segunda-feira, novembro 19, 2007






TEU OLHAR



foto:Cristye





Amarro em mim os
Filhos da lua, com fios
Roubados de um casulo
De palavras errantes.
Prateados, os corpos
Elevam-se numa ária
De sensualidade, no desespero
Das palavras que se perderam
No mar.
Tuas lágrimas, mundos
Perfeitos de sal,
Que cintilam na escuridão
Do luar, caem como flocos
Numa manhã que desperta
A cor da vida
Em teu olhar.

Manuel F. C. Almeida

sábado, novembro 17, 2007



SONETO PARA C.V.











Aqui, a planície ganha tons d’ aguarela,
Quando os elementos se dão ao olhar.
Com o cantar das aves, pinto uma tela.
Da cor destes campos, faço um cantar.


Aqui, o tempo dança na ponta da vela.
A história está viva no cante e no ar.
No meu caminhar encontra-se a estrela,
Dos dias passados em luta, a mudar.


E foram anos e anos de lutas constantes,
De noites perdidas, ausentes, errantes,
Em defesa do todo e de um ideal.


E olhando para trás, pró nosso passado,
Descubro que tudo o que está mudado,
Foi graças ao povo e ao Poder Local.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, novembro 15, 2007





PARTILHA







Passavam-se os dias ao som do nosso olhar,
Recolhíamos nos lábios sílabas perdidas
Em silenciosos segredos cósmicos, depois dos
Beijos circulares e das copulas matinais
Partilhámos o sol e as estrelas
À espera de um orgasmo redentor.

Manuel Filipe Carvalho de Almeida

terça-feira, novembro 13, 2007



BEIJAR-TE






Curvei-me com a força
Do vento.
Soprei-me nas imagens
Do tempo.

Beijar-te foi o despertar…
Num lamento.

Manuel F. C. Almeida

domingo, novembro 11, 2007










O POETA



FOTO BY: Karina Bertoncini



Caminha só
O poeta.
Calado e pensativo.
Não diz nada do que pensa.
Mas pensa tudo o que não diz.
Para escrever o poema,
O mistério do seu viver
Na vida que sempre quis.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, novembro 09, 2007










INTERROGAÇÕES





FOTO BY: Heliz

Tenho uma estrada à porta de casa. Uma estrada que me leva para lá dos sonhos vazios e inócuos onde ninguém pode viver. E é assim a vida, corre num sentido só. Ilusoriamente pensamo-nos donos do caminho que se estende sem horizontes. Olhamos os espelhos e pensamo-nos livres nas escolhas, mas não há liberdade na vida, não há liberdade no drama da existência. Mais tortuoso e longo é o caminho cabalístico dos teoremas indecifráveis, segredos de vida, gravados a sangue na pele ao nascer. Choramos no desespero do oxigénio que nos consome as células virgens num primeiro minuto de infelicidade que se perpetuará no tempo até ao derradeiro sopro libertador.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, novembro 07, 2007







Fui eu



foto by: Carla Broekhuizen








Sim fui eu que fechei as cortinas
Antes do nascer das águas
E da morte lunar por detrás dos montes.
Quando olhei
Já o sol subia nas asas de uma gaivota
Ao som dos regatos escondidos
No colorido das harpas ao vento
Numa alvorada marinha.
Das margens deste lago invisível
Uma espada cruzou o tempo
E quedou-se
Parada entre a frescura
Da carne e o medo
Da morte.
Quando olhei
Vi o gume dobrar
O poema da vida,
E a canção das areias
Correr em vagas de luz,
Agonizante e bela
Ao encontro da sombra
De mim.
Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, novembro 05, 2007







COMO?



FOTO BY:Nuno Belo





Castanhos, os teus olhos
Entraram em mim e
Devastaram a verdade
Que tinha.
Trocámos as mãos
E os corpos,
Mas o medo do tédio,
E do passado dançava
Diante de nós.
Só este sentir mais que sentir
Pode vencer os fantasmas.
Só ele pode levar-nos de
Viajem.
Manuel F. C. Almeida

sábado, novembro 03, 2007







O TEU FADO


FOTO BY: SAGHER




Costumo sonhar com teus beijos
Afogado em mil desejos
E em mil canções de embalar.
Nesta vida de mentiras
De quadros feitos de tiras
Existo para te beijar.
(BIS)
Nada pretendo da vida
Encontrei-te assim perdida
Nunca mais te vou deixar.
Não sou teu, nem tu és minha
Somos ambos quem caminha
Lado a lado no olhar.
(BIS)
Somos diferentes no ser
Diferentes somos no querer
Mais diferentes no amar.
Teu corpo é meu santuário
Minha imagem teu sudário
Nossos corpos um cantar.
(BIS)
Tua mão na minha mão
Aquece o meu coração
Dá-me o teu corpo a explorar.
Por fim beijo a tua alma
Encontro a paz e a calma
Na volúpia de um luar.
(BIS)
MANUEL F. C. ALMEIDA
31-10-2007

quinta-feira, novembro 01, 2007




FRAGIL









Não há ninhos
Seguros,
Nem lugares
Encantados,
Só as palavras
São reais
Na fragilidade
Dos sentidos.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, outubro 29, 2007









CONCEITOS





FOTO BY: Fernando Figueiredo




Nas minhas palavras os nomes surgem dos escombros das memórias e do frio das sombras projectadas em jardins mortos nas ilhas intemporais. Nas minhas palavras as azinheiras crescem lentamente sem sentido e os olhares escondem algumas verdades cruéis. Palavras que se escondem no segredo das palavras contidas noutros olhares. A crueldade dos silêncios faz crescer a crueldade dos olhares. As mãos tingem-se com o sangue derramado nas omissões egoistas que desejamos conseguir.
Como odeio a caridade altruista que se pinta de boas intenções.
Manuel F. C. Almeida

sábado, outubro 27, 2007











OLHAR




Este é o tempo de re-olhar.
Tempo de cantar
A morte dos medos.
Tempo de cantar
O regresso ao caminho,
De mãos dados com
O horizonte.



Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, outubro 25, 2007







HOJE





Hoje acendi velas nos olhos…
Imagens esculpidas nas nuvens
Dançam na noite sem fim,
Uma noite feita de incenso, mirra
Ardor e jasmim.
Hoje tenho o teu cheiro
Que ficou dentro
de mim.

MANUEL F C ALMEIDA

segunda-feira, outubro 22, 2007





ELEGIA DAS ORQUIDEAS







foto: Jomané






Quem veio colher as orquídeas
Que me povoavam a alma?
Quem me roubou a voz
Que me chamava tempo?
Num velho baú temporal
Entrei na ilha encantada
Dos homens de pedra pelo olhar.
Estilhacei-me no canto de Circe,
Já não resgato aos meus olhos
Os minutos de um relógio visionado
Nos limites do sonho e da alegria.
Agora toma-os o negro dos dias…
Sem orquídeas e sem alma.

Manuel F.C. Almeida

sábado, outubro 20, 2007







porto de abrigo

Foto by: .k&p




Julguei que estavas aqui,
Ao pé mim para me abraçar
Tolo, que fui, só aqui te refugiaste
Na procura de um porto
Onde descansar.
Era forte a tempestade
Mais forte ainda a desilusão.
Nas minhas aguas paradas
Sabias ter um abrigo, uma mão.
Outros barcos acostaram
E partiram, como um dia
Vais partir, de velas soltas
À espera de um vento fresco e
Renovado.
Nesse dia ao olhares para trás,
Não te arrependas por nunca teres
Chorado.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, outubro 19, 2007












COMO É QUE EU OS POSSO CALAR?





COM, A RECEITA DO TIO ANTÓNIO


o personagem em causa cultiva, sem sombra de duvida, uma postura politica herdeira directa do fascismo Português. Com o moderno discurso que tenta isolar os trabalhadores das suas organizações sindicais, J. Sócrates mais não faz que seguir a cartilha politica neoliberal. Apoiados em Sindicatos traidores, os governantes Europeus assinaram um acordo fantoche sobreflexisegurança. Os trabalhadores perdem direitos conquistados com a luta social dos anos 60 e 70, vêm a sua força de trabalho desvalorizada e a precariedade a que estão votados milhões de Europeus apenas tem como fim o controle dos salários por parte das grandes multinacionais. Os europeus tardam em acordar de um pesadelo em que se deixaram cair. Nunca como hoje a vida dos cidadãos foi tão ameaçada pelo poder politico. O controle é total. A Comunicação social está de forma clara ao serviço das estratégia do capitalismo selvagem que tem neste momento as condições necessárias para sair à rua sem vergonha. O big brother de Horwell é nos países ocidentais uma realidade indesmentível. As pessoas sentem-se impotentes dado o momento social que se vive caracterizado por um individualismo atroz. E o mais caricato é que este personagem granjeia o apoio de muitos Portugueses e do aparelho partidário do PS.
Daqui posso retirar uma conclusão:
-os militantes socialistas que vergonhosamente a tudo se calam são, sem lugar a qualquer dúvida, uma organização que evoluirá para um partido semelhante ao partido do Colorado mexicano e apenas a vergonha os impede de abertamente declararem que o Socialismo democrático( como lhe chamaM) não passa de uma ideologia neofascista.

Manuel F. C. Almeida.

terça-feira, outubro 16, 2007


Canto o teu mundo
no meu
( A Adriano C. de Oliveira)

Do teu cantar
Fiz meu canto,
Do teu sonho
Meu sonhar.
Com teu olhar
Fiz meu espanto
Com teu espirito
Meu lutar.
Manuel F. C. Almeida





CARMIM


foto: Ana Rita Vaz Cruz







Canto o silêncio do mundo.
O abrir ruidoso das orquídeas
Nos campos incógnitos do sul.
As madrugadas de orvalho
Caídas no nosso olhar.
Canto a dúvida da vida
No seu lento despertar
E os teus lábios de carmim
Marcados por me beijar.
Eu canto o silêncio do mundo
Numa sonata ao luar.

Manuel F. C. Almeida

domingo, outubro 14, 2007











Amigos

FOTO BY:angelica





Em paz com o cosmos
Reencontro-me na memória
Terna de um coração amigo.
Venci a distância na recusa
De esquecer.
Agora sei que
Nada pode sangrar a imagem
Do nome amigo, e do seu coração
De filigrana encantada.

Manuel F C. Almeida

sexta-feira, outubro 12, 2007






FOTO BY;Lu Peçanha









O luar teima em manter-se acima da vontade ou da ilusória glória dos riachos. Deslizando devagar, sobre o tecto de chuva repentina, vislumbro as arvores que juraram defender o teu nome, naquela madrugada maldita em que a galáxia se espacejou sobre o nosso coração. É nessa chuva tempestiva que o teu nome se esconde, sempre do lado mais escuro do vento onde as buganvílias se desnudam, as libelinhas se transformam em janelas por realizar e as rosas cobrem a vastidão dos desertos. É linda a visão do deserto manchado pelo vermelho doce e aveludado dos teus lábios e do teu nome transvertido numa espiral de doçura suavemente obscena. Resta a esperança de figurar na linguagem assombrada do teu nome e que o soletrar se faça com o som de mil aves fossilizadas em mim.


Manuel F. C. Almeida