sexta-feira, agosto 31, 2007















É de prata, a noite no deserto.
Ali onde os homens se encontram e
se perdem,na procura do seu nome,
num ritual secular que desafia a modernidade,
O tempo toma a forma de uma planície.
Calma, pacata, imóvel.
O deserto dá ao tempo a forma dos nomes,
E descobre no sol a sua vivência.
Naquele lugar onde tudo se apaga,
Tudo é miragem, tudo foi sonho,
Tudo é nada.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, agosto 27, 2007







Portugal.
Belo jardim.
( A propósito da falta de membros do governo no centenário de Miguel Torga)





No meu jardim os cravos ainda são cravos
E só as rosas perderam a cor.
As abelhas confundem-se com a mutação,
E no mês de Maio já não celebram a primavera.
Pois é…
Mas os escaravelhos deliciam-se sempre
A empurrar bolas de Merda.
Manuel F. C. Almeida

sábado, agosto 25, 2007


EXISTES


foto by: ABrito



Arrancaste do olhar uma chama
De ternura.
Com a tua mão deste-me a chama
Com o teu olhar
Um convite à loucura.



Manuel F. C. Almeida

sábado, agosto 18, 2007


Porque vou de férias, sonhar com iguarias não fica mal. a
Assim imagino-me na praia à noite a ver Sereias destas e a ouvir musica. Que mais se pode pedir? Aceitam-se idéias.

quinta-feira, agosto 16, 2007







Filho







Sei que caminhas aqui, a meu lado
E eu a par de ti, a proteger-te.
É certo que ficarei sempre mais velho
Mas tu também.
Seremos cúmplices no teu assalto à vida
e cúmplices no cumprir do meu tempo.
Resta-nos um não sei quê de sentidos
E a vivência dos dias por abrir
Num longo acontecer.
O meu tempo é o teu tempo,
Mas o teu tempo é só o teu tempo.



Manuel F.C. Almeida

terça-feira, agosto 14, 2007


ENCONTROS

FOTO BY:Mariza

Ao raiar dos dias
O teu peito rompe
A cadencia das palavras.
E descobres nos lábios
Um diamante em flor.
Tocas-me…
Terno é o desejo que se assoma.


Manuel F. C. Almeida

domingo, agosto 12, 2007








SÓ PRA DIZER QUE TE ......







Foto by:Alba Luna


Eu queria dizer que te amo,
Minha aurora boreal.
De uma maneira só minha
que nada tem de banal.
Fazer-te sentir este amor,
que me levou à loucura.
Compensar os maus momentos,
com momentos de ternura.
Eu queria dizer que te amo,
em mil noites de procura.




Manuel F.C. Almeida.

sexta-feira, agosto 10, 2007














Nada me contas dos dias que faltam viver. Apalpo o teu regaço, sinto o desejo a crescer.
Na sombra projectada uma alma, atormentada, segue o caminho das estrelas e o meu olhar pousa sobre a árvore da tua existência. Cadencia. Sim! Cadencia sintomática, repetida, suada, sentida na alma, que a pele… essa está deslembrada.
Nada te posso dizer. Tudo é segredo. Também me pensei assim. Numa revolução incandescente onde a cadencia me marcasse o tempo. Chegar e partir. Entrar e sair. Repetir. Repetir.
Sim, sim, faria tudo até à exaustão. Corpo livre, corpo sentido. Tesão. Marcharemos algures numa história esquecida, perdida. Para lá do ventos de carmim e das nuvens de algodão. Silencio. Recupero o sentido na vastidão cósmica da minha alma…da nossa alma.


Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, agosto 08, 2007









foto by: angelica






Deixa-me falar-te agora dos segredos
Que carrego.
Vou falar-te sobre a transmutação
Das plantas.
Do trigo em oiro e do lírios em diamantes.
Vou descrever-te o nome que o luar
Trás à solidão da memória
E o calor das mãos feitas sol.
Aqui, neste lugar onde o incenso
Se liberta da vida, o mar
Não para de se fazer sentir
Em cada célula que se descobre
Em nós.
E de mãos enlaçadas
Caminhamos de cabeça erguida
Na procura do lugar que um dia
Desenhámos.



Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, agosto 06, 2007




Foi em 6 de Agosto de 1945. Cerca das 8.14 horas, vários bombardeiros B-29 da força aéra dos EUA sobrevoam Hiroshima. Um deles, o Enola Gay larga a «little boy». A primeira bomba atómica a ser usada contra alvos humanos.



DESDE ENTAO OS EUA ATACARAM SEM MOTIVO DEZENAS DE PAISES SUBJUGANDO OS SEUS POVOS


LA BESTIA



Soltaram no mundo a besta
Que sempre carregaram no peito
O ódio que tudo empesta
O ódio sem nada, Sem jeito

O ódio que tudo destrói
Carregado de maldade
O ódio que sempre corrói
As réstias de humanidade

Soltaram no mundo a besta
Com um poder assustador
A todo o planeta empesta
A todo o planeta faz dor

Hiroshima nosso altar
De sacrifícios carregada
Obriga-nos a recordar
Teus filhos mortos, pra nada.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, agosto 03, 2007







Foto by:Ana Rita Vaz Cruz




ensaio




O teu corpo eu quero beijar
Tua silhueta eu vou tomar
Numa paixão
Numa tesão
Que em ti eu espero matar.
Nos teus seios me vou deitar
No teu ventre saciar
Esta paixão
Esta tesão
Instaladas no meu sonhar.
Com teus olhos eu vou chorar
Com tua voz vou cantar
A minha paixão
A minha tesão
Vividas por um dia te amar.



Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, agosto 01, 2007










Insane não é?





O homem fica com
a alma escura.
Sobra o desprezo pela
Realidade.
Mas nada justifica, essa face
Escura.
Nada se entende, em tanta
Maldade.

Já não és pessoa, indivíduo
Apenas gente
Ali resumido, és massa
Disforme
Não há passado ou futuro
Só presente
Toda a visão é de terror
Enorme.

A morte escolhe os seus
E os seus Tempos
Tem como meta alimentar
O pó do deserto
Lancinantes gritos vivem
Nos ventos
Só a crueldade é dado
Certo

No fim, sobram gentes sem rumo
gentes isoladas.
Fome, doenças e uma enorme
Tristeza.
A vida, deixa de o ser, destruída em
Nadas.
Tudo o que somos são só
impurezas.


Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, julho 30, 2007













Foto by: MARIAH




Matas-te a solidão sem o saber.
Esperava por ti na penumbra
Do teu quarto, de onde te olhava
Sempre que chegavas assim,
Célebre e tristemente só.
Podias então esconder o sorriso
Que colocavas ao sair.
Ela lá ficava…imóvel junto à porta
De flores na mão.
As flores, que sonhavas receber
De umas mãos que não as suas.
E ela sabia que um dia teria de partir.
Gostava de ti, mas por isso mesmo
Teria de morrer.
Quando descobriste que no espelho
Do teu quarto eras tu que ali vivia,
Mataste-a...
Voltas-te a ser quem és.



Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, julho 27, 2007






Para o fim de semana


que me vou a banhos


foto by: angelica







De mãos dadas com o tempo tatuei o coração
Teus lábios sabiam a vento, o teu odor a ilusão
Tuas palavras unguento, teu respirar oração
Teu olhar era um momento, teus beijos uma canção
Teu corpo era um tormento, pra toda a minha paixão.


Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, julho 26, 2007







foto by:Ricardo Jorge Miguel Soares



Ansiosos, estende-mos
O corpo contra o corpo
E aspiramos à primavera
Em prazer.
Bordamos o tempo com o
Brilho das estrelas caídas
E celebramos os dias
Com palavras só nossas,
Ditas no silêncio de um
Olhar.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, julho 24, 2007









FOTO BY angel nino










Dou ao coração o lugar do sol
Iluminando com ele o meu viver
Peço ajuda á lua, lindo vitral
E a lua ajuda-me a não morrer
Abro ao vento todo o meu peito
Dou-lhe todo o meu querer
Que me recorde de outros tempos
Momentos, horas a reviver.
Ao mar dou o meu olhar
Meu estar, meu sentir, meu ser.
É só nele que posso encontrar
Forças para não me perder.

Manuel F. C. Almeida

domingo, julho 22, 2007



















Quero mergulhar na memória
Como se fosse onda do mar
Reviver com ela as imagens
Que ela teimou em guardar
Ter os cheiros, ter as formas
Do que há pra recordar.
Brincadeiras de criança,
Coisas, que ousava inventar.
Jogos de adolescente
Segredos a desvendar.
Amizades feitas cúmplices
De quem se quer afirmar.
Quero mergulhar na memória
Apenas para me olhar...


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, julho 20, 2007












Percorro o trilho,
terra e chão.
Fico a olhar,
cismado, o firmamento.
Canto o teu nome,
doce ilusão
Tudo o que sou,
é só um lamento.

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, julho 18, 2007


recebi do lumife
a agora vou nomear.
venham buscar






FOTO BY Marcio Murilo Pilot








Á noite,

Na escuridão mais profunda
Os meus olhos são os meus ouvidos
E o meu coração é o pulsar agonizante
De uma ave multicolor.
Coloco o ombro contra o nada e o ouvido
Percorre a escuridão impregnado de receios.
Á noite,
Quando os silêncios tomam conta
Dos olhos e invadem os sentido
Somos presas fáceis de nós mesmos.
O medo acende-se bem no centro do que somos
E o seu reino estende-se por todo
O nosso espírito.
Á noite…
E algumas vezes de dia.


Manuel F. C. Almeida