
- Sim! Como amigos, confidentes, como ombro do outro. Nada físico, éramos profundamente semelhantes em muita coisa, no entanto a paixão romântica nunca nos tocou. Devorávamos as horas a conversar, excomungámos muitos fantasmas, enfim, de alguma forma éramos almas gémeas que se encontraram, mas unicamente amigos.
- se sabe assim tanto sobre ele saberá ao menos porque simplesmente resolveu desaparecer sabendo que isso iria trazer trabalhos a muita gente?