domingo, dezembro 31, 2006

REBORN





















O novo ano esta pra chegar
O velho está pra partir
Que o novo nos faça sonhar
E o velho nos faça sorrir.

Manuel F.C.Almeida

Mundos














Amar as palavras simples que escreves
Neste mundo louco, estranho e até frio
É algo de novo e um pouco sombrio
Na terra que em tempos teve almocreves

Gente que fala e sonha com o tempo
Palavras sem “ser” sem côr, emoção
Palavras gélidas, sem coração
Sinfonias criadas em contratempo

Árias que cantam só um momento
Poemas que vivem na palma da mão
Letras que gritam a solidão.
Promessas impressas que voam no tempo.

E assim somos estranhos, já conhecidos.
Gente que vive num mundo ideal,
Onde o “ acontece” pode ser tão fatal
Como podem ser miragens nossos sentidos.

Manuel F.C.Almeida

sábado, dezembro 30, 2006

tolos
















Uma capa fiz do canto
De baixo a cima
Bordada
De antigas mitologias;
Mas tomaram-na os tolos
Para exibi-la ao mundo
Como se fora por eles lavrada.
Deixa, canto, que a tomem,
Pois maior feito existe
Em andar nu

sexta-feira, dezembro 29, 2006

aqui estou



nada de entusiasmos
a foto nao é minha
















E eis me aqui todo nu,
Despido de mim
E do mundo.
Solitário,
Caminho entre campos de
Giestas e de estevas
De flores brancas e
Amarelas que
Se dão a cheirar.
E ouço o gemido
Da manhã,
No seu despertar.
E já nem tenho
Frio
Apenas uma leve
Sensação de arrepio
Me recorda que “sou”
E eis me aqui todo nu
Despido de mim
Já pronto
Para voltar a cantar

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, dezembro 28, 2006

esta noite


Deixem que vos conte um segredo. Esta noite matei o meu fantasma. Sim …. Estrangulei-o! Sempre a chatear, sempre a chatear. Apanhei-o distraído e fodi-o.
Estava a ouvir beatles, olhei-o de soslaio e ele lá estava. A vigiar-me. Silencioso. Já não o suportava. Num ápice agarrei-lhe o pescoço e partilhe a traqueia. Filho da puta, não me largava. Isto começou á 3 meses, durante anos convivemos em silencio mas agora estava chato. Foda-se já tava plos cabelos. Que merda esta de vida. Quando não são as porras da falta de guito, são estas merdas dos fantasmas. Há…., mas desta vez acabei com ele. Sempre aqui a ocupar-me a cabeça, e a foder-me os cornos. Até a tusa me afectou.
E depois esta merda de um gajo ter de ser “ socialmente correcto” cansa.
- Tem de ser bonzinho, dizem uns- enquanto outros nos fodem vida a torto e a direito, e ainda se ficam a rir.
-Tem de ser pessoa honesta e séria; fodam-se todos…., sim…. Fodam-se todos! Tou farto desta merda de ser bem comportado, de cumprir com esta merda toda, que ganho eu? Sim que ganho eu? Os filhos da puta do poder e os seus lacaios banqueteiam-se com tudo. Nada fica pra mim e pró resto da maralha. Caralho de vida esta pá! foda-se!
Sim… um gajo escreve umas poesias todas delicodoces, é honesto no trato com os outros, é honesto consigo mesmo e depois?
Depois fode-se! Sim fode-se! E ainda ficam fantasmas de merda a azucrinar a cachimónia. Mas ontem acabei-lhe com o cagar. Até dormi melhor.
De manha olhei pró local onde o deixei. Continuava lá. Bem morto claro, já não chateia o filho da puta.
Pensei que ainda me olhava, o cabrão, mas não já não pia. Ta fodido de vez e não há cá mais merdas de conselhos bonitinhos que tou farto disso.
Andaram-me amigos a dizer:
-não vale a pena vinganças, temos de ser boas pessoas, temos de saber esquecer e perdoar, ser pessoas civilizadas. Sabem que vos digo? Estão-se a enganar. Que se foda isso tudo das boas maneiras. Eu quero é ficar bem. Matei-o e pronto. Sim fui eu. Fui eu que fodi isto tudo. Eu sou um gajo radical. Se fosse terrorista era o caralho, bombas pra cima e pra baixo, foder tudo e todos. Comigo não há meios-termos. Nada de negociações, isso é para o social, isso é o medo da lei. É o medo de ser preso.Eu quero que a lei se foda. Se um dia puder arrebento-me com explosivos e fodo uma data de gajos. Gajada do poder e o putedo que tiver com eles. Que esses gajos atrem sempre muita gaja. Não sei que lhes passa pela cabeça. É o dinheiro claro. Aquele italiano o albinoni ou o caralho é que a sabe bem. zurze-as a todas de putas pra cima. (Educadamente que o cabrão gosta é de vender). Mas sabem eu acho que isto ta mesmo tudo fodido. Não há ponta por onde se pegue.

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, dezembro 27, 2006

you and them















Eles alimentam-se
Do teu medo
Alimentam-se
Do teu ódio
Alimentam-se da
Tua ignorância
Alimentam-se
Do teu esforço
Alimentam-se
De tudo o que
És, ou
Desejas ser.
E tu mais não
Desejas
Que ser um
Deles.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, dezembro 26, 2006















Quero um mundo sem prisões
Sem vencedores ou vencidos
Juntos somos milhões
Caminhemos todos unidos

Quero um mundo sem tiranos
Um mundo de liberdade
Sem bombas ou balas nos canos
Um planeta de igualdade

Quero um mundo sem fronteiras,
Sem propriedade privada,
Que não tenha tantas bandeiras,
Nem gente amordaçada.

Quero um mundo de esperança
Feito de amor e paixão
Visto por uma criança
Pintado pela sua mão

Mnuel F.C. Almeida

segunda-feira, dezembro 25, 2006

o rei morreu



this is the man's world

domingo, dezembro 24, 2006

natal



















Hoje, um pouco por todo o lado, o ocidente cristão mergulha na sua mais importante efeméride religiosa. O nascimento do Messias.
Nesta altura aparentemente, as pessoas são mais sólidarias. Até os que não acreditam no fenómeno religioso são contagiados em parte pelo espírito natalício. No entanto não creio que este espírito seja espontâneo. Esta solidariedade festiva, em meu entender, esconde, na maior parte das vezes, apenas e só muita hipocrisia. Na verdade entendo que a solidariedade é uma obrigação de todos nós e em todos os dias do ano. A educação para uma sociedade solidária deveria fazer parte dos currículos escolares. Mas a verdade é que não faz.
Esta época nao passa pois de mais uma data em que mergulhamos no consumismo de coisas supérfulas apenas e só para alimentarmos o ego dos nossos filhos e o nosso estatuto social. E enquanto nós assim fazemos, pelo planeta existem milhões de irmãos nossos que morrem de fome e de doenças passíveis de serem tratadas, que morrem vítimas de minas e de armas construídas nas fábricas do ocidente. Era nossa dever e obrigação, pressionar os nossos dirigentes a mudar de politicas, era nosso dever ajudar. Mas que nos interessa se em cada 3 segundos morre uma criança de fome? Nós não temos culpa pois não? Não somo culpados de nada, não somos nós que governamos, não somos donos das fábricas de armamento, nem somos nós que deitamos fora toneladas de alimentos que deixamos estraga. Não somos culpados e assim ficamos bem com a nossa consciência. Ficamos em paz com o nosso Deus.
Mas quem elege os governos? Quem se sente bem com o salário recebido das fábricas de morte, quem compra acções dessas empresas e aufere dai bom rendimento?
Seria interessante, que o natal fosse um dia de partilha, onde todo o planeta tivesse o suficiente para viver. Que partilhássemos tudo, que os nossos filhos dessem e trocassem brinquedos com quem não tem, que em suma se fizesse de todos os dias um dia de natal, já que todos os dias nascem crianças e em cada nascimento está a salvação da espécie, porque em cada uma que nasce há um natal que sorri nos seus olhos. E que todos tivessem as mesmas oportunidades na vida. Só assim seria cumprido o espírito natalício e se faria um mundo mais livre, mais justo e mais solidário.

soneto por vinicuis de morais





















De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Que vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

( Vinícius de Moraes

sábado, dezembro 23, 2006






















Pintei a alma de negro,
Com tinta sem qualidade
Espetei nela mais um prego
Uma marca da saudade.

E em cada marca que faço
Fica um ponto a lembrar
Que naquele lugar há um laço
Bom ou mau pra recordar

E em cada ponto marcado
Uma nova cor vai surgir
Que me leva a outro lado
Pra novamente sorrir.

Manuel F. C. Almeida

o amanhã a chegar.




















No meio da multidão
Acabamos por estar sós.
Que estranho destino
Temos nós?

Na aurora dos dias
Que passam, caminhamos
P´las escuras vielas
Da vida
Tacteamos o tempo
Na ânsia da paz
Perdida.
E cada sonho que sonhamos,
É esperança e coragem a ser
Vivida.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

prisões



Gélida
A face dos deuses
Traz-me à lembrança
Todos os medos.
Criei os meus carcereiros
E agora clamo pela
Liberdade?

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Fenix


















Hoje faz anos
Que o que o poeta nasceu.
Partiu á procura
Do mundo.
Olhou o teu
Rosto
E morreu.
e voltou a viver
noutro rosto
noutro corpo
onde renasceu.

Garimpo
















Poetas,
Mineiros
De pedras preciosas
Ocultadas
Nas palavras
Que dormitam
Em silêncio.
Escrevem poemas
Cantando o tempo,
O abrir caminhos
E o fazer de pontes,
Entre a morte
E a vida;
Entre o passado
E o futuro.
Manuel F.C. Almeida

DEPOIMENTO




De seguro,
posso apenas dizer que havia um muro
e que foi contra ele que arremeti
a vida inteira.
nao, nunca o contornei.
nunca tentei
ultrapassá-lo de qualquer maneira


A honra era lutar
sem esperança de vencer.
e lutei ferozmente noite e dia,
apesar de saber
que quanto mais lutava mais perdia
e mais funda sentia
a dor de me perder.

MIGUEL TORGA

quarta-feira, dezembro 20, 2006

APELO



Quem quer que sejas, vem a mim apenas
De noite, quando as rosas adormecerem!

Vem quando a treva alonga as mãos morenas
E quando as aves de voar se esquecem.

Vem a mim quando, até nos pesadelos,
O amor tenha a beleza da mentira.

Vem quando o vento acorda em meus cabelos
Como em folhagem que, ávida, espira…

Vem como a sombra, quando a estrada é nua,
Num risco de asa, vem, serenamente

Como as estrelas quando não há lua
Ou como os peixes, quando não há gente…

Pedro Homem de Mello

terça-feira, dezembro 19, 2006

Poema a tinta da china



















Uma gota de orvalho
Que rola
Uma abelha que enfrenta
Uma flor
Um avião que na pista
Descola
Um poeta que canta
O amor

Uma criança que nos olha
A sorrir
Uma estela que paira
No ar
Um caminho que temos
De abrir
Um corpo de mulher
Para amar.

Equivocos



















Eu quis fazer de uma mulher
O que não devia
Um templo onde eu extasiado
A pudesse ver
E nunca reparei se ela queria
Ser deusa
Num templo meu querer.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, dezembro 18, 2006


É natal em parte do mundo mas deveria sê-lo em todo o lado. É natal a 25 de Dezembro
Mas deveria ser todos os dias para toda a gente. Não que celebrássemos o nascimento de um qualquer Messias, mas celebrar-mos o nascimento de milhares de crianças seria só por si suficiente. É natal e as pessoas parecem ser mais solidárias. Que engano, são apenas mais hipócritas. No natal as pessoas vestem novas roupagens e deliciam-se com as suas boas acções comungando do espírito da época. A voracidade com que se gasta dinheiro no hemisfério norte contrasta com a desolação e fome do hemisfério sul.
Milhares de crianças do norte gozam milhares de novos brinquedos de centenas de euros. Cinco euros apenas, sim 5 euros, são o suficiente para combater doenças como a lepra. Será que todos nós temos consciência disso? Quantos de nós têm consciência disso. Quantos contribuem? Quantos dizem aos filhos que a melhor prenda do mundo seria ajudar a salvar uma vida distante e desconhecida pelo simples prazer de o fazer?
Ajude, contribua para erradicar a morte e a fome no mundo. Bastam 5 euros e uma dose de boa vontade humana.

Formas de o fazer:
AMI- Remessa livre
25049-1148 lisboa codex

Conta do milenium ( não é minha a propaganda)
020450100492823

Ajudem 5 euros podem fazer a diferença a quem deles necessita.














Hoje cruzei-me
Com o desconhecido.
Olhei para ele
E sorriu.
Convidou-me a
Segui-lo na caminhada.
Fui de imediato tentado.
É sempre aliciante
Seguir o desconhecido.
Faz-nos sentir vivos.
Só lamento que uma
Vez conhecido
O desconhecido
Se esqueça de nós.
Mas é sempre assim
Só estamos bem
Onde não estamos.

Manuel F.C.Almeida.

domingo, dezembro 17, 2006

E fiquem-se com a velha musica que deu polemica


e dancem ao som desta linda musica

a todos os amigos.





















O meu amigo partiu
Nada fiz para o deter
Ele ainda me sorriu
Mas eu já não queria ver

É sempre triste partir
Mas por vezes tem de ser
Pra voltarmos a sorrir
Pra voltarmos a viver

E quando um amigo partir
Seja qual for o momento
Recordemo-lo a sorrir
Que fique no pensamento

Porque amigos verdadeiros
É coisa rara, em extinção
Nunca os queiramos cordeiros
Mas gente com coração.


Manuel F. C. Almeida













Podia cantar o amor fugido
Cantar a intensidade acontecida
Mas esse amor é amor ido
Viveu comigo e está de partida

Todo passa, tudo vai, ate a dor
De quem viveu amargurado
Por ter dado tanto amor
E por esse amor ser só usado.

Por isso eu canto o amanhã
O dia que está para chegar
Uma bela e alegre manhã
Em que voltarei a amar.

Manuel F.C. Almeida

sábado, dezembro 16, 2006

morre poeta morre
















Por vezes o poeta pensa,
Que o poema vai nascer;
Mas o que ele não pensa,
É que no parto vai morrer

Que quando o poema é escrito,
E passa de mão em mão;
É o poeta proscrito,
Aliado do ladrão

E o ladrão é quem o lê,
Quem lhe dá outro valor,
Que o entende como quer,
Pra lhe dar vida, calor.

abri os braços ao mundo













Abri os braços ao mundo
E o mundo chegou-se a mim
O mar como pano de fundo
Um pôr-do-sol de carmim

Abri os braços ao mundo
E o mundo disse em segredo
-olha bem lá para o fundo
Caminha, não tenhas medo.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

amor / ódio parte 3





















Dizem alguns autores de comportamento, que existem várias formas de transferência de sentimentos. Alguns de nós explodimos de forma a provocar uma reacção análoga. Outros preferem usar de métodos mais subtis e talvez mais egoístas.
Uma das formas mais utilizadas é a de provocar no outro, numa primeira fase, um sentimento de dor e de algum descontrole emocional que o leve a desejar nunca ter vivido nada do que viveu, a renegar o passado. E como se faz isto? Avivando a memória dos bons momentos de forma a obrigar a recordar tudo sempre no intuito de que o outro acabe por se sentir exposto e assim começe a sentir necessidade de negar o que de bom existiu. Outra forma, é a de utilizar todos os meios de que se dispõe no intuito de provocar mágoa. Quer através de carta, quer utilizando os novos meios ao nosso alcance. Pelo meio envolverem-se terceiras pessoas, enfim expor os sentimentos do outro, nao deixando que o outro jogue seu jogo ou pelo mnos tentando impedi-lo, obriga-lo a recordar a forma como acabou, porque acabou e nalguns casos como acabou. Porque, defendem alguns versados na matéria, em certos casos o que mais magôa é a forma utilizada. É a falta de sentido ético e de honestidade intelectual. É a falta á palavra é o silêncio ou a mentira.
Assim o mais atingido e que não deseja ficar preso ao ódio acaba por o exorcizar, criando um fosso jamais ultrapassável, libertando todos os sentiments negativos nesta tentativa de transferência de sentimentos. Mas o que alguns autores defendem é que na verdade quem usa estas técnicas apenas pretende a sua pequenina vingança, faz-lhe falta para que o seu amor-próprio se volte a fazer sentir. Se o seu amor ja nada vale então que se instale o ódio. E no fundo o que pretendem é manter-se vivos no outro, se já não o podem fazer com amor então que o façam com o ódio, afinal são ambos aliados, e nós enquanto seres racionais estamos sempre expostos a eles, porque só na razão e com ela todas as coisas acontecem.
Este será, talvez, o comportamento mais egoísta de todos. Quem assim se comporta, embora não esqueça, porque o não pode ou nao consegue fazer, recupera rapidamente o orgulho e a auto estima. Volta sentir-se seguro, dono de si mesmo. E Tudo isto se faz em nome da sobrevivência. Desumanizar o outro, apaga-lo do nosso registo imediato é o preço a pagar pelo desejo de voltar a viver de forma plena. E nestes casos nao fica pedra sobre pedra porque se algo ficar, então não se atingiram os objectivos. Exarcerbar o ódio é claramente uma prova de incapacidade para lidar com as coisas, mas é tao necessário como o ar que se respira. Então como o ódio e o amor são sentimentos irmãos creio que no fundo sempre que se crê odiar alguém, em resultado de uma relação frustrada, o que acontece é que continuamos presos a essa marca, presos a essa idéia, apenas nao a queremos viver mais.
Assim sem um resultado concreto, diria para acabar, que no amor e na guerra tudo é permitido, até o ódio como arma.
como quem diz
- Um dia o amor perguntou ao ódio: Porque me odeias tanto? E o ódio respondeu: -Porque um dia amei-te demais.

Felicidade























Felicidade
Passa
E quase não se sente,
Passa.
Sem passado
Nem presente.
Olhem!
Quase não se vê
Como a ausência que não se lê.
Felicidade
Passa
Tão perto, tão rente
Junto de nós
Calada.
Colada levemente
Olhem
Quase não se vê
Como a tristeza que não se lê.
Felicidade
Passa
E quase não se sente
Passa
Mesmo ao nosso lado
E desaparece de repente.

Autor:
uma poetisa anónima

quinta-feira, dezembro 14, 2006

amor ódio parte 2 de nao sei quantas















foto de 13-12-2006 Buda Bar vila nova de milfontes

Temos então que amor/ódio apresentam a mesma génese: a memória e a razão.
E em face disto qual deles toma o papel central na vida humana. Estou em crer que de forma geral nenhum se sobreporá ao outro. O que por vezes acontece é que é somos forçados a recordar os piores momentos, umas vezes para encontrar-mos forças de forma a seguir em frente outras porque o nosso ego a isso nos obriga. Mas sempre como forma de sobreviver. Por outro lado a avalanche de más memórias é de tal forma intensa que tudo o resto é esquecido ou quando recordado apenas serve para alimentar ainda mais aquele sentimento perturbante de perca. Os bons momentos, as horas de dificuldade, os momentos de partilha, o cheiro e tudo o resto fica esquecido, escondido por detrás dos últimos momentos e acontecimento. Alguns de nós conseguem viver assim por tempo indeterminado, corroendo-se a si mesmos. Outros há, que não o fazem. Esses usam uma forma de psicologismo enviusada e de autodefesa a todos os níveis notável. Transferem o ódio ao outro de forma a ficarem limpos de ódio mas a provocarem esse mesmo ódio ou irritação no outro.
A questão é a de tentar perceber os mecanismos usados para esse projecto de transferência

AOS MEUS AMORES ( REPETIDO)
















É no frio das noites que acontecem
Que vivo o teu rosto
Construído de culpas e receios
E, no tempo que corre
E trata a ferida sempre aberta
Descubro a nostalgia de te ter
Sem te possuir.
Percorro o espaço vazio
E um leve rumor a frio
Dilacera os meus sentidos.
Recupero por fim
Os pedaços do teu rosto
Já sem culpas ou receios.
Olha para o lado
E encontro presente
Os odores do teu “eu”
Que o fado fez ausente.
Recolho-me,
Digo obrigado e adormeço
Com a tua alma fechada na mão,
E o teu corpo vivo na mente.

Manuel F.C. Almeida

Novembro de 2004

quarta-feira, dezembro 13, 2006

agora escolha e vote se lhe apetecer claro(pode ouvir as duas versões)


amor ódio parte 1 de nao sei quantas












Amor, ódio, dois sentimentos aparentemente opostos e no entanto quantas vezes não se entrelaçam nas nossas vidas. Aparentemente antagónicos, alimentam-se de momentos diferentes da mesma matéria: a memória.
O amor apela ás memórias dos afectos, ao toque na pele, ao cheiro, ao gosto, ao prazer do sexo, etc. Emfim a todas as memórias boas que carregamos. O ódio remete para o que de menos nobre existe em nós. São as memorias dos maus momentos, da dor, da angustia, do não entender ou não querer faze-lo. No entanto ambos os estados têm a mesma origem: a memória. Ora isto desde logo afasta o possível antagonismo de um em relação ao outro. Mas o que me levou aespecular sobre isto é o de tentar entender a reacção dos humanos a esta realidade. É a sua razão que faz amar e odiar alguém e em muitos casos a mesma pessoa que antes se amava.
Qual será o sentimento mais forte aqui? O amor ou o ódio?

continua...

prata















eu tenho um rio de prata

a nascer na minha mão

e só vou deixa-lo correr

prá foz de um coração

terça-feira, dezembro 12, 2006

penso logo existo













nao creias quando te dizem ter sido por acidente. Os jogos só se jogam quando sao desejados. A mentira é sempre a fuga mais fácil. Nao se ama por caso. Ama-se porque se deseja amar, porque nao há amor previo. nao vale apena falar em duvidas. Quando os nossos olhos se encantam é porque estavam vazios....

Manuel F.C. Almeida

pé ante pé















Olhão 12-12-2006

e pé ante pé

passo a passo

faço o meu auto de fé

tento encontrar meu compasso

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, dezembro 11, 2006

a florbela espanca





















das magoas fizeste um livro belo,
enchendo de tristeza os versos teus.
somente os torturados podem lê-lo,
fazendo dos teus versos, versos seus.

tu foste, na verdade, a lira eleita!
ninguém como tu a dor cantou.
até no sofrimento insatisfeita,
tao cedo a tua vida se finou.

colocaste o coração em cada verso.
nada ficou ao acaso ou disperso
na tua existência triste, dolorida!

tu, que escreveste tanto sobre o amor,
um rosário fizeste em versos-dor
com pedaços da tua própria vida

in florilégio 4 edições NERP

AUTOR: Silveste Val

brisa
















Já me sopra uma brisa na face
Novidades vindas no vento
Dizem-me que espere plo tempo
Em que tudo vá e tudo passe

Mas esta brisa ligeira
Traz consigo a esperança
De dias em que a bonança
Seja minha companheira

Que tudo pode acontecer
Pra tudo existe uma hora
Seja amanhã ou agora
Outros amores virei a ter.

Manuel F. C. Almeida

domingo, dezembro 10, 2006

poder


















eu queria ter o poder
de ao esticar a minha mão
colocar um arco iris
junto ao teu coração

Manuel F.C. Almeida

basta





















Chega!
Nãos nos enganem mais ao dizer
Que o coração tem razões
Que a própria razão desconhece.
Porque as razões do coração
Só a razão as conhece.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, dezembro 06, 2006

frio




















http://amoratus.deviantart.com/gallery/


tenho frio hoje.
um frio que me toca
a alma e o coração.
um frio que nao me
deixa ver
mais além.
um frio que me assusta
porque me deixa
tolhido,
vencido pelo peso
da vida.
tenho frio,
um frio de quem está
de partida.


Manuel F.C. almeida

EGOCENTRICO




















Eu sou lobo e sou cordeiro
Sou a noite e também dia
Sou a estepe e seu sequeiro
Sou oceano, maresia

Sou uma parte do passado
Sou o real destruído
Sou o sonho apunhalado
Sou pouco mais que ruído

Sou o amanhã a chegar
Sou futuro radioso
Sou arco-íris no ar
Em “ ser”, sou orgulhoso.

terça-feira, dezembro 05, 2006

PAZ.
















A paz que os meus olhos
Querem
Só a terei no fim
Da jornada
Quando a vida passar
Como filme
E já tudo for memória
E eu quase
Nada.

Manuel F.C. Almeida

CAMINHOS
















Quantas vezes meu irmão, quantas vezes
Pensaste ter encontrado o teu lugar
E quantas vezes tiveste de reinventar
O caminho, enfrentando novos reveses.

Assim se constrói a vida humana
Feita de erros, vitórias, insatisfações
Feita de alegrias, tristezas, ilusões
Umas vezes com sentido, outras insana

Que o ser humano nunca está satisfeito
Objectivo atingido, logo este é desfeito
Porque esta nossa vida é mesmo assim.

Cortamos os caminhos sempre a eito
Procuramos sempre o mais perfeito
Em nome de uma procura sem ter fim.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, dezembro 04, 2006

porque gritam os poetas



pintura de amoratus

http://amoratus.deviantart.com/gallery/

Porque gritam os poetas
Poemas sem dizer nada?
Gritam a alma feita estrada
Sentimentos feitos metas.

MANUEL F.C. ALMEIDA

mulher





















Mulher
Quando a vida
Se solta em teus
Olhos
E o vento acontece
Em teus cabelos
Olhar-te mais não é
Que um feitiço
Onde somos argonautas
Perante o desejo e a
Vida.

domingo, dezembro 03, 2006

WAR
















Já soam as bombardas e a metralha
Já se sente o cheiro a morte no ar
Homens e homens, a homens matar,
Escondida, à defesa ficou a canalha.

De fato e gravata tratam da batalha
Como se fossem crianças a brincar
Não lhes repugna a ideia de matar
Jovens que só pensam numa medalha

É nesta insane e cruel verdade
Onde se perde o valor “ humanidade”
Que os poderosos se fazem sentir

Uns farão isto por honra ou vaidade
Outros porque entendem sua a verdade
Outros, porque mais não sabem que destruir.

MANUEL F.C. ALMEIDA

sábado, dezembro 02, 2006

Pensamentos






















A espécie humana tem como base da sociabilidade o valor da palavra. Os romanos exprimiam essa importância com a expressão “ pacta sunt servanda” . Os pactos formam o são a nossa base social. Desde tenra idade aprendemos isso, na escola ao fazer amigos e posteriormente ao crescer, nos sucessivos pactos que vamos fazendo com os nossos amigos. Amigo passa a ser aquele em que podemos confiar, que nos diz sempre o que pensa e a verdade, que não mascara o que sente mesmo que por vezes isso não seja simpático e acima de tudo não fica em silêncio nos momentos que mais necessitamos dele.
No entanto verifica-se que existem quatro tipos de indivíduos que não mantêm a palavra e que, claro, nunca poderão ser amigos de ninguém. O mais conhecido existe no caso dos que amam ou supostamente amam e que por qualquer motivo intrínseco a eles mesmos, não conseguem manter o pacto de sinceridade nem de honestidade formado no início. Em qualquer momento deixam de parte o valor da sinceridade e da verdade e escondem-se em silêncios ou em mentiras.
Mas outros tipos são determinados no tecido social; os que não o fazem pela incapacidade e pela incerteza em relação ao que os rodeia. Rapidamente estes dão o dito por não. Um segundo exemplo surge nos que exigem muito de si próprios, incapazes de tudo controlar, a sua impotência leva-os na procura incessante de quem lhes indique o caminho. Quando tratados como iguais sentem-se desprotegidos e fazem da mentira e da insegurança a sua forma de estar, ao mesmo tempo que procuram sem cessar alguém mais inteligente e manipulador que lhes indique que fazer. Usualmente tornam-se fiéis seguidores fazendo tudo o que este lhe ordenar e deixando para o esquecimento os valores com que convivem.
O terceiro tipo é o de gente vaidosa, usualmente a honestidade para estes não tem qualquer valor desde que persigam um objectivo. Manipuladores natos, sacrificam tudo pela vaidade de acrescentar mais troféus de caça à sua colecção. Cordiais, simpáticos extremamente inteligentes aproximam-se do poder porque desta forma conseguirão fazer sentir ainda mais a sua presença.
O último tipo é composto por gente que se odeia a si mesmo e odeia os outros. Mascara os sentimentos com promessas de paraísos, cria laços que não pensa manter, dá palavra que não tenciona cumprir, faz da mentira e do fingir a sua arma. Quando assume compromissos pretende apenas quebrar as defesas dos outros conseguindo a sua confiança, para num momento qualquer lhes dar com um cutelo, como se de animais se tratassem.
Mas depois de reflectir tanto sobre isto, pergunto a mim mesmo a pergunta que todos deveríamos fazer:
Em que grupo eu estarei?
Será que todos os humanos são assim. Acredito que quase todos teremos comportamentos destes em determinados momentos da nossa vida. Mas se conseguirmos olhar para dentro de nós e descobrir que pelo menos sempre fomos sinceros com os que amamos e amámos, que nunca mentimos ou omitimos, que nunca fizemos fretes, então talvez encontremos algo de bom dentro de nós e tomemos consciência de que mais vale ser honesto e sincero, mesmo que com isso percamos, do que entrar-mos em jogos dos quais no envergonhamos.

Bocage inesgotavel e inigualavel





















Não lamentes, oh Nise, o teu estado;

Não lamentes, oh Nise, o teu estado;
Puta tem sido muita gente boa;
Putíssimas fidalgas tem Lisboa,
Milhões de vezes putas têm reinado:

Dido foi puta, e puta dum soldado;
Cleópatra por puta alcança a c'roa;
Tu, Lucrécia, com toda a tua proa,
O teu cono não passa por honrado:

Essa da Rússia imperatriz famosa,
Que inda há pouco morreu (diz a Gazeta)
Entre mil porras expirou vaidosa:

Todas no mundo dão a sua greta:
Não fiques, pois, oh Nise, duvido
Que isto de virgo e honra é tudo peta

Alentejo














Nas ruas despidas, sem
Gentes
Nas casas fechadas,
Vazias
Nos caminhos, reinos do

No horizonte perdido
Esquecido
Nas planícies onde estás
Sempre só
Aqui, neste lugar
Não tem fim
O Alentejo.

Manuel F. C. Almeida