quarta-feira, agosto 01, 2007










Insane não é?





O homem fica com
a alma escura.
Sobra o desprezo pela
Realidade.
Mas nada justifica, essa face
Escura.
Nada se entende, em tanta
Maldade.

Já não és pessoa, indivíduo
Apenas gente
Ali resumido, és massa
Disforme
Não há passado ou futuro
Só presente
Toda a visão é de terror
Enorme.

A morte escolhe os seus
E os seus Tempos
Tem como meta alimentar
O pó do deserto
Lancinantes gritos vivem
Nos ventos
Só a crueldade é dado
Certo

No fim, sobram gentes sem rumo
gentes isoladas.
Fome, doenças e uma enorme
Tristeza.
A vida, deixa de o ser, destruída em
Nadas.
Tudo o que somos são só
impurezas.


Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, julho 30, 2007













Foto by: MARIAH




Matas-te a solidão sem o saber.
Esperava por ti na penumbra
Do teu quarto, de onde te olhava
Sempre que chegavas assim,
Célebre e tristemente só.
Podias então esconder o sorriso
Que colocavas ao sair.
Ela lá ficava…imóvel junto à porta
De flores na mão.
As flores, que sonhavas receber
De umas mãos que não as suas.
E ela sabia que um dia teria de partir.
Gostava de ti, mas por isso mesmo
Teria de morrer.
Quando descobriste que no espelho
Do teu quarto eras tu que ali vivia,
Mataste-a...
Voltas-te a ser quem és.



Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, julho 27, 2007






Para o fim de semana


que me vou a banhos


foto by: angelica







De mãos dadas com o tempo tatuei o coração
Teus lábios sabiam a vento, o teu odor a ilusão
Tuas palavras unguento, teu respirar oração
Teu olhar era um momento, teus beijos uma canção
Teu corpo era um tormento, pra toda a minha paixão.


Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, julho 26, 2007







foto by:Ricardo Jorge Miguel Soares



Ansiosos, estende-mos
O corpo contra o corpo
E aspiramos à primavera
Em prazer.
Bordamos o tempo com o
Brilho das estrelas caídas
E celebramos os dias
Com palavras só nossas,
Ditas no silêncio de um
Olhar.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, julho 24, 2007









FOTO BY angel nino










Dou ao coração o lugar do sol
Iluminando com ele o meu viver
Peço ajuda á lua, lindo vitral
E a lua ajuda-me a não morrer
Abro ao vento todo o meu peito
Dou-lhe todo o meu querer
Que me recorde de outros tempos
Momentos, horas a reviver.
Ao mar dou o meu olhar
Meu estar, meu sentir, meu ser.
É só nele que posso encontrar
Forças para não me perder.

Manuel F. C. Almeida

domingo, julho 22, 2007



















Quero mergulhar na memória
Como se fosse onda do mar
Reviver com ela as imagens
Que ela teimou em guardar
Ter os cheiros, ter as formas
Do que há pra recordar.
Brincadeiras de criança,
Coisas, que ousava inventar.
Jogos de adolescente
Segredos a desvendar.
Amizades feitas cúmplices
De quem se quer afirmar.
Quero mergulhar na memória
Apenas para me olhar...


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, julho 20, 2007












Percorro o trilho,
terra e chão.
Fico a olhar,
cismado, o firmamento.
Canto o teu nome,
doce ilusão
Tudo o que sou,
é só um lamento.

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, julho 18, 2007


recebi do lumife
a agora vou nomear.
venham buscar






FOTO BY Marcio Murilo Pilot








Á noite,

Na escuridão mais profunda
Os meus olhos são os meus ouvidos
E o meu coração é o pulsar agonizante
De uma ave multicolor.
Coloco o ombro contra o nada e o ouvido
Percorre a escuridão impregnado de receios.
Á noite,
Quando os silêncios tomam conta
Dos olhos e invadem os sentido
Somos presas fáceis de nós mesmos.
O medo acende-se bem no centro do que somos
E o seu reino estende-se por todo
O nosso espírito.
Á noite…
E algumas vezes de dia.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, julho 16, 2007



















Pensei um dia ser folha
De terra,
Como se da terra me separasse.
Diamante retirado em dor
Ao ventre de minha mãe.
Pensei um dia ser folha
De terra,
Putrefacta na essência do tempo
Massa orgânica,
Que solta a vida após a morte
Numa ária de esperança renovada
Em folha separada
Do ventre de minha mãe

Manuel F.C. Almeida

sábado, julho 14, 2007














Fiz das minhas canções segredos
Roubados às noites de tormenta,
Onde dancei contigo ao som
Da voz de Circe.
E condenado, naveguei
Até ás margens do teu corpo...

Atraido pelo teu canto.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, julho 12, 2007















Quando me beijas o beijo com que te beijo
É como a brisa que toca as ondas do mar
E as solta e liberta num andamento
Incessante de procura de ti



Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, julho 11, 2007










foto by: ABrito









Na tua barca, naveguei a corola
Dos dias em que o teu perfume
Me embriagou e me fez cativo
Das fragrâncias de que só o teu
Corpo conhece os segredos.
Mas a barca agora é minha
E é nela que cavalgo a maré
Que me leva ao farol
Do teu ser.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, julho 10, 2007


colectivamente só


foto by: Marta Ferreira - www.mfotografia.com

Passado, presente, futuro.
Um concerto temporal
Intensamente incessante
No movimento normal
Deste conceito só nosso
Num mundo tão
Obscenamente igual.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, julho 09, 2007









foto by: Carla Salgueiro

Sinto-me eu
Na tua palma da mão.
Lá, encontro o sonho
Intemporal
Resgatado ás memórias
Do tempo que um dia
Quis "ser".

Manuel F.C. Almeida

domingo, julho 08, 2007
















tempos


Fecharei a memória da angústia
Antes de retornar ao teu planeta
Toquei-te a alma, vou dar-te um beijo
Irei brilhar como um cometa
Mas recorda-me na lembrança do olhar
Agora é talvez tempo de te abraçar.

Manuel F.C. Almeida

sábado, julho 07, 2007



Um professor de Filosofia entra na sala de aula, põe a cadeira em cima da mesa e escreve no quadro:
"Provem-me que esta cadeira não existe".
Apressadamente, os alunos começam a escrever longas dissertações sobre o assunto.
No entanto, um dos alunos escreve apenas duas palavras na folha e entrega-a ao professor.
Este, quando a recebe, não pode deixar de sorrir depois de ler:
"Que cadeira?"
Conclusão:
Não procure chifres em cabeça de cavalo ou pêlo em ovo. Opte pela simplificação.


"anónimo"













foto by : ABrito



Quis voar com as asas presas
E os meus dedos nos teus dedos
Numa dança estática de mãos,
Desenhando assim uma
Constelação oceânica
Na procura incessante
Do sentido.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, julho 05, 2007


















À sombra das acácias
O rubor das faces
Desfaz o nó
Dos sexos cativos,
Nos corpos em
Turbilhão.
E o portal do amor
Enche as ânforas
Do desejo,
Com a ambrósia
Que o nirvana
Nos promete.

Manuel F.C. Almeida

terça-feira, julho 03, 2007





foto by: António Manuel Pinto da Silva









Imagina-me no teu tempo;
Quando te dei um anel de jade
E te pintei as mãos com incenso
De mar.
Eu descia sozinho as escadas
Do rio e tu...
Tu surgiste vinda do nada
Com um leve caminhar
Difuso e a altivez das aves
Selvagens.
Não te pude ver o olhar,
Encerrado que estava num castelo.
Mas apreciei o teu gesto de filigrana,
Quando me tugiste a alma
Com o espelho dos teus olhos,
E me deste um motivo
Para voltar a sentir a centelha
Do caminho.
Um caminho que de tão longo
Me parecia não ser caminho.
E no tempo que vive um olhar,
Uma luz incendiou-me
O espaço e o tempo, numa explosão
De cor, onde os flamingos se espraiaram
E se entregaram aos deuses.
É!.. foi o tempo de perder memórias,
De despir o fato pesado da aparência
E me transfigurar na minha pessoa.


Manuel F.C. almeida