
Manuel F. C. Almeida
Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ




Humano sou, homem me fiz
Trago um sentir, de coração feito,
Sei falar e ouvir o que diz
Quem me viveu dentro do peito
Amo a poesia e a madrugada,
Amo o vento, o canto e o mar,
Amo a lua, minha namorada,
E trago em mim a brisa a cantar
Tenho um amor no meu passado
Que eu pretendi apagar
Um amor que tenho cantado
Na vã esperança de o negar.
Mas é tão nobre tudo o que sinto,
Tão dolorosa a sua ausência
Que ao mundo penso que minto
Quando nego esta evidencia
Mas amo todos os que são
Dignos da minha amizade
Toco-lhes o coração
Pra esquecer esta saudade.
E aos que costumam passar
Com suas tristezas e dor
Digo que saibam esperar
Talvez reencontrem o amor.
Mas canto e escrevo o sentir
De alguém que a vida tramou.
De alguém que não quis mentir
De alguém que se sacrificou.
Talvez não seja um amigo
Que se queira ter por perto
Trago fantasmas comigo
E o coração num aperto.
(a partir de um tema de Vinicius de Morais)
Manuel F.C. Almeida

Tinhas no olhar uma chama imensa
Nas palavras, um medo que entendo
Afinal fui só mais um remendo?
Ou o sentir de uma ideia intensa?
Nas tuas palavras habitam cautelas
Provocadas por esse teu medo
Mas deixa que te diga um segredo
Também eu penso muito nelas
Porque já chega de sentir tristeza
Onde deveria sentir felicidade.
Amar-te na eternidade
É fazer um poema com tua beleza.
Manuel F. C. Almeida

Já sinto no ar
O teu aroma.
Escrevo nas águas
Versos para te cantar.
Versos de ternura
Infindável.
Agarro os teus
Movimentos no cérebro
E esqueço
A dor dos meus
Dias de angustia
Intolerável.
Paro ao primeiro sinal.
Olho-te nua
Numa movimento
De aguas sem caudal.
E aí ficaste… humanamente
Imperdoável.
Manuel F.C. Almeida





Acordo, olho o maldito relógio. É hora, mas hora de quê? De não fazer a ponta de um corno, de me recusar a pensar ou a agir. De não sorrir, de desejar estar só, de não esperar por nada ou por alguém. É hora de não ambicionar, de não sonhar mais, de nada desejar ter. É hora de olhar e ver que nada disto tem sentido, que não sou importante ao mundo ou há vida. É hora de “ não ser”. Mas se morro nesta hora terei de ressuscitar, renascer, de começar a reaprender a falar, a andar, a abraçar, a sorrir, a viver. E sobretudo (não é casaco não) a Amar. E isso está a ser feito.



