sexta-feira, dezembro 15, 2006

Felicidade























Felicidade
Passa
E quase não se sente,
Passa.
Sem passado
Nem presente.
Olhem!
Quase não se vê
Como a ausência que não se lê.
Felicidade
Passa
Tão perto, tão rente
Junto de nós
Calada.
Colada levemente
Olhem
Quase não se vê
Como a tristeza que não se lê.
Felicidade
Passa
E quase não se sente
Passa
Mesmo ao nosso lado
E desaparece de repente.

Autor:
uma poetisa anónima

quinta-feira, dezembro 14, 2006

amor ódio parte 2 de nao sei quantas















foto de 13-12-2006 Buda Bar vila nova de milfontes

Temos então que amor/ódio apresentam a mesma génese: a memória e a razão.
E em face disto qual deles toma o papel central na vida humana. Estou em crer que de forma geral nenhum se sobreporá ao outro. O que por vezes acontece é que é somos forçados a recordar os piores momentos, umas vezes para encontrar-mos forças de forma a seguir em frente outras porque o nosso ego a isso nos obriga. Mas sempre como forma de sobreviver. Por outro lado a avalanche de más memórias é de tal forma intensa que tudo o resto é esquecido ou quando recordado apenas serve para alimentar ainda mais aquele sentimento perturbante de perca. Os bons momentos, as horas de dificuldade, os momentos de partilha, o cheiro e tudo o resto fica esquecido, escondido por detrás dos últimos momentos e acontecimento. Alguns de nós conseguem viver assim por tempo indeterminado, corroendo-se a si mesmos. Outros há, que não o fazem. Esses usam uma forma de psicologismo enviusada e de autodefesa a todos os níveis notável. Transferem o ódio ao outro de forma a ficarem limpos de ódio mas a provocarem esse mesmo ódio ou irritação no outro.
A questão é a de tentar perceber os mecanismos usados para esse projecto de transferência

AOS MEUS AMORES ( REPETIDO)
















É no frio das noites que acontecem
Que vivo o teu rosto
Construído de culpas e receios
E, no tempo que corre
E trata a ferida sempre aberta
Descubro a nostalgia de te ter
Sem te possuir.
Percorro o espaço vazio
E um leve rumor a frio
Dilacera os meus sentidos.
Recupero por fim
Os pedaços do teu rosto
Já sem culpas ou receios.
Olha para o lado
E encontro presente
Os odores do teu “eu”
Que o fado fez ausente.
Recolho-me,
Digo obrigado e adormeço
Com a tua alma fechada na mão,
E o teu corpo vivo na mente.

Manuel F.C. Almeida

Novembro de 2004

quarta-feira, dezembro 13, 2006

agora escolha e vote se lhe apetecer claro(pode ouvir as duas versões)


amor ódio parte 1 de nao sei quantas












Amor, ódio, dois sentimentos aparentemente opostos e no entanto quantas vezes não se entrelaçam nas nossas vidas. Aparentemente antagónicos, alimentam-se de momentos diferentes da mesma matéria: a memória.
O amor apela ás memórias dos afectos, ao toque na pele, ao cheiro, ao gosto, ao prazer do sexo, etc. Emfim a todas as memórias boas que carregamos. O ódio remete para o que de menos nobre existe em nós. São as memorias dos maus momentos, da dor, da angustia, do não entender ou não querer faze-lo. No entanto ambos os estados têm a mesma origem: a memória. Ora isto desde logo afasta o possível antagonismo de um em relação ao outro. Mas o que me levou aespecular sobre isto é o de tentar entender a reacção dos humanos a esta realidade. É a sua razão que faz amar e odiar alguém e em muitos casos a mesma pessoa que antes se amava.
Qual será o sentimento mais forte aqui? O amor ou o ódio?

continua...

prata















eu tenho um rio de prata

a nascer na minha mão

e só vou deixa-lo correr

prá foz de um coração

terça-feira, dezembro 12, 2006

penso logo existo













nao creias quando te dizem ter sido por acidente. Os jogos só se jogam quando sao desejados. A mentira é sempre a fuga mais fácil. Nao se ama por caso. Ama-se porque se deseja amar, porque nao há amor previo. nao vale apena falar em duvidas. Quando os nossos olhos se encantam é porque estavam vazios....

Manuel F.C. Almeida

pé ante pé















Olhão 12-12-2006

e pé ante pé

passo a passo

faço o meu auto de fé

tento encontrar meu compasso

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, dezembro 11, 2006

a florbela espanca





















das magoas fizeste um livro belo,
enchendo de tristeza os versos teus.
somente os torturados podem lê-lo,
fazendo dos teus versos, versos seus.

tu foste, na verdade, a lira eleita!
ninguém como tu a dor cantou.
até no sofrimento insatisfeita,
tao cedo a tua vida se finou.

colocaste o coração em cada verso.
nada ficou ao acaso ou disperso
na tua existência triste, dolorida!

tu, que escreveste tanto sobre o amor,
um rosário fizeste em versos-dor
com pedaços da tua própria vida

in florilégio 4 edições NERP

AUTOR: Silveste Val

brisa
















Já me sopra uma brisa na face
Novidades vindas no vento
Dizem-me que espere plo tempo
Em que tudo vá e tudo passe

Mas esta brisa ligeira
Traz consigo a esperança
De dias em que a bonança
Seja minha companheira

Que tudo pode acontecer
Pra tudo existe uma hora
Seja amanhã ou agora
Outros amores virei a ter.

Manuel F. C. Almeida

domingo, dezembro 10, 2006

poder


















eu queria ter o poder
de ao esticar a minha mão
colocar um arco iris
junto ao teu coração

Manuel F.C. Almeida

basta





















Chega!
Nãos nos enganem mais ao dizer
Que o coração tem razões
Que a própria razão desconhece.
Porque as razões do coração
Só a razão as conhece.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, dezembro 06, 2006

frio




















http://amoratus.deviantart.com/gallery/


tenho frio hoje.
um frio que me toca
a alma e o coração.
um frio que nao me
deixa ver
mais além.
um frio que me assusta
porque me deixa
tolhido,
vencido pelo peso
da vida.
tenho frio,
um frio de quem está
de partida.


Manuel F.C. almeida

EGOCENTRICO




















Eu sou lobo e sou cordeiro
Sou a noite e também dia
Sou a estepe e seu sequeiro
Sou oceano, maresia

Sou uma parte do passado
Sou o real destruído
Sou o sonho apunhalado
Sou pouco mais que ruído

Sou o amanhã a chegar
Sou futuro radioso
Sou arco-íris no ar
Em “ ser”, sou orgulhoso.

terça-feira, dezembro 05, 2006

PAZ.
















A paz que os meus olhos
Querem
Só a terei no fim
Da jornada
Quando a vida passar
Como filme
E já tudo for memória
E eu quase
Nada.

Manuel F.C. Almeida

CAMINHOS
















Quantas vezes meu irmão, quantas vezes
Pensaste ter encontrado o teu lugar
E quantas vezes tiveste de reinventar
O caminho, enfrentando novos reveses.

Assim se constrói a vida humana
Feita de erros, vitórias, insatisfações
Feita de alegrias, tristezas, ilusões
Umas vezes com sentido, outras insana

Que o ser humano nunca está satisfeito
Objectivo atingido, logo este é desfeito
Porque esta nossa vida é mesmo assim.

Cortamos os caminhos sempre a eito
Procuramos sempre o mais perfeito
Em nome de uma procura sem ter fim.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, dezembro 04, 2006

porque gritam os poetas



pintura de amoratus

http://amoratus.deviantart.com/gallery/

Porque gritam os poetas
Poemas sem dizer nada?
Gritam a alma feita estrada
Sentimentos feitos metas.

MANUEL F.C. ALMEIDA

mulher





















Mulher
Quando a vida
Se solta em teus
Olhos
E o vento acontece
Em teus cabelos
Olhar-te mais não é
Que um feitiço
Onde somos argonautas
Perante o desejo e a
Vida.

domingo, dezembro 03, 2006

WAR
















Já soam as bombardas e a metralha
Já se sente o cheiro a morte no ar
Homens e homens, a homens matar,
Escondida, à defesa ficou a canalha.

De fato e gravata tratam da batalha
Como se fossem crianças a brincar
Não lhes repugna a ideia de matar
Jovens que só pensam numa medalha

É nesta insane e cruel verdade
Onde se perde o valor “ humanidade”
Que os poderosos se fazem sentir

Uns farão isto por honra ou vaidade
Outros porque entendem sua a verdade
Outros, porque mais não sabem que destruir.

MANUEL F.C. ALMEIDA

sábado, dezembro 02, 2006

Pensamentos






















A espécie humana tem como base da sociabilidade o valor da palavra. Os romanos exprimiam essa importância com a expressão “ pacta sunt servanda” . Os pactos formam o são a nossa base social. Desde tenra idade aprendemos isso, na escola ao fazer amigos e posteriormente ao crescer, nos sucessivos pactos que vamos fazendo com os nossos amigos. Amigo passa a ser aquele em que podemos confiar, que nos diz sempre o que pensa e a verdade, que não mascara o que sente mesmo que por vezes isso não seja simpático e acima de tudo não fica em silêncio nos momentos que mais necessitamos dele.
No entanto verifica-se que existem quatro tipos de indivíduos que não mantêm a palavra e que, claro, nunca poderão ser amigos de ninguém. O mais conhecido existe no caso dos que amam ou supostamente amam e que por qualquer motivo intrínseco a eles mesmos, não conseguem manter o pacto de sinceridade nem de honestidade formado no início. Em qualquer momento deixam de parte o valor da sinceridade e da verdade e escondem-se em silêncios ou em mentiras.
Mas outros tipos são determinados no tecido social; os que não o fazem pela incapacidade e pela incerteza em relação ao que os rodeia. Rapidamente estes dão o dito por não. Um segundo exemplo surge nos que exigem muito de si próprios, incapazes de tudo controlar, a sua impotência leva-os na procura incessante de quem lhes indique o caminho. Quando tratados como iguais sentem-se desprotegidos e fazem da mentira e da insegurança a sua forma de estar, ao mesmo tempo que procuram sem cessar alguém mais inteligente e manipulador que lhes indique que fazer. Usualmente tornam-se fiéis seguidores fazendo tudo o que este lhe ordenar e deixando para o esquecimento os valores com que convivem.
O terceiro tipo é o de gente vaidosa, usualmente a honestidade para estes não tem qualquer valor desde que persigam um objectivo. Manipuladores natos, sacrificam tudo pela vaidade de acrescentar mais troféus de caça à sua colecção. Cordiais, simpáticos extremamente inteligentes aproximam-se do poder porque desta forma conseguirão fazer sentir ainda mais a sua presença.
O último tipo é composto por gente que se odeia a si mesmo e odeia os outros. Mascara os sentimentos com promessas de paraísos, cria laços que não pensa manter, dá palavra que não tenciona cumprir, faz da mentira e do fingir a sua arma. Quando assume compromissos pretende apenas quebrar as defesas dos outros conseguindo a sua confiança, para num momento qualquer lhes dar com um cutelo, como se de animais se tratassem.
Mas depois de reflectir tanto sobre isto, pergunto a mim mesmo a pergunta que todos deveríamos fazer:
Em que grupo eu estarei?
Será que todos os humanos são assim. Acredito que quase todos teremos comportamentos destes em determinados momentos da nossa vida. Mas se conseguirmos olhar para dentro de nós e descobrir que pelo menos sempre fomos sinceros com os que amamos e amámos, que nunca mentimos ou omitimos, que nunca fizemos fretes, então talvez encontremos algo de bom dentro de nós e tomemos consciência de que mais vale ser honesto e sincero, mesmo que com isso percamos, do que entrar-mos em jogos dos quais no envergonhamos.

Bocage inesgotavel e inigualavel





















Não lamentes, oh Nise, o teu estado;

Não lamentes, oh Nise, o teu estado;
Puta tem sido muita gente boa;
Putíssimas fidalgas tem Lisboa,
Milhões de vezes putas têm reinado:

Dido foi puta, e puta dum soldado;
Cleópatra por puta alcança a c'roa;
Tu, Lucrécia, com toda a tua proa,
O teu cono não passa por honrado:

Essa da Rússia imperatriz famosa,
Que inda há pouco morreu (diz a Gazeta)
Entre mil porras expirou vaidosa:

Todas no mundo dão a sua greta:
Não fiques, pois, oh Nise, duvido
Que isto de virgo e honra é tudo peta

Alentejo














Nas ruas despidas, sem
Gentes
Nas casas fechadas,
Vazias
Nos caminhos, reinos do

No horizonte perdido
Esquecido
Nas planícies onde estás
Sempre só
Aqui, neste lugar
Não tem fim
O Alentejo.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, dezembro 01, 2006

AO JEITO DO VATE MAS COM MENOS QUALIDADE















Nesta terra de encantar
Douta pessoa surgiu,
Alguém me veio segredar
Que de segredos fugiu.

Rapaz de vários ofícios
Capaz de tudo tratar
Se lhe faltam orifícios
Ele trata de os encontrar

Como é douto tem valor.
Mais fácil fazer o que quer.
O poder traz sempre o amor
Aos olhos de uma mulher

De falas mansas, cuidadas,
Com um ar sempre bem airoso
Trá-las sempre bem tratadas
Prova que não é um ranhoso

O douto tem sempre poder
E sabe mentir a preceito
Para uma dama comer
Ele lá vai dando o seu jeito

Quando fica incomodado
Move suas influências
Envias para outro lado
Pra não sentir flatulências

Mestre no bem porfiar
Dizem que usa um apito
Prás conseguir encantar
e assim lhes comer o pito.

em singela homenagem a bocage.

Manuel F. C. Almeida

FERNANDO PESSOA.



Quero ser teu amigo
Nem demais e nem de menos
Nem tão longe e nem tão perto
Na medida mais precisa que eu puder
Mas amar-te como próximo, sem medida,
E ficar sempre em tua vida
Da maneira mais discreta que eu souber
Sem tirar-te a liberdade
Sem jamais te sufocar
Sem forçar a tua vontade
Sem falar quando for a hora de calar
E sem calar quando for a hora de falar
Nem ausente nem presente por demais,
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo,
Mas confesso,
É tão difícil aprender,
Por isso, eu te peço paciência
Vou encher este teu rosto
De alegrias, lembranças!
Dê-me tempo
De acertar nossas distâncias!

quinta-feira, novembro 30, 2006

sophia. sempre tao bela



O luar enche a terra de miragens

E as coisas têm hoje uma alma virgem

,O vento acordou entre as folhagens

Uma vida secreta e fugitiva,

Feita de sombra e luz, terror e calma,

Que é o perfeito acorde da minha alma.

WELCOME TO MY NIGTHMARE




















Paraíso marcado de sonhos
Paraíso feito de nada
Nos olhos de uma sereia
Uma canção feita na
Estrada.
Caminhos por encontrar
Salpicados de prazer
Pintados da cor do sexo
Uma canção feita a
Tremer.
Sentimentos enganados
Alma nua, indefesa
Sacrifícios na arena
Banquete pronto
Na mesa.
Um dócil corcel
Que se acalma
Olha o mundo de soslaio.
Procura alimentos
Para a alma.

Ao fundo, numa janela, os deuses estão a brincar.
Diversão até cansar.

Magoados os amantes
Deixam de ser racionais
Não passam de marionetas
Movidas por simples cordéis
Unicamente animais.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, novembro 29, 2006

UMA CAPA



Uma capa fiz do canto
De baixo a cima
Bordada
De antigas mitologias;
Mas tomaram-na os tolos
Para exibi-la ao mundo
Como se fora por eles lavrada.
Deixa, canto, que a tomem,
Pois maior feito existe
Em andar nu

W.B.YEATS

poema sobre poemas de amor




















Os mais belos poemas
São poemas de amor,
Patéticos
Feitos de retalhos
E de prantos
De sonhos e de esperanças
De traições e de paixões.
Mas que seria da vida
Sem pessoas patéticas
Que amam e choram,
E se indignam
Que seria do mundo
Sem paixão
E sem amor?

Manuel F.C. Almeida

terça-feira, novembro 28, 2006



Esta noite acordei em sobressalto, na casa do lado alguém gritava, o ruído fazia-se ouvir ao longe. Não sei que diziam, não sei que falavam. Sei apenas que gritavam. E o choro de uma criança também se fez ouvir. Na rua alguns bêbados tardios também ouviram e saudaram a algazarra com outra ainda maior. No meu quarto quedei-me a pensar na pessoa que gritava. Eu conheci-a, era jovem e bonita. Costumava deliciar-me a vê-la andar pela rua. Ela não andava, dançava; e o seu corpo de rapariga mulher sempre me despertou desejos inconfessáveis. E ali estava eu. Só. A ouvi-la gritar sem saber como ajudar. De repente o silêncio caiu sobre a noite. A criança calou-se. Os bêbados foram-se, os gritos pararam. Mas no meu cérebro milhares de vozes faziam-se ouvir. Milhares de pessoas obrigavam-me a ouvir o seu barulho. Puxei as mantas para cima de mim, numa vã tentativa de calar tudo. Mas as vozes não se foram. Ficaram ali. A zombar de mim. Pensei-me já louco. E no entanto os cisnes do quadro não se mexiam, nem as fotografias da mesa-de-cabeceira falaram para mim. Levantei-me. Estava com medo, com frio, e acima de tudo com aquela gente toda na cabeça. Ouvia crianças a chorar. Ouvia homens a chorar. Ouvia gente sem ver. Fui ver-me ao espelho. Cabelo desgrenhado, solto. Os olhos raiados de sangue. Fiquei ali a olhar-me. Finalmente todas as vozes se calaram. Estava eu e a minha imagem do espelho. Fixei-me, olhei nos meus olhos e de repente fui engolido por mim. Ainda hoje estou preso no espelho. Mas felizmente não há mais ruído.

o dia depois de amanha




















Míticas aves
Erguem-se nos céus.
Gritos lancinantes
Saem de véus
Há uma rosa a florir
Em cada canto
Em cada olhar
Já ouve pranto
Esta noite
Matei um amigo
Carrego um fantasma
Como castigo.
Pintei minha alma
Com uma cor escura
Desenhei a carvão
A mulher futura
Míticas aves
Dançam no céu
Até a verdade
Tem o seu véu.

E o mundo gira sem nunca parar
Só amo quem merece amar.

Manuel Filipe Carvalho de Almeida

segunda-feira, novembro 27, 2006

o Mario novamente e sempre um provocador



















De Mário Cesariny

Lembra-te
Que todos os momentos
Que nos coroaram
Todas as estradas
Radiosas que abrimos
Irão achando sem fim
Seu ansioso lugar
Seu botão de florir
O horizonte
E que dessa procura
Extenuante e precisa
Não teremos sinal
Senão o de saber
Que irá por onde fomos
Um para o outro vividos

um pais mais pobre














partiste de madrugada,
sem barulhos
sem alaridos.
coisa que tu
tanto gostavas.
eras um provocador
maricas e honesto.
ficámos mais pobres
hoje.
que os teus poemas,
a tua pintura,
a loucura feliz
do teu olhar
nos diga sempre,
vale a pena viver,
vale a pena ser homem,
vale a pena lutar.

Manuel F. C. Almeida

domingo, novembro 26, 2006

quando o amor














o meu amor partiu, foi-se, acabou
outros estarão pra chegar.
nao vale a pena chorar
quem do nosso amor desdenhou

a vida é como a maré
sobe e baixa, como alua.
e só a realidade crua
nos devolve a vida como é.

olhar então o passado
nao nos dá nada de novo
então, como diz o povo,
fique o passado enterrado

saibamos olhar sempre em frente
com o olhar de quem quer ver
e outro amor ira nascer
feito na hora, feito presente.

e quando o momento chegar
tratemo-lo com todo o carinho
façamos dele novo ninho
pra que o possamos cantar.

poema da memoria















agora que és vida sem retorno
que és madrugada, mas sem côr
canto para ti todo este amor
onde recordo teu corpo morno

agora que és fantasma, sem regresso
que és por do sol em tarde calma
canto para ti um canto de alma
canto o amor que nao te peço

agora que és vela aberta ao vento
que és gaivota, livre no voar
eu canto a terra, o fogo e o ar

canto a vida, e canto o tempo
pra que possa em mim apagar
esta ferida que teima em nao sarar

Manuewl Filipe Carvalho de Almeida

sábado, novembro 25, 2006

Eles eram bons. E ainda sao














Something in the way she moves
Attracts me like no other lover,
Something in the way she woos me.I
don’t want to leave her now,
You know I believe and how.
Somewhere in her smile she knows
That I don’t need no other lover.
Something in her style that shows me.
I don’t want to leave her now,
You know I believe and how.
You’re asking me will my love grow,
I don’t know, I don’t know.
You stick around now it may show,
I don’t know, I don’t know.
Something in the way she knows
And all I have to do is think of her,
Something in the things she shows me.
I don’t want to leave her now,
You know I believe and how.

teoria do beijo




















um beijo dado a rigor
é sempre algo que liberta
se for então com calor
é porta do céu aberta.

abre as portas do prazer
antecipa o que está pra vir
façamos pois por merecer
o nirvana a atingir

nao interessa aqui o amor
nao interessa a intenção
só pesa aqui o ardôr
que traz prisioneira a paixão

nunca esqueçam o momento
muito menos o sabor
dos beijos que em movimento
dão ao mundo nova côr

sexta-feira, novembro 24, 2006

CONFESSO, ESTOU VICIADO EM ESCREVER


















A UMA AMIGA ESPECIAL

Já foste amiga, confidente.
farol prá minha barca,
tesouro da minha arca,
noites de falas presente.

agora serás só memória
das noites de companhia
foi-se o riso, a alegria
ficou tristeza feita história

e hoje vivo a pensar
onde possa ter errado
se na frontalidade do fado
se na confusão do falar

se te equivocaste agora
no meu jeito p'ra contigo
sabe que sou teu amigo
e tenho saudades do " ora ora"

MANUEL FILIPE CARVALHO DE ALMEIDA

quarta-feira, novembro 22, 2006




















Nos últimos dois meses escrevi quase diariamente neste local. Era o meu confessionário, o local onde deixei as minhas mágoas, as minhas lágrimas, as minhas alegrias e tristezas. Durante dois meses recebi de muitos manifestações de carinho e amizade que a todos agradeço. Mas o texto de Miguel Sousa Tavares deu-me talvez a real percepção do que sou. O texto e infelizmente a minha saúde que se agravou nas ultimas horas. Vou começar um ciclo na minha vida que se não compadece com o que a alma sente. O que me acontecer não será publicada aqui. Aliás nada mais penso publicar.
Não vou nomear nomes, os que se manifestaram de forma sincera sabem o quanto lhes agradeço. Os que o fizeram para auto justificar as suas atitudes, e foi apenas uma pessoa que o fez, não terão mais que justificar o que quer que seja. A todos liberto da minha presença por uns tempo.
Na vida tudo passa meus amigos, guardamos as mágoas em caixinhas e catalogamo-las. Guardamos tudo e em tudo colocamos um rótulo. Somos arquivistas da memória, arquivamos sentimentos, pessoas e equívocos. Muitas vezes o que nos motiva são coisas estranhas.
Eu não tenho poder, não tenho um título, não sou um misto de Zeca Afonso, nem de outra coisa qualquer. Nada sei sobre a protohistória ou sobre como gerir o que quer que seja, nem a mim mesmo eu sei gerir. Sou apenas eu, um português anónimo no meio da multidão. A minha história de vida é pobre. Nunca decidi sobre a vida dos outros, nunca movimentei interesses ou poderes quer para o bem quer para o mal. E ainda bem. Nada me pesa, e agora isso poderia ainda mais complicar a minha vida.
No fundo, como já se devem ter apercebido, não passo de alguém profundamente magoado com a vida que deitei fora, não estou magoado com mais ninguém senão comigo mesmo. Por um eldorado que nunca tinha visto, deixei uma vida, acreditei em futuros construídos de nada e pago agora, quer na saúde quer no espírito, o preço da minha ousadia em querer ser feliz. Mas se não ousarmos será que vivemos?
Ousar é talvez o que resta a todos nós, ousar amar e ousar ser amado é sem sombra de dúvida o que de mais belo podemos fazer na vida. Umas vezes perde-se, outras ganha-se mas quer numas quer noutras a frontalidade é sempre a única forma de ser honesto. Dizer amo-te e dizer já não te amo, nem sempre é simples. Muitas coisas acontecem dentro de nós, mas se o dissermos com respeito por nós mesmos e pelo outro, fazemos o que minimamente se deve fazer em nome do tempo que tivemos o outro ao nosso lado.
E quando assim não é, quando o outro deixa para que sejamos nós a descobrir a verdade, a descobrir que já não somos o centro do seu pensamento, a mágoa torna-se infinitamente maior. Afinal nem só de traições físicas vive o cérebro humano. A que mais nos atinge é a falta de verticalidade e honestidade e essa manifesta-se nas atitudes, nos silêncios e na hipocrisia com que as pessoas, a quem por vezes demos tanto, nos retribuem no fim dos ciclos. Existirá que leia este texto e saiba que eu, quando achei que era hora, as olhei nos olhos e lhes disse ser tempo de parar. Existirá quem leia ( ou se aborreça antes) e entende que parte dele lhe é dirigido. Não! Este texto é apenas um texto, se ele atingir alguém será mais pela consciência do que pela realidade.
Por fim que todos saibam que não guardo ressentimentos, mágoa sim isso guardo. E que desejo a todos, sem excepção, a maior das felicidades.
Os que sentirem a minha falta podem sempre deixar mensagens ou enviar emails.
O sagher vai deixar de existir por uns tempos, e talvez quem sabe para sempre. Este blog será o testemunho de que existi. Como dizia o Poeta “ confesso que vivi”
A todos obrigado.

terça-feira, novembro 21, 2006

DE MIGUEL SOUSA TAVARES




















Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática.Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido.O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.




Sonhei esta noite um poema
Feito com o som de um piano
De um lado… um teorema
N’outro lado um lindo plano


Eras céu da minha mente
E quando uma nuvem surgia
Soprava-la timidamente
E a nuvem depressa fugia.


Tua face enevoada
Estava sempre ali comigo
Afastou a trovoada
E fez de mim teu amigo


Não passo de um sonhador
Que leva a vida a sonhar
Comigo trago uma flor
Para um dia te agradar.


Manuel F.C. Almeida

pensamento


















Há uma brisa que corre
Ao sabor dos dias.
Nos olhares que se cruzam
Só o tempo parece
Dar sentido à existência,
Que teima em não se encontrar.
O verme da aparência,
Perfura os sentidos.
Até o olhar se desvanece
E mortifica.
Tudo se resume
A ser,
A querer ser
A querer ser só ser

segunda-feira, novembro 20, 2006




















solitárias as palavras,
acomodam a vontade
dos sentidos.
O instinto queda-se
prisioneiro da razão,
e nós
somos apenas animais
selvagens.
Fazemos da alma dos
outro o nosso alvo.
Que fizemos de nós?

Ainda hoje os Beatles nos ajudam



















Strawberry fields forever na minha versão.


Deixa-me ajudar, estende a tua mão
Deixa-te guiar em contra mão
Vais ver que tu vais gostar
De ver os campos flores a cantar
Sei que não estás só, também eu não estou
No pensamento, tudo ficou
Memória que o tempo vai levar
Que a vida vai apagar
Em campos de flores a cantar


Não. Não tenhas medo
Eu vou Guardar o segredo
Mas também te vou mostrar
Que há campos de flores a cantar.
Sei que não estás certa de nada
Vives receosa, acossada
Mas pode alguém estar
Livre de errar?
Só os campos de flores a cantar.


Deixa-me tocar a tua mão
Deixa que o olhar tudo leva
Um dia serei Adão
Um dia tu serás Eva
Há um grito de esperança no ar
Nos campos de flores a cantar.


Manuel F.C. Almeida

domingo, novembro 19, 2006

ó mar
















ó mar azul. mar salgado
lava-me as mágoas e a suadade
conduz-me tu a outro lado
onde cante e viva a liberdade

ó mar azul, mar salgado
lava-me a alma, da sujidade
mostra-me a lua, o céu estrelado
onde se veja só amizade

ó mar azul, mar salgado
lava a mentira e a verdade
mostra-me os versos de novo fado
onde só viva a felicidade

FERNANDO PESSOA- porque hoje nao me apetece escrever




















eu amo tudo o que foi,
tudo o que já nao é,
a dor que já nao me dói,
a antiga e errónea fé,
o ontem que dor deixou,
o que deixou alegria,
só porque foi, e voou
e hoje já é outro dia

F. PESSOA.

sábado, novembro 18, 2006

amizade














São amarelas as pétalas desta rosa
São da cor de uma fornalha
Que façam com a minha prosa
Fendas nalguma muralha

E que nessas fendas frutifiquem
Poemas á amizade
E que ai se depositem
Cantigas á liberdade

eis o que sou



















E eis-me no fim da jornada
Caminho passo a passo
Pra não pisar as pedras da calçada
Pra fazer da vida um compasso

Tenho um relógio feito de nada
Procuro na escuridão
Um caminho, uma estrada
Prenhe de solidão

Tenho nas mãos areia da praia
Que se vai, nesta ampulheta de tempo
Espero por fim que a noite caia
Que me traga algum alento

E eis-me aqui à espera de alguém
Que me traga de novo a alegria
De encontrar aqui e além
A cor da vida que se faz dia.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, novembro 17, 2006

Poema. que desculpem ser apenas humano




















Foram dias tristes e cinzentos
Dias agitados, noites sem luar
Minutos que corriam lentos
De esperança e incertezas a reinar

Mágoa ultrapassada e sem alentos
Uma lâmpada ao longe a iluminar
Mas a brisa deixou de trazer ventos
E a noite deixou de ter luar

Por fim, pouco tempo decorrido
Sobrou-me o coração muito dorido
Depois de tanta, tanta doação

O meu ocaso de oiro agonizou
Do passado, já tudo se esfumou
Na vida há coisas sem perdão

(variação sobre um poema de Natividade Negreiros)

PARABENS A VOCÊ

para a Maria _arvore. podia deixar aqui uma foto de um gajo bonito, mas preferi recordar-te que mais um ano é só mais uma gota. parabéns linda amiga.