sábado, maio 09, 2009















PORQUE HOJE É DIA DE MUDANÇA


UM POETA DO TAMANHO DO MUNDO



Segue o teu destino



Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.



A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.



Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.



Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.



Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.



Ricardo Reis

sexta-feira, maio 08, 2009














Escrevo
Para te escrever.
Ocaso nu.
Torso a crescer.
Centelha de vida.
Eternamente esquecida.

Manuel F. C. Almeida


foto:DDiArte

quarta-feira, maio 06, 2009

















Já não me ouvem
Nos becos da cidade
Nem nas avenidas perdidas
Da memória.

O regresso marcado
Nas pedras da calçada
Perdeu-se no rasto
Do tempo de uma vida
Cheia de nada.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, maio 04, 2009














O mar
Funde-se com o olhar.
E euperco-me no labirinto
Da palavra...
Universo

Manuel F. C. Almeida


foto:Nuno Miguel Silva

sábado, maio 02, 2009














Só. Estou cada dia mais só.
O mundo passa a correr por mim,
E eu parado, vejo as imagens desfilarem
Em quadros, pequenas telas
Animadas de vida.
Tudo me foge, o tempo
A música, o mar.
Aqui estou. Sentado num abismo
Que me é cada dia que passa
Mais exclusivamente meu.
Mas que se passa comigo?
Onde enterrei as orquídeas
Que me animavam?
Onde deixei as canções
Do olhar?
Talvez um dia volte a entrar
Naquele comboio voraz em que
Vejo outros deslizarem.

Mas não quero.
E ninguém se importa com isso…
Felizmente

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, maio 01, 2009

PORQUE HOJE É DIA DO TRABALHADOR:

CELEBRAR MAIO É MANTER VIVA A ESPERANÇA DE UM PLANETA MELHOR

quarta-feira, abril 29, 2009


















Afago a palavra,
O verbo.
Mergulho cego
No sentido.
Sou do conceito
Servo.
Das falácias
Foragido.


Manuel F. C. Almeida
foto:José d' Almeida & Maria Flores

segunda-feira, abril 27, 2009


















foto:joaopires

E em desespero
Confundiste
A alma com o
Corpo
E a chama de
Outono
Consumiu-me
A face.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, abril 24, 2009















ABRIL

Eu sonho Abril do meu cantar
A liberdade descoberta
A esperança viva no olhar
A mordaça que liberta

Eu sonho um povo a caminhar
Na madrugada encoberta
Rubra flor em rubro andar
Porta fechada, logo aberta.

Sonho a revolução a criar

Sempre renovada e desperta.


Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, abril 22, 2009



















Das sinfonias agitadas
Nos dedos
Restam os momentos
Da água nos lábios.
E a sede que matei em ti
Renova-se na tua sombra.

Manuel F. C. Almeida



foto:Mariana Bravo

segunda-feira, abril 20, 2009















Estendo no ar, o olhar
Procuro na noite o meu dia
Um rio que passa a cantar
Soletra a minha agonia
Procuro sentido prá vida
Nesta vida sem sentido
A centelha já perdida
De morto sem ter morrido


Manuel F.C. Almeida


foto:Daniel Pedrogam

sábado, abril 18, 2009











Primavera


Na primavera reinvento a vida
E tudo começa a brilhar.
Num sopro
Toda a paisagem se altera,
O verde nas árvores,
As mil cores na terra.
E no ar,
O canto das aves
Traz música
Ao olhar.




Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, abril 15, 2009


















Á minha frente o caminho
Abriu portas ao destino
(Se é que tal coisa existe)
E o cansaço tomou-me
O corpo nu.
Nos olhos, o mar
Florido e cintilante
Devolveu-me
A flor de prata
Numa pérola...
Tu.


Manuel F. C. Almeida


foto:Nuno Bernardo

segunda-feira, abril 13, 2009















Vivo e acredito
No acaso do viver
Ao nascer sou já maldito.
Só me liberto ao morrer.



Manuel F. C. Almeida


foto:António Manuel Pinto da Silva

sábado, abril 11, 2009




















É a esperança que
espalha
Um ramo no bico
de pomba.
Farei do corpo
a muralha
Do sonho
que nunca tomba.


Manuel F.C. Almeida.



foto:Fernando Baptista

quinta-feira, abril 09, 2009








foto:Nuno Bernardo










Liberto-me no andar
Pelo mundo,
Naquela centelha de tempo
Temperada na tempestade...
Nas sílabas da madrugada
Onde mora a liberdade.

Manuel F.C. Almeida

terça-feira, abril 07, 2009












FLOR





Porque me escrevo plural?
Porque na escrita
Somos tempo
E flor
Somos vento
E amor.
Até o crepitar de um poema
Faz de nós
O seu cantor.


Manuel F.C. Almeida


foto:Daniel Pedrogam

domingo, abril 05, 2009















Vivo na ilusão de uma luz
Eterna!
Nascida nas sombras da culpa.




Manuel F. C. Almeida



foto:Nuno Duarte

sexta-feira, abril 03, 2009


















Ser ou não ser
Estar ou não estar
Querer ou não querer
Amar ou não amar
De dúvida em dúvida
Te sinto.

Mas nunca te sinto chegar.


Manuel F. C. Almeida


foto:Giselle Negro Rocha

quarta-feira, abril 01, 2009
















Comprei uma máscara
De azul e carmim
Escondi-me do ter
Do ser e de mim
Vivi sem viver
Convencido que era
Um pobre cordeiro
Em paz e sem guerra
Mas a mão do real
De um sonho saída
Tirou-me o disfarce
Devolveu-me á vida



Manuel F. C. Almeida