
Descubro
Em todo o lado
A paisagem
Do assombro,
Tingida pela
Lascívia dos corpos
Estáticos
Entre casas fechadas e
Abismos na alma.
Que o tempo teima em manter.
Manuel F. C. Almeida
Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ







Quantas noites sem sentido habitaram
Os olhares curiosos que se perderam
No vazio da escuridão?
A perversão imensa dos objectos inanimados
Que se confundem com corpos sem alma
Solenemente deitados. Ali quietos. Num, existir
Sem acontecer.
A morte das paixões é a vitória do vazio
E a glória do abandono útil.
Manuel F. C. Almeida

Já nem dos sonhos te manténs desperto
Nem dos tempos recuperas a sorte.
Tudo o que demandas é a paz do ego
Solta e livre sem derrota e sem vitória.
Altivo o querer deixa-te ser o que és.
Se erras não escondes o olhar nas palavras
Arrependidas da culpa. Porque a não conheces.
Desenhas na vida um arco de esperança
E continuas o teu caminhar, no som breve
Das palavras, na inconstância de existir
E na glória de viver quem és.
Manuel F. C. Almeida
