
Porque vou de férias, sonhar com iguarias não fica mal. a
Assim imagino-me na praia à noite a ver Sereias destas e a ouvir musica. Que mais se pode pedir? Aceitam-se idéias.
Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ

Sei que caminhas aqui, a meu lado
E eu a par de ti, a proteger-te.
É certo que ficarei sempre mais velho
Mas tu também.
Seremos cúmplices no teu assalto à vida
e cúmplices no cumprir do meu tempo.
Resta-nos um não sei quê de sentidos
E a vivência dos dias por abrir
Num longo acontecer.
O meu tempo é o teu tempo,
Mas o teu tempo é só o teu tempo.
Manuel F.C. Almeida


SÓ PRA DIZER QUE TE ......
Foto by:Alba Luna
Eu queria dizer que te amo,
Minha aurora boreal.
De uma maneira só minha
que nada tem de banal.
Fazer-te sentir este amor,
que me levou à loucura.
Compensar os maus momentos,
com momentos de ternura.
Eu queria dizer que te amo,
em mil noites de procura.
Manuel F.C. Almeida.

Nada me contas dos dias que faltam viver. Apalpo o teu regaço, sinto o desejo a crescer.
Na sombra projectada uma alma, atormentada, segue o caminho das estrelas e o meu olhar pousa sobre a árvore da tua existência. Cadencia. Sim! Cadencia sintomática, repetida, suada, sentida na alma, que a pele… essa está deslembrada.
Nada te posso dizer. Tudo é segredo. Também me pensei assim. Numa revolução incandescente onde a cadencia me marcasse o tempo. Chegar e partir. Entrar e sair. Repetir. Repetir.
Sim, sim, faria tudo até à exaustão. Corpo livre, corpo sentido. Tesão. Marcharemos algures numa história esquecida, perdida. Para lá do ventos de carmim e das nuvens de algodão. Silencio. Recupero o sentido na vastidão cósmica da minha alma…da nossa alma.
Manuel F.C. Almeida

foto by: angelica
Deixa-me falar-te agora dos segredos
Que carrego.
Vou falar-te sobre a transmutação
Das plantas.
Do trigo em oiro e do lírios em diamantes.
Vou descrever-te o nome que o luar
Trás à solidão da memória
E o calor das mãos feitas sol.
Aqui, neste lugar onde o incenso
Se liberta da vida, o mar
Não para de se fazer sentir
Em cada célula que se descobre
Em nós.
E de mãos enlaçadas
Caminhamos de cabeça erguida
Na procura do lugar que um dia
Desenhámos.
Manuel F. C. Almeida

DESDE ENTAO OS EUA ATACARAM SEM MOTIVO DEZENAS DE PAISES SUBJUGANDO OS SEUS POVOS

Foto by:Ana Rita Vaz Cruz
O teu corpo eu quero beijar
Tua silhueta eu vou tomar
Numa paixão
Numa tesão
Que em ti eu espero matar.
Nos teus seios me vou deitar
No teu ventre saciar
Esta paixão
Esta tesão
Instaladas no meu sonhar.
Com teus olhos eu vou chorar
Com tua voz vou cantar
A minha paixão
A minha tesão
Vividas por um dia te amar.
Manuel F. C. Almeida

Insane não é?
O homem fica com
a alma escura.
Sobra o desprezo pela
Realidade.
Mas nada justifica, essa face
Escura.
Nada se entende, em tanta
Maldade.
Já não és pessoa, indivíduo
Apenas gente
Ali resumido, és massa
Disforme
Não há passado ou futuro
Só presente
Toda a visão é de terror
Enorme.
A morte escolhe os seus
E os seus Tempos
Tem como meta alimentar
O pó do deserto
Lancinantes gritos vivem
Nos ventos
Só a crueldade é dado
Certo
No fim, sobram gentes sem rumo
gentes isoladas.
Fome, doenças e uma enorme
Tristeza.
A vida, deixa de o ser, destruída em
Nadas.
Tudo o que somos são só
impurezas.
Manuel F.C. Almeida


Para o fim de semana
que me vou a banhos
foto by: angelica
De mãos dadas com o tempo tatuei o coração
Teus lábios sabiam a vento, o teu odor a ilusão
Tuas palavras unguento, teu respirar oração
Teu olhar era um momento, teus beijos uma canção
Teu corpo era um tormento, pra toda a minha paixão.
Manuel F.C. Almeida

foto by:Ricardo Jorge Miguel Soares
Ansiosos, estende-mos
O corpo contra o corpo
E aspiramos à primavera
Em prazer.
Bordamos o tempo com o
Brilho das estrelas caídas
E celebramos os dias
Com palavras só nossas,
Ditas no silêncio de um
Olhar.
Manuel F. C. Almeida


Quero mergulhar na memória
Como se fosse onda do mar
Reviver com ela as imagens
Que ela teimou em guardar
Ter os cheiros, ter as formas
Do que há pra recordar.
Brincadeiras de criança,
Coisas, que ousava inventar.
Jogos de adolescente
Segredos a desvendar.
Amizades feitas cúmplices
De quem se quer afirmar.
Quero mergulhar na memória
Apenas para me olhar...
Manuel F. C. Almeida


FOTO BY Marcio Murilo Pilot
Á noite,
Na escuridão mais profunda
Os meus olhos são os meus ouvidos
E o meu coração é o pulsar agonizante
De uma ave multicolor.
Coloco o ombro contra o nada e o ouvido
Percorre a escuridão impregnado de receios.
Á noite,
Quando os silêncios tomam conta
Dos olhos e invadem os sentido
Somos presas fáceis de nós mesmos.
O medo acende-se bem no centro do que somos
E o seu reino estende-se por todo
O nosso espírito.
Á noite…
E algumas vezes de dia.
Manuel F. C. Almeida

Pensei um dia ser folha
De terra,
Como se da terra me separasse.
Diamante retirado em dor
Ao ventre de minha mãe.
Pensei um dia ser folha
De terra,
Putrefacta na essência do tempo
Massa orgânica,
Que solta a vida após a morte
Numa ária de esperança renovada
Em folha separada
Do ventre de minha mãe
Manuel F.C. Almeida