segunda-feira, março 12, 2012
















Arde-me o corpo
E não é febre
É um desejo louco
De te ter.
Tomar-te o seios
Entre os lábios
E gentilmente
renascer.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, março 05, 2012



















Quantas vezes sou presente
Quantas vezes sou passado
Quantas vezes sou ausente
E quantas estou a teu lado?
Quantas vezes me pergunto
Se é este o lugar certo
Se não serei já defunto
Num caminho sempre incerto.

Quantas vezes olho o espelho
E só lá vejo um deserto….

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, março 01, 2012

















Corro atrás do pensamento,
Que teima sempre em fugir.
Suplico asas ao vento,
No vento que está para vir.
Estendo os braços e em vão.
Lanço os dedos para o nada.
Fica presa a minha mão,
No desenho desta estrada.
E lá vai o pensamento
Que não se deixa domar.
E em cada doce momento
Há sempre algo novo a sonhar.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, fevereiro 27, 2012





















Há sempre um amanhã
Que nos consome
E se consome no tempo.
As memórias apontam-nos
Caminhos dispersos.
Não há nascente ou poente.
Perde-se o senso e o caminho
Na cegueira de um silencio oco.
Já não resta nada para lá
Do hábito inerte do conformismo.
Os desenhos feitos com esperança
Tornam-se notas breves de uma
Sinfonia inaudível e é nelas
Que prendemos o que resta nós,
E da sombra do que fomos.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

















É minha irmã, minha companheira
O meu outro lado, o desconhecido
Que se adormece e se esquece
Na noite sem luz.
Mas mal me levanto, ela lá está
Sempre pronta a seguir-me, sem descanso
E ergue-se acima daquilo que sou
Muito maior que um dia serei
A sombra que é minha
Mas que nunca terei.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, fevereiro 17, 2012





















Já nada acontece
Já nem há respostas
Para as questões
Que me são postas
Não há razão que resista
Ao meu direito
A sonhar
Explicações?
Procurem no ar.
Porque este meu estar
E as minhas palavras
Estão vivas no olhar
Nas cores da madrugada
E na poesia
Porque falar de amor
É falar de magia.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, fevereiro 14, 2012















Ouço a relva
E vejo as borboletas
Que se entregam
Ao vento.
Sento-me debruçado sobre
A minha cegueira
Num canto onde invoco
As mãos que deixei
Presas nos teus seios.
Os dedos dançam
Loucos, embriagados.

Só o teu corpo se ausentou
E os sonhos tocam o infinito.

Manuel F. C. Almeida

domingo, fevereiro 12, 2012











parte 3 sobre moral e ética a partir de um texto anónimo







Um dos exemplos deste tipo de moral provém do movimento estoico, o estoicismo mais não é que a afirmação individual da independência espiritual, quer os 1ºs cristãos quer alguns imperadores de Roma adotaram posturas próximas do estoicismo. Para estes nada acontece por acaso ou seja tudo o que se manifesta faz-se pela necessidade e mais não é que a manifestação do princípio inteligente do cosmos, assim a indiferença e a apatia são o modo certo de enfrentar a vida. Tudo é passível de ser suportado desde que a racionalidade seja bem direcionada. Toda a Acão está predeterminada, escrita, destinada a…ao sábio estoico exige-se o controle total sobre as emoções e quando tal não for possível então o suicídio é a única saída. Também os epicuristas recusam os prazeres do corpo, valorizando a amizade e a reclusão em circuitos muito fechados, afastados da urbe o sábio epicurista voltava-se para si e para a procura do eu espiritual.

quinta-feira, fevereiro 09, 2012















Havia algo de errado
Naquela tarde sem fim
O tempo tinha parado
E não passava por mim

Caminhei ao longo da estrada
Que desenhei no papel
E fui encontrando no nada
As palavras que perdi
Nos dias em que procurava
O teu odor a jasmim.

Uma a uma as juntei,
Num feixe de sentimentos
Tentei encontrar o sentido
Naquelas palavras perdidas
Mas tudo parecia trocado
Eram já só sedimentos.

E o tempo teimoso, parado
Deu-me então a recordar
Os dias em que ao correr
Soletrava o verbo amar.

E vi tudo envelhecer
E vi as aves voarem
Só não encontrei nos teus olhos
Aquela centelha de luz
Que transforma a noite no dia
E faz o tempo avançar

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, fevereiro 07, 2012

Continuação da reflexão sobre a moral e a ética a partir de um texto de autor desconhecido




















Este princípio, genericamente, tem como ponto de partida a constatação de que o ser dotado de sensibilidade procura naturalmente o que lhe propicia prazer e aparta de si o que lhe provoca dor e angústia. Assim verificamos as reacções quer de animais, quer de plantas para a procura desse estado. Nos humanos, e desde que se nasce (o primeiro choro, fruto da queima pulmonar), até ao ultimo momento, este principio faz parte e é central na nossa existência. O que se altera é a forma de o manifestar, já que as circunstancias do meio também se alteram à medida que vamos envelhecendo. Mas o que fica e está sempre presente é a procura do que se nos afigura bom, em contraponto ao que cremos ser mau. E chegámos ao cerne da questão e a um dos mais intricados problemas da filosofia, o bem e o mal, ou seja, aos objectos sobre os quais a ética se debruça.
A Ética mais não é que o espelho das preocupações humanas com os conceitos de bem e de mal, sobre o que se nos apresenta como certo e como errado, e é algo presente na vida de todo o ser humano em todos os momentos decisórios. E é nesse ponto, na “praxis” desta tensão interna que se funda a dicotomia ética/moral.

Desde sempre os pensadores procuraram sistematizar e determinar as fronteiras dos dois conceitos. De Aristóteles a Kant, de Santo Agostinho a Nietzsche todos procuram resposta para estas questões. Assim para uns a moral refere-se à “praxis” e a ética será o fundamento que disciplina essa prática. Assim é frequente ouvir falar em moral judaico/cristãs, Kantiana, Marxista, Oriental etc, mas para alguns os fundamentos de todas teriam como base a ciência universal que suporta todos estes universos; A ética já que só ela se debruça sobre os conceitos universalizáveis e logo só ela pode guindar-se ao conceito de ciência.

domingo, fevereiro 05, 2012




















Por vezes o brilho
Dos teus olhos
Ofusca o brilho
Das estrelas
E é neles que viajo
Á noite, quando
Adormeço e carrego
Os sonhos que um dia
Sonhei.
Mas os teus olhos
Estão ausentes e a mim
Só me resta sonhar
Com a beleza
Dos meus sonhos
Espalhados nas
Estrelas.





Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Reflexão sobre O ser, a ética e a moral a partir de um texto lido anónimo
















É recorrente ouvir a frase “gostos não se discutem”. Nada mais errado. Ter o gosto como algo imutável e subjectivo choca claramente com a realidade de todos os dias. É verdade que a cada indivíduo corresponde opinião e gosto próprios e usualmente diferente de outros. Mas também é verdade que quase todos nós mudamos de opinião em vários aspectos da vida, o que só vem provar que o “ser” muda ao longo da aprendizagem e contradiz de forma clara a frase do senso comum com que iniciei este texto.
Ao mesmo tempo muitos de nós pretendem ver na personalidade de cada um a presença do mundo natural, como se a personalidade fosse resultado aleatório da acção da natureza sobre o indivíduo. Significa isto que a aprendizagem seria uma coisa aberrante já que a natureza se encarregaria de tudo nos dar. Assim o que é natural seria inato e assim sendo a personalidade seria algo independente do “ser” mas criada pela natureza. Na realidade a génese dos conceitos pessoa e personalidade tem a mesma raiz, Persona,. Logo todo o ser humano á nascença seria apenas e só algo em potência e nunca uma pessoa. Já que no momento de nascer não é possível manifestar um sistema de gostos.
Ora se tomar-mos como certa a afirmação de que a personalidade se forma através de um conjunto de condições subjectivas e claramente mutáveis existe um principio inerente a toda a espécie, o princípio do prazer.
continua

quarta-feira, fevereiro 01, 2012



















É nos vestígios da terra
Que me encontro nu
A razão adormece
Acordada a guerra
E o sabor a sangue cru

Mergulho nas águas
Gélidas do oceano.
Despedaço a pele
Porque estou sujo
Da vida, ano após ano.


As asas que roubei a Ícaro
Deram-me a ilusão de voar
Mas só sobrevivem
No meu pensamento
E na voz das sereias que ouço cantar

E nos olhos que tenho
Deixo que o fogo renasça
E se aviva e cresça
Como se fora vivo
E sendo vivo se refaça.


Manuel F. C. Almeida

sábado, janeiro 28, 2012


















Na noite todas as derrotas se escondem,



Correm-se os medos e os segredos.


Cada minuto é um grito fechado


Em si mesmo, feito de memórias


Que se alteram no suceder do tempo.



Manuel F. C. Almeida

terça-feira, janeiro 24, 2012















Trato o tempo num instante
Sem olvidar a acção
Nem esquecer a realidade
Em que o "eu" existe fora de mim
E sobrevive para lá da minha
Existência consciente.
Eu sou tudo o que pensam de mim
E sendo assim, sou muitos

Que não sou, sendo apenas
só "eu" entre muitos.





Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, janeiro 19, 2012


















Quantas noites sem sentido habitaram


Os olhares curiosos que se perderam


No vazio da escuridão?


A perversão imensa dos objectos inanimados


Que se confundem com corpos sem alma


Solenemente deitados. Ali quietos. Num, existir


Sem acontecer.


A morte das paixões é a vitória do vazio


E a glória do abandono útil.



Manuel F. C. Almeida

sábado, janeiro 14, 2012
















Já nem dos sonhos te manténs desperto

Nem dos tempos recuperas a sorte.

Tudo o que demandas é a paz do ego

Solta e livre sem derrota e sem vitória.

Altivo o querer deixa-te ser o que és.

Se erras não escondes o olhar nas palavras

Arrependidas da culpa. Porque a não conheces.

Desenhas na vida um arco de esperança

E continuas o teu caminhar, no som breve

Das palavras, na inconstância de existir

E na glória de viver quem és.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, janeiro 11, 2012

















E por entre palavras e sonhos
Cavalgámos a brisa das manhãs.
Colámos os lábios, fundimos os sexos
E dos corpos amordaçados de prazer,
Fizemos saltar as mãos na ânsia de amar
Para lá da vida.

Manuel F. C. Almeida

domingo, janeiro 08, 2012










Elegia sem chama.








Agora tudo parece claro, o olhar foge do olhar
E as palavras banais tomam o lugar do sonho.
Assim se vivem alguns anos, com o conforto
De uma presença útil, uma presença serviçal
A quem se chama meu, como a um copo
Ou uma taça de cristal de segunda qualidade.
E ficamos satisfeitos a espaços, interessadamente
Satisfeitos, passeamos o objeto pela coleira
Invisível da existência socialmente aceite.
Mascaramos os sentidos e os sentimentos
Com palavras de ocasião, esquecemos o prazer,
O riso e a amizade, nesta geometria indecifrável
A que nos submetemos, na vaga esperança
De um dia tudo se resolver, como se por magia
Ou pela arte dos deuses o tédio, e o desinteresse
Não sejam decifráveis no olhar. Mas o que se
Esconde dos olhos nunca se esconde nos gestos.
Ou na falta deles.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, janeiro 04, 2012





















Já não sou quem um dia fui
Tudo muda quando evolui
E eu fui mudando
Com o vento que me secou a pele
E me apunhalou a inocência.

Manuel F. C. Almeida