quarta-feira, abril 23, 2008









IMAGENS





FOTO BY:Caamaño Castro



No corrupio das horas
E dos dias, todo o momento
Parece dolorosamente
Fugidio.
Liberto os meus sentidos
Na placidez das horas e
Despejo nelas a angustia
Dos espelhos intemporais.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, abril 21, 2008
















Levanto ao alto a
Espada justiceira
Das mortes adiadas
Do desemprego e da
Fatalidade económica.

Faço do meu peito
Alvo
E das minhas palavras
Balas contra a
Injustiça divina
Dos senhores do mundo.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, abril 18, 2008

















Fiz-me ao largo na espera
De uma onda que me arrancasse
Ao quadro de uma vida
Sem chama.
Das asas fiz meu sonho
Do vento meu futuro
E no rugir do oceano,
Encontrei o teu olhar.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, abril 16, 2008





















Das pátrias nada quero
Senão o sangue dos mil
Homens mortos sem sentido
Nas guerras engalanadas
Por bandeirinhas e hinos...
No altar da honra nacional.

Manuel F.C. Almeida

domingo, abril 13, 2008













A dança das mãos
Revela-se na inquietação
Ávida dos lábios.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, abril 11, 2008














Apaguei em teus lábios
A sede que me ceifava
A vida.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, abril 08, 2008



Sorriso















No teu sorriso há a frescura
Do rosmaninho e a alegria
Das algas.
Há a folha de um Outono
Qualquer e a cor
De sangue de uma rosa
Por nascer
No teu sorriso...
O meu sorriso
Quer crescer.

Manuel F.C. Almeida

sábado, abril 05, 2008








foto by:Graça Loureiro






Num tempo sem tempo nascidos
No esgar do gozo germinados
Passamos pela vida adormecidos
Corremos sem correr, inanimados.

Miragens perseguidas toda a vida
Levam-nos à terra novamente
A chama intensa já perdida
Esmorece no olhar suavemente.


Partimos então noutra viajem
Embalados pelo vento solar
Faz-se do passado mensagem
No tempo que está a mudar.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, abril 03, 2008





Semáforo




foto by:ABrito







A luz vermelha acesa…
O teu corpo em espera
Peão,
Avanço
Que o meu corpo
Desespera.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, abril 01, 2008






Existes



foto by:Luis Mendonça







Existes no meu sonho
De olhos abertos…
Despida.


Manuel F.C. Almeida

domingo, março 30, 2008


Como?

Como te meço e te não meço
Como te tomo e te não tomo
Como te vi e te não esqueço
Como te como, como te como…


Manuel F.C. almeida

quinta-feira, março 27, 2008




V





O meu caminho
Descobre-se no desenhar
Do teu ventre e no
Abrir do peito ao vento…
Como num beijo
De magia intemporal


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, março 25, 2008



IV


FOTO BY:junior Franch






No tempo dos jardins
Suspensos,
Engalanei o teu corpo
Com o perfume dos campos.
Á noite,
O silencio e o cheiro das
Janelas que abrias
Eram fontes encantadas
De onde fiz brotar
Uma corrente
De águas férteis.


Manuel F.C. aAlmeida

sábado, março 22, 2008







III





FOTO BY:
Luis Mendonça



Perdido no abandono
Do corpo
Descubro no outro
O desejo de parar
O tempo.



Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, março 21, 2008







II

foto by:Ricardo


No anseio húmido
Dos lábios
O tempo cavalga
O impulso da luxúria.


Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, março 19, 2008




o tempo

I

FOTO BY:bruno silva



O tempo vive no olhar
Dos homens.
Eleva-se rápido de encontro
Ao tédio e á morte.


Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, março 17, 2008






criação




foto by: Marta Ferreira - www.mfotografia.com






No teu cálice fecundo
faço a vida.
bebo o mundo.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, março 14, 2008





tela




Desenho os teus lábios
Com espuma viva do mar
E em teu ventre
Deposito os frutos
do meu cantar.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, março 12, 2008



Do nada tudo acontece

foto by:MARIAH








Vou um dia levantar os olhos ao universo e agradecer os dias de mistério que me antecederam. Prometo faze-lo no dia em que ao amar uma mulher eu ame todas as mulheres, que ao cheirar uma flor, eu cheire todas as flores ou que ao escrever um poema eu sinta a alma de todos os poemas possíveis. Vou um dia levantar os braços e abraçar o vazio como se fosse vida, porque é da vida que o universo trata. Matéria inanimada que se anima numa faísca de nada. Energia pura, sem essência, que se alimenta em si mesma como probabilidade matemática e se constrói na realidade dos tempos. Vou um dia levantar os olhos aos céus e matar os deuses dos homens, porque o universo já acontecia antes dos homens.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, março 10, 2008



ele há dias....


Ele há dias assim. Levantamo-nos e damos conta de que tudo o que se segue é igual ao dia anterior. Olhamos o espelho e quem nos olha é um estranho. Uma máquinazinha sem sentido ou objectivo. Nada importa. Arrastamo-nos num mar de tédio e de enganos. Ao nosso lado nada existe. Nem a cor acinzentada dos olhos ainda pouco habituados à luz, parece importar-nos. Estamos sós perante o que não queríamos ser. As palavras que nos dizem não passam de palavras proferidas no calor dos interesses e dos momentos. Quem somos? O que somos?
Nem para isto temos resposta. A mão que surge e nos agarra, não trás com ela nada de vivo. É a mão do hábito, a mão que teima em dar-nos cicuta que nos mantêm enlouquecidos. Até ao dia em que se descobre na sua verdadeira essência e resolve partir deixando no seu lugar um vazio ruidosamente silencioso. ..


Manuel F. C. Almeida