sábado, dezembro 02, 2006

Pensamentos






















A espécie humana tem como base da sociabilidade o valor da palavra. Os romanos exprimiam essa importância com a expressão “ pacta sunt servanda” . Os pactos formam o são a nossa base social. Desde tenra idade aprendemos isso, na escola ao fazer amigos e posteriormente ao crescer, nos sucessivos pactos que vamos fazendo com os nossos amigos. Amigo passa a ser aquele em que podemos confiar, que nos diz sempre o que pensa e a verdade, que não mascara o que sente mesmo que por vezes isso não seja simpático e acima de tudo não fica em silêncio nos momentos que mais necessitamos dele.
No entanto verifica-se que existem quatro tipos de indivíduos que não mantêm a palavra e que, claro, nunca poderão ser amigos de ninguém. O mais conhecido existe no caso dos que amam ou supostamente amam e que por qualquer motivo intrínseco a eles mesmos, não conseguem manter o pacto de sinceridade nem de honestidade formado no início. Em qualquer momento deixam de parte o valor da sinceridade e da verdade e escondem-se em silêncios ou em mentiras.
Mas outros tipos são determinados no tecido social; os que não o fazem pela incapacidade e pela incerteza em relação ao que os rodeia. Rapidamente estes dão o dito por não. Um segundo exemplo surge nos que exigem muito de si próprios, incapazes de tudo controlar, a sua impotência leva-os na procura incessante de quem lhes indique o caminho. Quando tratados como iguais sentem-se desprotegidos e fazem da mentira e da insegurança a sua forma de estar, ao mesmo tempo que procuram sem cessar alguém mais inteligente e manipulador que lhes indique que fazer. Usualmente tornam-se fiéis seguidores fazendo tudo o que este lhe ordenar e deixando para o esquecimento os valores com que convivem.
O terceiro tipo é o de gente vaidosa, usualmente a honestidade para estes não tem qualquer valor desde que persigam um objectivo. Manipuladores natos, sacrificam tudo pela vaidade de acrescentar mais troféus de caça à sua colecção. Cordiais, simpáticos extremamente inteligentes aproximam-se do poder porque desta forma conseguirão fazer sentir ainda mais a sua presença.
O último tipo é composto por gente que se odeia a si mesmo e odeia os outros. Mascara os sentimentos com promessas de paraísos, cria laços que não pensa manter, dá palavra que não tenciona cumprir, faz da mentira e do fingir a sua arma. Quando assume compromissos pretende apenas quebrar as defesas dos outros conseguindo a sua confiança, para num momento qualquer lhes dar com um cutelo, como se de animais se tratassem.
Mas depois de reflectir tanto sobre isto, pergunto a mim mesmo a pergunta que todos deveríamos fazer:
Em que grupo eu estarei?
Será que todos os humanos são assim. Acredito que quase todos teremos comportamentos destes em determinados momentos da nossa vida. Mas se conseguirmos olhar para dentro de nós e descobrir que pelo menos sempre fomos sinceros com os que amamos e amámos, que nunca mentimos ou omitimos, que nunca fizemos fretes, então talvez encontremos algo de bom dentro de nós e tomemos consciência de que mais vale ser honesto e sincero, mesmo que com isso percamos, do que entrar-mos em jogos dos quais no envergonhamos.

1 comentário:

Anónimo disse...

A mentira:
#pela construção de um ser que se julgue melhor aceite por terceiros

#prolongamento da fantasia pueril.

#pela sobrevivência.

#piedosa

#pela liderança;