
Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ
segunda-feira, julho 20, 2009
sábado, julho 18, 2009

E teus olhos ficaram tão brilhantes
Depois daquelas horas encantadas
Que pensei ver neles diamantes
Mas eram apenas pedras disfarçadas
Foi nesse momento que entendi
A maleita de que todo o ser padece
E se há coisa que então aprendi
É que só "somos" enquanto acontece .
Manuel F. C. almeida
fotoCarlos Sillero
sexta-feira, julho 17, 2009

Ser poeta é ser operário
Na construção do impossível.
É trautear a canção ingénua
Dos olhares incautos
E puros dos que sonham.
É encontrar no Outono
O sol brilhante da primavera.
É amar na vida o universo
E mostrar o amor em cada verso.
Ser poeta... é ser quem espera.
Manuel F.C. Almeida
fotoangelica
quarta-feira, julho 15, 2009

E o tempo
Mudaram-me
O rosto.
Gosto,
Das lágrimas
E das cascatas
Do rio.
Sorri,
Ao manto
Leve
Da morte.
A sorte,
De encontrar
Um trevo
De mar.
Amar,
Um corpo
De mulher
Obtusa.
Musa,
De boca
Com lábios
De rosa.
Prosa,
Feita com
Rima;
Um dia
Será
Poesia.
Manuel F. C. Almeida
segunda-feira, julho 13, 2009
Só quando te despojares
do teu ser
E nada tiveres
como certo
Entenderás então
que viver
É uma luta eterna
No deserto.
Só então nessa
Mudez
Estarás pronto
Para aprender
Que na vida
é a "surdez"
que divide o existir e o
“Ser”
Manuel F.C. Almeida
fotoSAGHER
sexta-feira, julho 10, 2009

Hoje não me apetece escrever. Não tenho temas nem ideias. O verão fode-me os neurónios todos e deixo-me levar pelo desejo pornográfico de me esticar na praia a ver todo o coname bom que vai passando. O meu filho acha-me um perigoso tarado. Teme pela minha saúde mental, especialmente quando lhe digo que o verão é convite ao sexo desenfreado e selvagem, ou quando o alerto para a necessidade de abandonar as pivias e se dedicar a usar o talo de forma digna e bem mais prazenteira. A merda do trabalho tira-me a vontade de viver. Gente e mais gente a foder-me a tola. Gente que se leva a sério, que teima em tentar ensinar-me como se vive. Como eles vivem claro. Vidinhas reles, cinzentas e hipócritas. Levam-se a sério, convenceram-se de que fazem coisas importantes e que é esse o nosso papel neste mundo fétido e podre. Do alto do seu oco saber, apregoam morais feitas de papel e comportamentos socialmente aceites. Eu finjo todos os dias ser um pouco como eles e um pouco como eu. Ou seja todos os dias me fodo um pouco mais. Faço de mim uma puta. É essa a medida exacta do que sou. Puta. Infelizmente nem sou uma puta daquelas que ganham dinheiro a vender a cona a quem mais der. Não, eu sou uma puta social. Vendo a merda da imagem num mundo cheio de gente sem alma e sem tusa. Vendo o “ser”. Aspiro, como todos os merdas deste mundo que se prostituíram de forma consciente, ao dia em que dignidade se sobreponha á ditadura social em que mergulhei. Até lá a verdade é que não me apetece escrever. Até esta merda de escrever a usar correctores, se transformou numa ditadura educacional filha da puta. Cada palavrão lá está o vermelho por baixo a dizer-me que estou a violar as regras. Ainda assim o broche lá se vai safando por via de ser usado nas lapelas das gajas. Agora minetadas, canzanadas ou uma palavra tão simples como foda, são de imediato assinaladas. Este mundo é um logro, milhares de incapacitados mentais teimam em acreditar que “um dia vão ser felizes”. Puta que os pariu. Ainda nem viram que a única felicidade a que os deixam aceder é à Morte. Porque digam o que disserem um tipo que começa a trabalhar com 17 anos, e só lhe permitem que se reforme aos 65 nunca pode ser feliz. Porque quando se reformar nem vontade tem para foder, nem as gajas boas querem foder com ele, porque e antecipo já a vossa merdelosa conclusão, para mim a felicidade passa muito pela foda. e assim com 60 e tal anos o escravo que foi contenta-se em bater ocasionalmente uma punheta e a frequentar umas massagistas no único prato q`uesta merda de processador de texto não censura: o broche. Aliás aconselho vivamente o vídeo no youtube que da pelo titulo de “brochin” com o João de César Monteiro. Uma pérola e um filho da puta de velho que nunca se vendeu a cabtão nenhum. Pelo contrario chulou uns bons milhares a gozar com a maralha toda e ainda teve a coragem de dizer:- eu quero que os portugueses se fodam. Grande homem este João, dos poucos felizes a vida inteira. Devo dizer que o invejo, é que de verão lá estava ele no príncipe real a convidar as miúdas que passavam a massajar-lhe o caralho. Gostem ou não do homem a verdade é que ele sempre se esteve cagando para todos nós.
quarta-feira, julho 08, 2009
domingo, julho 05, 2009
sexta-feira, julho 03, 2009

Dentro de mim
Habitam madrugadas
De janelas abertas e
Varandas para o oceano,
Onde me debruço
E aspiro o perfume
Almiscarado
Da memória.
Manuel F. C. Almeida
foto pedro nossol
quarta-feira, julho 01, 2009

Na solidão que me marca a vida
Iludiu-me o cheiro, o corpo e o canto
A todas as sombras chamei “minha querida”
E de amor em amor fui naufragando
Recomeçando sempre a minha viajem
Mas de amor em amor eu fui encontrando
A lição que o “amor” é talvez só passagem.
Manuel F.C. Almeida
segunda-feira, junho 29, 2009

Diz-me lá agora
Onde estão as flores
Que teimas em esconder
E chamar de amores.
As pétalas que um dia
Desfolhei.
Os lábios com vida
Que beijei.
E agora que pensas tu fazer?
O mundo que fizeste
Vai morrer.
Eu… já nem sei mais o que pensar
Só quero sentar-me á beira-luar.
Olhar as ondas que morrem na areia
Limpar o passado desta correia
Começar de novo num outro corpo
Que este está velho, parece já morto.
Limpar a minha alma, limpar o meu ser
Encher a vida com outro viver
E nunca deixar de acreditar
Que tudo na vida é um rio a sonhar.
Manuel F.C. Almeida
fotoJET ...
sábado, junho 27, 2009

Caminho só
Caminho meu
Feito de pó
Como o meu céu
Caminho livre
Feito mortalha
Caminho fio
De uma navalha
Caminho claro
Caminho escuro
Desejo livre
Saltar o muro
Caminho novo
Caminho velho
Em todos eles
Existe um espelho
Caminho sombra
Caminho olhar
Trilho desenho.
Meu caminhar.
Manuel F. C. Almeida
fotoLena Queiroz
quarta-feira, junho 24, 2009

Os poetas são artífices da palavra.
Mineiros das jóias que se escondem
No sentido e no conceito.
São uma outra forma de artistas.
Dos seus dedos, as palavras soltam-se
Como as notas de um piano
Ou as figuras de um quadro.
Com o tempo, sempre ele,
Acabam por recriar a linguagem
E inventar novos sons.
Tingem de cores impossíveis
A sensibilidade e a razão.
Elaboram partituras inaudíveis
Mas sempre vivas, numa
Dialéctica que se solta, se liberta
E se esconde
Do senso comum.
Tal como uma ciência medieval
Permanece sempre misteriosa,
Inalcançável.
Assim a poesia é a arte da revelação
Impossível, da palavra em fuga,
Da magia infantil da inocência.
A poesia é toda a vida em criação.
Manuel F. C. Almeida
fotoLuis Mendonça
segunda-feira, junho 22, 2009

Crónicas da liberdade.
Encontrei-a junto ao rio. Passeava devagar enquanto atirava pedras para a água. As pequenas ondas perpetuavam-se por tempo indefinido. Sentei-me na muralha que serpenteava o rio. Ela aproximou-se e sem dizer palavras sentou-se a meu lado. O cheiro dela inundou-me o dia. Ali ficamos, parados e calados em comunhão silenciosa com o rio e com a solidão que nos atacava a existência. Só a vi anos volvidos, numa pequena aldeia de pescadores em plena costa vicentina. Preparava-me para publicar o meu livro e disse-lhe que um pouco daquele silêncio de outrora vivia nas paginas da obra. Os seus grandes olhos azuis pararam a olhar-me e senti o vento a tomar-me o cabelo. Lentamente passou a língua pelos lábios, tirou um violino da mochila e tocou para mim. Tocou Bach e Mozart. Enquanto tocava recordei a solidão vivida anos antes. A loucura do silencio. O terror de uma existência adormecida. Morta. Só o silêncio do violino me arrancou ao silêncio do pensamento.
Senti a sua mão quente, quando a pousou sobre minha. Os nossos lábios tocaram-se. O beijo deixado no ar havia anos, só naquele momento aconteceu. Toquei-lhe a alma quando nos separamos. Finalmente tínhamos dado vida ao silêncio.
Manuel F. C. Almeida
fotoDuarte Victor
sábado, junho 20, 2009
quinta-feira, junho 18, 2009

Olhar o tempo
Beijar a lua
Ouvir o vento
Amar-te nua
Sentir a vida,
A latejar
Na eternidade
Do teu olhar.
Manuel F. C. Almeida
fotoMiguel Moura
terça-feira, junho 16, 2009
segunda-feira, junho 15, 2009
sábado, junho 13, 2009

É em ti que eu penso
Quando o ruído da batalha
Esmorece e me revejo
Nas flores espalhadas no chão
No espelho desenho o teu
Corpo e num acesso de
Raiva incontida
Quebro-te em mil pedaços.
O sangue das flores mancha
Enfim o campo de batalha
Vinguei finalmente o corpo
Só o cheiro das flores ficou
Quando em ti penso.
Manuel F. C. almeida
quinta-feira, junho 11, 2009

A luta resiste ao tempo
E ao corpo
Moldemos o vento,
Soltemos o fogo.
É hora de percorrer
O caminho que construímos.
Exigir o mundo
Num tempo impossível
Manuel F. C. Almeida
foto JET ...
terça-feira, junho 09, 2009

Mil tempestades imensas
Abrigam-se no nosso olhar
Soltam-se os nossos sentidos
Que se derramam no mar
Nem tu os vais entender
Nem eu os quero domar.
Manuel F. C. Almeida.
fotoLuis Gaio
domingo, junho 07, 2009
sexta-feira, junho 05, 2009
quarta-feira, junho 03, 2009

Das memórias escondidas
Saltam os contornos da cidade,
O som caótico dos dias,
E o sabor a canela do teu
Corpo.
Manuel F. C. Almeida
fotonegateven
segunda-feira, junho 01, 2009

Percorri com os lábios
Os vales encantados
Do teu corpo.
E nas quedas de água
Do teu ser
Matei a sede de viver.
Manuel F.C. Almeida
foto negateven
sábado, maio 30, 2009
quinta-feira, maio 28, 2009

Tremes sob o peso do vento
Gritas o nome do mundo
Vives no intervalo do tempo
Morres num sono profundo
Iças, a bandeira da vida
Queimas os pulmões ao nascer
Mostras a face escondida
No momento de morrer
E vives sem nunca entender
Que o amor é uma ilusão
Um quadro pra te prender
Na galeria da paixão.
Manuel F.C. Almeida
fotoJET ...
terça-feira, maio 26, 2009

Perder o tempo nos dentes e cagar-me.
Colher chatos nos tomates.
Contingências
Intemporais?
. Esta é a sublime interrogação da poesia pós modernista ou como diria o ministro:
- Isto é o expoente máximo entre o ser e o ter, uma equação infalível, um teorema matemático. A derradeira interrogação filosófica cabalista.
A reflexão ministerial, como sempre feita a preceito, levantou uma onda de protestos sem precedente. Intelectuais de todos os quadrantes resolveram protestar, eles com uma manifestação junto á assembleia da república, na qual o orador apelou à masturbação colectiva de forma a tornar as escadas escorregadias, facto não totalmente conseguido dado a avançada idade de alguns dos participantes que ao invés de se virem acabaram por se ir, elas avançaram para uma forma de protesto mais radical, mascaram-se de 1º ministro, o que lhes valeu uma noite com bebidas pagas em bares de reputação duvidosa e, pelo menos num caso, o convite para um filme gay, coisa a que a convidada acedeu tendo os participantes do filme protestado pela falta de tratamento igual.
Também nos meios académicos e estudantis a revolta foi grande. Invocaram-se argumentos retirados da suma teológica e da obra poética Pessoana para contrariar as palavras do ministro. Algumas faculdades chegaram mesmo a fazer excursões organizadas ao jardim zoológico, nas quais levavam farnel de feijoada, vinho tinto, cebola crua e arroz de polvo de forma a evitar a flatulência leve. Um caso houve de dois estudantes que chegaram a comer sopa de legumes com lentilhas e acabaram numa sinfonia anal sem precedentes na história da nação.
A revolta alastrou também aos meios operários e camponeses e aqui atingiu uma violência extrema. Em cidades fortemente marcadas pela consciência operária nada foi poupado. As ruas viraram autenticas passadeiras de preservativos tal a violência do protesto. Farto de serem fodidos, os comités operários passaram a foder tudo e todos, havendo inclusive um caso de um operário ter fodido a mulher o que revela a selvajaria do protesto.
Nos campos, a mentalidade mais conservadora levou a episódios rocambolescos nos quais se deu conta da violação de galinhas, porcos, vacas e ovelhas, coisa banal nestas bandas, mas que neste caso assumiu proporções descontroladas e a noticia de um maioral ter sido apanhado a enrabar um padre evangélico foi a gota de água que levou o exercito a intervir.
Numa 1º fase os soldados bem armados conseguiram avanços significativos na repressão à violência instalada, mas mais tarde e em face da aparição de uma prostituta de Lisboa, vestida com roupa de saldos, a parecer uma banal mãe de família, acabaram por mudar a sua posição e deram inicio a uma das mais ferozes e sanguinárias revoluções do mundo. Tudo acabou depressa com uma disseminação de gonorreia por todo o lado, tendo os membros do governo sido infectados através das axilas, um marinheiro cego e barbudo estava infectado.
Por fim o ministro lá explicou que afinal a água mineral gaseificada sempre servira para alguma coisa.
Deu o seu arroto e cagou-se como um valente. Vai ser canonizado na próxima semana devido ao milagre produzido.
Manuel F.C. Almeida
sábado, maio 23, 2009

O meu caminho
É feito de terra
Crua, nua
Em guerra.
Planície pintada
No pó.
Caminho meu…
Só.
Manuel F. C. almeida
fotoSAGHER
quinta-feira, maio 21, 2009
terça-feira, maio 19, 2009

O MINISTRO
(tentar imaginar isto declamado por Mário Viegas)
Hoje o Sr. Ministro arrotou!
Inesperadamente arrotou!
Nada fazia prever tal acontecimento.
Em resultado disso o secretário do Sr. Ministro
Abriu um rigoroso inquérito
Para apurar como tinha acontecido
O ministerial arroto.
Foi criada uma comissão de inquérito
Composta por 10 membros
Responsável pela elaboração de um relatório.
O prazo é de dez dias após a tomada de posse.
Durante esse tempo
Cada membro da comissão
Terá direito a carro, subsídio de renda de casa,
Despesas de representação, subsidio para almoço
E telemóvel sem limite.
Pode ainda nomear uma secretária e contratar
Os serviços de uma call girl.
Isto porque o Sr. Ministro arrotou...
Imaginem agora se ele se tem peidado!
Manuel F. C. Almeida
domingo, maio 17, 2009
sexta-feira, maio 15, 2009

“Na Natureza nada se perde, nada se cria, mas tudo se transforma.”
"Lavoisier"
Eu sempre fui, sempre serei
Sempre existi, sempre irei estar
Sou imortal, agora que sei
Que sou só matéria sempre a mudar
Eu era presente no começo do tempo
No instante zero da existência
Meus átomos foram soprados ao vento
Até se encontrarem em coerência
Por isso não creio na vida e na morte
Não creio nos Deuses, no bem ou no mal,
Existir como “ser” é uma questão de sorte
Viver nada tem de transcendental.
Manuel F.C. Almeida
quarta-feira, maio 13, 2009

Foi com ela que abri
As portas do paraíso,
Engalanadas com balões
E papel de embrulho
Colorido.
Foi com ela que encontrei
A imortalidade dos sentidos
Revelados nos beijos
Que animavam nossos corpos.
E foi com ela que perdi
A fé nos amores eternamente
Incertos.
Manuel F. C. Almeida
fotoJoão Camilo
segunda-feira, maio 11, 2009

Só a lua é testemunha
Do meu gesto.
Agarro o luar na ponta
Dos dedos.
E com eles encanto o
Teu ventre
Que como uma flor
Se descobre…
Para mim.
Manuel F.C. Almeida
foto:Nuno Bernardo
sábado, maio 09, 2009

PORQUE HOJE É DIA DE MUDANÇA
UM POETA DO TAMANHO DO MUNDO
Segue o teu destino
Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.
Ricardo Reis
sexta-feira, maio 08, 2009

Escrevo
Para te escrever.
Ocaso nu.
Torso a crescer.
Centelha de vida.
Eternamente esquecida.
Manuel F. C. Almeida
foto:DDiArte
quarta-feira, maio 06, 2009
segunda-feira, maio 04, 2009

O mar
Funde-se com o olhar.
E euperco-me no labirinto
Da palavra...
Universo
Manuel F. C. Almeida
foto:Nuno Miguel Silva
sábado, maio 02, 2009

Só. Estou cada dia mais só.
O mundo passa a correr por mim,
E eu parado, vejo as imagens desfilarem
Em quadros, pequenas telas
Animadas de vida.
Tudo me foge, o tempo
A música, o mar.
Aqui estou. Sentado num abismo
Que me é cada dia que passa
Mais exclusivamente meu.
Mas que se passa comigo?
Onde enterrei as orquídeas
Que me animavam?
Onde deixei as canções
Do olhar?
Talvez um dia volte a entrar
Naquele comboio voraz em que
Vejo outros deslizarem.
Mas não quero.
E ninguém se importa com isso…
Felizmente
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, maio 01, 2009
quarta-feira, abril 29, 2009

Afago a palavra,
O verbo.
Mergulho cego
No sentido.
Sou do conceito
Servo.
Das falácias
Foragido.
Manuel F. C. Almeida
foto:José d' Almeida & Maria Flores
segunda-feira, abril 27, 2009

foto:joaopires
E em desespero
Confundiste
A alma com o
Corpo
E a chama de
Outono
Consumiu-me
A face.
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, abril 24, 2009
quarta-feira, abril 22, 2009

Das sinfonias agitadas
Nos dedos
Restam os momentos
Da água nos lábios.
E a sede que matei em ti
Renova-se na tua sombra.
Manuel F. C. Almeida
foto:Mariana Bravo
segunda-feira, abril 20, 2009

Estendo no ar, o olhar
Procuro na noite o meu dia
Um rio que passa a cantar
Soletra a minha agonia
Procuro sentido prá vida
Nesta vida sem sentido
A centelha já perdida
De morto sem ter morrido
Manuel F.C. Almeida
foto:Daniel Pedrogam
sábado, abril 18, 2009
quarta-feira, abril 15, 2009

Á minha frente o caminho
Abriu portas ao destino
(Se é que tal coisa existe)
E o cansaço tomou-me
O corpo nu.
Nos olhos, o mar
Florido e cintilante
Devolveu-me
A flor de prata
Numa pérola...
Tu.
Manuel F. C. Almeida
foto:Nuno Bernardo

















