sábado, setembro 29, 2007






sopro





foto by:artland










Foram os fios dos meus dedos
Que se encantaram nas sedas do teu corpo
Foste a crisálida encantada.
A beleza transmutada pelo tempo
Ao passar dos meses e do sol.
Num desejo, eu clamo pelo teu ser
E faço deste amor um hino, uma canção
Projecto além, este meu querer...
Soprar-te um dia o coração.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, setembro 27, 2007






Dizer lutar



foto by: RAPHAEL o pensativo




A luxúria dos movimentos
e do olhar
Desperta a leveza livre
dos desejos

Da negação das divindades
solta-se o fulgor
dos corpos em bruto

E da volúpia egoísta
da carne,
solta-se o amor
pelo qual eu luto.

Manuel F.C. Almeida

terça-feira, setembro 25, 2007









Tela



foto by:MARIAH





Na paisagem de uma tela insensível
Erguem-se muros sobre os sentidos.
Os silêncios tocam o desejo
E o vento embala os sonhos e o prazer.
Constrói-se o nome dos nomes
E sobre ele o amor dos amores.
Os rostos tomam a cor da luxúria
Como cavalos selvagens nas pradarias
Desaparecidas.
Nos lábios repousa a fragilidade da vida,
Já nada resta do que fomos.

Manuel F. C. Almeida

domingo, setembro 23, 2007






SENTIDOS



FOTO BY: avalon [paulo franco]





Os meus dedos desenharam-te
e os meus olhos encheram-se de ti.
As mãos contornaram a tua figura,
os lábios uniram as bocas
e fundimos os corpos
na leitura de um poema…
Deste poema.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, setembro 21, 2007





HUMANOS




Foto by:


Filomena Chito




Que me dizem deste trilho de fórmulas escondidas onde se tropeça no sentido da palavra vida?
Olhem bem dos homens, as sombras projectadas de uma dança selvaticamente colorida pelo suor dos bailarinos.
Olhem bem para esta sinfonia de lírios em movimento circular na tentativa de abrir assim um caminho em direcção ao infinito, e a angustia das libelinhas sem rios para ocupar.
Neste trilho tudo se repete e acontece numa fusão orgânica livre de espécies e de tipos.
Neste trilho que teimamos em queimar mais não somos que coveiros da vida.
Da nossa vida.
De toda a vida.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, setembro 19, 2007






Caminho



Foto by: Bruno Abreu




Nada mais procuro que um pouco de paz
Nas aguas límpidas de um rio que penso meu.
Caminho, cego, em direcção a faces que não vejo
Guiado pelo cheiro de quem julgo que me quer.
Pretensão sublime conhecer alguém
Neste turbilhão humano que teima em fazer
Da vida artigo para vender.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, setembro 17, 2007




Férias (2ª parte)


Foto by:


Heliz





Ergue-se no altar do mármore primordial um corpo sem face, pintado com algas e com o sangue dos deuses de Asgard. A primavera tarda e as flores não abrem em honra dos animais cegos e sangrados em mil rituais civilizados. O glaciar verte as suas lágrimas, límpidas e puras nas correntes de lama civilizacional.
Num dos lados, a mensagem abre-se em remoinhos de vento, na volatilidade dos conceitos emocionalmente abertos à vida. No outro toma forma o quadro final. Aquele em que a renuncia se consome em momentos de solidão e de prazer honanistico. Falos gigantes como menires erguem-se em homenagem às virgens perdidas e clitóricamente habladas. Os xamãs dançam ao som das aves do paraíso e untam-se com o liquido seminal de mil ejaculações falhadas e perdidas entre as coxas da deusa sem face. Sinto-me levitar num mundo cruel e injusto onde Moisés, Maomé, Cristo e os outros profetas da guerra se deleitam com o sangue de inocente dos assassinos humanos.


Manuel F. C. Almeida

domingo, setembro 16, 2007







onde?



foto by:Heliz






Amor!
Porque me encontro perdido
Neste local onde me achaste?
Sabes...
Ele há imagens que nos mentem,
Pinturas do que fomos e que não
Se recuperam depois de assassinadas.
Ele há fantasmas que se reavivam
Como o fogo.
Basta que os alimentemos na
Dança dos olhares ternos.
Na dança das espigas em dias
De vento suão, onde
O ouro dos campos mais não é
Que uma miragem.


Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, setembro 12, 2007






Suspensão


Foto by:bernardo coelho




Teus olhos trémulos queimam as horas que habitam o sol.
Dos dedos, finos e cuidados,
Correm riachos que se precipitam
Na luxúria dos corpos
Suados.
Avidamente aspiras o ar que te sustêm
Num tempo sem tempo,
Alegóricamente colorido de
Mil incensos e aromas perdidos,
Nos corpos.
Nos corpos sem alento para os corpos,
Resta agora a magia dos sons e
A memória do tempo com tempo.
Nos corpos.
Vivos.
Cintilantes.
Pungentes.
Cerimoniosamente lascivos.
Nos corpos...

Cósmicamente vivos.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, setembro 10, 2007





ALQUIMIA

FOTO BY:bernardo coelho






Na sombra da memória
Vivemos o renascer
Da ternura.
Agua, ar,
Terra, fogo.
Magia pura.

Manuel F C. Almeida

sábado, setembro 08, 2007





Ausente
Foto by:


Carla Salgueiro






Ausente um dia no meu gesto
Sem bandeiras brancas
Nem seios amadurecidos
Pelo desejo,
Tu és a esmeralda que se
reabriu às mãos do joalheiro.
Rubi de sangue em mãos
De mineiro .

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, setembro 06, 2007





Autoretrato





(parte 1)


Tenho um rio na cor do meu olhar,
Onde as paisagens se perdem
Nas sombras que teimo em mudar,
E as margens se apertam,

Quando adormecem ,
Em noites de pleno luar.
Tenho um canto nas asas do meu querer,
Onde as palavras vagueiam
Na procura do meu ser
E os sentidos se perdem,

Se têm que se espraiar,
No meu efémero viver.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, setembro 04, 2007








Garimpo



Foto by:Rodrigo Ferreira

Gelaram-se se as palavras e os versos. Nada mais me resta que enumerar as particularidades de um tumultuoso oceano de gelo. Primeiro perdi o enunciado dos outros poemas e dei comigo a pensar em esmeraldas. Já não há rimas ou sentidos conceptuais, já não há o silêncio dos poemas, já não há dignidade nos versos do coração. O fulgor ficou gelado, emparedado entre o silêncio gélido do vazio e o tactear austero do medo. Gelaram-se as palavras e os versos. Ficaram os dedos para garimpar o teu rosto e voltar a ter nele um horizonte de diamantes em bruto.


Manuel F. C. Almeida

domingo, setembro 02, 2007






Cegueira


foto by:Ricardo Jorge Miguel Soares





De olhos abertos tacteio a memória à tua procura.
Recupero os cheiros dos nossos encontros
E o sabor adocicado dos nossos beijos.
Num trago de saudade sinto o meu corpo preso
Em ti, com um espinho que nos une, ainda.
Saúdo a vida que conheço
E recordo o teu olhar, da cor do mel, quando
A leveza das palavras nos dava a cumplicidade
Dos amantes que se tinham eternos.
A beleza selvagem e pura do que fomos
Ergue-se como um monumento ao que seremos.
E isso…
Só os deuses, se estiverem atentos, nos impedirão
De acontecer.



Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, agosto 31, 2007















É de prata, a noite no deserto.
Ali onde os homens se encontram e
se perdem,na procura do seu nome,
num ritual secular que desafia a modernidade,
O tempo toma a forma de uma planície.
Calma, pacata, imóvel.
O deserto dá ao tempo a forma dos nomes,
E descobre no sol a sua vivência.
Naquele lugar onde tudo se apaga,
Tudo é miragem, tudo foi sonho,
Tudo é nada.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, agosto 27, 2007







Portugal.
Belo jardim.
( A propósito da falta de membros do governo no centenário de Miguel Torga)





No meu jardim os cravos ainda são cravos
E só as rosas perderam a cor.
As abelhas confundem-se com a mutação,
E no mês de Maio já não celebram a primavera.
Pois é…
Mas os escaravelhos deliciam-se sempre
A empurrar bolas de Merda.
Manuel F. C. Almeida

sábado, agosto 25, 2007


EXISTES


foto by: ABrito



Arrancaste do olhar uma chama
De ternura.
Com a tua mão deste-me a chama
Com o teu olhar
Um convite à loucura.



Manuel F. C. Almeida

sábado, agosto 18, 2007


Porque vou de férias, sonhar com iguarias não fica mal. a
Assim imagino-me na praia à noite a ver Sereias destas e a ouvir musica. Que mais se pode pedir? Aceitam-se idéias.

quinta-feira, agosto 16, 2007







Filho







Sei que caminhas aqui, a meu lado
E eu a par de ti, a proteger-te.
É certo que ficarei sempre mais velho
Mas tu também.
Seremos cúmplices no teu assalto à vida
e cúmplices no cumprir do meu tempo.
Resta-nos um não sei quê de sentidos
E a vivência dos dias por abrir
Num longo acontecer.
O meu tempo é o teu tempo,
Mas o teu tempo é só o teu tempo.



Manuel F.C. Almeida

terça-feira, agosto 14, 2007


ENCONTROS

FOTO BY:Mariza

Ao raiar dos dias
O teu peito rompe
A cadencia das palavras.
E descobres nos lábios
Um diamante em flor.
Tocas-me…
Terno é o desejo que se assoma.


Manuel F. C. Almeida