quarta-feira, agosto 26, 2009



















Juventude que animas os meus dias
Que fazes do teu o meu olhar
Não deixes de lembrar o que querias
Quando nos espraiávamos ao luar

E na luz e nos sonhos em que vivias
Retirava delas poemas para cantar
E mesmo quando em nuvens te perdias
Era nas nuvens que te deixavas resgatar

Juventude que és minha no sentir,
Que caminhas junto a mim sempre a sorrir
Não apagues do meu estar a tua chama.

E se um dia fores forçada a partir
Na inevitável existência de um devir
Partirei contigo, eterna dama.

Manuel F.C. Almeida

domingo, agosto 23, 2009
















Despertamos
Quando o corpo
Se impele
De encontro
À pele
Do corpo.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, agosto 20, 2009







FADO POR UM PAIS ADIADO





Eu imagino caminhos
Um chão pejado de linhos
Num lugarejo isolado.
Vivo a vida a acreditar
Que um dia vou encontrar
Esse lugar encantado.
Onde corram as ribeiras
E floresçam cameleiras
Num coração imaculado.
Onde cantem verdelhões
Com um coro de cisões
A letra deste meu fado.
Fado feito fantasia
Numa ingénua alegria
De quem vive alienado.
Faço como a avestruz
Uso na cabeça um capuz
Sou feliz mas estou vendado
Por nada quero lutar
Nada desejo mudar
Adoro ser explorado.
E embora com consciência
Vivo na santa inocência
De quem quer ser enganado
Estou num beco sem saída
Tenho a cachola moída
Mas dei o fado acabado.

Manuel F. C. Almeida


segunda-feira, agosto 17, 2009



















Não sabia
Se era dia
Só sabia
Que trazia
Um olhar
Que me sorria
Por um motivo
Qualquer

A pele cheirava
A canela
Eu dançava
Com ela.
Barca solta
Livre vela
Luxúria que se alimenta
No corpo de uma mulher.

Manuel F. C. Almeida



fotoAntonio Carlos Kern (ACKern)

sábado, agosto 15, 2009

HÁ 40 ANOS O MUNDO MUDOU





sexta-feira, agosto 14, 2009















AOS INTERESSASDOS (SE É QUE OS HÁ)


a obra está disponivel na contracapa (passe a publicidade), também em almodôvar se pode encontrar e pode ser requisitada nas bibliotecas de Castro Verde e Almodôvar às quais fiz a doação de um exemplar.

encontra-se à venda nas seguintes livrarias:
Clube Literário do Porto (Porto)-
Loja 107 Livraria (Caldas da Rainha)-
Arquivo Livraria (Leiria)-
Livraria Caravana (Loulé)
Pode também ser comprado em qualquer FNAC (sob encomenda). Chamamos a atenção que até à compra do primeiro artigo numa FNAC o artigo não estará aberto na central. Terão de dar a referência do nome da editora, livro e autor para que a mesma seja aberta.O livro está já disponível no site: www.corposeditora.com. Em principio para a semana estará à venda na WAFStore (em formato ebook).

quarta-feira, agosto 12, 2009













Recordo com saudade aqueles dias
Quando ao madrugar no teu olhar
Me mostravas mundo em que vivias
E me convidavas para nele entrar.

E eu, cego pelas tuas fantasias
Seguia-te de mãos dadas até ao mar
Onde invocavas mil maresias
E em silêncio te entregavas a beijar

E passado que foi já tanto tempo
Recordar com ternura esse momento
É recordar um pouco o meu viver

Porque noutros olhos hoje presentes
Descobri mil alvoradas, mil poentes
E neles me desfaço de prazer


Manuel F. C. Almeida


domingo, agosto 09, 2009
















Rasgo o céu, desnudo a terra.
Acendo uma fogueira.
Transformo os rios em guerra
Abro a garganta à lareira.
Roubo um poema às palavras
Com o meu sémen as cubro.
Conceitos são como larvas
Em todo o lado os descubro.

Manuel F.C. Almeida


quinta-feira, agosto 06, 2009








Eterno
Retorno









Recordo a tua face ao por do sol
E o brilho dos teus olhos ao luar
O cheiro do teu corpo, meu farol
O gosto do teu ventre, como mar

Recordo o teu sorriso de alvoradas
O convite aos meus lábios p’ra beijar
Os braços que me deram madrugadas
A beleza do teu nome p’ra cantar

E vivo a recordar-te eternamente
Cativo de um passado já ausente
Num corpo companheiro da saudade

Que teima em se manter e recordar
Cada beijo que trocámos a sonhar
Na promessa vã da eternidade

Manuel F.C. Almeida

fotoPaulo Almeida (Pasma)

domingo, agosto 02, 2009

CAMARADA O TEU SONHO
ERA O SONHO DOS QUE
OUSARAM ACREDITAR
QUE UM DIA A LIBERDADE
SERIA PARA TODOS.
INFELIZMENTE AMIGO
NEM TODOS ENTENDEM
O PREÇO DA LIBERDADE.

VIVER COMO HOMEM E
MULHER LIVRE
IMPLICA, NESTE PAÍS,
ENFRENTAR OS QUE,
EM NOME DA LIBERDADE,
MAIS NAO FAZEM QUE
PROCURAR LIMITA-LA.

segunda-feira, julho 20, 2009








FÉRIAS
cansado de trabalhar
cheio de stress, tensão
estou pronto pra testar
a arterial te(n)são
Manuel F.C. Almeida

sábado, julho 18, 2009




















E teus olhos ficaram tão brilhantes
Depois daquelas horas encantadas
Que pensei ver neles diamantes
Mas eram apenas pedras disfarçadas

Foi nesse momento que entendi
A maleita de que todo o ser padece
E se há coisa que então aprendi
É que só "somos" enquanto acontece .

Manuel F. C. almeida



fotoCarlos Sillero

sexta-feira, julho 17, 2009













Ser poeta é ser operário
Na construção do impossível.
É trautear a canção ingénua
Dos olhares incautos
E puros dos que sonham.
É encontrar no Outono
O sol brilhante da primavera.
É amar na vida o universo
E mostrar o amor em cada verso.
Ser poeta... é ser quem espera.

Manuel F.C. Almeida



fotoangelica

quarta-feira, julho 15, 2009















Os sonhos
E o tempo
Mudaram-me
O rosto.
Gosto,
Das lágrimas
E das cascatas
Do rio.
Sorri,
Ao manto
Leve
Da morte.
A sorte,
De encontrar
Um trevo
De mar.
Amar,
Um corpo
De mulher
Obtusa.
Musa,
De boca
Com lábios
De rosa.
Prosa,
Feita com
Rima;
Um dia
Será
Poesia.

Manuel F. C. Almeida


foto:DDiArte

segunda-feira, julho 13, 2009
















Só quando te despojares
do teu ser
E nada tiveres
como certo
Entenderás então
que viver
É uma luta eterna
No deserto.

Só então nessa
Mudez
Estarás pronto
Para aprender
Que na vida
é a "surdez"
que divide o existir e o
“Ser”

Manuel F.C. Almeida

fotoSAGHER

sexta-feira, julho 10, 2009



















Hoje não me apetece escrever. Não tenho temas nem ideias. O verão fode-me os neurónios todos e deixo-me levar pelo desejo pornográfico de me esticar na praia a ver todo o coname bom que vai passando. O meu filho acha-me um perigoso tarado. Teme pela minha saúde mental, especialmente quando lhe digo que o verão é convite ao sexo desenfreado e selvagem, ou quando o alerto para a necessidade de abandonar as pivias e se dedicar a usar o talo de forma digna e bem mais prazenteira. A merda do trabalho tira-me a vontade de viver. Gente e mais gente a foder-me a tola. Gente que se leva a sério, que teima em tentar ensinar-me como se vive. Como eles vivem claro. Vidinhas reles, cinzentas e hipócritas. Levam-se a sério, convenceram-se de que fazem coisas importantes e que é esse o nosso papel neste mundo fétido e podre. Do alto do seu oco saber, apregoam morais feitas de papel e comportamentos socialmente aceites. Eu finjo todos os dias ser um pouco como eles e um pouco como eu. Ou seja todos os dias me fodo um pouco mais. Faço de mim uma puta. É essa a medida exacta do que sou. Puta. Infelizmente nem sou uma puta daquelas que ganham dinheiro a vender a cona a quem mais der. Não, eu sou uma puta social. Vendo a merda da imagem num mundo cheio de gente sem alma e sem tusa. Vendo o “ser”. Aspiro, como todos os merdas deste mundo que se prostituíram de forma consciente, ao dia em que dignidade se sobreponha á ditadura social em que mergulhei. Até lá a verdade é que não me apetece escrever. Até esta merda de escrever a usar correctores, se transformou numa ditadura educacional filha da puta. Cada palavrão lá está o vermelho por baixo a dizer-me que estou a violar as regras. Ainda assim o broche lá se vai safando por via de ser usado nas lapelas das gajas. Agora minetadas, canzanadas ou uma palavra tão simples como foda, são de imediato assinaladas. Este mundo é um logro, milhares de incapacitados mentais teimam em acreditar que “um dia vão ser felizes”. Puta que os pariu. Ainda nem viram que a única felicidade a que os deixam aceder é à Morte. Porque digam o que disserem um tipo que começa a trabalhar com 17 anos, e só lhe permitem que se reforme aos 65 nunca pode ser feliz. Porque quando se reformar nem vontade tem para foder, nem as gajas boas querem foder com ele, porque e antecipo já a vossa merdelosa conclusão, para mim a felicidade passa muito pela foda. e assim com 60 e tal anos o escravo que foi contenta-se em bater ocasionalmente uma punheta e a frequentar umas massagistas no único prato q`uesta merda de processador de texto não censura: o broche. Aliás aconselho vivamente o vídeo no youtube que da pelo titulo de “brochin” com o João de César Monteiro. Uma pérola e um filho da puta de velho que nunca se vendeu a cabtão nenhum. Pelo contrario chulou uns bons milhares a gozar com a maralha toda e ainda teve a coragem de dizer:- eu quero que os portugueses se fodam. Grande homem este João, dos poucos felizes a vida inteira. Devo dizer que o invejo, é que de verão lá estava ele no príncipe real a convidar as miúdas que passavam a massajar-lhe o caralho. Gostem ou não do homem a verdade é que ele sempre se esteve cagando para todos nós.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, julho 08, 2009













Há um momento em que a vida
Se resolve. É então que finalmente
Percebes, o valor real da
Existência. Só nesse instante entendes
Que a vida e a morte, são apenas
Acidentes temporais.

Manuel F. C. Almeida

domingo, julho 05, 2009













Um dia quis burlar
O tempo
E ficar parado
No reflexo dos teus
Olhos.

Manuel F. C. Almeida



fotoJoel Santos - www.joelsantos.net

sexta-feira, julho 03, 2009



















Dentro de mim
Habitam madrugadas
De janelas abertas e
Varandas para o oceano,
Onde me debruço
E aspiro o perfume
Almiscarado
Da memória.

Manuel F. C. Almeida


foto pedro nossol

quarta-feira, julho 01, 2009





Miragem













De corpo em corpo fui navegando
Na solidão que me marca a vida
Iludiu-me o cheiro, o corpo e o canto
A todas as sombras chamei “minha querida”

E de amor em amor fui naufragando
Recomeçando sempre a minha viajem
Mas de amor em amor eu fui encontrando
A lição que o “amor” é talvez só passagem.

Manuel F.C. Almeida


foto chacal