segunda-feira, julho 14, 2008












Esse teu jeito de ser é o rastilho que incendeia os meus dias e que me dá o sabor a vida. Saboreio a plenitude do teu corpo numa vivência que se ergue isolada acima do mundo, e é assim que os frutos se colhem num compasso que se perde entre o sonho e a realidade.

Manuel F. C. Almeida

sábado, julho 12, 2008




foto by:negateven














Pasme-se o luar no seu círculo prata. Os meus olhos deleitam-se no quadro da noite ao som sensual e discreto do rumor do teu corpo.


Manuel F C. Almeida

quinta-feira, julho 10, 2008








FOTO BY: Bárbara Meyer Elias




Há sempre um rio selvagem
Nos recantos do pensar.

Um rio de bruma e de terra
Perdido de encantos

Há sempre um rio que se faz amor
Quando corre para o mar.

Manuel F C. Almeida

terça-feira, julho 08, 2008







foto by:RAPHAEL o pensativo



Este pensar ausente, esta canção que se refaz na linha melancólica do horizonte. Aqui tudo se tingiu de amarelo e castanho tristeza, até o canto dos homens se precipita de encontro ao isolar da vida e se prende na memória que os ventos arrastam, onde o tempo não se apaga e a esperança é uma promessa constante, onde o sol dá ás sombras uma cor particular e a paisagem se incendeia em cada sopro. Aqui se faz Alentejo.


Manuel F C. Almeida

domingo, julho 06, 2008










foto by:Pedro Cabral







As palavras em silencio
Bebidas do teu olhar

Um campo seco, despido
Uma canção de embalar
Uma gaivota inocente,
Minimal o seu cantar.

Esse teu corpo menina,
Que vem com a brisa do mar.
E estes meus braços que existem
no desejo de te encontrar.
Manuel F C. Almeida

sexta-feira, julho 04, 2008












foto by:

MARIAH



Soletrar o verbo
Na angustia de ser
E de não ser

Ditar o signo
Da sinfonia

Por fim
Construir a torre
Da liberdade.

Manuel F C. Almeida

quarta-feira, julho 02, 2008


no país que pretende dar lições de cidadania aos outros, uma velha negra morre como um trapo perante a passividade e alheamento dos outros.

talvez nao tivesse o tão famigerado seguro de saude.
se é isto que nos querem vender como saude para o futuro é melhor pararem já

terça-feira, julho 01, 2008






foto by:










Uma montanha a ruir
Sobre o peito
Um grito errante
Soltado no leito
Uma mascara que te
Arde na face
Um corpo, um amor
Um enlace
E uma nuvem que
Se esfuma no céu.

Num sonho que floresceu.


Manuel F.C. Almeida

domingo, junho 29, 2008





NAS TUAS MÃOS











Nas tuas mãos soltam-se pétalas de som e de sonho.
No seu cair infindável, o som das vagas liberta-se
Do silencio brilhante da alma que cresce na paisagem
Ondulante e branda do horizonte ideal.
Nas tuas mãos todo o silêncio é princípio e fim
Num suave baloiçar entre a sedução e a luxúria,
Numa orgia em que vida e a morte se encontram
Olhos com olhos, vertendo a vida num vector temporal.

Nas tuas mãos todo o olhar sabe a sal.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, junho 27, 2008



ONDE...






Onde viva a madrugada
Sem inicio e sem fim,
Onde a memória do vento
Me empurre contra
O muro das minhas lembranças,
É aí que eu quero acordar
Deste meu corpo. Crisálida
Das memórias vivas
Que tempo marcou.

Onde viva a madrugada,
E o silêncio se imponha
no olhar eterno dos amantes.


Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, junho 25, 2008



RESOLUÇÃO

FOTO BY:grENDel

Há flores que foram corpos
E foram terra foram montes.
Há flores que foram rios
Há flores que foram fontes…

Mas sempre que um vento agita
As suas pétalas de cor
Há sempre um homem que fita
O fim eterno da dor
E a flor será caminho
O homem cinza de terra
Irmãos feitos no trilho
Neste mistério de guerra

Numa centelha de tempo
Na eternidade das estrelas
A vida é só um momento,
Simple flor feita de velas.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, junho 23, 2008












FILHO






O meu sonho?
És tu o meu sonho.
Tu és toda vida;
Um tempo novo
Que se precipita
Sobre mim
E me transporta
Nas asas de Ícaro.
E
Se voares alto
filho
Tem cuidado com o sol
O deslumbramento pode
Quebrar-te as asas.



Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, junho 20, 2008






Meu mundo







Procuro viver, cultivando arte
Na vida que eu sempre desenhei
Num mundo com que sonhei
Situado entre Vénus e Marte

Vivo o que quero, de mim orgulhoso
Semeio em redor oásis de cores
Recordo a doçura de tantos amores
De mãos partilhadas, de noites de gozo

E assim construí este meu universo
De olhares que encontrei e que perdi

E que agora canto em cada verso
Em memória de tudo o que vivi.


Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, junho 16, 2008





DESPERTAR




FOTO BY:luis azevedo







Foi num sonho
Algures no centro da alma

Caminhavas lentamente
De encontro ao sol

As tuas mãos vertiam
As cores do arco-íris

E os teus olhos, os teus olhos
Sabiam a mar...

Foi num sonho
A despertar.


Manuel F.C. Almeida

sábado, junho 14, 2008






Pétala



foto by:bernardo coelho







Floresta viva
Despida e nua
Tua sombra esquiva
Teu sexo…
Semente crua.


Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, junho 12, 2008





Memória


foto by:Helder Vasconcelos




Nada mais resta que recordar,
Se o tempo existir,
O assomo de uma face, um olhar
No momento de quase partir.
Um espaço para ocupar
Num corpo a resistir.
E a memória que teima em ficar
De um corpo de deusa a sorrir.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, junho 10, 2008








A CAMÕES










Sou tão pequeno aos teus pés
de gigante
Que nem me atrevo a nomear

o teu nome.

Manuel F. C. Almeida

domingo, junho 08, 2008



Faina















Areia, sol!
Ao longe o mar;
Tua boca anzol
Teu corpo…
Meu pescar.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, junho 06, 2008






Dança das estrelas




foto by:Nuno Belo


Já tarde, recolhemos o olhar
Sem palavras
E libertámos os corpos,
Numa dança tão imortal
Como a vida,
Iluminando as estrelas
E libertando o sonho.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, junho 04, 2008






ACONTECER



FOTO BY:bernardo coelho







No espasmo
Corporal
De um orgasmo
Infernal
O teu corpo de fera
Rugiu
Na minha mão.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, junho 02, 2008





Alquimia




foto by:Tuta







Foi com estas mãos
que percorri
Os secretos caminhos
do teu perfume
Foi com elas que agarrei
a tua alma
E toquei a crisálida
em formação.
Agora, qual alquimista
Do amor,
Faço dos meus dias
A descoberta
Dos segredos que o teu
Corpo esconde.

Manuel F. C. Almeida

sábado, maio 31, 2008



Tudo


















Eu creio que tudo existe…
Em nós.
Somos então o produto material
Que nomeia e se materializa em si mesmo
Tudo o que existe é passível
De existir como mera possibilidade verbal
Nada há para lá do verbo
Sem ele a existência era inócua
Um enorme conjunto vazio
Mera probabilidade de uma matemática
Cósmica inexistente.
O homem é o todo universal
Revelado.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, maio 27, 2008








TEMPESTADE











Evocar os deuses quando chove
É mais que um exercício de temor
É recordar a inocência que se move
Um eco da memória, medo, dor

De um tempo sem ciência ou explicação
De um tempo de crenças e de magia
De um tempo em que a inocência da razão
Explicava o mundo dia a dia .



Manuel F. C. Almeida






RESUMO

foto by:Nuno Manuel Baptista

Não faço promessas vãs, quando te amo.
Faço do meu amor só um poema
De rimas e estrofes enviesadas,
Um estranho e complicado teorema
Que se descobre no ar quando te chamo.

Mas creio que tudo se pode resumir
Num poema feito beijo
Que em nós dois se vai abrir.

Manuel F. C. Almeida

domingo, maio 25, 2008






VIDA



Foto: DDiArte







Do tempo fiz meu aliado
Nesta batalha da vida
Mas dela estou alheado
E sinto-a quase perdida

Mantenho a face no ar
A esperança no vencer
Tenho a vida no olhar
Do nascer até morrer.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, maio 23, 2008











A F. Pessoa

Num só corpo conviveram
Varias figuras de gente
E todas elas escreveram
Aquilo que a gente sente

Engenheiro ou pastor
De todas as artes sabias
Visionário, pregador
Sobre tudo tu escrevias.

Teu filosófico saber,
Vivência da tua paixão
Deixou no nosso viver
O melhor desta nação.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, maio 21, 2008















ilusão

foto : Emanuel Oliveira

Eu queria ver o meu pensar
Explicar o que não entendo
Quais as razões de não voar
Quais os motivos porque me prendo

Explorar nele os meus segredos
Olhar-me ao espelho da verdade
Apartar de mim os meus degredos
Abraçar em mim a liberdade.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, maio 19, 2008

















A Florbela


Desenhavas sonetos no olhar
E sentimentos nas palavras
Teus olhos, de tanto chorar
Nunca paravam onde estavas

Teus amores e desencantos
Teus homens, tuas paixões
Trouxeram-te horas de prantos
Engalanaram tuas canções

Mas tanta dor e sofrimento
Tanta genealidade vivida
Terminaram no momento
Em que te subtraíste à vida.

Manuel F. C. Almeida

sábado, maio 17, 2008







guitarras








Tocam livres as guitarras
Acordes do meu país.
No seu canto de cigarras
Soltam gemidos, amarras
Dum tempo que não conheci.
Desfraldam notas aos ventos
Num vento feito saudade
Seus acordes são tormentos,
Seus gemidos são momentos
Num abraço de vontade.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, maio 15, 2008





Viuva













Naquela face escura de tristeza
Descobri um livro sem memória
Paginas e paginas de história
Folhas e folhas de beleza

O mar ao fundo que se agitava
Avivava o recordar de lugares
E da angustia vivida em mil lares
Saltava uma pérola que rolava

Da face escura e já sulcada
Pelas lágrimas vertidas junto ao mar.
A mulher olhava o mundo e a chorar
A face do seu homem recordava.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, maio 13, 2008


POR UM DIA
ETERNAMENTE


Meu corpo á beira-rio
Abandonado
Descansa no orvalho
Docemente
E no perfume do sonho
Libertado
Dois corpos que flutuam
Livremente
No encontro de um momento
Esmagado
Pelo amor de um dia…
Eternamente.


Manuel F.C. Almeida

domingo, maio 11, 2008



MISTERIO

FOTO
VanessaDesigner

É rápido o esquecimento,
Da cor que os dias nos dão,
Dos truques do pensamento,
Do bater do coração...
Mas tão difícil é esquecer
Um corpo visto ao luar
Na hora do entardecer
Quando o mistério do ser
Se resolve num olhar.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, maio 09, 2008

MAS QUE BELA PRENDA DE ANOS

COMPREM A MINHA ROUPA EM EXCLUSIVO EM:
http://chezmaria03.blogspot.com/

quinta-feira, maio 08, 2008






Corcel






Naquela tarde cavalguei as ondas
E desfiz-me em espuma
No teu ventre…


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, maio 06, 2008





memories



Foto de Manuel Gonçalves





Escondo a face com
A nudez das mãos.
Percorro mentalmente
O tempo que um dia
Me deixou nu face aos
Elementos.
O meu corpo, refém
Da memória
Já me não pertence.
Tudo é apenas tempo
Tudo é somente
Alvorada.


Manuel F. C. Almeida

domingo, maio 04, 2008







Ilusão



foto by:Marcos Sobral Nudes & Fashion






Não se diga que não tentei.
A verdade incompreendida do
Entardecer escondeu sempre
A face real da dor.
Um fragmento do espaço liberta-se
Em cada olhar incontido e nele
Revivemos a alegre inocência
Dos adolescentes apaixonados.
Mas o cheiro das acácias
E o sabor almiscarado do teu corpo
Mascaram a ilusória passagem
Temporal
E em cada investida que faço
É o jovem que fui
A falar presente.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, maio 02, 2008




Plágio











E tudo o que escrevo é plágio. Exaltação
dos sentidos, repetida como um grito que
se perpetua nas margens do tempo
empurrado pela unicidade do som, e
pelas vozes dos homens que ousaram dizer:
AMO-TE.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, abril 29, 2008



NAUFRAGO:




FOTO BY:DDiArte




Nas palavras que transpiro,
E que carrego nos meus ombros
Deixo que por vezes a solidão
Se solte e se resolva no olhar
Dos outros.
Por vezes acordo do sonho
Numa ária nocturna com cheiro
De oceano.
Sou só um náufrago perdido
Na tempestade das palavras.

Manuel F. C. Almeida

domingo, abril 27, 2008






BLUE





FOTO: antonio louro







Dá-me a tua mão, que eu levo-te ao mundo
Nos dias de verão, teu sonho profundo
Feito de mil cores, perdidas
Lágrimas roladas, esquecidas
Canto o passado... distante
Num cruel silencio gritante
Canto o teu olhar ausente
No meu sofrido presente
Fomos momentos no vento
Memórias espalhadas no tempo
Dá-me a tua mão, que eu levo-te ao mundo
Nos dias de verão, teu sonho profundo
Guardo em mim a tua beleza
No meu cofre de tristeza
Teimo em me arrastar na vida
Pássaro de asa ferida
Tu foste a deusa encantada
Num sonho vivo, sonhada
Teu nome ........, é minha bênção
É rosa a florir no meu coração.
É o meu farol, meu porto de abrigo
Vás tu onde fores, estás sempre comigo.


Manuel F. C. Almeida




sexta-feira, abril 25, 2008







repetição








Já estragaram a nossa festa, pá
Destruíram nossos sonhos
Desfolharam nossos cravos
Os cravos de pétalas de liberdade.

Sei que há sonhos que não morrem
Mesmo com tanta mentira
Sei que há homens que não vergam
Mesmo quando a esperança
Lhes tiram

Sei também quando é preciso, pá
Resistir, resistir e lutar
Canto Abril, canto o mar
Canto o sonho de igualdade
Canto a minha irmã liberdade
Canto a esperança de ver o povo
Acordar.

E ouvir em todo o mundo
Um novo Abril a gritar.

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, abril 23, 2008









IMAGENS





FOTO BY:Caamaño Castro



No corrupio das horas
E dos dias, todo o momento
Parece dolorosamente
Fugidio.
Liberto os meus sentidos
Na placidez das horas e
Despejo nelas a angustia
Dos espelhos intemporais.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, abril 21, 2008
















Levanto ao alto a
Espada justiceira
Das mortes adiadas
Do desemprego e da
Fatalidade económica.

Faço do meu peito
Alvo
E das minhas palavras
Balas contra a
Injustiça divina
Dos senhores do mundo.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, abril 18, 2008

















Fiz-me ao largo na espera
De uma onda que me arrancasse
Ao quadro de uma vida
Sem chama.
Das asas fiz meu sonho
Do vento meu futuro
E no rugir do oceano,
Encontrei o teu olhar.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, abril 16, 2008





















Das pátrias nada quero
Senão o sangue dos mil
Homens mortos sem sentido
Nas guerras engalanadas
Por bandeirinhas e hinos...
No altar da honra nacional.

Manuel F.C. Almeida

domingo, abril 13, 2008













A dança das mãos
Revela-se na inquietação
Ávida dos lábios.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, abril 11, 2008














Apaguei em teus lábios
A sede que me ceifava
A vida.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, abril 08, 2008



Sorriso















No teu sorriso há a frescura
Do rosmaninho e a alegria
Das algas.
Há a folha de um Outono
Qualquer e a cor
De sangue de uma rosa
Por nascer
No teu sorriso...
O meu sorriso
Quer crescer.

Manuel F.C. Almeida

sábado, abril 05, 2008








foto by:Graça Loureiro






Num tempo sem tempo nascidos
No esgar do gozo germinados
Passamos pela vida adormecidos
Corremos sem correr, inanimados.

Miragens perseguidas toda a vida
Levam-nos à terra novamente
A chama intensa já perdida
Esmorece no olhar suavemente.


Partimos então noutra viajem
Embalados pelo vento solar
Faz-se do passado mensagem
No tempo que está a mudar.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, abril 03, 2008





Semáforo




foto by:ABrito







A luz vermelha acesa…
O teu corpo em espera
Peão,
Avanço
Que o meu corpo
Desespera.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, abril 01, 2008






Existes



foto by:Luis Mendonça







Existes no meu sonho
De olhos abertos…
Despida.


Manuel F.C. Almeida