
Eu hoje estou cansado.
Tudo me dói
Dói-me o presente
Dói-me o passado
Dói-me o que penso e não penso
Dói-me a alma e a palavra mundo
Dói-me o ser e o não ser
Até me dói o simples querer
Voltar a ser, “ SER”
Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ









Tenho na voz um novelo
Feito de dias.
Calaram-se as palavras
Que voam.
Só o querer quebra
Os silêncios.
Uma gaivota plana
Não ar.
Há pedaços de mim
Em mil lugares,
E no bar os homens cantam
Ao sabor de Baco...
(cantam os homens)
" Tens contigo a maldição
Da dança macabra da morte.
Dá-nos o teu coração
E voltarás a ter sorte."
(fim)
Tenho na voz um novelo
Feito de imagens.
Umas chegam, outras partem,
Outras que se alimentam
Do tempo presente.
Mas todas são apenas
Miragens.
E tu estas ai?
Manuel F. c. Almeida

Amar as palavras simples que escreves
Neste mundo louco, estranho e até frio
É algo de novo e um pouco sombrio
Na terra que em tempos teve almocreves
Gente que fala e sonha com o tempo
Palavras sem “ser” sem côr, emoção
Palavras gélidas, sem coração
Sinfonias criadas em contratempo
Árias que cantam só um momento
Poemas que vivem na palma da mão
Letras que gritam a solidão.
Promessas impressas que voam no tempo.
E assim somos estranhos, já conhecidos.
Gente que vive num mundo ideal,
Onde o “ acontece” pode ser tão fatal
Como podem ser miragens nossos sentidos.
Manuel F.C.Almeida