quarta-feira, novembro 12, 2008





foto by:beowulf













E tantos os rios
De sangue
Tantas lágrimas
Encantadas
Deixam letras
Incrustadas
Em caixa de pinho
Exangue.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, novembro 10, 2008


Vida





Erguer os braços a louvar
A vida depois da vida
É viver na ilusão
Que a verdade desta vida
É a felicidade que pode
Ser noutro lado vivida.
E negar o nosso direito
De ser feliz nesta vida.

Manuel F. C. A

sábado, novembro 08, 2008







quadro



foto by:MARIAH





Abstraído do mundo,
Á espera.
A porta aberta, escancarada
Os teus passos já na escada…
Tremeram .
Era grande a minha porta
Grande demais para ti.
A casa quedou-se vazia
De tudo…
Até de mim.
Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, novembro 06, 2008



RAZÃO




Foto by:Jaison James





Dos meus sonhos, fiz uma tela
Sem esperança e sem figuras
Preenchi todo o seu espaço
Com as cores de mil loucuras
Ganhou asas e partiu
Na brisa do vento suão
Assim, num golpe de vento
Recuperei a razão.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, novembro 05, 2008


3º poema da 1ª trilogia

pornoerótica



A mulher do nosso amigo
É por todos respeitada
Não tem cona, só umbigo
Não fode, está castrada.

É este o pensamento
Que todos dizem manter.
É mentira de momento
Se é boa… é pra foder


Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, novembro 03, 2008





2 poema da trilogia



pornoerótica









A ti que és casta, pura, recatada
Que cumpres a preceito as escrituras
Mantêm essa coninha bem lavada
Para um dia a ofereceres a pichas duras

Não temas pois na foda qualquer dor
Que o que vais sentir é só prazer
A menos que no cu te dê calor
E com o cu queiras foder

Se assim for não te arrependas
Que pra gozar o corpo é feito
poe cuecas de mil rendas
E as nalgas sempre a jeito.

E quando perderes a tesão,
Coisa que vai com a idade
papa óstias com devoção
E toca a cona com saudade.






Manuel F. C. Almeida

domingo, novembro 02, 2008


1º poema da 1ª trilogia

pornoerótica














Por mim subiste com o olhar
De mulher e fêmea entesada
Não vale a pena pois corar
Por ter a crica... molhada

E quando o pudor te assaltar,
Quando a vergonha vier…
É bom que saibas pensar;

Que o corpo deve ser para gozar
Até a juventude se perder
Porque quando a velhice chegar
Já ninguém te quer foder.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, outubro 31, 2008


DE UM GRANDE
DA POESIA PORTUGUESA
Escrito por Manoel Maria Barbosa du Bocage - Um clássico daliteratura Portuguesa:
A ÁGUA
Meus senhores eu sou a água
que lava a cara, que lava os olhos
que lava a rata e os entrefolhos
que lava a nabiça e os agriões
que lava a piça e os colhões
que lava as damas e o que está vago
pois lava as mamas e por onde cago
.Meus senhores aqui está a água
que rega a salsa e o rabanete
que lava a língua a quem faz minete
que lava o chibo mesmo da rasca
tira o cheiro a bacalhau da lasca
Que bebe o homem que bebe o cão
que lava a cona e o berbigão
Meus senhores aqui está a água
que lava os olhos e os grelinhos
que lava a cona e os paninhos
que lava o sangue das grandes lutas
que lava sérias e lava putas
apaga o lume e o borralho
e que lava as guelras ao caralho
Meus senhores aqui está a água
que rega as rosas e os manjericos
que lava o bidé, lava penicos
tira mau cheiro das algibeiras
dá de beber às fressureiras
lava a tromba a qualquer fantoche
E lava a boca depois de um broche.
Manoel Maria Barbosa du Bocage
O "VATE"

quinta-feira, outubro 30, 2008














Mulheres...
pint by Pablo Picasso




Mas que telas tens pintado?
Que tintas pretendes usar?
Não são as cores num quadro
Que dão alegria ao olhar.

Ou fazem d’uma alma fria
Um porto p’ra se acostar.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, outubro 28, 2008







foto by:


Fernando Figueiredo




Lá fora o ar
Tem nuvens de desencanto.
O riso é agora proibido.
Os homens e mulheres
Não se conhecem
Vivem na penumbra
Da alma hipotecada
No tempo em que
Os rostos eram um arco-íris
De esperança e tudo parecia
Ser fácil.
E antes do vento ser
Tempo
E do olhar descer
À terra
Senti o assombro
Da guerra
Face fria de um
Momento


Manuel F.C. Almeida

domingo, outubro 26, 2008








CORPO






Todo o corpo
Tende para o
Corpo.
Soltam-se os
Seios
E os receios
Do Outono
Pintado a cinzento,
Permanece
Na pele
Como os loendros
Na terra
E os sonhos
Nos ventos.
Todo o corpo
Mais não é
Que “um” corpo
Incrustado
Nos dias
Que se amontoam
Como folha de arvore,
Num partir
E voltar,
Tal como
O desejo
Do ventre…
Moralmente
Reprimido.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, outubro 24, 2008






CEGUEIRA



FOTO BY:Ricardo Costa




No labirinto da vida
Só o teu odor se fez guia.

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, outubro 22, 2008




Fogo





Foto by:Ricardo Costa

Nos lábios
A flor aberta…
Nas mãos
O mar revolto…
Nos olhos
Ilha deserta…
No ventre
Todo o teu fogo.


Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, outubro 20, 2008






EMPTY DREAM







A noite dos sentidos, chegou á beira dos olhos. Na cabeça o som de tom waiths, no seu piano demoníaco, martelava o tempo. Ao olhar, a imagem daquela lap dancer, transmutava a passividade em luxúria. O som arfante das coxas em movimento assemelhava-se ao ritmo espiritual dos tambores africanos.- Tamtam, tamtam. Tamtam, tarataratamtam.

A imagem dela projectava-se, no ar e na luz vibrante dos corpos em êxtase. A percussão dos sentidos deu lugar á percussão dos corpos. E o ritmo alucinante dos amantes anónimos libertou-se num grito profundo de prazer.
Na casa onde não vive ninguém.

Manuel F. C. Almeida

sábado, outubro 18, 2008



PONTE PARA LADO NENHUM



FOTO BY:Eliane



Não sou de lado nenhum
Não tenho hino
Ou bandeira
O meu lugar é a Terra
Por isso não entro na guerra
Da geografia dos mapas.

Que toda a pátria que tenho
Tem um nome…

Universo.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, outubro 16, 2008










MEMÓRIA


Agora não sei quem fui ou quem sou
Mas volto sempre à cidade que me fez.
As ruas sucedem-se, anónimas,
Mas toda a cidade do esquecimento
Se mexe.
Formigueiro acéfalo,
Apagou de si todas as memórias
De mim.
Sou então um intruso, um vírus
Que a cidade agride.
Teimo em deambular pelo jardim
De Catarina, mas nem as arvores
Me reconhecem o andar.
Quedo-me só, no velho banco de amigos.
O som perdido de mil conversas
Regressa a mim e a solidão
Esmaga o pensamento. ,
Só, abandono-me ao prazer das memórias,
E deixo-me devorar pela cidade.

Manuel F.C. Almeida

terça-feira, outubro 14, 2008



O REGABOFE E A CRISE ECONÓMICA
(
Em jeito de brincadeira e para aguçar o apetite sobre a minha real visão das coisas, aproveitado um mail recebido de um amigo e o desafio do meu amigo Chapa aqui vai uma 1ª visão simplista sobre a crise:
(o mail original tratava de outro tipo de negócio, a ficção em torno do tema, que plagiei, é minha)

Mariana, um pedação de gaja que faz serviço de callgirl( um bonito nome para puta fina, mas que a modernas senhoras burguesas vêm com outros olhos e até aceitam fazer uma perninha) entende que não deve deixar os fregueses com a tomatada cheia e vai dai inicia um negócio de foda a crédito. Comete um pequeno erro de cálculo e fode a torto e a direito com a maralha, quer tenham emprego quer não, criando para isso um moderno sistema de credito o que lhe permite aumentar o preço do bico, e dos restantes pratos que ela tão bem sabe confeccionar..
Um dos fregueses, gerente do banco local, casado, com filhos e profundamente católico, aproveitando o facto da sua mulher de 55 anos lhe por os cornos desde há décadas, com tudo o que tivesse menos 15 anos que ela, procura os préstimos da Mariana e vê esta forma de prestar serviços como um activo capaz de gerar riqueza para o seu banco, desta forma, e enquanto era açoitado com um cavalo marinho propõe à Mariana um tipo de parceria que esta aceita no momento em que lhe passa a senaita pelo bigode farfalhudo. De imediato o gerente adianta a titulo de empréstimo umas massas á gaja, que aproveita para renovar o arsenal de brinquedos sexuais e para contratar uma assistente, responsável futura pelos gostos mais escabrosos do pagode, esse adiantamento segue por conta das fodas dadas e não pagas, numa perspectiva de recebimento futuro.
No banco o negócio é vistoriado á lupa por um grupo de assistentes de crédito e gestores de conta que verificam o potencial do negócio chegando á conclusão de que, sendo o negócio do sexo um dos mais seguros, podem criar á sua volta uma série de produtos financeiros de nomes sugestivos, assim surgem o “ F.O.B (faz-me outro bico), M.A.C. (METE-MO NO CÚ) -produto que contou com a ajuda preciosa de um cantor muito apreciado T.A.T. (tira-me a tesão), que são um êxito no mercado financeiro, mas que ninguém sabe ou entende muito como lidar com eles.
Desta forma o banco vê a sua cotação bolsista disparar baseado nos créditos concedidos pela Mariana aos putanheiros da terra.
A globalização dos mercados de capitais leva os produtos um pouco por todo o mundo com um sucesso enorme.
De repente a assistente da Mariana recolhe ao hospital para uma operação de urgência ao hemorroidal ( foi literalmente empalada por um anão que tinha um marzápio de dimensões hercúleas), para complicar a coisa uma arreliadora ocorrência de gonorreia deita por terra a clientela e afasta a Mariana do activo durante uns tempos. Em retaliação os clientes deixam de pagar as dividas e o negócio de Callgirls vai á falência.
Finalmente acabaram todos fodidos. como nós.

domingo, outubro 12, 2008





SEGREDO

FOTO BY:Isabel Gomes da Silva




Um dia vou
Mas quando for, irei anónimo
Sem nomes escritos em lápides
De nada e sem crisântemos
Sacrificados em vão.
Um dia vou deixar cair
O luar
E tudo ficará como foi.
Só um homem vai escrever
A minha memória no seu livro
E só ele saberá que fui filho e pai.
Só ele saberá que... fui.


Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, outubro 10, 2008




foto by:DDiArte














Porque colheste a flor
Que despontava num jardim
Selvagem?
Porque a trataste sem cuidado?
As flores, quando gostamos delas,
Existem para o mundo,
Não devemos coloca-las numa
Jarra de enfeite egocêntrico
Porque assim
Elas perdem as delicadas pétalas
E nós… nós
Esquecemos a beleza que tinham
Quando eram livres no seu jardim
Selvagem.
E todos os dias que passam perdem o brilho
E o desejo, no momento da colheita,
Dá lugar ao definhar nos olhos e nos sentidos.
E a morte sucede ao tédio.
E no entanto era apenas uma flor
Livre
De um jardim selvagem.


Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, outubro 08, 2008






encontro:



foto b:Quark





Foi num grito
Que seguiste
Até á beira do mar.

E na cadencia das ondas,
No mistério do olhar

Fui encontrar-te
Perdida
Ausente do meu andar.


Manuel F. C. Almeida