sexta-feira, maio 18, 2007



foto by: marta

Nua, levitavas numa dança
Tantrica de pernas abertas
E sexo de romã.
E foi em mim que saciaste
O fruto, a sede, a cor.
Ontem, hoje, amanhã.


Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, maio 17, 2007



















foto by: sgthotlips
Hoje estás nua, apetecível
Caem-te os cabelos sobre os ombros
E os seios erguem-se para os céus
O teu sexo feito lar
Abre-se em rosa ao meu desejo.
E tudo cresce em nós,
Numa tesão sem medo
E num desejo ensurdecedor
Que a ambos fala em segredo.

Manuel F.C. Almeida


foto by: Dani


E era assim mesmo. Vivia preso aos meus sonhos e aos meus fantasmas. Começar ou tentar começar, recomeçar tudo me parecia impossível. Depois o recomeço é sempre carregado de memórias, de lembranças nem sempre boas. Fica sempre presente a ultima palavra. Seja ela qual for.
Era grande a angustia que me assaltava até ao momento em que a Isabel me interrompeu
- Andas mesmo em baixo meu querido. Estes ares fazem-te mal.
- Eu sei. Termino o relatório hoje e amanhã mesmo parto.
Foi patente a tristeza no seu olhar. Mas ambos sabíamos que não deveríamos recomeçar.

quarta-feira, maio 16, 2007



foto by:http://www.paulocesar.eu

Tenho um rio feito de poesia
Que me sai do ventre
Quando se faz dia.
Um rio de vento
Que me sopra na face
Ao passar do tempo.
Um rio a sonhar
Que me vive na alma
Por tanto te amar.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, maio 15, 2007



foto by:Miguel Delgado e Silva



Ó deuses, vinde até mim
Eu bem sei que me avisaram
Mas esta paixão sem ter fim
Até os meus olhos cegaram.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, maio 14, 2007



foto by: Eliara

Fiz do deserto o meu refugio
Nas horas de revolta do meu lar
E num balão de ar quente plantei,
Corais reluzentes da cor do mar
Que se davam como mulheres
A quem os vinha cheirar
Fiz do deserto o meu refugio
Nas horas ternas de te amar.


Manuel F.C. Almeida



foto by: Padroense

Olhei para a Elouise. Era maravilhosa. Livre e nada hipócrita. Uma senhora, noutra situação seria interessante aproximar-me dela. Mas com o espírito cheio de outra pessoa seria infame da minha parte. Ninguém merece isso. Ser uma muleta que se abandona depois de nos curar-mos. Eram estes os meus valores. A honestidade intelectual face aos outros. Muito kantiano, diriam alguns, conservador, diriam outros, poucos descortinariam na minha atitude um profundo amor pelos outros e por aquilo que são. E um profundo respeito por mim mesmo.
Mais uma vez fui interrompido nas minhas cogitações.
- Então! O peixe está bom? – Perguntou a Isabel.
- Delicioso – respondi
- está muito calado, parece que não aprecia a nossa companhia disse a Elouise.
- não pense assim, eu sou mesmo calado. Já fui diferente mas aprendi a viver dentro de mim. Não gosto de incomodar os outros com banalidades ou pensamentos meus. Vivo num mosteiro que é o meu “eu”.

domingo, maio 13, 2007



FOTO BY:Erika Assumpção

Foi numa pétala que te achei
E te recolhi no tempo.
Teu aroma embriagou-me,
Tomou-me os sentidos
E voluptuosamente
Entreguei-me á doce loucura
De te amar.


Manuel F.C. Almeida

sábado, maio 12, 2007



Foto by: http://www.paulocesar.eu

Que fazemos nós
Da luta dos corpos no
Silencio das noites?
Quando fechamos os olhos
Ao outro
E no egoísmo dos espasmos
Reencontramos a graciosidade
Da palavra
Vivida a dois.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, maio 11, 2007


Estou cada vez mais farto de tudo isto. Não vejo um único momento em que a cara das pessoas seja tingida com as cores da esperança. Agora temos uma nova técnica de exercer o poder. Chama-se a Denúncia. A denúncia ocupa nos dias de hoje um papel central na governação do País. O partido do governo, neste tempo o PS, dedica-se a convidar as pessoas a denunciarem os seus vizinhos, conhecidos e desconhecidos por tudo e por nada. Aos Funcionários Públicos, segundo dados oficiais 700 mil, estendeu essa recomendação e tornou-a numa OBRIGAÇÃO.
Isso mesmo, segundo O PARTIDO SOCIALISTA e o seu conceito de um socialismo renovado e moderno, a sociedade, o aparelho de estado e toda a vida desta comunidade miserável a que chama-mos Portugal, deve ser gerida pelo principio da denuncia, delação e suspeita. Portugal já viveu esta realidade varias vezes. Aos tempos da SANTA INQUISIÇÃO, era comum a inveja, o ódio, a cobiça e a mesquinhez serem os motivos para denunciar alguém. E para os queimar. Desde sempre o povo português teve esta propensão para a denúncia. No anterior regime, Salazar conhecendo esta realidade explorou-a de forma inteligente. As vilas e cidades operárias eram locais de luta mas também de informadores. A tortura, os maus-tratos e em alguns casos a morte, eram produto de um povo que colaborava.
O poder instalado sabe isso, sabe que nada melhor para controlar uma sociedade que o medo. O medo de perder o emprego, o medo de fumar, de contrariar o politicamente correcto, o medo tomou conta de Portugal inclusive o medo de dizer não.
Por isso, como se sentirá o poeta deputado e vice presidente da A.R, que um dia escreveu “ há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não” ao dar o seu apoio a este regresso do medo e da denuncia, quando o seu partido recusou uma proposta de lei que mandava investigar o enriquecimento ilícito? isso som motivo de suspeitas fundadas.
Eu entendo que isto da ética e da lei seja apenas para alguns, mas ao menos tenham o decoro de o não fazer tão explicitamente.

quinta-feira, maio 10, 2007



foto by: miguel pereira

Eu sempre te amei e não sabia
A cor do cabelo, do teu olhar,
Eras ideia que eu sempre via
No meu dormir, no meu sonhar.


Eu sempre soube que te amava
Faltava uma face, um caminhar
Mas naquele dia, que te olhava
Foste um farol a despertar.


Eu sei, tu sabes, ambos sabemos
Que nem tudo é fácil de reconstruir
Mas se sabemos o que queremos
O futuro é feito sempre a sorrir.


Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, maio 09, 2007



FOTO BY: Miguel Delgado e Silva

Tomei-te o rosto
De um trago
Aspirei-te o perfume
De fêmea
E desfiz contigo
As nuvens
Do meu horizonte.

Manuel F. C. Almeida



foto by:Paulo Penicheiro

Entrámos num lugar rústico. Agradavelmente decorado com materiais da região. A dona de imediato cumprimentou a Isabel e a Elouise. Indicou-nos uma mesa e por artes mágicas fez surgir uma travessa com queijos e enchidos da região. Olhei para tudo e não consegui evitar uma sensação de revolta. Afinal eu não podia comer nada daquilo e o aspecto era magnífico.
- Em que pensas – perguntou a Isabel
- Em nada de especial, nas minhas limitações.
- Mas que tem? – Perguntou a Elouise.
De forma breve resumi a minha história clínica, que infelizmente não é famosa. Estava a meio da história quando, para espanto meu, a senhora me traz um bom peixe grelhado e para as senhoras umas boas migas com entrecosto de porco preto. Era injusto mas fiquei espantado. A Isabel explicou-me que tinha tomado a liberdade de encomendar peixe para mim. Era uma delícia. Aliás ambas eram uma delícia mas não mais que isso. Eu estava a viver um drama enorme. O trabalho que me propunha fazer estava feito. Era só elaborar um relatório e podia partir. No entanto apetecia-me ficar ali mais uns dias. A companhia da Isabel era tão agradável. Sabia que não era mais que isso. Mas sentia-me em casa quando estava perto dela.

terça-feira, maio 08, 2007

http://www.paulocesar.eu

homenagem aos G.N.R

Vou sonhar que te amei
Que te encontrei
Numa gruta iluminada
Vou cheirar que te amei
Que te tomei
Numa estrela abandonada
Vou cantar que te amei
E que te achei
Á boleia nesta estrada.


E sempre que te olhar
Vou-me encontrar.
Nesta vida amortalhada
E sempre que te olhar
Vou-me encontrar
Nesta vida adiada.


Vou sonhar que te amei
Que te olhei
Estavas nua, convidada
Vou sonhar que te amei
E que cheirei
Tua púbis orvalhada
Vou sonhar que te amei
Que te beijei
Numa ânsia entesada.


E sempre que te olhar
Vou recordar
Uma promessa adiada.
E sempre que te olhar
Vou recordar
Uma face calculada.


Vou sonhar que te amei
Que te matei
Numa hora malfadada.
Vou sonhar que te amei
Que te deixei
A canção está terminada.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, maio 07, 2007



Foto by: helena margarida pires de sousa

A teu favor tinha,
A sensação de verdade.
O querer acreditar ser possível
Nem sabia se tinha o teu amor
Impossível.
A meu favor, tinha
A honestidade do olhar
O querer estar, acreditar
E todo este amor
Pronto explodir.
A nosso favor tínhamos
Tudo e nada
E quando vislumbrámos um rochedo
Eu… fiquei só.
Tu foste... o meu olhar ganhou medo.
A meu favor só me posso ter a mim

O caminho feito só, feito segredo..

Manuel F. C. Almeida

(a partir de alexandre O'Neill)


Mas a verdade no meu interior era a presença de quem eu tinha perdido. Não ia trair-me por nada deste mundo. E era tão doce e tão presente que queria vive-lo para sempre.
-chegámos, isto hoje ta ainda mais bonito – disse a Isabel
- Sim está maravilhoso, há tempos que não vinha aqui – respondeu a elouise.
Olhei para a paisagem. Estávamos numa das abas que ladeavam o rio. Cá de cima o rio via-se a serpentear por entre o recorte do seu antigo leito. As últimas chuvas tinham-lhe dado algum caudal e nas suas margens a natureza manifestava-se de maneira generosa e linda. Era um local maravilhoso sem duvida. Afastei-me um pouco delas e dissimuladamente voltei a olha-las. Ambas jovens, ambas belas, ambas desejáveis ambas inacessíveis para mim. Vivia uma maldição.
- vamos entrar – disse a Isabel – vens ou não?
- desculpa, claro que sim.

sábado, maio 05, 2007



foto by: helena margarida pires de sousa

Tenho um sonho:
Um dia vou fugir de todos vós.
Vou fugir de todas as coisas.
Das obrigações, das obrigações..

Irei em direção ao sol
Para o esquecer,
Subirei a montanha
Para a perder
Olharei o céu
Para ficar ausente.
E só,
lograrei fugir de mim
Lograrei fugir de mim………
No presente, para sempre.

Manuel F. C. Almeida.

sexta-feira, maio 04, 2007


Há uma lenda em cada olhar
Que se perde no horizonte
Historias lindas de encantar
Que fazem do olhar uma fonte.
Umas falam só de esperança
Num novo dia a nascer
Outras de amor e lembrança
Histórias tristes de morrer.
Há lendas que fazem os tempos
Mais cinzentos ou coloridos
Lendas que chegam nos ventos
Que me sopram aos ouvidos.
Manuel F.C. Almeida

foto by: Sérgio P.
A Isabel conduziu-nos pelos campos que começavam a apresentar o tom colorido das pequenas flores campestres. Eu seguia em silêncio. Eram muitas as coisas que me assaltavam o pensamento. Aparentemente tudo estava explicado. Tinha agora a difícil tarefa de comunicar tudo à Policia. Tinha também pela frente algumas decisões difíceis. Era óbvio para mim que me sentia deslumbrado por três pessoas. Isabel, Fatima e Elouise. Também tinha a certeza que uma outra pessoa vivia dentro de mim. Por quanto tempo mais? Não sabia. No entanto sabia que não seria honesto caso iniciasse algo sem que me sentisse preparado para tal. Sentia atracção por três mulheres, uma já presente no meu passado, outra que ocasionalmente conhecera mas que não significava mais que deslumbre a ultima era na verdade diferente. Tão diferente, que me apercebi disso no exacto momento em que a conheci. Tão diferente que me deslumbrou.

quinta-feira, maio 03, 2007


foto by MARIAH
Escrito o poema,
A maldição renova-se.
Um novo frenesim se manifesta
E se precipita na
Ânsia de um novo poema
A nascer.
Tudo se assemelha a uma
epidemia .
O poema,
O próximo poema
Todos os poemas.

Ser poeta é estar doente.

Manuel F. C. Almeida.