
Foto by: MARIAH
Matas-te a solidão sem o saber.
Esperava por ti na penumbra
Do teu quarto, de onde te olhava
Sempre que chegavas assim,
Célebre e tristemente só.
Podias então esconder o sorriso
Que colocavas ao sair.
Ela lá ficava…imóvel junto à porta
De flores na mão.
As flores, que sonhavas receber
De umas mãos que não as suas.
E ela sabia que um dia teria de partir.
Gostava de ti, mas por isso mesmo
Teria de morrer.
Quando descobriste que no espelho
Do teu quarto eras tu que ali vivia,
Mataste-a...
Voltas-te a ser quem és.
Manuel F. C. Almeida


















